Paulo Sant'Ana em: Como Dar Banho em Burros.
CACALO: O Kaká tá jogando muito.
WIANEY: No jogo de sábado, na Arena, apareceu um titular da Seleção Brasileira... não deixo por menos... esse Kaká é titular da Seleção.
SANT'ANA: Ah, esse jovem Kaká? É uma revelação esse jogador!
WIANEY: Joga, não "jovem". Joga.
SANT'ANA: O Kaká tem mais de 40 anos!
GRABAUSKA: Não, ele tem 32...
WIANEY: Não, tem 32, Sant'Ana...
SANT'ANA: Esse Kaká tem que ir pra Seleção!
PEDRO: Acabou de ser convocado...
WIANEY: Tem que ser titular da Seleção...
PEDRO: Acabou de ser convocado pros jogos contra a Argentina e contra o Japão, um na China e o outro não sei aonde.
SANT'ANA: Acredito, porque ele é a maior revelação do futebol brasileiro! (...) Tu tá dizendo que o Kaká surgiu com a Seleção Brasileira e eu tenho que ficar quieto?
PEDRO: Ele ressurgiu. RE-surgiu. Re. Re. Sabe? Ele já foi e agora voltou.
SANT'ANA: Onde é que ele tava que ele não era titular?
WIANEY: Não era nem convocado...
SANT'ANA: Mas por quê??
PEDRO: Porque o Felipão convocou outros que fizeram aquilo que tu viu na Copa.
SANT'ANA: Mas faz 15 anos que não convocam! Kaká...
WIANEY: A movimentação que ele tem é de um guri, cara.
CACALO: [fala sobre o Cruzeiro...]
PEDRO: [fala sobre o Cruzeiro...]
KENNY: [fala sobre o Cruzeiro...]
WIANEY: [fala sobre o Cruzeiro...]
SANT'ANA: Eu convocaria o Kaká pra seleção de juniores!
PEDRO: Showbol.
SANT'ANA: Tá na hora! O jogador surgiu reluzente!
PEDRO: Showbol.
WIANEY: Onde é que tu tava, sábado de tarde, Sant'Ana, que tu não viu o jogo do Grêmio?
SANT'ANA: No enterro. No enterro. Desde sexta-feira que eu só vou pra enterro. Eu vou agora no enterro da Maria Isabel. Saio dali e vou pro cemitério da Santa Casa, pro enterro do JK, o Keunecke. Morrendo jornalista e quer que eu fale de futebol?
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
"A parte mais perturbadora dos debates mundanos sobre a visão política das pessoas é a arrogância e petulância do conservador que realmente acredita que, ao investir na SUA própria educação, na SUA própria empresa e pagando os SEUS impostos, está 'levando o país nas costas'. Como pode um sujeito achar que, ao realizar somente atividades particulares, privadas e em benefício próprio, esteja de fato colaborando para a melhoria de vida da coletividade brasileira? Como pode uma parcela privilegiada da sociedade encher o peito para dizer que 'faz muito' ao fazer o mínimo esperado por um cidadão? Essa miopia frente aos fluxos de poder econômico e reparo de injustiças históricas é a parte mais patética do simplório pensamento conservador brasileiro." (Leonardo Brawl)
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Gigante de 2,16%.
"Luciana Genro teve 1,55% dos votos. Eduardo Jorge teve 0,61% dos votos. 2,16% é o percentual da população brasileira que deseja mudanças para a esquerda no Brasil (na sua maioria o eleitor jovem, universitário das classes altas); 41,59% querem que as coisas continuem caminhando como está; 56,05% querem que as coisas mudem pra direita." (Túlio Vianna)
"Luciana Genro teve 1,55% dos votos. Eduardo Jorge teve 0,61% dos votos. 2,16% é o percentual da população brasileira que deseja mudanças para a esquerda no Brasil (na sua maioria o eleitor jovem, universitário das classes altas); 41,59% querem que as coisas continuem caminhando como está; 56,05% querem que as coisas mudem pra direita." (Túlio Vianna)
Congresso eleito é o mais conservador desde 1964, afirma Diap
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap)
(Nivaldo Souza e Bernardo Caram - O Estado de S. Paulo)
Apesar das manifestações de junho de 2013 - carregadas com o simbolismo de um movimento popular por renovação política e avanço nos direitos sociais - o resultado das eleições do último domingo, 5, revelou uma guinada em outra direção. Parlamentares conservadores se consolidaram como maioria na eleição da Câmara, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
O aumento de militares, religiosos, ruralistas e outros segmentos mais identificados com o conservadorismo refletem, segundo o diretor do Diap, Antônio Augusto Queiroz, esse novo status. "O novo Congresso é, seguramente, o mais conservador do período pós-1964", afirma. "As pessoas não sabem o que fazem as instituições e se você não tem esse domínio, é trágico", avalia.
Ele acredita que a tensão criada pelo debate de pautas como a legalização do casamento gay e a descriminalização do aborto deve se acirrar no Congresso, agora com menos influência de mediadores tradicionais, que não conseguiram de reeleger. "No caso da Câmara, muitos dos parlamentares que cuidavam da articulação (para evitar tensões) não estarão na próxima legislatura. Algo como 40% da 'elite' do Congresso não estará na próxima legislatura, seja porque não conseguiram se reeleger ou disputaram outros cargos. Houve uma guinada muito grande na direção do conservadorismo", diz.
O levantamento do Diap mostra que o número de deputados ligados a causas sociais caiu, drasticamente, embora os números totais ainda estejam sendo calculados. A proporção da frente sindical também foi reduzida quase à metade: de 83 para 46 parlamentares. Junto com a redução desses grupos, o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a descriminalização das drogas - temas que permearam os debates no primeiro turno da disputa presidencial - têm poucas chances de serem abordados pelo Congresso eleito, que tomará posse em fevereiro de 2015. (...)
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap)
(Nivaldo Souza e Bernardo Caram - O Estado de S. Paulo)
Apesar das manifestações de junho de 2013 - carregadas com o simbolismo de um movimento popular por renovação política e avanço nos direitos sociais - o resultado das eleições do último domingo, 5, revelou uma guinada em outra direção. Parlamentares conservadores se consolidaram como maioria na eleição da Câmara, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
O aumento de militares, religiosos, ruralistas e outros segmentos mais identificados com o conservadorismo refletem, segundo o diretor do Diap, Antônio Augusto Queiroz, esse novo status. "O novo Congresso é, seguramente, o mais conservador do período pós-1964", afirma. "As pessoas não sabem o que fazem as instituições e se você não tem esse domínio, é trágico", avalia.
Ele acredita que a tensão criada pelo debate de pautas como a legalização do casamento gay e a descriminalização do aborto deve se acirrar no Congresso, agora com menos influência de mediadores tradicionais, que não conseguiram de reeleger. "No caso da Câmara, muitos dos parlamentares que cuidavam da articulação (para evitar tensões) não estarão na próxima legislatura. Algo como 40% da 'elite' do Congresso não estará na próxima legislatura, seja porque não conseguiram se reeleger ou disputaram outros cargos. Houve uma guinada muito grande na direção do conservadorismo", diz.
O levantamento do Diap mostra que o número de deputados ligados a causas sociais caiu, drasticamente, embora os números totais ainda estejam sendo calculados. A proporção da frente sindical também foi reduzida quase à metade: de 83 para 46 parlamentares. Junto com a redução desses grupos, o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a descriminalização das drogas - temas que permearam os debates no primeiro turno da disputa presidencial - têm poucas chances de serem abordados pelo Congresso eleito, que tomará posse em fevereiro de 2015. (...)
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
ODE À FRUSTRAÇÃO
(Don Mateos)
Trabalhe muito mas tenha qualidade de vida.
Trabalhe muito mas leia jornais e revistas.
Trabalhe muito mas leia livros, veja TV e assista os bons filmes.
Trabalhe muito mas assista aos virais “geniais” que seus amigos compartilham.
Trabalhe muito mas se atualize sobre seus clientes, os concorrentes e o mercado.
Trabalhe muito mas estude inglês e mais uma terceira língua à sua escolha.
Trabalhe muito mas vá a academia.
Trabalhe muito mas se espiritualize.
Trabalhe muito mas tenha um tempo pra você.
Trabalhe muito mas tenha tempo para os amigos.
