Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

segunda-feira, 29 de setembro de 2003

O Roger Waters é um filho da puta.

Ter Mar 05, 08:39:44 PM

Roger Waters. Daqui a exatamente uma semana eu vou estar vendo e ouvindo um deus da música, um dos criadores do Pink Floyd - por mais que esteja velho e sem voz e de ray-ban e de mullet e que coloque um saxofone herético na sua versão solo para Set The Controls For The Heart Of The Sun, de 1968, e que seus discos solos sejam cópias carbonos do último disco criativo do Pink Floyd, The Wall, de 1979. Eu vou chorar muito. Graças ao Sapo, que me deu o ingresso. (...)

Seg Mar 25, 09:39:21 AM

Meus sentimentos sobre o show do Roger Waters.

. . . o Roger Waters está velho, sem criatividade e repetitivo desde 1979, já se misturou com política, é acompanhado de músicos profissionais demais. Correto. Mas o Roger Waters é o Roger Waters. Ele pode. Ele é deus. Ele foi deus, que seja, então ele é deus. Ele esteve a metros de mim, eu ouvi a voz dele por meio apenas de um microfone e de umas caixas de som. Ele era uma das mentes do Pink Floyd. Eu ouvi a voz dele cantando In The Flesh, Another Brick In The Wall (Part II), Mother, Comfortably Numb, Welcome To The Machine, Shine On You Crazy Diamond, Wish You Were Here, Pigs On The Wing, Dogs, Speak To Me, Breathe, Time, Money e Set The Controls For The Heart Of The Sun. E algumas do The Final Cut (1983), álbum quase-solo, e várias de sua carreira solo. Eu ouvi a voz dele cantando essas músicas, resultados da mente dele. Eu ouvi ecos da mente dele, da alma dele.

Nunca provavelmente alguém vai ver e ouvir o Pink Floyd ao vivo no Brasil. Mas o Roger Waters veio para Porto Alegre. Desembarcou no aeroporto Salgado Filho, passou pelo Laçador, comeu e dormiu na cidade, fez xixi e cocô. Uma parte do Pink Floyd esteve aqui. E eu estive também, no mesmo lugar. Vi, ouvi, pensei em tudo o que aquele homem lá em cima representa para mim e representou para uma vida mais decente de todos os humanos sensíveis na Terra. E chorei. Chorei. Chorei. Não consegui cantar junto de tanto que chorei. (...)

Que prazer. (...) Que prazer em ver o baixista do Pink Floyd tocando e cantando com a alma, o corpo "dançando" de acordo com a música.

A melhor parte do show foi quando Roger falou que eles iriam fazer uma pausa de 20 minutos. Ele falou. Era ele, era a voz dele, era o sotaque dele, era a cara dele, era o corpo dele, era o jeito dele, eram os movimentos dele, era ele. Ele. (...) naquele momento não havia a interferência dos músicos que faziam o papel de cover do Pink Floyd. E isso é impossível, ridículo, absurdo. Não há substitutos para Syd, Rick, Nick and Dave. Assim como não há substitutos para John e George.

Outra melhor parte do show foi Shine On You Crazy Diamond, pois Syd foi mostrado no telão. (...)

Roger Waters como vocalista influenciou gênios da voz como Jarvis Cocker, do Pulp, e Trent Reznor, do Nine Inch Nails. Os sussurros e os gritos desesperados que as boas bandas em bons momentos usaram já estão lá na década de 60, em Careful With That Axe Eugene. Alguns dos vocais mais depressivos da história do rock estão no The Wall de 1979: Don't Leave Me Now, One Of My Turns, Nobody Home.

O show do Roger Waters não é a mesma coisa que o show do Sonic Youth, claro. Uma parte não faz páreo com o todo. Por isso enganou-se quem foi ao show do Roger Waters pelo show, e não pelo homem e pela história do homem. Banda de apoio não é arte, não é sentimento. Mas o homem é. O homem é um do Pink Floyd. E o Pink Floyd, já disse o tecladista Rick Wright para a Bruna Lombardi, não é uma banda. É outra coisa maior.

Nenhum comentário: