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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Segundo Drumond (não descobri quem é), são quatro os estágios do processo de aprendizagem: incompetência inconsciente, incompetência consciente, competência consciente e competência inconsciente (achei interessante).
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
FireFriend - Dubster (input_output remix)
FireFriend: "Daqui a alguns dias nós vamos lançar uma nova música, Dubster, e quatro remixes infernais, feitos por Daedelus, input_output, Macário da Manada, Cello Zero. Mas, antes, queremos que você veja, baixe e ouça tudo isso no nosso novo site."
Link alternativo para baixar os outros remixes e a original.
"(...) O FireFriend surgiu em 2005 de um projeto solo de Yury Hermuche (vocais, trompete e guitarra), que depois convocou Julia Grassetti para tocar o cello e comandar os vocais. O bateirista Pablo Orue entrou em 2006, quando a banda já tinha um CD. De origem barulhenta, a banda hoje bebe bebendo em fontes que vão de Sonic Youth ao britrock - sempre com letras em português, 'ácidas e brasileiras', como define Pablo. Em Safari, o terceiro álbum, os remixes surgiram da necessidade de criar 'sabores diferentes' na hora de divulgar a banda. 'Estávamos conversando uma forma de explorar mais as músicas que iamos lançar, aí veio a idéia de procurar alguns DJs legais para conversarmos. Fizemos uma listinha do MySpace e, depois de escolhidos, começamos a trocar mensagens com os caras', explica Pablo Orue, bateirista do FireFriend. 'Alguns falaram não, outros falaram sim.' Desses que falaram sim, o ótimo produtor americano de hip hop Daedelus, fera das colagens e samples, que fez uma versão desacelerada e líquida para 'Dubster'. Do Brasil, remixes do gaúcho Douglas Dickel aka input_output, do produtor de hip hop Macário da Manada e de Cello Zero, nome por trás do trio NRK. (...)" (Jade Augusto Gola/Rraurl)
FireFriend: "Daqui a alguns dias nós vamos lançar uma nova música, Dubster, e quatro remixes infernais, feitos por Daedelus, input_output, Macário da Manada, Cello Zero. Mas, antes, queremos que você veja, baixe e ouça tudo isso no nosso novo site."
Link alternativo para baixar os outros remixes e a original.
"(...) O FireFriend surgiu em 2005 de um projeto solo de Yury Hermuche (vocais, trompete e guitarra), que depois convocou Julia Grassetti para tocar o cello e comandar os vocais. O bateirista Pablo Orue entrou em 2006, quando a banda já tinha um CD. De origem barulhenta, a banda hoje bebe bebendo em fontes que vão de Sonic Youth ao britrock - sempre com letras em português, 'ácidas e brasileiras', como define Pablo. Em Safari, o terceiro álbum, os remixes surgiram da necessidade de criar 'sabores diferentes' na hora de divulgar a banda. 'Estávamos conversando uma forma de explorar mais as músicas que iamos lançar, aí veio a idéia de procurar alguns DJs legais para conversarmos. Fizemos uma listinha do MySpace e, depois de escolhidos, começamos a trocar mensagens com os caras', explica Pablo Orue, bateirista do FireFriend. 'Alguns falaram não, outros falaram sim.' Desses que falaram sim, o ótimo produtor americano de hip hop Daedelus, fera das colagens e samples, que fez uma versão desacelerada e líquida para 'Dubster'. Do Brasil, remixes do gaúcho Douglas Dickel aka input_output, do produtor de hip hop Macário da Manada e de Cello Zero, nome por trás do trio NRK. (...)" (Jade Augusto Gola/Rraurl)
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O Milan vai ser mesmo o Dream Team do futebol em 2008/2009. Depois de juntar Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato (ambos já se entrosando como titulares da Seleção Olímpica), levou o Kaká na transação mais cara da história e agora está chamando o ucraniano Shevchenko. Além disso, tem Pirlo, Maldini e os brasileiros Emerson e Dida.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
José Saramago, na Redenção, em 2005:
"Tenho uma má notícia para lhes dar. A má notícia que tenho a vos dar, sobretudo depois de ter escutado os nossos amigos que falaram antes de mim, é que eu não sou utopista. E a pior notícia ainda é que que considero a utopia, ou o conceito de utopia, não só inútil como também tão negativo como a idéia de que, quando morrermos, todos, vamos ao paraíso. (...) Há uma condição que é indissociável do pensamento utópico, o modo do ser humano de olhar a vida, e não só no sentido material, mas na dimensão espiritual, na dimensão ética, na dimensão plural, que é a reinvenção do desafio. (...) Para as 5 milhões de pessoas que vivem na miséria, a palavra utopia não significa rigorosamente nada. E também não significará muito depois de que tenham suas necessidades essenciais satisfeitas, que passem também a usar ou a divulgar ou a utilizar um discurso mais ou menos emotivo da palavra utopia, como se isso viesse a acrescentar algo àquilo que foi conquistado com trabalho, com luta. (...) Quixote não era utopista, mas um pragmático no melhor sentido da palavra. (Vivia um mundo do qual ele estava farto, enloqueceu e inventou uma paixão, depois voltou a ser Alonso Quija, e volta ao início da alma humana, com a qual temos que viver e aceitar). Quem nos garante que estaremos ainda cansados do que hoje estamos cansados no futuro? (...)
