Atire no Dramaturgo - um blog de Mário Bortolotto
05/01/2010
esclarecendo : Eu levei três tiros. Eu podia ter morrido. Fiquei dois dias na Santa Casa entre a vida e a morte. Pelo que eu fiquei sabendo, bem mais pra lá do que pra cá. Fiquei sabendo que meus amigos lá fora faziam vigilia por mim. Eu sobrevivi. Pode ter sido pela equipe competentissima de médicos da Santa Casa. Pode ter sido pelo desejo dos meus amigos leais. Pode ter sido pela fria e amorosa determinação da Fernanda e do Brum que me trouxeram milagrosamente em tempo pra Santa Casa. Pode ter sido pela corrente de fé que se instaurou e que se propagou como uma corrente elétrica veloz e que não conhece barreiras ou limites. Pode ter sido uma porrada de coisas desde as lágrimas da minha filha e da minha irmã até às orações de um garoto que mal me conhece, só leu um livro meu e por isso se tornou quase íntimo. Tem coisa mais fudida? Pode ter sido tudo isso. E as pessoas me perguntam "e agora? O que é que muda?" Eu respondo: Na minha maneira de pensar, praticamente nada. Na minha maneira de sentir, bastante. Sou o mesmo cara e não me arrependo de nada. Tá certo. Se eu tivesse mais sóbrio, tentaria negociar com os bandidos. Daria todo o meu dinheiro e tudo certo. Eu sou do Jardim do Sol, de Londrina. Já fiz isso outras vezes. Não partiria pro enfrentamento franco, direto e suicida que foi o que fiz e que resultou nas tres balas que o cara disparou em mim. Mas jamais eu ia deitar no chão como eles pediram pra gente fazer. Porra nenhuma. De onde eu vim, não se negocia dessa maneira. Eles foram folgados e agressivos (agredindo fisicamente amigas nossas) com uma rapaziada tranquila que tava ali tomando sua cerveja de saidera fim de noite total. Eu não estou aqui pregando a reação nesse tipo de acontecimento. Talvez o melhor mesmo seja deitar no chão. Eu só sei que se tivessem mais alguns amigos malucos como o Carcarah naquele bar, a gente tinha enfiado o revólver no rabo daquele filho da puta. Eles acham que nós somos um bando de viadinhos sensíveis e indefesos. Tenho certeza que eles não pensam mais assim. A gente mostrou pra eles que não é bem assim. Eles não conseguiram levar porra nenhuma e o filho da puta ainda teve que descarregar a arma em mim. E eu tô vivo e escrevendo. Então nisso tudo eu só me arrependo de não ter tentado argumentar com mais sobriedade como já fiz outras vezes. O problema é que eu não tava sóbrio pra isso e aconteceu a merda que aconteceu. Espero que isso nunca mais aconteça. Por isso uma de minhas resoluções nova vida é que vou procurar me manter no prumo. Beber só até onde sei que seguro a onda. Por isso adeus meu bom e sagrado whisky. Vc é daquelas mulheres que tiram a gente do centro e sinceramente aí não vejo mais graça. Vou me unir ao Paulão em sua pesquisa por novas marcas de cerveja. Acho que vai ser bacana também. Estou trocando meu querido Jack Daniels pela não menos querida Guiness e irmãs. Tá tudo certo. Mas de agora em diante quando o cara quiser me acertar vai ter que ouvir uma argumentação abalizada antes de me deixar no meio da rua sangrando como um porco e não somente um "atira filho da puta".
Outra coisa: o nome desse blog é "Atire no Dramaturgo", homenagem ao clássico livro "Atire no pianista" do grande David Goodis e vai continuar assim. Foda-se quem não consegue entender isso.
Muito carola entrou nesse blog reclamando que não agradeci à Deus por minha recuperação. Vamos deixar uma coisa bem clara. Sou católico, fui seminarista por cinco anos, acredito em Deus do jeito mais simples possível. Sou grato à Ele por ter me ajudado a sobreviver, mas não vou transformar esse blog num veículo de propagação evangélica. Meu lance com Deus eu acerto com Ele e com mais ninguém. Ou voces se esqueceram do segundo mandamento? Não usar o santo nome de Deus em vão. Rezem suas orações, exibam sua fé com essa gritaria sem propósito que só perturba o merecido sono de Deus, mas não venham me encher o saco com a carolice hipócrita de voces. Que eu saiba, Deus não nomeou nenhum de voces pra puxar a minha orelha.
Falo isso porque depois do incidente, caiu muito paraquedista nesse blog, gente que não faz a menor idéia pra quem estão escrevendo e tentando se comunicar. Gente que nunca leu um texto meu, nunca viu uma peça minha e entra aqui pra falar besteira, dar conselhos e lições de moral. Já deu no saco, falou? Vão ler algum livro do paulo coelho e me deixem em paz. Voces já viveram muito tempo sem saber da minha existência. Continuem me ignorando. Nós não temos nada a ver um com o outro.
Escrito por Mário Bortolotto às 16h51
|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
é!
Postar um comentário