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segunda-feira, 11 de julho de 2016

"A fim de ser senhor de si mesmo, o Enamorado precisa libertar-se da atração regressiva do ventre que procura encerrá-lo, seja ele qual for, e ingressar na virilidade. Como em todo parto, haverá derramamento de sangue mas haverá também uma nova vida. (...) Como disse Jung, repetidamente, o conflito é a essência da vida e o pré-requisito necessário a todo o crescimento espiritual. A vida não pode ser vivida no abstrato. Apenas enfrentando cada conflito individual e sofrendo até a sua resolução ou transcendência chegamos ao mais profundo do nosso eu. É, não raro, um conflito aparentemente insolúvel (ou um sintoma neurótico causado pela repressão do conflito) que leva a pessoa à análise e a coloca no caminho da individuação. Como o sabiam os velhos alquimistas, tal conflito é a matéria prima, o primeiro ingrediente necessário a todo o crescimento espiritual. (...) O seis é único de muitas maneiras. Pitágoras chamou ele o primeiro número perfeito porque as suas partes alíquotas (1, 2 e 3) somadas dão o mesmo 6. É também o número da completação: no relato do Gênesis, o Senhor criou o mundo em 6 dias. Simbolicamente os seis é retratado como uma estrela de 6 pontas. Essa estrela se compõe de dois triângulos: um deles com o ápice apontado para o céu, e o outro com o ápice apontado para baixo. O superior é conhecido como o triângulo de fogo e o inferior como o triângulo de água. Dessa maneira, o espírito masculino e a emoção feminina se juntam para criar uma forma nova e brilhante - uma estrela para guiar o herói em sua jornada. O triângulo superior aponta para Eros, o Destino, a quixotesca figura no céu sobre a qual não temos domínio algum. O triângulo inferior aponta para baixo, o reino da escolha humana. Aqui esses elementos se unem para criar a estrela do destino humano, uma força que inclui e transcende a ambos." (Sallie Nichols)
Centrão partidos políticos câmara senado congresso nacional federal Cu-nha Cunha Temer PMDB


Visão budista de felicidade em Clóvis de Barros Filho, um advogado, jornalista e professor universitário que possui graduação em Direito pela USP e em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, mestrado em Science Politique pela Université de Paris 3 - Sorbonne-Nouvelle e doutorado em Ciências da Comunicação pela USP. Obteve a Livre-Docência pela Escola de Comunicações e Artes da USP, onde atualmente é professor.

domingo, 10 de julho de 2016

A psiquiatra Kátia Mecler escreveu o livro “Psicopatas do Cotidiano”, sobre pessoas aparentemente normais que estão no trabalho, em casa ou na escola e têm algum transtorno de personalidade.

A principal motivação para escrever o livro foi perceber o sofrimento dos pacientes que lidam com indivíduos que têm transtornos de personalidade. Muitos chegam com a autoestima arrasada, num grau de estresse emocional inimaginável. Procuraram ajuda especializada por considerarem que têm algum problema, quando, na verdade, o problema está no outro.

Os casos são muitos. Os psicopatas do cotidiano injetam sentimento de culpa, impotência e inadequação naqueles que estão no seu entorno. Pais que sufocam os filhos com uma vigilância sem limites, homens e mulheres envolvidos em relações amorosas excessivamente dependentes, pessoas que sofrem com parceiros manipuladores e transgressores, funcionários sufocados por chefes abusivos, enfim, um universo de situações que podem se repetir na sua casa, na sua escola, no seu trabalho.

Os psicopatas do cotidiano são pessoas com transtorno de personalidade, que é um jeito de ser inflexível, rígido, que envolve sentimentos ou sensações, pensamentos ou comportamentos repetitivos que acarretam disfunção em alguma área da vida.

Imagine que você tenha se casado com uma pessoa muito dependente, desse tipo que popularmente chamamos de “chiclete”. Ela está sempre exigindo a sua atenção, sofre por achar que não tem o cuidado que merece (mesmo que você nada faça além de tentar agradá-la) e acredita que é questão de tempo ser abandonada. Em algum tempo, você estará exausto emocionalmente. Outra situação comum: a mãe que faz cenas dramáticas cada vez que é contestada ou criticada pelos filhos, que chega a ter sintomas físicos de algum mal-estar para chamar a atenção. Pense ainda naquele vizinho que está sempre arrumando encrenca no prédio. Desconfia de tudo e de todos e não perde uma chance de comprar briga com quem quer que seja. São tipos com que todos nós convivemos, que exibem traços patológicos de transtorno de personalidade. Ou seja: sempre agem da mesma maneira, não admitem ser confrontados, não enxergam problemas em si.