"As palavras são umas desgraçadas e podemos fazer delas tudo aquilo que queremos. Por isso, um político português que esteve aqui há poucos dias disse que política é a arte do possível. Pois eu disse há alguns anos que política é a arte de não se dizer a verdade. Sabemos que os políticos, em grande parte, mesmo quando não fazem um discurso para esconder, para não dizer a verdade, fazem um discurso que comumente falseia, deturpa, condiciona e manipula. (...) Quando eu vos digo que não sou um utopista e que até admiti, com toda franqueza, que me desagrada o discurso sobre a utopia, é porque o discurso sobre a utopia é o discurso do não-existente. Toda gente sabe que a utopia é um lugar que está em um lugar qualquer e que, portanto, não se sabe, não se conhece o destino, também não se sabe o caminho para lá chegar. (...) O grande equívoco que temos é imaginar que aquilo que nós precisamos hoje, mas que não podemos ter por faltar-nos meios de todo tipo, devemos colocar para ter em um futuro. Isso se esquece de um pormenor muito simples, vamos imaginar que aquilo que nós desejare-mos ou desejaríamos ou desejamos ou estamos desejando agora mesmo, seja talvez realizável no ano 2043. Vamos imaginar isso. Não, não, de 2043 estamos muito perto, vamos imaginar que precisamos de mais 100 ou 150 anos para que nosso desejo seja possível de realização. Quem é que nos garante que as pessoas que então estejam no mundo, os vivos de então, descendentes nossos, daqui a 150 anos, porque nenhum de nós estará vivo para ver, quem é que nos garante que eles estarão interessados naquilo a que nós agora estamos interessados? Quem é que nos garante isso? (...)
"Em vez de discutir a utopia, se há uma coisa que a esquerda está mais necessitada é de uma revisão rigorosa e criteriosa dos conceitos. Pois, como eu disse antes, as palavras são umas desgraçadas, não podem resistir. A palavra é uma coisa que está ali para ser utilizada quando nos parece. E o pior de tudo é que se pode usar a mesma palavra para dizer coisas não só diferentes, como muitas vezes frontalmente contrárias. Por isso é que eu digo que nós, a esquerda, deveríamos nos dedicar a rever o conceito de esquerda. Que é esquerda hoje? Donde está? Está aqui? Claro que sim, claro que sim que está aqui. Mas, na esfera política, muita gente fala da esquerda, como, para voltar a uma frase muita conhecida, invocar o santo nome de Deus em vão. (...) Eu tinha dito que iria propor tirar a palavra utopia do dicionário. Mas, enfim, não vou a tanto, deixe ela lá estar. Deixe ela estar, até porque ela está quieta. O que eu queria dizer, amigos, é que há uma outra questão que tem de ser urgentemente revista. Tudo se discute neste mundo, menos uma única coisa que não se discute. Não se discute a democracia. A democracia está aí, como se fosse uma espécie de santa no altar, de quem já não se espera milagres, mas de quem está aí como uma referência. Uma referência é a democracia. E não se repara que a democracia em que vivemos é uma democracia seqüestrada, condicionada, amputada. Porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós, limita-se, na esfera pública, a tirar um governo de que não gosta e a pôr outro de que talvez venha a se gostar. Nada mais. Mas as grandes decisões são tomadas em uma outra grande esfera e todos sabemos qual é. As grandes organizações financeiras internacionais, os FMIs, a Organização Mundial do Comércio, os bancos mundiais, tudo isso. Nenhum desses organismos é democrático. E, portanto, como é que podemos falar em democracia se aqueles que efetivamente governam o mundo não são eleitos democraticamente pelo povo? Quem é que escolhe os representantes dos países nessas organizações? Os povos? Não. Donde está então a democracia?"
"Tenho uma má notícia para lhes dar. A má notícia que tenho a vos dar, sobretudo depois de ter escutado os nossos amigos que falaram antes de mim, é que eu não sou utopista. E a pior notícia ainda é que que considero a utopia, ou o conceito de utopia, não só inútil como também tão negativo como a idéia de que, quando morrermos, todos, vamos ao paraíso. (...) Há uma condição que é indissociável do pensamento utópico, o modo do ser humano de olhar a vida, e não só no sentido material, mas na dimensão espiritual, na dimensão ética, na dimensão plural, que é a reinvenção do desafio. (...) Para as 5 milhões de pessoas que vivem na miséria, a palavra utopia não significa rigorosamente nada. E também não significará muito depois de que tenham suas necessidades essenciais satisfeitas, que passem também a usar ou a divulgar ou a utilizar um discurso mais ou menos emotivo da palavra utopia, como se isso viesse a acrescentar algo àquilo que foi conquistado com trabalho, com luta. (...) Quixote não era utopista, mas um pragmático no melhor sentido da palavra. (Vivia um mundo do qual ele estava farto, enloqueceu e inventou uma paixão, depois voltou a ser Alonso Quija, e volta ao início da alma humana, com a qual temos que viver e aceitar). Quem nos garante que estaremos ainda cansados do que hoje estamos cansados no futuro? (...)
"As palavras são umas desgraçadas e podemos fazer delas tudo aquilo que queremos. Por isso, um político português que esteve aqui há poucos dias disse que política é a arte do possível. Pois eu disse há alguns anos que política é a arte de não se dizer a verdade. Sabemos que os políticos, em grande parte, mesmo quando não fazem um discurso para esconder, para não dizer a verdade, fazem um discurso que comumente falseia, deturpa, condiciona e manipula. (...) Quando eu vos digo que não sou um utopista e que até admiti, com toda franqueza, que me desagrada o discurso sobre a utopia, é porque o discurso sobre a utopia é o discurso do não-existente. Toda gente sabe que a utopia é um lugar que está em um lugar qualquer e que, portanto, não se sabe, não se conhece o destino, também não se sabe o caminho para lá chegar. (...) O grande equívoco que temos é imaginar que aquilo que nós precisamos hoje, mas que não podemos ter por faltar-nos meios de todo tipo, devemos colocar para ter em um futuro. Isso se esquece de um pormenor muito simples, vamos imaginar que aquilo que nós desejare-mos ou desejaríamos ou desejamos ou estamos desejando agora mesmo, seja talvez realizável no ano 2043. Vamos imaginar isso. Não, não, de 2043 estamos muito perto, vamos imaginar que precisamos de mais 100 ou 150 anos para que nosso desejo seja possível de realização. Quem é que nos garante que as pessoas que então estejam no mundo, os vivos de então, descendentes nossos, daqui a 150 anos, porque nenhum de nós estará vivo para ver, quem é que nos garante que eles estarão interessados naquilo a que nós agora estamos interessados? Quem é que nos garante isso? (...)
"Em vez de discutir a utopia, se há uma coisa que a esquerda está mais necessitada é de uma revisão rigorosa e criteriosa dos conceitos. Pois, como eu disse antes, as palavras são umas desgraçadas, não podem resistir. A palavra é uma coisa que está ali para ser utilizada quando nos parece. E o pior de tudo é que se pode usar a mesma palavra para dizer coisas não só diferentes, como muitas vezes frontalmente contrárias. Por isso é que eu digo que nós, a esquerda, deveríamos nos dedicar a rever o conceito de esquerda. Que é esquerda hoje? Donde está? Está aqui? Claro que sim, claro que sim que está aqui. Mas, na esfera política, muita gente fala da esquerda, como, para voltar a uma frase muita conhecida, invocar o santo nome de Deus em vão. (...) Eu tinha dito que iria propor tirar a palavra utopia do dicionário. Mas, enfim, não vou a tanto, deixe ela lá estar. Deixe ela estar, até porque ela está quieta. O que eu queria dizer, amigos, é que há uma outra questão que tem de ser urgentemente revista. Tudo se discute neste mundo, menos uma única coisa que não se discute. Não se discute a democracia. A democracia está aí, como se fosse uma espécie de santa no altar, de quem já não se espera milagres, mas de quem está aí como uma referência. Uma referência é a democracia. E não se repara que a democracia em que vivemos é uma democracia seqüestrada, condicionada, amputada. Porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós, limita-se, na esfera pública, a tirar um governo de que não gosta e a pôr outro de que talvez venha a se gostar. Nada mais. Mas as grandes decisões são tomadas em uma outra grande esfera e todos sabemos qual é. As grandes organizações financeiras internacionais, os FMIs, a Organização Mundial do Comércio, os bancos mundiais, tudo isso. Nenhum desses organismos é democrático. E, portanto, como é que podemos falar em democracia se aqueles que efetivamente governam o mundo não são eleitos democraticamente pelo povo? Quem é que escolhe os representantes dos países nessas organizações? Os povos? Não. Donde está então a democracia?"
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Ontem foi uma das noites mais importantes do ano para mim - inesquecível. Além do aniversário de 5 meses de apaixonamento referido mais abaixo, eu e a minha parceira colorada, sócios do Inter, presenciamos o melhor jogo do nosso time em 2008 - o melhor jogo que eu vi pessoalmente do time que eu comecei a acompanhar em 1986, jogo a jogo, pelo radinho - também por eu ter começado a ir ao Beira-Rio, depois dessa minha relação histórico com o Internacional (que teve um hiato de mais de 10 anos), 2008 é, de fato, o ano. O estádio ontem estava lotado, e o Colorado venceu por 2x0 o São Paulo, equipe rival por tê-la enfrentado na decisão da Copa Libertadores da América em 2006 - e porque o São Paulo "se atravessa" em quase todas as tentativas de contração do Inter. O time paulista vinha de três vitórias consecutivas, e o nosso time gaúcho alcançou, com o três pontos em cima dele, a sexta posição no Campeonato Brasileiro, um ponto atrás do quinto colocado que é o próprio São Paulo. (Subir assim, aos poucos, é até mais emocionante do que algo como liderar de ponta-a-ponta, mas tem que subir até o topo!)
Se o Inter vencer o Ipatinga fora e o Santos em casa, e provavelmente vai, porque os dois são os últimos colocados na tabela, somará 28 pontos, superando o Flamengo de hoje, líder do Brasileirão. [Atualização: o Grêmio venceu o Figueirense por 7x1 e é o novo líder. Pena que o Brasileirão não tem final, senão iria dar Gre-Nal.] Isso não significa, a rigor, nada, mas é uma pespectiva interessante, ressaltada pelo gremista fanático lendário Paulo Sant'Ana, hoje de manhã, na Rádio Gaúcha. E ele disse mais: "Quando o Inter estava na zona de rebaixamento, os ouvintes do Sala de Redação tiveram o privilégio de saber de antemão quem seria o campeão brasileiro de 2008. E eu disse que o campeão seria o Sporto Club Internacional. Meu coração quer que o Grêmio seja o campeão, mas minha cabeça decidiu que o campeão será o Inter." Histórico.
Assim como histórico foi o jogo de ontem, voltando a ele. Dois jogadores estavam endiabrados: Andrezinho, ex-Flamengo, que pode ter crescido porque o jogo era contra um time do tamanho do time do Nando Reis; e Pablo Guiñazu. O argentino ressucitou com toda força e mostrou-se um míssil teleguiado com infravermelho aos meus olhos, quando a bola estava nos outros pés, os de meias pretas. Mas a grande emoção da noite, o grande fato isolado e isolável, foi o seguinte:

Guiñazu, sobre pedido da torcida: 'Foi a maior emoção da minha vida'
No jogo contra o São Paulo, 40 mil colorados, em uníssono, pediram para o argentino não deixar o clube colorado
Alexandre Alliatti/GLOBOESPORTE.COM
Guiñazu diz que manifestação dos torcedores colorados terá peso em sua decisão A torcida colorada reduziu as chances de o argentino Guiñazu deixar o Inter. Com a iminência da chegada de uma proposta de US$ 4,5 milhões pelo jogador, vinda do Al-Jazira, dos Emirados Árabes, 40 mil colorados uniram-se em uma só voz para fazer um pedido: 'Fica, Guiñazu', gritou o Beira-Rio quando o jogo contra o São Paulo se aproximava do fim. Um dia depois, o jogador disse que a manifestação dos torcedores terá peso em sua decisão. E garantiu que aquele foi o momento mais emocionante de sua vida.
