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terça-feira, 24 de junho de 2008
Encontrei isto no meu laptop, num arquivo do Bloco de Notas, e eu não sei se eu já havia colado aqui ou não: "Perfeição é harmonia entre qualidades e DEFEITOS, inexistindo qualquer juízo maniqueísta. No dicionário, a idéia de perfeição está ligada à idéia de completude. A falsa perfeição, a Perfeição George Lucas Pós Retorno De Jedi, em pessoas não existe (nem de modo falso) e só serve pra destruir (como contrário de construir), assim como os cupins estragam uma porta." É de 20 de julho de 2003. Na mesma pasta, encontrei este texto, que com certeza foi registrado aqui, mas vai de novo, até porque é a origem do título do primeiro disco do input_output: "Domingo, uma nostalgia manifestando-se plenamente em mim provocou algo indizível, uma espécie de transcendência única, uma experiência primeva na minha vida. Foi uma visita ao colégio onde eu estudei pelos dez anos mais importantes de formação da minha personalidade, do meu repertório de emoções e imaginações. Quando eu e o Muriel, que foi meu colega desde a terceira série, avistamos o pátio, da janela do corredor, as lágrimas tomaram os olhos e um arrepio absurdo tomou os póros dos braços. Pela visão em si e pela consciência de que abalos maiores ainda iriam acontecer em nós. Descer até o pátio foi mágico. Fui em direção a uma escada que lembrei que servia de assento para eu tomar o meu toddynho ou comer o meu pingo d'ouro. Sentei, sozinho, exatamente onde eu sentava, e então veio a tempestade cinematográfica interior: um choro desesperado, uma percepção devastadora. Eu me senti sendo eu naquele momento e sendo eu em todos os momentos anteriores em que estive sentado ali, naquele degrau. Tive a percepção de toda a minha existência. Dei-me conta de que eu sou um novo homem sem deixar de ser quem eu sempre fui. Todas as transformações ocorrem de acordo com as potencialidades da minha alma. Está tudo aqui dentro, é só puxar mais este lado ou mais aquele outro. Posso eu mesmo puxar; pode outra pessoa puxar. Chorei pela impotência de não poder voltar mais àquele meu tamanho que fazia tudo parecer maior do que hoje parece. Chorei de felicidade por eu ter feito o meu caminho, e não há nada mais bonito do que fazer o próprio caminho. Chorei por eu ainda ser aquele menino, ainda sentar e caminhar e me mexer do mesmo jeitinho. Chorei por todos os temporais e por todos os sóis, e principalmente pelo sol que agora me ilumina. O choro foi convulsivo mesmo, extasiante. Levantei com os olhos inchados e vermelhos e caminhei por todos as escadas e trilhas daquele colégio, reconhecendo cada detalhe, de cada ângulo. Eu lembrei exatamente de todos os cantos. Que coisa louca! Estava escurecendo. Eu, o Muriel, o Suzin e o Pituca, os quatro visitantes, fomos até a sala onde fizemos o terceiro ano. Puta que pariu. Sentei na minha classe e lembrei onde sentava cada colega meu. Havia dois espelhos de classe na parede da sala: o da turma da manhã e o da turma da tarde, ambas de sexta série. Escrevi no quadro-negro: Juliana e Augusto: eu sentava no lugar de vocês em 1993. douglasdickel@..." O arquivo é de 2 de junho de 2003.
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3 comentários:
Ah sim, agora eu vi.
Bju
Mesmo se eu tentasse de novo, conseguir escrever exatamente na hora exata, não conseguiria. Notei isso isso, ao ler o meu comentário depois.
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