Tanto a OMS quanto a Associação Americana de Psiquiatria estimam que cerca de 10% da população têm um ou mais traços patológicos de transtornos de personalidade.

No trabalho, em família ou na sociedade, há alguns caminhos para conviver de maneira menos traumática com um psicopata do cotidiano. O primeiro passo é entender que você não é a única vítima. Pessoas com esses traços agem da mesma forma com todos. Saiba também que confrontá-lo não vai adiantar. Dificilmente uma pessoa com essas características compreende que tem um problema – ela acredita que o problema são os outros. Quando você compreende que seu chefe é daquele jeito e que não vai mudar, você aprende a se defender e a reagir melhor.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Na infância e na adolescência, assim como para os círculos mais popularescos da sociedade, mulher inteligente é homem, e homem inteligente é mulher.

domingo, 3 de julho de 2016

"Não há política de esquerda sem pelo menos três questões fundamentais: primeiro, uma defesa radical do igualitarismo. A gente vive num país onde mesmo essas questões que são pautas reformistas sociais democráticas clássicas, como imposto sobre grandes fortunas, estão ausentes do debate político brasileiro. Que são pautas que poderiam indicar onde o Estado poderia conseguir se financiar para oferecer serviços públicos de qualidade para seus cidadãos. O segundo ponto é a defesa radical da democracia direta. Existe uma tradição ruim na esquerda, que é uma tradição dirigista, centralizadora. Há uma exigência de mostrar que nós podemos avançar muito no modelo de democracia que não só apenas os processos decisórios, mas de gestão, sejam pensados em democracia direta. E o outro, que é fundamental para a esquerda, é o direito humano, que é o direito de resistência. Falar em direitos humanos é falar em resistência. O que está longe de ser o caso do Brasil, onde se criminaliza qualquer tipo de revolta, o mais rápido possível." (Vladimir Safatle)
Dez coisas que você talvez não saiba sobre moradores de rua
(Soninha Francine)


1 - Muitos ligam para a família (mães, filhas e filhos, irmãos, sobrinhas) e desligam quando alguém atende porque têm vergonha. Outros mentem dizendo que está tudo bem, porque não querem que a mãe sofra. A maioria, quando a gente pergunta sobre sua família, responde: "É esta aqui", mostrando os moradores de rua ao seu redor.

2 - Em São Paulo, muitos se referem ao seu lugar (debaixo de um viaduto, colado ao muro, no meio de um canteiro) como "maloca" e se denominam "maloqueiros". Ficam muito irritados se chamados de "mendigos".

3 - Em várias ocasiões, pedem ajuda para parar de fumar, cheirar ou beber. "Me arruma uma internação?" é um pedido frequente. Muitos já passaram várias vezes por CAPS e internações. Muitos pararam de fumar e cheirar, mas não conseguem largar a pinga. Uma garrafa conhecida como "barrigudinha" ou "gorote" custa R$2,50.

4 - Por que não querem ir para albergues? Porque não podem levar a mulher, os amigos, as crianças e os cachorros - e é lógico que jamais os deixariam para trás. Porque não podem deixar a carrocinha na rua (pode ser levada pelo rapa ou roubada). Porque não querem dormir em um quarto com dezenas de conhecidos com quem não se dão ou desconhecidos. Porque não podem beber ou fumar enquanto estiverem lá (e ficam furiosos quando outros cheiram ou usam pedra nos banheiros). Porque as camas têm pulgas. Porque alguns albergues os obrigam a sair da cama antes das 6 da manhã. Porque alguns albergues são muito distantes de onde "moram", e tem kombi pra levar mas ninguém os traz de volta.

5 - Elas e eles adoram ganhar kits de higiene: sabonete, barbeador, desodorante, xampu, escova e pasta de dentes. E também gel (homens) e esmalte de unha.

6 - Muitos cobertores são abandonados durante o dia por motivos diversos, entre eles o fato de que moradoras e moradores de rua, por problemas fisiológicos, psicológicos etc, urinam enquanto dormem. E lavar a roupa, para quem mora na rua, é um luxo. Os que fazem questão procuram um chafariz ou a sarjeta mesmo.