- A emoção foi muito grande, a maior da minha vida. Fico sem palavras. Estou muito agradecido - diz o meia, em entrevista para a Rádio Gaúcha.
Minutos antes de a bola rolar no Beira-Rio para o jogo contra o São Paulo, o pai do argentino, Juan Guiñazu, disse à reportagem do GLOBOESPORTE.COM que são grandes as chances de seu filho seguir no Beira-Rio.
- Sabemos que a torcida o ama, e ele também ama a torcida. Eu diria que, no momento, as chances de ele ficar são de 90%.
O presidente Vitório Piffero disse que só negocia Guiñazu se receber uma proposta irrecusável, que ainda não chegou.
- E espero que nunca chegue - resume Piffero.
***
Eu me emocionei ao gritar, junto com os outros 39.999 torcedores, "Fica, Guiñazu!", mas agora que sei que ele disse ter sido a maior emoção da vida dele, eu fico mais emocionado ainda - minha emoção recebe o reboco grosso e o reboco fino, alisado por aquela pazinha triangular.
Outra coisa emocionante do Inter atual é isto, que o mesmo Alexandre escreveu no site do Globo Esporte:
Dossiê Fernando Carvalho
A presença de Fernando Carvalho, o eterno presidente campeão do mundo, muda o ambiente no Beira-Rio. A remobilização do elenco, a escolha de Tite como técnico, a contratação de D'Alessandro, a inclusão de Taison entre os titulares, tudo passa pelo crivo do dirigente. Nesta quinta-feira, ele circulou pelo estádio com um calhamaço de papéis a tiracolo. Eram umas 20 páginas, talvez mais. Sorridente, com cara de quem vai aprontar em breve, o dirigente explicou o que era aquilo.
- Aqui está a relação de todos os jogadores do país com contrato encerrando - diz ele.
É daquelas páginas que sairão as novas contratações do Inter, após o habitual estudo de Fernando Carvalho, apontado pelos próprios jogadores como um especialista em contratações.
***
Emoções novas e intensas na minha vida. Torcer para futebol é irracional? Sim, cheguei a essa conclusão, por isso o hiato. Mas depois de toda antítese vem uma síntese. Como é bom ser irracional às vezes, para quem é tão "pensante" e "alternativo". E o amor é racional? Parte não, mas parte...
Se o Inter vencer o Ipatinga fora e o Santos em casa, e provavelmente vai, porque os dois são os últimos colocados na tabela, somará 28 pontos, superando o Flamengo de hoje, líder do Brasileirão. [Atualização: o Grêmio venceu o Figueirense por 7x1 e é o novo líder. Pena que o Brasileirão não tem final, senão iria dar Gre-Nal.] Isso não significa, a rigor, nada, mas é uma pespectiva interessante, ressaltada pelo gremista fanático lendário Paulo Sant'Ana, hoje de manhã, na Rádio Gaúcha. E ele disse mais: "Quando o Inter estava na zona de rebaixamento, os ouvintes do Sala de Redação tiveram o privilégio de saber de antemão quem seria o campeão brasileiro de 2008. E eu disse que o campeão seria o Sporto Club Internacional. Meu coração quer que o Grêmio seja o campeão, mas minha cabeça decidiu que o campeão será o Inter." Histórico.
Assim como histórico foi o jogo de ontem, voltando a ele. Dois jogadores estavam endiabrados: Andrezinho, ex-Flamengo, que pode ter crescido porque o jogo era contra um time do tamanho do time do Nando Reis; e Pablo Guiñazu. O argentino ressucitou com toda força e mostrou-se um míssil teleguiado com infravermelho aos meus olhos, quando a bola estava nos outros pés, os de meias pretas. Mas a grande emoção da noite, o grande fato isolado e isolável, foi o seguinte:
Guiñazu, sobre pedido da torcida: 'Foi a maior emoção da minha vida'
No jogo contra o São Paulo, 40 mil colorados, em uníssono, pediram para o argentino não deixar o clube colorado
Alexandre Alliatti/GLOBOESPORTE.COM
Guiñazu diz que manifestação dos torcedores colorados terá peso em sua decisão A torcida colorada reduziu as chances de o argentino Guiñazu deixar o Inter. Com a iminência da chegada de uma proposta de US$ 4,5 milhões pelo jogador, vinda do Al-Jazira, dos Emirados Árabes, 40 mil colorados uniram-se em uma só voz para fazer um pedido: 'Fica, Guiñazu', gritou o Beira-Rio quando o jogo contra o São Paulo se aproximava do fim. Um dia depois, o jogador disse que a manifestação dos torcedores terá peso em sua decisão. E garantiu que aquele foi o momento mais emocionante de sua vida.
- A emoção foi muito grande, a maior da minha vida. Fico sem palavras. Estou muito agradecido - diz o meia, em entrevista para a Rádio Gaúcha.
Minutos antes de a bola rolar no Beira-Rio para o jogo contra o São Paulo, o pai do argentino, Juan Guiñazu, disse à reportagem do GLOBOESPORTE.COM que são grandes as chances de seu filho seguir no Beira-Rio.
- Sabemos que a torcida o ama, e ele também ama a torcida. Eu diria que, no momento, as chances de ele ficar são de 90%.
O presidente Vitório Piffero disse que só negocia Guiñazu se receber uma proposta irrecusável, que ainda não chegou.
- E espero que nunca chegue - resume Piffero.