Trabalhe muito mas seja um pai presente e um marido carinhoso.
Trabalhe muito mas tenha um hobbie e toque um instrumento musical.
Trabalhe muito mas cultive hábitos saudáveis.
Trabalhe muito mas participe da vida cultural da cidade.
Trabalhe muito mas faça network.
Trabalhe muito mas esteja por dentro as últimas tecnologias.
Trabalhe muito mas não viva só para o trabalho.
Trabalhe muito mas socialize.
Trabalhe muito, socialize mas dê atenção ao seu cônjuge.
Trabalhe muito, socialize, dê atenção ao cônjuge mas durma ao menos 8 horas.
Trabalhe muito, socialize, dê atenção ao cônjuge, durma 8 horas e acorde cedo para treinar.
Portanto, Socialize mas não beba muito, porque no dia seguinte você acorda cedo para treinar.
Socialize mas não coma bobagens para não atrapalhar o sono nem o treino.
Socialize mas dê atenção aos seus filhos. Afinal, você já trabalha muito.
Socialize: tenha um tempo só seu.
Socialize: tenha um tempo só seu, mas sem excluir seu cônjuge.
Socialize: tenha um tempo só seu, mas depois compense com seu cônjuge.
Socialize também com os amigos do cônjuge.
Socialize e depois socializes denovo com quem você não socializou dessa vez.
Socialize muito mas não vire bon-vivant. Tem que trabalhar muito. E treinar.
Treine sério mas não seja escravo do corpo.
Treine sério mas não seja radical na dieta. Tem que socializar.
Treine sério mas não abra mão de se divertir. E acorde cedo.
Seja viajado tendo apenas 1 mês de férias ao ano.
Seja magro mas beba e coma pra socializar .
Seja sincero e verdadeiro, mas faça network.
Seja sincero e verdadeiro, mas não magoe ninguém.
Pense em você mas não seja egoísta.
Pense nos outros mas não se esqueça de você.
Faça tudo mas faça só o que te faz feliz.
(Don Mateos)
Trabalhe muito mas leia jornais e revistas.
Trabalhe muito mas leia livros, veja TV e assista os bons filmes.
Trabalhe muito mas assista aos virais “geniais” que seus amigos compartilham.
Trabalhe muito mas se atualize sobre seus clientes, os concorrentes e o mercado.
Trabalhe muito mas estude inglês e mais uma terceira língua à sua escolha.
Trabalhe muito mas vá a academia.
Trabalhe muito mas se espiritualize.
Trabalhe muito mas tenha um tempo pra você.
Trabalhe muito mas tenha tempo para os amigos.
Trabalhe muito mas seja um pai presente e um marido carinhoso.
Trabalhe muito mas tenha um hobbie e toque um instrumento musical.
Trabalhe muito mas cultive hábitos saudáveis.
Trabalhe muito mas participe da vida cultural da cidade.
Trabalhe muito mas faça network.
Trabalhe muito mas esteja por dentro as últimas tecnologias.
Trabalhe muito mas não viva só para o trabalho.
Trabalhe muito mas socialize.
Trabalhe muito, socialize mas dê atenção ao seu cônjuge.
Trabalhe muito, socialize, dê atenção ao cônjuge mas durma ao menos 8 horas.
Trabalhe muito, socialize, dê atenção ao cônjuge, durma 8 horas e acorde cedo para treinar.
Portanto, Socialize mas não beba muito, porque no dia seguinte você acorda cedo para treinar.
Socialize mas não coma bobagens para não atrapalhar o sono nem o treino.
Socialize mas dê atenção aos seus filhos. Afinal, você já trabalha muito.
Socialize: tenha um tempo só seu.
Socialize: tenha um tempo só seu, mas sem excluir seu cônjuge.
Socialize: tenha um tempo só seu, mas depois compense com seu cônjuge.
Socialize também com os amigos do cônjuge.
Socialize e depois socializes denovo com quem você não socializou dessa vez.
Socialize muito mas não vire bon-vivant. Tem que trabalhar muito. E treinar.
Treine sério mas não seja escravo do corpo.
Treine sério mas não seja radical na dieta. Tem que socializar.
Treine sério mas não abra mão de se divertir. E acorde cedo.