7 - De um jeito ou de outro, assistem televisão. Ontem mesmo um garoto que dormia no meio da ciclovia da Auro Soares viu minha camisa de futebol e perguntou "E o Peru, hein?". Também comentam política e filmes. Outro dia o assunto de madrugada no ponto de ônibus do Pateo do Colégio era "A Lagoa Azul".

8 - Muitos tomam remédios controlados porque têm convulsões. Às vezes (toda hora) o rapa leva seus objetos - mochila com documentos, roupa, livros (sim, livros!), remédios - e eles não conseguem repor o que foi levado.

9 - Se morrerem sem terem nenhum documento com foto (acontece muito) e sem que se localize a família, um amigo que queira evitar que sejam enterrados como indigentes ("não reclamados", "não identificados") precisará ir duas vezes a uma delegacia tentar obter autorização para providenciar a "inumação". Às vezes não dá certo.

10 - É impressionante como gostam de comemorar seus aniversários. Experimente fazer festa para um deles (bolo, velinhas, refrigerante) - os outros todos vão ficar ansiosos na expectativa do seu dia e fazer contagem regressiva
"Capitalistas sem capital AKA pobres de direita, quais são os planos de vocês para o tão sonhado futuro neoliberal? Já têm ideia do megaempreendimento que farão ou serem recontratados como terceirizados por 2/3 do salário já estará de bom tamanho?" (Rômulo Natan)
"O passo mais importante para sair do karma é o perdão." (Eckhart Tolle)
Na mesma linha da poesia interpretada pelo Abujamra, "Quando se vê...".


Viviane Mosé sobre o sofrimento
Eu cheguei
(Thich Nhât Hanh)

Quando inspira, você pode dizer, “Eu cheguei”. Quando expira, pode dizer, “Estou em casa”. Nossa verdadeira casa, nosso verdadeiro lar é o aqui e agora. É apenas no aqui e agora que temos nosso verdadeiro refúgio. No momento presente, podemos entrar em contato com nossos ancestrais, com Deus e com nossos filhos e netos. Eles estão disponíveis no momento presente. Este é o seu verdadeiro lar.

E se você sente que está em casa, então não precisa correr mais, e sua prática é bem sucedida.

“Eu cheguei” é uma prática, não uma declaração. Eu cheguei no aqui e agora e posso tocar a vida profundamente com todas as suas maravilhas. A chuva é uma maravilha, o brilho do sol é uma maravilha, as árvores também, assim como os rostos das crianças. Há muitas maravilhas da vida ao nosso redor e dentro de nós. Nossos olhos são uma maravilha – precisamos apenas abri-los e vemos todos os tipos de cor e formas.

Nossa prática é a prática da plena atenção – plena atenção ao respirar, andar, lavar louça e cozinhar – sempre habitando no aqui e agora e não permitindo a nós mesmos ser empurrados para longe pelas preocupações, projetos para o futuro ou lamentos sobre o passado. Temos que reclamar nossa liberdade porque a perdemos. Estamos presos pelo nosso passado e pelas nossas preocupações sobre o futuro. Não temos a capacidade de estar aqui e agora de forma a tocar a vida. É por isso que é muito importante aprender a arte de estar em paz no aqui e agora.

ACIDENTE
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Programa-050 by Revelações*Douglasdickel on Mixcloud 

sábado, 2 de julho de 2016

domingo, 19 de junho de 2016

"É notório que para toda ação, uma reação, isso é normal! Mas quando a reação de uma ação toma uma proporção de descontrole, e o indivíduo se altera numa forma de defesa, é devido a algum conteúdo de sofrimento preexistente que não suporta ser trazida a consciência. Dessa forma, se um sentimento de rejeição (por exemplo) tornou-se um trauma para uma determinada pessoa, toda vivência que impute uma rejeição, promoverá sentimentos descontrolados com comportamentos alterados, sendo foco de crítica a todos outros que não entendem tal situação. Assim, o mais importante é ter esse reconhecimento e buscar ajuda profissional para que esse trauma não impacte tanto na vida do sujeito, que sofre, e com muita dificuldade interage com todos ao seu entorno. Culminando muitas vezes, com o isolamento devido a inabilidade de lidar com determinada situação, ou mesmo, uma psicopatologia." (Letícia Lima)