***
Eu me emocionei ao gritar, junto com os outros 39.999 torcedores, "Fica, Guiñazu!", mas agora que sei que ele disse ter sido a maior emoção da vida dele, eu fico mais emocionado ainda - minha emoção recebe o reboco grosso e o reboco fino, alisado por aquela pazinha triangular.
Outra coisa emocionante do Inter atual é isto, que o mesmo Alexandre escreveu no site do Globo Esporte:
Dossiê Fernando Carvalho
A presença de Fernando Carvalho, o eterno presidente campeão do mundo, muda o ambiente no Beira-Rio. A remobilização do elenco, a escolha de Tite como técnico, a contratação de D'Alessandro, a inclusão de Taison entre os titulares, tudo passa pelo crivo do dirigente. Nesta quinta-feira, ele circulou pelo estádio com um calhamaço de papéis a tiracolo. Eram umas 20 páginas, talvez mais. Sorridente, com cara de quem vai aprontar em breve, o dirigente explicou o que era aquilo.
- Aqui está a relação de todos os jogadores do país com contrato encerrando - diz ele.
É daquelas páginas que sairão as novas contratações do Inter, após o habitual estudo de Fernando Carvalho, apontado pelos próprios jogadores como um especialista em contratações.
***
Emoções novas e intensas na minha vida. Torcer para futebol é irracional? Sim, cheguei a essa conclusão, por isso o hiato. Mas depois de toda antítese vem uma síntese. Como é bom ser irracional às vezes, para quem é tão "pensante" e "alternativo". E o amor é racional? Parte não, mas parte...
"Separados no nascimento."
SERÁ QUE JÁ FOI MAIS FÁCIL?
Por Dulce Magalhães
É muito comum ouvir que no passado a vida era mais fácil, mais tranqüila, mais próspera, era mais simples de se conseguir as coisas. Será mesmo? As frases costumam começar assim: 'No meu tempo...' e por aí vão desfiando uma infinidade de qualidades sobre o passado. Alguns balançam a cabeça desconsolados e comentam: 'Os jovens de hoje não têm jeito', ou então, 'bom mesmo foi a minha infância, em que as crianças costumavam subir em árvores'. É um fato da vida que as mudanças trazem, bem... mudanças. Não se pode esperar que algo fique igual 'para sempre'. Pode até haver perdas nisso, afinal tudo tem vantagens e desvantagens. A questão é que não dá para entrar em conflito com a realidade – ao contrário, precisamos nos aliar a ela para poder modelá-la.
A questão essencial aqui é que o passado muitas vezes parece não ter defeitos ou dificuldades quando comparado com o presente. Será um simples caso de perda de memória ou algum outro mecanismo nos impede de perceber a vida de uma forma mais ampla? Na medida em que é superada, qualquer dificuldade do passado parece menor do que aquelas do presente. Isso é natural. De fato, quanto mais avançamos na vida, mais encontramos elementos desafiadores. E superar um a um faz parte da caminhada. Não podemos julgar o passado com o nível de consciência que temos hoje. Afinal, a pessoa que fomos no passado vivia outra realidade, outras possibilidades e vivia num outro nível de consciência. Nem deveríamos tratar o passado como 'nosso', pois é um mecanismo da mente que faz com que percebamos a vida como uma história linear. Mas a vida é a múltipla soma dos instantes e, por isso, deveríamos ver cada instante como único e impossível de ser comparado com qualquer outro.
Ao falarmos de nosso passado, em vez de dizer 'eu fiz tal coisa', seria mais correto dizer 'aquela pessoa fez tal coisa', 'aquela mulher...', 'aquele homem...', 'aquela criança...'. Seria uma forma saudável de perceber a passagem do tempo, compreendendo que somos diferentes a cada instante. Como a história é fruto do instante e da capacidade que temos para lidar com ele, é preciso desenvolver a capacidade de se tornar observador de si mesmo, sem se identificar com a história. Assim, não haverá mágoas, arrependimentos ou insatisfações - tanto em relação ao passado quanto em relação ao agora.
Precisamos deixar de ser quem 'fomos' para nos tornarmos, verdadeiramente, quem 'somos'. O passado não é melhor nem pior do que o agora, é apenas diferente, outra coisa, outra história e não pode servir de medida para julgar o momento. No máximo, poderá servir de referência para balizar as oportunidades e vocações. Contudo, nem mesmo os erros do passado poderão servir de medida para os desafios do presente. Se usássemos isso como medida de nossas decisões, ao cair de bicicleta uma vez deixaríamos de tentar aprender a andar de bicicleta. Precisamos cometer alguns erros para chegarmos aos acertos.
O que fundamenta a experiência não é a história, mas a consciência que ganhamos sobre nós mesmos e sobre nossas escolhas. Isso faz com que ativemos a coragem, acionemos a audácia, empreendamos com ousadia e criemos o novo, que precisa ser diferente do antigo. Só assim, o passado pode nos mostrar o quão novo é o presente – ou não. Nada se repete. Os erros podem ser parecidos, mas não são os mesmos. São outros erros, baseados na mesma estratégia, pensamento e valores. Nossas células são outras, nossas histórias são outras, os momentos também são diferentes e as pessoas não se congelam num mesmo rótulo – por mais que a gente insista em mantê-las na restrita área do nosso julgamento.
A vida pode ser uma aventura perene se formos capazes de nos transformar em uma nova pessoa e nos libertar do casco criado pelo passado. O agora é o espaço da reinvenção. Então, recrie a si mesmo, componha sua versão para este tempo, este instante. Que seja sempre a melhor de todas. (Fonte: Revista Amanhã, nº 243, Ano 22, junho de 2008.)
PS (nota minha): Até porque o presente também ele vai virar um passado saudoso para quem tem esse tipo de pensamento.
