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sexta-feira, 26 de abril de 2013





















O nosso grande problema é que Porto Alegre e, de forma geral o Brasil, não possui uma política ambiental consistente e lógica, e é por isso mesmo que surgem essas polêmicas. O bairro de Higienópolis, entre muitos, perdeu montes de árvores nos últimos 20 anos, inclusive muitas araucárias, que, teoricamente, não podem ser cortadas. Os jardins sumiram e foram substituídos por espigões. Hoje temos umidade, falta de insolação, falta de aeração, alagamentos e calor infernal no verão. E ruas superlotadas, que não foram projetadas para tal adensamento populacional e tal densidade de veículos. A III Perimetral liquidou com milhares de árvores, que foram substituídas por concreto. Hoje não se aguenta a poluição e a barulheira da dita via. Isso porque a política ambiental brasileira resume-se a “cartórios ambientais”, que emitem “licenças de corte”, sendo que se pode cortar tudo, desde que se pague. O que impera é o “progresso”, e não importa a que custo.

Continuemos assim, e vamos ter temporais cada vez mais devastadores. É o efeito “ilha de calor”, conhecido dos geógrafos, mas, aparentemente, desconhecido para os gestores públicos, que depois só sabem dizer que “choveu demais”. Porto Alegre terá verões cada vez mais insuportáveis devido ao ar cada vez mais quente e estagnado. É o preço de políticas burras, como o “aproveitamento da infraestrutura existente”, que desconsidera completamente as variáveis ambientais envolvidas. Só espero que depois não venham com a choradeira de costume, do “não sabíamos de nada!”

Mauricio Ribeiro
Empresário, Canela/RS
Jornal do Comércio

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