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sábado, 22 de fevereiro de 2014

"Eu preciso manipular o realismo. O realismo não me interessa por nenhum segundo. Eu estou interessado é em lidar com o interior dos personagens. É verdade que o cinema dá uma impressão forte de realismo. Mas os exteriores não são expressados por mim dessa forma. Durante o filme inteiro eu estou procurando entrar em [Céline] Hadewijch. Do começo ao fim, o filme se passa no coração dela, com suas paixões, com o amor que a motiva. Então todas essas paisagens, Paris, elas são realmente o interior da personagem. Não há lógica, o exterior não me interessa, é só uma questão de como tudo exterioriza o que está acontecendo dentro. Mas há elementos que indicam ao espectador que alguma outra coisa está acontecendo que não a mera realidade, que não o mero realismo." (Bruno Dumont)


"O invisível é todo a área da interioridade que é irrepresentável para nós, salvo através do cinema que, a par das coisas visíveis, consegue descobrir as proporções certas e, assim, dar-nos visões e, logo, representações." (Bruno Dumont)


"Enquanto alguns críticos reconhecem seu estilo autoral e questionamentos existenciais, outros simplificam seu trabalho como pessimista e vago no próprio minimalismo. Independente de qualquer opinião, a recusa de Dumont em se enquadrar num modelo de mercado apenas confirma a integridade de um cinema orgânico em busca do 'real' por meio de imagens estáticas, prazeres fugazes e pequenos gestos repletos de significado." (Eduardo Lucena)

Eduardo Lucena: Após um período como professor de Filosofia, você direcionou sua carreira para o cinema nos anos 1990. Como foi essa transição?

Bruno Dumont: Naturalmente, para achar na cinematografia um meio de expressão filosófica, fora do campo estreito da razão e de seu discurso. Por meio de sua expressão visual e sonora, o cinema, parece-me, pode alcançar zonas mais amplas, profundas e obscuras.  Eu não busco o grande público. Esse público não é interessante para mim e não tenho nada a lhe dizer. Faço filmes de acordo comigo e minhas exigências, o que acho ser a postura mais digna. 'Não podemos ter sucesso quando trabalhamos para agradar os outros, mas as coisas que fizemos para agradar a nós mesmos sempre têm alguma chance de interessar a alguém.' Marcel Proust.


"O cinema é feito de filmar o material: o corpo. Filmando o material, o mecânico, nós chegamos ao espiritual. Uma cena sempre significa outra coisa; ela é um sentido para chegar a outro lugar. É uma maneira de levar o espectador a viajar para outro lugar. Você deve ir devagar para chegar longe. Eu não sou metafísico. Eu trabalho com realidade material. Eu filmo o físico; o espectador é que cria o sentimento. Eu não posso intervir. (...) "Eu não dou texto aos atores. Se eles recitam texto, fica horrível. Eu os coloco numa ação que normalmente deve levá-los ao diálogo que eu espero. Eu lhes digo, por exemplo: 'Fique com raina na cozinha, na frente da tevê. Simplesmente expresse o que desejar!' Eu não me importo com o diálogo exato. Somos todos humanos. Em situações similares, nós necessariamente dizemos coisas similares. Eu os ponho numa situação que faz nascer o texto que eu quero. O ator já vem com emoções para a cena: medo, o medo de estar na frente da câmera. É esse medo que induz a emoção da cena. Eu também estou com medo; eu não sei exatamente o que estou buscando. No set, estamos todos participando juntos desse medo. (...) Eu me proíbo de fazer certas coisas, como plano-e-contraplano, porque é insuportavelmente chato, mesmo que seja mais fácil para usar em cenas de diálogos." (Bruno Dumont para Karin Badt)


"Quando estou fazendo um filme, eu não estou preocupado com a resposta do espectador. Eu não estou trabalhando para fazer os filmes acessíveis. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho um grande respeito pelo público, porque sou consciente de que é através do olhar dele que meu filme será completado. Eu sei que eu sou um indivíduo como qualquer outro membro do público, e penso que, se há dignidade no cinema, ela está no público que recebe o filme e o completa." (Bruno Dumont)




"O Pecado de Hadewijch é um filme francês superficial, tedioso, maçante, confuso e superestimado, e eu fiquei completamente decepcionado após assisti-li, principalmente por ser um filme distribuído pela Imovision. É superficial, pois não há nenhuma explicação do por que da católica Céline ser capaz de um ato terrorista em sua busca por Deus. Tedioso e maçante pois parece que utiliza um ritmo extremamente lento para compensar a falta de história ou de conteúdo. Confuso, pois as situações não são claras, com o uso de elipses e flashbacks no roteiro. Superestimado, pois o diretor Bruno Dumont parece ter amigos e fãs que superavaliam este filme na mídia. Eu, por exemplo, fui enganado pelo IMDb User Rating de 6,6." (apócrifo)

"Bruno Dumont é um queridinho dos críticos e daquela turma de narizinho empinado que diz gostar de 'filme de arte'. Já ganhou 18 prêmios, e teve outras nove indicações. O Pecado de Hadewijch venceu o Prêmio Internacional da Crítica (Fipresci) no Festival Internacional de Toronto, e recebeu loas e mais loas na imprensa. É o protótipo do filme feito para parecer 'de arte'. Tem loooooooongas tomadas em que absolutamente nada acontece. E o filme te obriga a ficar vendo e ouvindo uma bandinha de quinta categoria tocando uma musiquinha chinfrim! Hadewijch tem 120 minutos. Parece que dura três dias e meio." (Sérgio Vaz)

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