Por Dulce Magalhães
É muito comum ouvir que no passado a vida era mais fácil, mais tranqüila, mais próspera, era mais simples de se conseguir as coisas. Será mesmo? As frases costumam começar assim: 'No meu tempo...' e por aí vão desfiando uma infinidade de qualidades sobre o passado. Alguns balançam a cabeça desconsolados e comentam: 'Os jovens de hoje não têm jeito', ou então, 'bom mesmo foi a minha infância, em que as crianças costumavam subir em árvores'. É um fato da vida que as mudanças trazem, bem... mudanças. Não se pode esperar que algo fique igual 'para sempre'. Pode até haver perdas nisso, afinal tudo tem vantagens e desvantagens. A questão é que não dá para entrar em conflito com a realidade – ao contrário, precisamos nos aliar a ela para poder modelá-la.
A questão essencial aqui é que o passado muitas vezes parece não ter defeitos ou dificuldades quando comparado com o presente. Será um simples caso de perda de memória ou algum outro mecanismo nos impede de perceber a vida de uma forma mais ampla? Na medida em que é superada, qualquer dificuldade do passado parece menor do que aquelas do presente. Isso é natural. De fato, quanto mais avançamos na vida, mais encontramos elementos desafiadores. E superar um a um faz parte da caminhada. Não podemos julgar o passado com o nível de consciência que temos hoje. Afinal, a pessoa que fomos no passado vivia outra realidade, outras possibilidades e vivia num outro nível de consciência. Nem deveríamos tratar o passado como 'nosso', pois é um mecanismo da mente que faz com que percebamos a vida como uma história linear. Mas a vida é a múltipla soma dos instantes e, por isso, deveríamos ver cada instante como único e impossível de ser comparado com qualquer outro.
Ao falarmos de nosso passado, em vez de dizer 'eu fiz tal coisa', seria mais correto dizer 'aquela pessoa fez tal coisa', 'aquela mulher...', 'aquele homem...', 'aquela criança...'. Seria uma forma saudável de perceber a passagem do tempo, compreendendo que somos diferentes a cada instante. Como a história é fruto do instante e da capacidade que temos para lidar com ele, é preciso desenvolver a capacidade de se tornar observador de si mesmo, sem se identificar com a história. Assim, não haverá mágoas, arrependimentos ou insatisfações - tanto em relação ao passado quanto em relação ao agora.
Precisamos deixar de ser quem 'fomos' para nos tornarmos, verdadeiramente, quem 'somos'. O passado não é melhor nem pior do que o agora, é apenas diferente, outra coisa, outra história e não pode servir de medida para julgar o momento. No máximo, poderá servir de referência para balizar as oportunidades e vocações. Contudo, nem mesmo os erros do passado poderão servir de medida para os desafios do presente. Se usássemos isso como medida de nossas decisões, ao cair de bicicleta uma vez deixaríamos de tentar aprender a andar de bicicleta. Precisamos cometer alguns erros para chegarmos aos acertos.
O que fundamenta a experiência não é a história, mas a consciência que ganhamos sobre nós mesmos e sobre nossas escolhas. Isso faz com que ativemos a coragem, acionemos a audácia, empreendamos com ousadia e criemos o novo, que precisa ser diferente do antigo. Só assim, o passado pode nos mostrar o quão novo é o presente – ou não. Nada se repete. Os erros podem ser parecidos, mas não são os mesmos. São outros erros, baseados na mesma estratégia, pensamento e valores. Nossas células são outras, nossas histórias são outras, os momentos também são diferentes e as pessoas não se congelam num mesmo rótulo – por mais que a gente insista em mantê-las na restrita área do nosso julgamento.
A vida pode ser uma aventura perene se formos capazes de nos transformar em uma nova pessoa e nos libertar do casco criado pelo passado. O agora é o espaço da reinvenção. Então, recrie a si mesmo, componha sua versão para este tempo, este instante. Que seja sempre a melhor de todas. (Fonte: Revista Amanhã, nº 243, Ano 22, junho de 2008.)
PS (nota minha): Até porque o presente também ele vai virar um passado saudoso para quem tem esse tipo de pensamento.
Desculpa, Yury, por publicar mais trechos, mas é que são muito bons.
Yury Hermuche diz:
acredito tanto na minha banda que não consigo me dedicar a outra coisa sem pensar que estou perdendo um tempo imenso
(...)
Yury Hermuche diz:
ah, e não esquece de jogar alguns numeros esquisitos na megasena antes de sábado
Yury Hermuche diz:
please, pelo futuro da música feita no brasil
Yury Hermuche diz:
acredito tanto na minha banda que não consigo me dedicar a outra coisa sem pensar que estou perdendo um tempo imenso
(...)
Yury Hermuche diz:
ah, e não esquece de jogar alguns numeros esquisitos na megasena antes de sábado
Yury Hermuche diz:
please, pelo futuro da música feita no brasil
terça-feira, 22 de julho de 2008
José Saramago disse que Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos e que dá vontade de bater nele. Disso isso ao entregar-lhe o Prémio José Saramago 2005. Alguns trechos do escritor português que pesquisei agora:
"O senhor Juarroz pensou num Deus que, em vez de nunca aparecer, aparecesse, pelo contrário, todos os dias, a toda a hora, a tocar à campainha."
O Senhor Calvino é uma personagem que gosta de dar longos passeios e coloca constantemente desafios existenciais a si próprio, tais como transportar pelo bairro uma barra metálica paralela ao solo, ou levar 10 kg de terra de um local para outro, utilizando uma colher de chá – para treinar a paciência.
