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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

<< Falamos tanto sobre o sentido e significação da obra de arte, que já não podemos ocultar a dúvida que nos assalta em princípio: será que a arte realmente "significa"? Talvez a arte nada "signifique" e não tenha nenhum "sentido", pelo menos não como falamos aqui sobre sentido. Talvez ela seja como a natureza que simplesmente é e não "significa". Será que "significação" é necessariamente mais do que simples interpretação, que "imagina mais do que nela existe" por causa da necessidade de um intelecto faminto de sentido? Poder-se-ia dizer que arte é beleza e nisso ela se realiza e se basta a si mesma. Ela não precisa ter sentido. A pergunta sobre o sentido nada tem a ver com a arte. Se me colocar dentro da arte, tenho que submeter-me à verdade dessa afirmação. Quando, porém, falamos da relação da psicologia com a obra de arte, já estamos fora da arte e nada mais nos resta senão especular e interpretar para que as coisas adquiram sentido, caso contrário, nem podemos pensar sobre o assunto. Precisamos reduzir a vida e a história, que se realizam por si mesmas, em imagens, sentido e conceitos, sabendo que, com isso, estamos nos afastando do mistério da vida. Enquanto estivermos presos ao próprio criativo, não vemos nem entendemos, e nem devemos entender, pois nada é mais nocivo e perigoso para a vivência imediata do que o conhecimento. Para o conhecimento, porém, devemos deslocar-nos para fora do processo criativo e olhá-lo desse lado, pois só então ele se tornará imagem que exprime um sentido. Neste caso, não só podemos, mas até devemos falar de sentido. E assim, o que antes era mero fenômeno, transforma-se em algo que, juntamente com outros fenômenos, terá sentido, algo que representará determinado papel, servirá a certos propósitos e terá efeitos significativos. E, quando vemos tudo isso, temos a sensação de ter conhecido e esclarecido algo. Desta forma, ficam garantidos os requisitos da ciência. Quando, há pouco, comparávamos a obra de arte a uma árvore que surge do solo do qual extrai seu alimento, também poderíamos ter usado a comparação, mais corrente, da criança no ventre materno. Como, porém, todas as comparações claudicam, usaremos de preferência, em vez das metáforas, a terminologia mais exata da ciência. Quero lembrar que denominei a obra in statu nascendi como um complexo autônomo. Este conceito abrange quase todas as formações psíquicas que se desenvolvem em primeiro lugar bem inconscientemente e só a partir do momento em que atingem o valor limiar da consciência, também irrompem na consciência. A associação que então se dá com a consciência não significa uma assimilação, mas uma percepção. Isto significa que o complexo autônomo é resguardado; não pode ser submetido ao controle consciente, nem à inibição e nem a uma reprodução arbitrária. >> (JUNG, Carl Gustav. O espírito na arte e na ciência.)

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