sábado, 11 de junho de 2016

"A relação ensino-aprendizagem depende de um mestre que não se furte de sua condição de aprendiz, o que é uma questão de política cognitiva. O plano de sintonia mestre-aprendiz é um campo de criação, uma zona de vizinhança, um espaço híbrido. O mecanismo não é de identificação, mas de contágio e propagação. Não há transmissão de informação, nem interação professor-aluno, mas habitação compartilhada de uma zona de neblina, a zona molecular. Neste campo indiscernível, a fronteira entre o professor e o aprendiz se desfaz. O professor não é o centro do processo ensino-aprendizagem. Situado do ponto de vista da arte, ele faz circular afetos e funciona como um atrator. Além de um emissor de signos, o professor é um atrator de afetos. Trata-se de um atrator caótico, no sentido da física dos sistemas, longe do equilíbrio de Ilya Prigogine (Prigogine & Stengers, 1990). O atrator é, de modo geral, um tipo de estado ou regime que orienta a evolução temporal de um sistema. A Física clássica descreve atratores estáveis e deterministas como um estado de equilíbrio termodinâmico ou o estado de imobilidade para o qual tende um pêndulo real, funcionando com atrito. Uma vez atingido tal estado, o sistema não se afasta dele espontaneamente. Mas o professor mais se assemelha a um atrator estranho, estudado pela física dos sistemas longe do equilíbrio. Eles não têm a propriedade da estabilidade, mas são caóticos. Os sistemas longe do equilíbrio possuem condições iniciais instáveis." (Virgínia Kastrup)


"Tomando emprestada uma ideia de Foucault (1994), pode-se dizer que a aprendizagem inventiva envolve não apenas a dimensão tecnológica de trato com a matéria, mas também um certo ethos, uma atitude. Esta atitude consiste em não tomar a experiência presente, o encontro com os signos, o problema, como algo transitório, fugidio ou contingente, mas em manter ou perpetuar sua força e sua exigência de decifração. A passividade segue-se então um trabalho. O signo imprime força inicial ao processo, mas há um esforço a mais, que encontra sua fonte num corpo inventivo, que não se furta à exigência do trabalho. Trabalhar com o signo não é anular sua singularidade referindo-o a um plano subjetivo e pré-existente de sentido, mas é praticar um jogo difícil entre o constrangimento imposto por sua singularidade e o exercício da invenção. E transformá-lo, captando-o naquilo que ele é. A interpretação não destrói a novidade do signo, onde reside sua força, mas respeita-a e viola-a ao mesmo tempo, criando a partir dele e colocando-o sempre à prova. Este modo de relação com o signo é também um modo de relação consigo mesmo. O aprendiz artista não se conforma com seus limites atuais, mas toma-se a si mesmo como objeto de uma invenção complexa e difícil. O aprendiz é constrangido à tarefa de reinventar-se. A aprendizagem, sob a perspectiva da arte, envolve então uma atitude-limite, que faz escapar da polarização sujeito-objeto, interior-exterior, e habitar a zona de fronteira. A atitude-limite, no caso, não consiste em trabalhar dentro de limites fechados e que não poderiam ser ultrapassados, mas em trabalhar transpondo limites, aprendendo a aprender." (Virgínia Kastrup)


"A aprendizagem inventiva nunca se restringe ao plano da inteligência. A inteligência participa, mas não é por sua participação que a verdadeira aprendizagem se dá. A inteligência atua, tem um papel no processo de aprendizagem, mas ela é acionada, forçada pelo encontro com os signos. Neste sentido, é oportuna a distinção estabelecida por Bergson (1932/1992, p. 42) entre uma inteligência que trabalha 'a frio' e uma inteligência que trabalha 'a quente'. A primeira opera analisando e sintetizando, enquanto a segunda é movida por algo de não intelectual, que Bergson (1932/1992) denomina emoção criadora. Esta não equivale a um tom subjetivo ou a um colorido afetivo que se seguiria à representação, mas precede e exige representações. Ela diz respeito a um contato imediato com algo que é exterior ao sujeito e que lhe provoca um abalo afetivo, uma agitação que é criadora na medida em que é exigente de representações que a ela se seguirão. Bergson (1902/1990) falou também extensamente sobre este tema em seu artigo sobre o esforço intelectual. Refere-se aí a trabalhos intelectuais distintos, em diversos graus de esforço ou complexidade. Num dos extremos encontramos o trabalho sem esforço, que é reprodutivo e encadeia representações, num funcionamento automático. No outro extremo temos a inteligência que opera com esforço, a qual podemos dizer que corresponde à inteligência que trabalha a quente." (Virgínia Kastrup)