"Do alto de mais de trinta andares, alguém atira da janela abaixo os sapatos de Calvino e a sua gravata (quem?). Calvino não tem tempo para pensar, está atrasado, atira-se também da janela, como que em perseguição. Ainda no ar alcança os sapatos. Primeiro, o direito: calça-o; depois, o esquerdo. No ar enquanto cai, tenta encontrar a melhor posição para apertar os atacadores. Com o sapato esquerdo falha uma vez, mas volta a repetir, e consegue. Olha para baixo, já se vê o chão. Antes, porém, a gravata; Calvino está de cabeça para baixo e com um puxão brusco a sua mão direita apanha-a no ar e, depois, com os seus dedos apressados, mas certeiros, dá as voltas necessários para o nó: a gravata está posta. Os sapatos, olha de novo para eles: os atacadores bem apertados; dá o último jeito no nó da gravata, bem a tempo, é o momento: chega ao chão, impecável."
"O senhor Juarroz pensou num Deus que, em vez de nunca aparecer, aparecesse, pelo contrário, todos os dias, a toda a hora, a tocar à campainha."
O Senhor Calvino é uma personagem que gosta de dar longos passeios e coloca constantemente desafios existenciais a si próprio, tais como transportar pelo bairro uma barra metálica paralela ao solo, ou levar 10 kg de terra de um local para outro, utilizando uma colher de chá – para treinar a paciência.
"Do alto de mais de trinta andares, alguém atira da janela abaixo os sapatos de Calvino e a sua gravata (quem?). Calvino não tem tempo para pensar, está atrasado, atira-se também da janela, como que em perseguição. Ainda no ar alcança os sapatos. Primeiro, o direito: calça-o; depois, o esquerdo. No ar enquanto cai, tenta encontrar a melhor posição para apertar os atacadores. Com o sapato esquerdo falha uma vez, mas volta a repetir, e consegue. Olha para baixo, já se vê o chão. Antes, porém, a gravata; Calvino está de cabeça para baixo e com um puxão brusco a sua mão direita apanha-a no ar e, depois, com os seus dedos apressados, mas certeiros, dá as voltas necessários para o nó: a gravata está posta. Os sapatos, olha de novo para eles: os atacadores bem apertados; dá o último jeito no nó da gravata, bem a tempo, é o momento: chega ao chão, impecável."
... e a esposa do Lou Reed, a artista perfomrática/multimídia Laurie Anderson, dia 2 de setembro, no 15º Porto Alegre Em Cena.
Resenha/entrevista informal sobre o meu conto baseado em 'NYC ghosts & flowers', do Sonic Youth. (Enquanto o seu Mojo não o coloca nem na lista dos próximos textos a serem analisados para publicação.)
Douglas Dickel ah, quero saber das tuas impressões sobre o conto
Maya Redin então. eu achei absurdamente bem escrito. me lembrou algo de "eternal sunshine of a spotless mind", mas tem uma mistura com um realismo fantástico, quase um cortázar, que vomitava coelhinhos, saca?
MR me passa muito que isso possa vir a ser um filme, é muito imagética a narrativa, por mais que seja absurda
DD não sei do vômito, mas "eternal" é um dos meus filmes número 1, gosto do cortázar e freqüentemente se fala que a minha música e o meu texto são imagéticos
MR eu não sei, nao sou uma crítica, mas li com bastante "debruçamento" se é que existe essa palavra
DD pensei que talvez eu possa tentar fazer um conto para cada disco do sonic youth e reunir isso num livro
DD tentei, depois daquele ali, escrever um a partir do zero e não consegui
DD o impulso da base foi imprescindível
MR o massa do cortázar é o humor frio que ele tem, e a narrativa da realidade que possui elementos fantásticos, mas que não é sobrenatural. algo como a realidade como fantasia. e teu conto me passou um pouco isso. uma loucura mundana, real. me fala sobre como a música te levou a esse conto?
DD a primeira música foi essencial
DD os sons e a letra me deram a idéia da piscina
DD eu queria retratar os ghosts passing time
DD e depois burn to shine
DD aí eu segui mais ou menos sozinho, só recorrendo ao disco em impasses
DD colocando uma ou outra referência aqui e ali
DD a data do evento é a data de lançamento do disco
DD obrigado por ter se debruçado
MR muito massa, isso. me lembra muito a idéia de "detour", algo como "desvio", que uns artistas da década de 50 60 tinham, sobre o desvio de elementos artísticos já existentes, para a criação de novos. é a idéia da colagem, p.ex., e do uso escancarado das referências para outros sentidos. me passou isso pela cabeça, pensando na tua "técnica".
Douglas Dickel ah, quero saber das tuas impressões sobre o conto
Maya Redin então. eu achei absurdamente bem escrito. me lembrou algo de "eternal sunshine of a spotless mind", mas tem uma mistura com um realismo fantástico, quase um cortázar, que vomitava coelhinhos, saca?
MR me passa muito que isso possa vir a ser um filme, é muito imagética a narrativa, por mais que seja absurda
DD não sei do vômito, mas "eternal" é um dos meus filmes número 1, gosto do cortázar e freqüentemente se fala que a minha música e o meu texto são imagéticos
MR eu não sei, nao sou uma crítica, mas li com bastante "debruçamento" se é que existe essa palavra
DD pensei que talvez eu possa tentar fazer um conto para cada disco do sonic youth e reunir isso num livro
DD tentei, depois daquele ali, escrever um a partir do zero e não consegui
DD o impulso da base foi imprescindível
MR o massa do cortázar é o humor frio que ele tem, e a narrativa da realidade que possui elementos fantásticos, mas que não é sobrenatural. algo como a realidade como fantasia. e teu conto me passou um pouco isso. uma loucura mundana, real. me fala sobre como a música te levou a esse conto?
