Marcela Donini: Não sou baderneira
Sou usuária de ônibus, estou insatisfeita – para não usar uma palavra impublicável – com o aumento. Admito que ao ler as notícias sobre as primeiras manifestações o fiz com pessimismo e já me conformava em ter de arcar com esse gasto. Achei que não ia dar em nada. Ao ler declarações infelizes e preconceituosas de colegas jornalistas e autoridades, fui ficando ainda mais insatisfeita. Quando vi que uma nova manifestação estava marcada e que muita gente estava assim, muito insatisfeita, como eu, decidi que iria participar do protesto. Percebi que se tratava de um desejo de grande parte da população e que, se o que estava ao meu alcance era ir pra rua gritar, eu deveria ir.
Quando cheguei em frente à prefeitura, onde uma amiga me aguardava, ela me relatou o medo que sentiu ao ver tanto policiamento, algo que foi se mostrando desproporcional à medida em que a multidão tomava as ruas. Fizemos cartazes e encontramos os manifestantes na Avenida Salgado Filho. Uma massa barulhenta e pacífica. Eu sei – e vi, na segunda – que tem muito político que pega carona em situações como essa e gente que depreda o patrimônio – e quero deixar claro que repudio qualquer ato de violência. Mas assim é uma manifestação popular, heterogênea. Se um ou dois manifestantes que picham os muros não são ignorados pela imprensa e pelo poder público, muito menos podem ser desconsiderados os milhares de outros que caminharam pelas ruas defendendo um preço mais justo na passagem e que têm a seu favor o Ministério Público de Contas, que já se manifestou a favor da redução da tarifa. Ou seja, estão longe de ser um bando de ignorantes.
Faço um apelo à prefeitura: que ouça essas pessoas e que cessem as declarações infelizes que incitam a enxergar esta, que é uma manifestação popular legítima, com olhos preconceituosos. Eu não sou baderneira, estou muito longe de queimar ônibus ou agredir quem quer que seja e ouso afirmar que está comigo a maioria das pessoas que vi caminhando ou que aplaudiam a passeata das janelas de casa ou veículos.
Ir às ruas para defender uma causa não é “coisa de desocupado”, assim como andar de ônibus não é só para “quem não pode pagar R$ 300 por um show” (como a declaração preconceituosa de um agente da EPTC). Quinta-feira é dia de protesto de novo. E eu vou estar lá.
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quarta-feira, 3 de abril de 2013
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