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terça-feira, 6 de junho de 2006

Eu sei e sempre digo que, fazendo arte, pública, você está sujeito a qualquer tipo de opinião, e deve estar preparado para elas. Ao mesmo tempo eu sei que, tendo um mínimo de contato com a espiritualidade, por exemplo lendo um pouquinho sobre o budismo, você percebe que o alvo das opiniões dos (seres humanos) críticos também é um ser humano. O artista é alguém no mínimo tão passível de sentir dor quanto o crítico. Então me vem a questão da ética. Aprendi, com um ótimo professor, em Brasília, o Zezeu, que o conceito de ética pode ser definido como "evitar a dor". O budismo diz praticamente a mesma coisa, trocando "dor" por "sofrimento". Então vem um impasse: como conciliar isso com a opinião própria e pessoal, a liberdade de expressão, a sinceridade, por exemplo, ressaltada pelo Bruno ao ler a resenha do Eduardo Menezes? Aqui eu me lembro do Muriel, que defende que a crítica verdadeira não é opinião pura, mas análise. Se o crítico não tem capacidade de analisar a obra, não adianta ele dizer "gostei" ou "não gostei", tampouco disfarçar esta negação ou aquela afirmação com palavras bonitas porém esvaziadas, ainda, de análise. Lembro-me também do Cris Selbach, que diz, e na verdade muitos amigos artistas dizem isso, que o crítico não pode detonar ostensivamente uma obra se ele não puder fazer melhor, ou pelo menos apontar os pontos em que a obra falha. Penso, por fim, na mentalidade bitolada das pessoas que nunca moraram em outro lugar senão Porto Alegre e na conseqüente selvageria que são as opiniões de umas "tribos" sobre as outras, nesta cidade. Não tem sentido ficar metralhando as coisas das quais você não gosta, porque elas estão excluídas do seu universo. Assim não há contribuição nenhuma, para nada. No mínimo não é nada, e no máximo é um desserviço. Peço licença para finalizar com uma idéia do Nietzsche reformulada pela física quântica: o indiano Amit Goswami, perguntado sobre a existência do bem e do mal, respondeu que o que existe é a criatividade e o condicionamento. Há quem aja automaticamente, sem estar acordado para o que realmente acontece em cada situação, inclusive dentro de si mesmo, repetindo clichês, e há quem dê os chamados saltos quânticos, inclusive percebendo que motivações inconscientes o levou a ter determinadas reações, atitudes.

(E agora a resposta para a questão abaixo.) R: Quem não entende algo tenta destruir esse objeto estranho para que não se sinta engolido por ele.

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