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quarta-feira, 10 de dezembro de 2003

. . . a maneira mais rápida de obter novas inspirações talvez seja desafinar a sua guitarra. No processo de redescobrimento da parte visual e sonora do instrumento afinado de maneira diferente, você tropeça em novos grooves, riffs, acordes e melodias.

Durante gerações, guitarristas fizeram experiências com diferentes esquemas de afinação num esforço de desenvolver a criatividade, encontrar novos sons ou simplificar passagens difíceis de serem tocadas. Com o passar dos anos, diversas afinações surgiram como alternativas diferentes à tradicional E, A, D, G, B, E. As afinações em D aberto e G aberto provaram ser as mais úteis e aceitas. (...)

A HISTÓRIA DA D ABERTO

Guitarristas têm tocado em D aberto desde o século 19. Conhecida como Vestapol ou Sebastopol (nomes inspirados em uma peça popular para guitarra da época), esta afinação foi adotada por blueseiros que usavam slide, no início do século 20. Desde então, músicos de todas os estilos - de Joni Mitchell (Both Sides Now) aos Allman Brothers (Little Martha), passando por Nirvana (Lithium) a Adrian Legg (The Irish Girl) - se inspiraram nesta afinação.

Ry Cooder comentou sobre a D aberto na edição de novembro de 1992 da Guitar Player norte-americana: "É uma área de muito interesse no blues. É aqui que você encontra Elmore James e Blind Willie Johnson e esses tipos de sons. Não é tão brilhante e estridente como a G aberto - tem um som mais introspectivo. A afinação G aberto pede mudanças de acordes, mas a D aberto não exige isso. A tônica está no baixo, o que é muito legal, porque você fica enraizado. O estilo e técnica de tocar blues aparecem nesta afinação."

Do grave para o agudo, o Ex. 1 mostra as cordas abertas: D, A, D, F#, A, D. Aqui está a receita:

· Abaixe a sexta e a primeira cordas um tom inteiro. Como na afinação padrão, elas se distanciam em duas oitavas.

· Abaixe a segunda corda um tom inteiro

· Abaixe a terceira corda meio-tom.

Bata as cordas soltas e ouça o gigantesco acorde D. Do grave para o agudo, temos tônica, 5, tônica, 3, 5, tônica.

(Guitar Player nº 63)

terça-feira, 9 de dezembro de 2003

"Eu não comecei a banda. A banda me começou." (Thurston Moore, repondendo a
Nardwuar The Human Serviette, em 17/04/1993)
Meu primo tinha 18 anos quando a vizinha dele, de quem ele gostava, matou-se, de madrugada, com um tiro na boca silenciado por um travesseiro - conta-se que as duas irmãs e os pais não ouviram o tiro, percebendo apenas de manhã, e que ela estaria grávida. Desde então, hoje ele tem 25, o meu primo tem repulsa à idéia de namorar.
Teóricos do caos

Dizem que você tem de conhecer as regras antes de quebrá-las. Se isso é verdade, poucas bandas conhecem as regras melhor do que o Sonic Youth. O Echo Canyon, estúdio do Sonic Youth em Nova York, é o laboratório sonoro em que o grupo realiza as experiências malucas que a maioria das bandas não ousaria tentar. Criando camadas de feedback em passagens sinfônicas, estendendo canções pop além dos dez minutos com finais barulhentos, tocando guitarra com objetos estranhos, mudando as fiações de pedais e torturando amps até as válvulas derreterem, o Sonic Youth gravou outra obra de arte de rock mutante que reduz o livro de regras a confete.

(...) O produtor, multiinstrumentista e 'maníaco por ruídos' Jim O'Rourke se uniu à banda (...). Todos estavam ansiosos para começar a gravar, O'Rourke já estava passando longas horas no Echo Canyon, chegando a dormir no estúdio depois de madrugadas de pré-produção. Não foi um despertador, no entanto, que o acordou em uma ensolarada manhã de setembro de 2001 - foi a horrível cacofonia criada quando, cerca de 100 andares acima de sua cabeça, o primeiro avião atingia o World Trade Center.

'O estúdio ficava a apenas dois quarteirões', relembra O'Rourke, ainda traumatizado demais para falar sobre aquele dia em um volume acima de um sussurro. 'Um motor do avião caiu na Murray Street, bem em frente à janela principal do estúdio.'

