Depois de passados três meses de audições, 'Third', do Portishead, apresenta-se a mim como o disco mais importante da música desde 'Nevermind' (17 anos) e 'OK computer' (11 anos) - e como o disco mais importante para a ousadia na música desde 'Kid A' (8 anos). Na primeira audição, ele me impressionou, mas eu não o exaltei muito. Na segunda, achei que não era tão impressionante. Nas seguintes, fui consolidando essa opinião que acabo de registrar aqui. Esse fenômeno chamado 'Third' confirma a fato de que é preciso ouvir muitas vezes um disco quebra-expectativas para que se perceba a sua qualidade e gera pensamentos interessante. Um disco lançado no 14º ano de carreira do Portishead é o terceiro da sua discografia. Foi uma evolução silenciosa de 11 anos. Seus dois discos anteriores são muito bons, mas não tão heróicos quanto esse. Eu lembrei da minha resistência ao 'Kid A', na época de seu lançamento, quando li a seguinte resenha do Danilo Fantinel, em março, no blog (
Volume:
"Você sabe, é só procurar e baixar... e ver que este 'Third' é inferior ao material anterior da banda de Bristol. Os quase 11 anos de intervalo em gravações inéditas não fizeram bem ao trio. Portishead 2008 segue denso e melancólico, mas está sonoramente mais pobre e um tanto quanto perdido. O que antes era visivelmente autoral, refinado e genial agora se mostra confuso e deficiente. (...) As programações de Geoff Barrow parecem fracas e desconexas. O resultado final parece um álbum de uma banda menor, uma espécie de cópia da cópia do trio Portishead safra anos 90."
Comentei no post dele:
Nome: Douglas Dickel
Cidade: Porto Alegre
Estado: RS
Data: Quinta-feira, 13/03/2008 às 16h21min
"Duas questões. 1. Quantas vezes tu ouviu o disco antes de escrever isto? É perigoso dar uma opinião assim de um disco que é uma guinada na carreira. Todo mundo meteu pau no 'Kid A' do Radiohead e no 'White chalk' da PJ Harvey, mas ambos são discos magistrais. Mas, se tu já ouviu muitas vezes, OK. 2. Pobre seria depois de 11 anos uma banda voltar como era antes. Seria no mínimo falso, porque as pessoas vão se transformando o tempo todo. Por que a música, reflexo da pessoa, não acompanharia isso?"
Um mês depois, Diego De Carli, para o mesmo blog, resenhou um show do Portishead:
"Threads, música que encerra o novo álbum, já na versão de estúdio causa arrepios em quem ouve. Quando ao vivo, e cantada aos berros por uma aparentemente frágil mulher, é capaz de levar o mais inabalável dos espectadores aos prantos. (...) Se fechar os olhos e ouvir os álbuns de 1994 e 1997, de cabo a rabo, já eram uma agradável viagem pelos vales do leve desespero, 'Third' leva à outra dimensão. Que perdoem os saudosistas, mas a banda está na sua melhor forma. Para ilustrar o momento, um dos melhores exemplos da nova safra é 'Plastic'. São 3 minutos e 33 segundos de música que te quebra as pernas – ou o que sobraram delas após ouvir 'Silence'. Quase um orgasmo. Um estranho orgasmo, como não poderia deixar de ser. O que se viu em Milão, mais do que se pode ouvir em 'Third', foi uma sessão de experimentalismo maduro, consciente e corajoso. A seleção de 'Machine gun' como música de apresentação do último álbum já deixa claro quem é e onde quer chegar o novo Portishead. (...) Antes ouvir as batidas difíceis, hipnotizantes e quase irritantes de 'Machine gun' do que ser tentado com uma variação simples e preguiçosa de 'Glory box'. Felizmente, o caminho mais fácil não parece ser exatamente uma opção para Beth Gibbons e companhia – alguém lembra do lançamento de 'Kid A', do Radiohead, em 2000? No fundo, o Portishead ainda tem 'Glory box'."
Bravo. E, para confirmar a conexão das cabeças Radio e Portis, eis este vídeo do Thom Yorke e do Jonny Greenwood tocando 'The rip'.
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domingo, 22 de junho de 2008
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2 comentários:
tou te mandando pelo correio o melhor artigo que encontrei sobre o Third do Portished, que saiu a pouco no Guardian daqui. colo um pedacinho só pra sentires o gosto (e veres como estás certo): "Third could be this years Kid A: an arthouse statement, full of wrong-footing structures, sonic ambushes and gnomic anguish, that somehow finds its way into a lot of record colections". e tem de presente uma foto do grupo, com Barrow e Utley desfocados no fundo e Beth Gibbons em primeiro plano, ostentando as rugas mais belas da sua maturidade...
Não tenho teor critico nenhum para opor minha opinião contra essas, mas vejo (e concordo em partes tambem) como foi válido a evolução do portishead nesses anos todos... na verdade, quando ouvi Machine Gun pela primeira vez, pensei se era mesmo Portishead, e esse espanto é BOM, é ótimo, é novo... não gostariamos de um Portishead depois desse tempo todo vindo com Glory Box part II, ou algo do tipo.
Inovação aqui é sinônimo de Third, e que ótimo que nós conseguimos ver isso, e não ficamos restringido a esperar Portishead como só mais um Trip Hopizinho...
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