De: manu colla
Para: douglasdickel
Assunto: please, don't walk all over me
Data: Mon, 30 Jun 2003 15:09:37 -0300
A explicação para o fim do girlietalk. Escrevi agorinha.
Your ears are full but you're empty
Holding out your heart
To people who never really
Care how you are
Hoje acordei com vontade de escrever. Contar que eu às vezes eu durmo toda enrolada, parecendo um caramujo. Que eu gosto de quindins e de livros. Desconfio de gente que é indiferente a cachorros, não gosta de Beatles e brinca de aperto de mão forte. Adoro dias ensolarados, camisetinhas engraçadinhas coloridas e tudo mais. Ando desenvolvendo uma fixação por gatos, adoro passear de braços dados e dançar na sala da minha casa – sozinha, com a Jô, com a Josi ou com o Doug.
Mas hoje também me peguei pensando em assuntos chatos. E, quando as coisas dão errado, tu pode simplesmente se trancar no quarto escutando Neil Young. “They give you this, but you pay for that”. “Be on my side, I’ll be on your side”. Coisas desse tipo.
O que me fez pensar é até simples: uma das piores coisas que podiam ser feitas aconteceu: colocar as pessoas em compartimentos, em saquinhos, juntas ou separadas em grupinhos pequenos ou maiores, aumentáveis por circunstância (ou não, whatever). Eu nunca fui muito boa em formular hipóteses, mas tenho essa mania de vasculhar o motivo de tudo, ou pelo menos brincar com as possibilidades, mesmo que elas não sejam agradáveis.
Caso alguém tenha alguma dúvida, minhas três melhores amigas são minha mãe (ui, miss), minha irmã (que é quem melhor me conhece) e a Dani (lá de Nova Prata). Eu sei como essas coisas se constroem, e me chateia ver um bilhão de empecilhos se colocarem diante das pessoas mesmo antes delas se conhecerem direito. Quem foi pau no cu quando com quem, quando aconteceu e, principalmente, de quem é a culpa. Agora tem entrevista para tudo – esse é o sistema de logística deste novo mundo. As gavetinhas de classificação também vão além – se tu é amigo de x, tu não pode ser amigo de y. É uma rede às avessas, um círculo bem fechado, e eu estou ousando meter a porcaria do meu nariz hebreu nele.
Meu maior pesadelo, eu lembro, era uma festa de aniversário que juntasse todos os meus amigos. Eu me orgulho de ter bastante gente sempre por perto, e gente diferente, gente que eu genuinamente amo, gente completamente diferente entre si. Tem certas coisas que vou guardar dentro de mim pra sempre – e, nesta lista, incluem-se alguns amigos sagrados, vocês-sabem-quem, real topeka people, a família e a srta. Roberta Brandalise (que, sim, merece uma categoria só para ela). A festa de aniversário aconteceu quando comecei a postar no popsong2, lembro que teve bastante gente tirando sarro da minha cara, teve gente fechando a cara, teve stalker conhecido como sempre e também duas ou três pessoas muito legais, que acabaram ficando até hoje – alguns que nem conheço pessoalmente, mas que já arrancaram lágrimas e sorrisos meus, ou simplesmente despertaram aquele sentimento bom de camaradagem “ei, acho que seríamos bons amigos”. A festa acabou aqui, porque dessa vez eu cansei, recolhi meus brinquedos, quero ser Greta Garbo. Sim, provavelmente terei outro blog, mas o formato vai ser diferente – a minha mania de indicar links, as letras de música e alguns textos. Mas só.
Se quiserem conversar, ó: mmcolla@terra.com.br. O telefone de casa é só pedir, o endereço idem. Encontros são o delírio da massa roqueira. Só não quero ficar misturando as coisas, dando motivo pra neguinho ter assunto nos fins de tarde chatos de domingo.
E o pior é que tem gente legal nessa bagaça. Gente de quem eu gosto, e faz tempo. Por que simplesmente a gente não se dá bem?
Eu não sei.
(“simplória!”)
|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

Nenhum comentário:
Postar um comentário