DD a primeira música foi essencial
DD os sons e a letra me deram a idéia da piscina
DD eu queria retratar os ghosts passing time
DD e depois burn to shine
DD aí eu segui mais ou menos sozinho, só recorrendo ao disco em impasses
DD colocando uma ou outra referência aqui e ali
DD a data do evento é a data de lançamento do disco
DD obrigado por ter se debruçado
MR muito massa, isso. me lembra muito a idéia de "detour", algo como "desvio", que uns artistas da década de 50 60 tinham, sobre o desvio de elementos artísticos já existentes, para a criação de novos. é a idéia da colagem, p.ex., e do uso escancarado das referências para outros sentidos. me passou isso pela cabeça, pensando na tua "técnica".
Segundo o Camilo Rocha, não vem o Kraftwerk, e sim o ex-integrante Karl Bartos com seu projeto solo AudioVision. Vêm seu engenheiro e diretor técnico Mathias Black e seu diretor de arte Karsten Binar, além de um estúdio móvel de TV. Karl: "Nossos shows são experiências multi-sensoriais. Mas, se você fechar os olhos, poderá ver seu próprio filme. Enquanto gravações invariavelmente definem uma 'ida', há uma comunicação natural, dos dois lados, criando uma interação público-show."
Sensacional esta resenha da Pitchfork (eu soube que, de manhã, a nota estava 0.0 e o texto dizia apenas "Everybody makes mistakes").
Estou sujo. Roído de piolhos. Os porcos, quando olham para mim, vomitam.

Se o Brasil tivesse uma banda como os Mão Morta, de Portugal... (nem sei o que dizer).
"Reza a lenda que Joaquim Pinto se encontrou com Harry Crosby, baixista dos Swans, durante um concerto da banda americana na cidade de Berlim, em outubro de 1984. 'Tens cara de baixista', terá dito Crosby a Joaquim Pinto. No mês seguinte, Joaquim Pinto comprou um baixo e fundou, em conjunto com Miguel Pedro e Adolfo Luxúria Canibal, os Mão Morta." (Vítor Junqueira)
Depois de dez discos lançados em 24 anos de carreira, eles vêm com um disco que é resultado de um espectáculo que mistura música, teatro, declamação e vídeo - e essa música, ouvida em separado, é a mesma música genial encontrada em qualquer dos discos dessa banda da cidade de Braga. 'Maldoror' é um dos melhores discos de 2008 até agora na minha opinião.
"A partir de 'Os cantos de Maldoror', a obra-prima literária que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o vídeo e a declamação. Aí se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando livre curso à imaginação. Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a criança mistura em si as vozes de autor, narrador e personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se sucedem como canções mas encadeados uns nos outros, recorrendo à manipulação vídeo e à representação. Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de combates sem trégua... Sai-se deste mundo por uma intervenção exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira – sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!" (Mão Morta)

Se o Brasil tivesse uma banda como os Mão Morta, de Portugal... (nem sei o que dizer).
"Reza a lenda que Joaquim Pinto se encontrou com Harry Crosby, baixista dos Swans, durante um concerto da banda americana na cidade de Berlim, em outubro de 1984. 'Tens cara de baixista', terá dito Crosby a Joaquim Pinto. No mês seguinte, Joaquim Pinto comprou um baixo e fundou, em conjunto com Miguel Pedro e Adolfo Luxúria Canibal, os Mão Morta." (Vítor Junqueira)
Depois de dez discos lançados em 24 anos de carreira, eles vêm com um disco que é resultado de um espectáculo que mistura música, teatro, declamação e vídeo - e essa música, ouvida em separado, é a mesma música genial encontrada em qualquer dos discos dessa banda da cidade de Braga. 'Maldoror' é um dos melhores discos de 2008 até agora na minha opinião.
"A partir de 'Os cantos de Maldoror', a obra-prima literária que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o vídeo e a declamação. Aí se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando livre curso à imaginação. Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a criança mistura em si as vozes de autor, narrador e personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se sucedem como canções mas encadeados uns nos outros, recorrendo à manipulação vídeo e à representação. Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de combates sem trégua... Sai-se deste mundo por uma intervenção exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira – sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!" (Mão Morta)
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Eis um cover de 'Nude', do Radiohead ('In rainbows'), em que a música é tocada apenas por HDs (!!!). A indicação é cortesia do amigo Eduardo Bichinho.
domingo, 20 de julho de 2008
Tem show do Conor Oberst no Santander às 19h hoje e eu só fiquei sabendo agora, em duas matérias de dois dias consecutivos no Correio do Povo, ambas dizendo que os ingressos já estavam esgotados desde quarta-feira. Vou me oferecer para assessor de imprensa do Santander, porque pelo jeito eles não têm um.
sexta-feira, 18 de julho de 2008

O Ronaldinho Gaúcho foi para o Milan jogar com o Alexandre Pato. Meu Deus. Esses dois jogadores são as maiores revelações do Internacional e do Grêmio desde Taffarel e Renato. E Lúcio e Márcio Santos. Talvez dê para dizer desde Falcão.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Da Ilustrada: "O cineasta norte-americano David Lynch, 62, virá ao Brasil para lançar livro, realizar palestras e conversar com fãs. O livro 'Águas profundas: criatividade e meditação' será lançado em São Paulo, no próximo dia 7 de agosto. Lynch, antes de autografar a publicação, receberá o público no teatro Eva Herz, na livraria Cultura, no Conjunto Nacional, na av. Paulista. O evento terá início às 15h. Em seu novo livro, ele fala das influências da prática da meditação transcendental aplicada a sua vida e obra. O diretor conheceu essa prática na década de 70, ao se aproximar do movimento espiritual criado pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi. A primeira onda de popularidade desse movimento nos anos 60 ocorreu graças à divulgação de simpatizantes célebres como os Beatles, Mia Farrow e Donovan. O cineasta chega a São Paulo acompanhado do músico inglês Donovan Philips Leitch e passará também por Belo Horizonte e Rio, onde dará palestras. É a primeira vez que o criador de 'Twin Peaks' [é outro filme na reportagem - intervenção do editor...] vem ao Brasil."
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