IMAGEM [do lat., imago áginis. = reflexo, máscara, sombra, alma, fantasia, fantasma]
"Ora se numa imagem literária o invisível se torna visível ao tornar o visível invisível, concluo que esta será uma construção efetuada pelo 'leitor', que pode, ou não, existir enquanto imagem visual. É uma imagem que opera na plataforma da 'divisibility', traduzindo aparências e aparições. Aparições no sentido de fantasmas, tal como acontece no romance de Lawrence Sterne, em que todos os personagens, à exceção de Tristam Shandy, são espectros." (Aquela Que Procura Oz)
"Ora o cinema, enquanto arte que, no dizer do grande cineasta e teórico Andrei Tarkovsky, 'capta o tempo em forma de fato', é um meio privilegiado de 'dar a ver' e de proporcionar a própria experiência do 'acontecimento', que é a categoria espácio-temporal na qual se fundamenta a ação de qualquer objeto narrativo. Poder-se-á colocar, evidentemente, a pergunta acerca da relação entre o cinema e o teatro, lugar por excelência da representação do 'movimento total da ação', segundo a terminologia de Hegel. (...) Para o realizador [português Manoel de Oliveira], a palavra é de fato equivalente a uma imagem. Filmar uma palavra é como filmar um rosto. A palavra não tem, pois, no seu cinema, um valor complementar, mas antes existe lado a lado com a imagem e com a música, evidenciando o seu lugar e o seu peso próprios, que é, nada mais nada menos, que o de ser 'a vida, a representação da
vida', 'a coisa mais rica do mecanismo humano'. Além disso, como nos disse o realizador numa entrevista em Coimbra, na Quinta das Lágrimas, é a palavra que implica o movimento, é ela que é dinâmica. Sem a palavra, o cinema seria mero registro de imagens 'estáticas', como a fotografia, ainda que sequenciais, ou desprovidas do seu sentido último. (...) O que importa reter da teoria barthesiana, no contexto da presente comunicação, é a constatação de que a imagem visual, no plano da significação, tem necessidade da palavra como fator de fixação do sentido. (...) Tanto a imagem cinematográfica como o signo verbal (escrito) da literatura possuem valor icônico – ainda que alguns autores não se dispensem de sublinhar que o possuem em grau variado, de acordo com os seus diversos modos de recepção: 'O signo verbal, com a sua baixa iconicidade e a sua elevada função simbólica, funciona conceitualmente, enquanto que o signo cinematográfico, com a sua elevada iconicidade e a sua incerta função simbólica, funciona diretamente, sensoriamente, perceptualmente' (McFARLANE, Brian. Novel to Film. An Introduction to the Theory of Adaptation, Oxford, Clarendon Press, 1996)." (Maria do Rosário Lupi Bello)
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
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