Acabei de sair da segunda sessão de terapia com um psiquiatra freudiano. A tese dele é de que eu me boicoto, que eu começo muitas coisas e, quando deslancham, eu pego uma tangente. Também é tese dele que o grau de exigência que eu tenho e que a minha filosofia de ser verdadeiro em qualquer situação são mecanismos que eu uso para me afastar das coisas e das pessoas, a fim de não precisar mudar. Ele perguntou se o Douglas Rotineiro é mais forte que o Douglas Não-Rotineiro. Ele sugeriu que eu não consigo começar a compor o segundo input_output porque eu tento me colocar em rotinas, a fim de dominar a situação e não sentir medo ou insegurança.
Da minha infância-adolescência até hoje, eu criei, sim, mecanismos que garantissem a construção da minha segurança, da minha autoconfiança. Ser inseguro era péssimo. Agora, procurar ser seguro também é? Eu era inseguro porque não me identificava com os outros, e parte da minha segurança atual é a confiança que eu tenho em mim mesmo. Porque, se eu não for eu, quem eu vou ser? Até que ponto resolver um problema interno não te leva a outro problema? Até que ponto um psiquiatra, que é uma pessoa "como nós", pode julgar com isenção os nossos problemas? É semelhante à questão do árbitro da justiça.
Por exemplo, eu não vou continuar com esse psiquiatra, porque eu me identifico com o seguidores do Jung. Ele não aceitou essa minha escolha, argumentou que não importa a linha, importa que todo profissional quer a felicidade do seu paciente. Então para que existem as diferentes linhas, se não importa? Então não há uma diferença enorme entre o método freudiano, de divã e mudez encaradora do terapeuta, e o jungiano, uma conversa "informal" frente a frente? E qual é a autoridade de um profissional que se sente rejeitado no momento em que o paciente decide optar por outra linha de abordagem? Ele disse que, se eu quero Jung, há os livros. Até que ponto eu estou boicotando ou estou exercendo as minhas escolhas, a minha liberdade? Fui dizer para o Mestre que havia decidido parar com a prática do tai chi chuan e ele também sugeriu boicote, e ficou minutos argumentando para tentar evitar a sua sensação de ter sido rejeitado. Agora eu não sei mais o que é melhor para mim? Ou estarei eu cego, diante do Douglas Boicotador?
O freudiano - e klaniano - esse disse que até desconhece o método utilizado pelos colegas jungianos.
"(...) Olhos nos olhos, poltronas frente a frente e mesinha auxiliar com uma caixa de lenços de papel. O cenário, parecido com uma sala de visitas, é o mais comum nos consultórios. Nesse ambiente de proximidade, o paciente dialoga com o terapeuta. Na conversa com um adepto das teorias do suíço Carl Gustav Jung, ex-discípulo de Freud que, em 1913, cunhou o termo 'psicoterapia analítica' para determinar seu método de trabalho, a análise leva em conta não apenas as questões internas e individuais do paciente, mas também fatores externos, disseminados pelo consciente e pelo inconsciente coletivo da humanidade. Características familiares e contexto social e cultural ativam elementos do inconsciente, contribuindo para moldar quem somos. Por isso Jung acreditava que não basta entender o problema. A compreensão é racional, e as pessoas têm que entrar na emoção contida naquela vivência. Ao viver a descoberta, a pessoa libera a sensação que estava presa. (...)" (Roberta De Lucca, para a Vida Simples deste mês - olha a Teoria da Sincronicidade do Jung aí, depois eu estou errado em escolher o universo teórico do meu analista... Eu vi "TERAPIA" na capa da revista logo que eu saí do consultório, pensando sobre este post ao caminhar pela rua.)
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terça-feira, 26 de junho de 2007
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