"É importante sublinhar também que quando nos situamos no campo da invenção não estamos no domínio da espontaneidade. A aprendizagem inventiva não é espontânea, mas sim constrangida, não apenas pelo território que já habitamos mas também pelo presente que experimentamos. O presente exige uma atenção aos signos que, nos termos de Bergson (1934/1979), é uma atenção suplementar, atenção à duração, para além da função e do valor de uso do objeto em questão, para além dos esquemas práticos da recognição. Pode-se dizer que essa atenção suplementar implica mesmo uma desatenção ao caráter utilitário da vida prática. Em outras palavras, há uma disciplina envolvida na aprendizagem inventiva. Esta idéia pode parecer, à primeira vista, contraditória com a invenção, aparentemente afeita à espontaneidade. Mas atribuir a disciplina apenas à aprendizagem mecânica é por certo confundir a noção de disciplina com a de controle. A disciplina diz respeito à necessidade de embarcarmos obstinadamente nos fluxos materiais, atentos à sua singularidade. No campo da disciplina, estamos entregues às forças ou aos signos da matéria em questão. O desenvolvimento das habilidades depende de uma prática com as coisas, o que envolve utilizá-las, modificá-las e até destruí-las. Assim desenvolvemos aptidões e formamos conhecimentos inscritos corporalmente. A disciplina é uma condição, embora não garanta que a invenção se cumpra. A noção de controle remete a uma relação extrínseca, antes com as pessoas do que com os fluxos materiais. O controle busca impor regras de ação a partir do exterior: controle do tempo, sistema de recompensas e punições, protocolos de avaliação e outras estratégias." (Virgínia Kastrup)


"Este duplo limite é referido por Deleuze e Guattari (1975/1977; 1980/1997) quando afirmam que a aprendizagem envolve não apenas processos de territorialização e subjetivação, mas também de desterritorialização e dessubjetivação. Habitar um território é como ser íntimo, mas também ter a possibilidade de acolher o estrangeiro. Para Deleuze e Guattari (1980/1997) só há desterritorialização nos limites, nas bordas de um território. O encontro com os signos, é, então, uma experiência crítica, pois se dá sobre os limites do território que é habitado. O signo põe o problema, força a pensar e exige decifração e sentido, produzindo uma reconfiguração permanente 


"Deleuze afirma: 'a arte é o destino inconsciente do aprendiz'. Este destino, este ponto de vista, não se considera como uma meta consciente ou como uma regulação da vontade. Também não se trata de ter na arte, ou numa certa obra de arte, um alvo, um ponto fixo a ser atingido, e que orientaria o processo de aprender. Como ficará mais claro adiante, a arte não é um alvo, mas um atrator caótico, um ponto que é tendencial, sem ser fixo e sem possibilitar falar em regimes estáveis ou em resultados previsíveis. Colocar o problema da aprendizagem do ponto de vista da arte é colocá-lo do ponto de vista da invenção. A arte surge como um modo de exposição do problema do aprender. Esta maneira de penetrar no campo da aprendizagem, pela precisa colocação do problema, significa aplicá-la ao próprio objeto de nossa investigação, ou seja, entender que toda aprendizagem começa com a invenção de problemas. Esta advertência serve de indicação para não repetirmos os equívocos da Psicologia da Aprendizagem, que saltou este momento fundamental, reduzindo-a a um processo de solução de problemas." (Virgínia Kastrup)


"A perspectiva da arte libera a aprendizagem da solução de problemas, que faz da performance adaptada um valor em si. Pode-se concluir que as competências de nada valem se elas apenas intensificam a dimensão de controle do comportamento, e não são capazes de ser um meio de exercício da liberdade de fazer diferentemente, de ser diferentemente, de inventar a si e também a um mundo. O ponto de vista da arte revela-se como uma forma superior de problematização, ou, em outras palavras, significa colocar-se frente ao processo de aprender do ponto de vista da problematização." (Virgínia Kastrup)