(...) Nesta entrevista, Moore [só na revista impressa], Ranaldo e O'Rourke traçam a evolução de um dos mais empolgantes e inspirados álbuns da carreira de 21 anos do Sonic Youth.

ENTREVISTA

Por que expandiram a formação do Sonic Youth?

Ranaldo: Nos últimos discos, Kim tem tocado mais guitarra com Thurston e comigo. Queríamos continuar com aquela idéia de três guitarras, mas começamos a sentir falta dos graves que o baixo dela fornecia. Jim - com quem trabalhamos desde o início dos anos 90 - mixou o nosso último álbum, NYC Ghosts and Flowers, e gravou algumas linhas de baixo. Suas partes saíram tão legais que o convidamos para sair em turnê conosco e tocá-las ao vivo. Quando chegou o momento de fazer Murray Street, decidimos considerá-lo um membro da banda.

Qual foi seu papel em Murray Street?

O'Rourke: Toquei baixo em dois terços das músicas e guitarra em quase todas elas. Ao vivo, toco baixo, o que significa que Lee às vezes tem de tocar minhas partes de guitarra. É a primeira vez que ele tem de tocar partes que não são dele. E, apesar de que sou creditado como o produtor do álbum, atuei mais como engenheiro. A produção do álbum foi um trabalho democrático da banda.

As primeiras críticas de Murray Street disseram que o álbum apresenta guitarras - mais focalizadas - do que em outros discos do Sonic Youth.

Ranaldo: Eu não diria que isso é verdade. As guitarras são focalizadas em todos os nossos discos. Elas estão centradas no que tentamos fazer, o que, desde o começo, tem sido unir interessantes estruturas de música. Talvez o novo disco possua coisas mais orientadas para canção, o que, por acaso, é mais palatável e familiar aos seus ouvidos.

O'Rourke: É irônico quando um jornalista acha que quando ele ouve um disco uma ou duas vezes, ele emprega a mesma quantidade de pensamento que foi colocada pelas pessoas que passaram um ano gravando-o. Alguns álbuns não possuem tudo exposto na superfície, e requerem que as pessoas escutem diversas vezes para ver como as partes funcionam juntas. (...)

(Guitar Player nº 84)
"Predisposições. (...) Se você ficar se predispondo a sempre se achar a maior vítima do universo, será vitimado, porém muito em parte pelos seus próprios atos." (Thiane)
Fiz uns alt+printscrn de capas do MusicZine.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

LEE -- Big Muff & Sparkle Drive, Digitech Delay, Tube Factor, Ibanez Delay, MXR Blue Box, Voodoo Lab Pedal Power, Line 6 Delay, Moogerfooger expression pedal & Ring Modulator

THURSTON -- Mutron Wah/Vol, E-H Big Muff, Turbo Rat, Octave Fuzz, MXR Phase 90 + Blue Box
"People of the universe! Tonight will be the night that the skies will open & spray forth the divine hand & poisoned finger & say everybody You're not just a duck, you are human, YOU ARE HUMAN! Go forth, go forth & thrash." (Thurston Moore)
Antes que eu me esqueça, o Thom Yorke é um filho da puta.


Eraserhead, Estrada Perdida e Mulholland Drive são praticamente a trilogia perfeita do David Lynch, no sentido que o Carlo Pianta pensou, de que os filmes desse diretor são (como) músicas. Eraserhead teve sua primeira exibição no Brasil ontem, no Cine Santander, em Porto Alegre, numa mostra produzida pela Andréia Vigo, namorada do Muriel Paraboni. Deu tumulto porque a sala só tinha 94 lugares e o batalhão indie todo da cidade queria estar lá dentro. (Detalhe: a primeira sessão do filme, em 1977, em Nova York, teve 25 espectadores.) Durante a exibição, impressionou-me o fato de muitos dos presentes terem rido de cenas do filme que não são nada risíveis. Depois, teve o debate com o psicanalista Abrão Slavutsky, o cinéfilo Thomaz Albornoz e o que-não-disse-o-que-era Marcus Mello. Este se baseou, provavelmente, num estudo do Intercom. Ele observou que o Lynch une o suspense de poucas palavras do Alfred Hitchcock com o surrealismo do espanhol Luis Buñuel, que realizou, com o artista plástico surrealista Salvador Dalí, o filme Cão Andaluz. "Escrevemos este roteiro em menos de uma semana e seguimos uma regra muito simples: não aceitar idéia ou imagem alguma que pudesse dar lugar a uma explicação racional, psicológica ou cultural. Abrir todas as portas ao irracional. Não admitir nada além das imagens que nos impressionavam, sem tratar de averiguar por que." Já o psicanalista, antes de comparar interessantemente o caos dos filmes com o caos da mente humana, começou citando um diálogo do Eraserhead:

- O que você me conta?
- Eu não sei quase nada de nada.