Seja viajado tendo apenas 1 mês de férias ao ano.
Seja magro mas beba e coma pra socializar .
Seja sincero e verdadeiro, mas faça network.
Seja sincero e verdadeiro, mas não magoe ninguém.
Pense em você mas não seja egoísta.
Pense nos outros mas não se esqueça de você.
Faça tudo mas faça só o que te faz feliz.
"Nós vemos as coisas em um lampejo, em um único momento; mas, tendo visto uma coisa, queremos capturar, segurá-la, dar continuidade a ela. Isso não é estar cônscio de fato. É um pesadelo, este desejo terrível de continuidade. Fique cônscio só por um minuto, um segundo e, nesse único segundo de conscientização, você pode ver a totalidade do universo. E essa não é uma frase poética! Quando você pensa que deve ficar cônscio o tempo todo, transformou isto em um problema, e deveria, então, descobrir realmente por que quer estar cônscio o tempo todo. Veja a ganância que isto implica, o desejo de obter." (Krishnamurti)
"O futuro já não é o que era." (Mão Morta)
"Desapego não significa ficar sem: é uma tranquilidade no relacionamento com as coisas. E desapegar não significa descuidar." (Monja Isshin)
"Que libertação se dar conta de que a 'voz dentro da cabeça' não é quem eu sou! Quem eu sou, então? Aquele que a enxerga lá." (Eckhart Tolle)
"Não pode haver compreensão se existe condenação ou identificação com o que é. Se você condena uma criança ou se identifica com ela, então deixa de compreendê-la. Assim, estando consciente de um pensamento ou sentimento quando ele surge, sem condená-lo ou se identificar com ele, você descobrirá que ele se desdobra mais ampla e profundamente, e descobrirá a totalidade do conteúdo do que é. Mas infelizmente você é condicionado, educado, disciplinado pelo ambiente religioso e social a condenar ou identificar, e não a compreender. Condenar é estúpido e fácil, mas compreender é trabalhoso, requer flexibilidade e inteligência. Condenação, como identificação, é uma forma de autoproteção. Condenação ou identificação é uma barreira à compreensão. A conscientização sem escolha dissolve inteiramente nossos conflitos e misérias, as atividades do nosso pensamento e seus sutis enganos, medos e esperança." (Krishnamurti)
The groundbreaking television phenomenon TWIN PEAKS will return as a new limited series on SHOWTIME in 2016. Series creators and executive producers David Lynch and Mark Frost will write and produce all nine episodes of the limited series, and Lynch will direct every episode. Set in the present day, TWIN PEAKS will continue the lore of the original series, providing long-awaited answers and a satisfying conclusion for the series’ passionate fan base.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Os proprietários do poder
(Maurício Puls)
De uns tempos para cá o PMDB se tornou o grande vilão da política brasileira. É acusado de se oferecer a qualquer governo, trocando votos no Legislativo por um punhado de cargos no Executivo. Além de corromper a administração pública, seu fisiologismo atrelaria o país a uma agenda mesquinha, impedindo transformações estruturais.
De onde vem esse poder maligno? Das urnas. É o partido que mais elegeu governadores, prefeitos e parlamentares desde a redemocratização do país. Ele espelha a vontade do eleitorado nacional – mas mostra o que esse eleitorado realmente é, não o que ele gostaria de ser.
Talvez por isso o PMDB tenha sido tão amaldiçoado nas manifestações de junho: a mão que vota é a mesma que apedreja. Tanto é assim que hoje a legenda lidera as eleições para governador em oito Estados, inclusive no Rio de Janeiro. O que explica esse ressentimento?
Bem ou mal, o PMDB entrega ao eleitor o prato de lentilhas que promete: leva prefeitos aos ministérios, propõe emendas destinando verbas aos municípios, inaugura escolas, postos de saúde, quadras esportivas.
Para entregar as lentilhas, precisa ter acesso ao Executivo – tanto para dirigir as ações governamentais como para liberar recursos para seus redutos. E tem acesso fácil ao Executivo porque está no centro do espectro político, o que lhe dá flexibilidade suficiente para fechar alianças à direita e à esquerda.
A esquerda quer promover a igualdade, e por isso aprova leis em defesa dos trabalhadores. A direita quer preservar as diferenças, logo adota medidas para beneficiar os empresários. Um partido de centro aceita conceder benefícios aos trabalhadores e incentivos aos empresários, desde que tudo fique como está.
No Brasil, o primeiro grande partido de centro foi o antigo PSD (1945-1965), "a voz do Brasil unido". E do PSD saíram os principais dirigentes do moderno PMDB, Ulysses Guimarães (SP) e Tancredo Neves (MG).
Qual é o substrato social de um partido de centro? A propriedade fundiária. Os proprietários fundiários não se identificam nem com os empregadores nem com os empregados, mas formam uma classe à parte. Suas fontes de renda não são impactadas diretamente por variações nos lucros e nos salários, daí sua plasticidade política.
Desalojados da Presidência pela Revolução de 1930, os proprietários fundiários se concentraram no Congresso – hoje os ruralistas representam mais da metade da bancada do PMDB. Como não têm mais força para comandar o país – há quanto tempo o partido não lança um candidato a presidente? –, eles procuram barrar, no Legislativo, todas as iniciativas que possam prejudicá-los.
Em geral conseguem. O PSD impediu a aprovação da reforma agrária no governo João Goulart, e o mesmo fez o PMDB na Assembleia Constituinte. Há dois anos, os ruralistas derrotaram o Planalto em todas as votações sobre o Código Florestal.
É difícil governar sem o centro: o PSD abandonou Getúlio em 1954, fez oposição a Jânio em 1961, rompeu com Jango em 1964. Sabotado pelo PMDB, Collor caiu em 1992.
Após a eleição, o presidente só tem duas opções: ter ou não ter maioria. Quem decidiu a parada foi o eleitor. Este reclama a todo instante que deseja mudar. Mas, quando é chamado a agir, prefere pedir outro prato de lentilhas ao fazendeiro.
(Maurício Puls)
De uns tempos para cá o PMDB se tornou o grande vilão da política brasileira. É acusado de se oferecer a qualquer governo, trocando votos no Legislativo por um punhado de cargos no Executivo. Além de corromper a administração pública, seu fisiologismo atrelaria o país a uma agenda mesquinha, impedindo transformações estruturais.
De onde vem esse poder maligno? Das urnas. É o partido que mais elegeu governadores, prefeitos e parlamentares desde a redemocratização do país. Ele espelha a vontade do eleitorado nacional – mas mostra o que esse eleitorado realmente é, não o que ele gostaria de ser.
Talvez por isso o PMDB tenha sido tão amaldiçoado nas manifestações de junho: a mão que vota é a mesma que apedreja. Tanto é assim que hoje a legenda lidera as eleições para governador em oito Estados, inclusive no Rio de Janeiro. O que explica esse ressentimento?
Bem ou mal, o PMDB entrega ao eleitor o prato de lentilhas que promete: leva prefeitos aos ministérios, propõe emendas destinando verbas aos municípios, inaugura escolas, postos de saúde, quadras esportivas.
Para entregar as lentilhas, precisa ter acesso ao Executivo – tanto para dirigir as ações governamentais como para liberar recursos para seus redutos. E tem acesso fácil ao Executivo porque está no centro do espectro político, o que lhe dá flexibilidade suficiente para fechar alianças à direita e à esquerda.
A esquerda quer promover a igualdade, e por isso aprova leis em defesa dos trabalhadores. A direita quer preservar as diferenças, logo adota medidas para beneficiar os empresários. Um partido de centro aceita conceder benefícios aos trabalhadores e incentivos aos empresários, desde que tudo fique como está.
No Brasil, o primeiro grande partido de centro foi o antigo PSD (1945-1965), "a voz do Brasil unido". E do PSD saíram os principais dirigentes do moderno PMDB, Ulysses Guimarães (SP) e Tancredo Neves (MG).
Qual é o substrato social de um partido de centro? A propriedade fundiária. Os proprietários fundiários não se identificam nem com os empregadores nem com os empregados, mas formam uma classe à parte. Suas fontes de renda não são impactadas diretamente por variações nos lucros e nos salários, daí sua plasticidade política.