Mesmo assim, os dois tentaram, contradizendo a si mesmos, explicar os filmes do David Lynch, o que me deixava com cada vez mais dor de barriga. O Marcus chegou a dizer que o mais importante é o que um filme tem a dizer, coisa que não se aplica de forma alguma, na minha opinião, ao cinema do Lynch. Nas palavras do próprio cineasta: "Para algumas pessoas, a idéia de que a vida é desprovida de sentido é simplesmente apavorante." (Mais informações sobre o cara, neste meu post antigo.)

No entanto, a Manuela me disse uma coisa importante: "Eu não quero saber o que o diretor pensa, eu quero saber o que eu senti com o filme."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2003

Michael Stipe fez backing vocals nos dois últimos discos da Patti Smith, Peace And Noise (1997) e Gung Ho (2000). No Gone Again (1996) - dedicado às mortes, em 1994, do Kurt Cobain e do marido dela, Fred "Sonic" Smith - Jeff Buckley faz vocais. Dream Of Life (1988) tem Scott Litt como assistente do produtor - o marido dela, guitarrista fundador do MC5 - responsável pela mixagem.
Scott Litt começou sua carreira nos anos 70, como engenheiro de som. Sua primeira produção importante foi a terceira que fez, em 1986, trabalhando com Matthew Sweet - que tem um disco citado na lista da Rolling Stone dos melhores da década de 90. Mas o sucesso mesmo veio em 1987, com o Document, do R.E.M. Depois disso, produziu todos os trabalhos da banda de Atlanta. Litt trabalhou também com os Replacements, a Patti Smith e o Nirvana, remixando o In Utero - para ficar "mais radiofônico" do que a mixagem do Steve Albini - e produzindo o MTV Unplugged In New York. (AMG)
O Jack White pode tocar baixo - ironicamente, já que os White Stripes são famosos por não terem baixo - em algumas faixas do próximo disco do Iggy Pop, Skull Ring. O Iggy foi tão inspirado pelos Stripes que ele baseou algumas composições novas no som da banda e chamou White para gravar. Sobre a música Loser, James Ostemberg disse: "Eu a escrevi depois de ouvir White Blood Cells, porque eu pensei 'Meu Deus, eles ão um pouco Stooges, um pouco Pretenders, e eu posso fazer isso'. Eu decidi que se eles me revisitaram, eu vou revisitar eles." E mais: "Jack quer fazer um álbum dos Stooges, mas os Stooges não estão prontos para isso." (NME)
Pareceres dos relatores do Fumproarte sobre o Ambivalência:

"Em Banquete, Platão faz uma referência ao espanto como qualidade do espírito dos filósofos e, por extensão, dos poetas. (...) Tais considerações nos vêm ao tentar alcançar o mérito de Ambivalência por terem os autores assumido um diferencial filosófico no seu fazer poético. (...) Um fazer poético pós-moderno que se utiliza de multilinguagens, fazendo uso do ortodoxo e também do anárquico . . . características bem presentes em Ambivalência, tanto na temática do homem-contraditório entre natureza e civilização-incivilizada não mais mediada por um ego-íntimo perfeitamente cônscio de si mesmo, como na forma picotada, sôfrega, onde a pontuação tanto existe à revelia da sintaxe, como inexiste, à revelia da gramática, sendo tudo isso multissignificativo, valendo como signo do ritmo doido do viver pós-moderno. (...) Ver a realidade do poema é até fácil, surpreendendo-o nas idas e vindas da palavra que se quer sôfrega e escorregadia, tangenciando cotidianos e impressões e desmanchando-se na náusea de não conseguir dizer tudo que pretendia. Como sempre. Qualquer poeta compreende esta tentativa infrutífera que apenas deixa a marca do que quis dizer... Portanto, perseguir esta marca é o que comprova a poesia . . . o dizer não dizendo ou não conseguindo dizer, o silêncio de desvelar e ocultar, ocultar e desvelar (...)." (Terezinha Medeiros Cunha)