Desalojados da Presidência pela Revolução de 1930, os proprietários fundiários se concentraram no Congresso – hoje os ruralistas representam mais da metade da bancada do PMDB. Como não têm mais força para comandar o país – há quanto tempo o partido não lança um candidato a presidente? –, eles procuram barrar, no Legislativo, todas as iniciativas que possam prejudicá-los.
Em geral conseguem. O PSD impediu a aprovação da reforma agrária no governo João Goulart, e o mesmo fez o PMDB na Assembleia Constituinte. Há dois anos, os ruralistas derrotaram o Planalto em todas as votações sobre o Código Florestal.
É difícil governar sem o centro: o PSD abandonou Getúlio em 1954, fez oposição a Jânio em 1961, rompeu com Jango em 1964. Sabotado pelo PMDB, Collor caiu em 1992.
Após a eleição, o presidente só tem duas opções: ter ou não ter maioria. Quem decidiu a parada foi o eleitor. Este reclama a todo instante que deseja mudar. Mas, quando é chamado a agir, prefere pedir outro prato de lentilhas ao fazendeiro.
"Fomos muito conservadores e só introduzimos [no DSM IV] dois dos 94 novos transtornos mentais sugeridos. Ao acabar, nos felicitamos, convencidos de que tínhamos feito um bom trabalho. Mas o DSM IV acabou sendo um dique frágil demais para frear o impulso agressivo e diabolicamente ardiloso das empresas farmacêuticas no sentido de introduzir novas entidades patológicas. Não soubemos nos antecipar ao poder dos laboratórios de fazer médicos, pais e pacientes acreditarem que o transtorno psiquiátrico é algo muito comum e de fácil solução. O resultado foi uma inflação diagnóstica que causa muito dano, especialmente na psiquiatria infantil. Agora, a ampliação de síndromes e patologias no DSM V vai transformar a atual inflação diagnóstica em hiperinflação." (Allen Frances, que dirigiu durante anos o Manual Diagnóstico e Estatístico – DSM, documento que define e descreve as diferentes doenças mentais)
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Toda criança tem sempre uma figura por trás, que é um cachorro.
O riso dos outros
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humor,
política,
psicanálise,
psicologia
Augusto Darde:
Pessoal que critica o "politicamente correto" parece não se tocar de uma coisa. Dizendo coisas como "e fdp, pode falar??", querem dar a entender que o "politicamente correto" é um controle quase ditatorial sobre as declarações. "Não se pode mais falar nada, se foi a criatividade, a alegria, o humor!", lamentam.
Não, não se foi o humor. Muito menos a criatividade ou a alegria. E, muito menos, o "politicamente correto" seria uma ditadura. Não tentem acusar o "politicamente correto" de conservador.
Conservador é você, que reclama "Não se pode mais falar nada!". Você quer voltar a um suposto tempo ideal onde "Tudo podia", onde tudo era alegre e onde as pessoas não se ofendiam, eram fortes, não eram "frescas". Não: as pessoas sempre se ofenderam. As pessoas cansaram de se ofender.
O "politicamente correto" pede o novo. Pede que todos sejamos criativos. O humor deve ser reformulado. As piadas devem ser atualizadas para o presente. A graça não deve mais vir da ofensa ao próximo. Vocês não conseguem ver que o "politicamente correto" é justamente o contrário do conservadorismo? O "politicamente correto" é a voz que convoca as mentes criativas, que sabem rir do real humor inteligente, não do fraquíssimo e velho humor que humilha. O "politicamente correto" é o novo e veio pra ficar. Adaptem-se, mentes inertes.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
<< Guardar a raiva para si mesmo pode até provocar algumas doenças, como alergias, asma brônquica, dermatites, síndrome do intestino irritável e fibromialgia. No entanto, ainda são poucas as pessoas que percebem essa associação. "Às vezes você sai de uma reunião com uma enorme dor de cabeça, termina um almoço com muita dor de estômago e não percebe que isso está associado ao fato de não ter se posicionado como gostaria. Quando chega em casa, pensa em tudo o que deveria ter falado e não teve coragem naquele momento. E se sente muito mal por isso", diz Denise Gimenez Ramos, psicóloga e professora titular do programa de pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP. >> (Elisa Correa/Vida Simples)
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.
(Manoel de Barros)
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.
(Manoel de Barros)
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