"Ambivalência é um projeto repleto de predicados para os dias de hoje em que homens e mulheres estão constantemente em busca de respostas para suas consternações e suas implicações. O projeto é extremamente coerente. (...) É importante para Porto Alegre lançar novos talentos literários, principalmente quando são instigantes, e demonstram com lucidez o interesse em investigar as relações sociológicas e antropológicas com ênfase." (Neidmar Roger Charão Alves)

". . . é instigante e revelador da nova geração de artistas e intelectuais no cenário portoalegrense. Os jovens autores tem tido uma atuação constante e produtiva, demonstrando em outros projetos realizados muita força e tenacidade na finalização e execução de suas idéias. Os textos e ilustrações projetam uma obra enriquecedora e meritória dos seus objetivos." (Paulo Leônidas)
[começando]

o dia começando
tem a luminosidade
de uma esperança
de leveza, de que
a inclinação menos
incidente dos raios
se prolongue até
o momento em que
os olhos fecham e
o ciclo termina
para começar outro.
Encontrei isto procurando uma letra do Faith No More:

"a apreciação da arte não é imediata, espontânea, ao contrário do que se imagina. para que possamos emocionar-nos com uma obra, é necessário uma relação bem mais complexa, pois temos em jogo não só a nossa visão, mas também a do artista. quando dizemos que 'gostamos' ou 'não gostamos' de uma obra, isto não é apenas uma 'opinião livre' - mesmo que acreditemos nisso - mas sim uma determinação da realidade por todos os instrumentos que possuímos para manter relações com a cultura que nos rodeia. o complexo de elementos dentro de nós está reagindo ao que está fora. no entanto, nunca vamos conhecer completamente a 'verdade' desta obra. importante lembrar que, apesar disso, só conseguiremos entender 'melhor' uma obra e achar vários sentidos na mesma se estivermos frequentemente 'sintonizados' com seu contexto. muito ao contrário do que se pensa, também, as relações humanas não acontecem por acaso. pelo menos no fator 'empatia'. o que faz muitas vezes nos aproximarmos de determinado indivíduo não é um processo imediato, mas sim uma reação do que sentimos em relação ao sentimento vindo do exterior. entretanto, para este sentimento de afinidade continuar existindo, é preciso a convivência, a tolerância, a frequentação. sentimentos, assim como as obras, não tem o mesmo aspecto depois de uma 'tentativa de restauração'. é só pensar também em filmes ou livros em que você se identificou ou se imaginou no papel do herói e que por fim te fizeram gostar dele, ou o caso inverso."

No fim, o cara escreve: "e música também é arte. eu acho."

.. . [ e m a i l : kbtz@psynet.net ]
O Leonardo acha que a pior fase do dia seguinte ao dormir-pouco é a hora de sair da cama, de acordar. O Muriel, que é o pós-almoço. "Se o cara sobreviver a este período, é capaz de sobreviver a qualquer coisa no Universo." Eu, que é o final da tarde. Para mim é óbvio, porque a energia está acabando e você sabe que está quase na hora de entregar os pontos, de chegar em casa e desfalecer na cama. A maior prova é que


Olha no final da matéria, por que eu acho que os nomes das bandas deveriam ter todas as palavras com inicial maiúscula.
O /rickyfitts está menos ativo por falta de munição. Em breve, a Manuela vai escanear as fotos não-digitais que eu tenho e que se encaixam nesse meu projeto.
Acho que não dá 8 horas de sono somando as últimas duas noites minhas. Ontem começamos a tocar lá pelas 2h, depois de exibição de curtas, de um póquet, da Feira de Filhotes, da prévia metropolitana do Garota Verão 2004, da Convenção Nacional do Exército de Libertação dos Anões de Jardim, do passeio de ônibus para conhecer os pontos turísticos de Porto Alegre iluminados com luz artificial & do show de uma banda. Depois do show dessa banda, de metal, Projeto Uivo, a dona da brincadeira, estávamos montando tudo no palco quando a apresentadora anunciou a exibição de mais dois curtas "enquanto eles se preparam". Eu achei isso irônico e repeti em voz alta. Depois, ela veio tirar satisfação. Ao ouvir minha reclamação sobre não termos sido avisados do cronograma e sobre o nosso sono, ela disse "Esse é o mundo do rock, e eu tenho uma banda de 14 anos". O show da Blanched foi bom - só os elogios da Mirella, uma fã de Blonde Redhead e Slits (apenas dois exemplos), bastaram. Ela disse que a última música foi perfeita. Casa De Descanso, a nova. E eu amo a minha noiva, e 2004 vai ser ano.