Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

segunda-feira, 6 de março de 2017

Sérgio Franco, mestre e doutorando, co-curador da Bienal de Berlim de 2012:

“Se você leva em conta o debate contemporâneo do que á arte, sim. Ele é”, afirma Sérgio. E para enxergar ainda melhor esse debate, recorremos aquele famosos “passado para entender o presente”. Como exemplo, Manet já dizia: a academia é igual a um campo de batalha. Ao rejeitarem o seu movimento, o Salão dos Recusados marcou os livros da história da arte com o trabalho de todos aqueles que foram negados pelo senso comum da época.

Os impressionistas eram ridicularizados e repudiados como arrivistas (ambiciosos) artísticos, condenados por produzir arte que equivalia a nada mais que ‘meros cartuns’, e criticados por não fazerem ‘pinturas respeitáveis’ e por retratar boêmios ao invés da high society dos século 19. Essa reação os deixou perturbados, mas não derrotados. Era um bando inteligente, beligerante e autoconfiante; deram de ombros e seguiram em frente.

Foi Baudelaire o único cara que na época viu naquilo poesia. Apoiou também Coubert, Delacroix e nos apresentou o conceito de flâneur, o homem que vaga pela cidade: a multidão é o seu elemento. Sua paixão e sua profissão é esposar (defender) a multidão. Além disso ele acreditava no dever dos artistas vivos em documentar o seu tempo. E a maneira de fazer isso é mergulhar no dia a dia da vida metropolitana: observar, pensar, sentir e, por fim, registrar.

E assim Manet defendia que nada deve ser feito senão pouco a pouco. E o termo impressionismo surgiu de uma crítica que descrevia o trabalho dos pintores como uma “impressão” de algo, dada as pinceladas urgentes que com supremacia eram capazes de registar a luz natural de um instante – en plain air (ao ar livre).

E assim a história da arte é construída. Para destoar do comum e reafirmar o seu tempo, ela é transgressora e seu primeiro impacto é não agradar diante daquilo que já existe, principalmente se isso é feito em um lugar em que o artista não pertence. A ideia de Duchamp em assinar os ready mades, o fez chegar a conclusão de que o trabalho de um artista não era proporcionar um prazer estético – designers podiam fazer isso -, mas afastar-se do mundo e tentar compreendê-lo por meio da apresentação de ideias sem nenhum propósito funcional além de si mesma.

E para não falar só dos gringos, o que é Cildo Meireles para história da arte brasileira, senão maestria? Ele não trabalha para pendurar sua obra em alguma sala de escritório. Apresenta uma crítica ferrenha. Em “Ocasião”, por exemplo: um pote de dinheiro foi colocado em uma sala de espelhos interagindo com as pessoas das mais diversas formas. Carimbar “Quem matou Herzog?” em notas, circular garrafas retornáveis de Coca-Cola com mensagens de “opiniões críticas e devolvê-las para circulação” – isso é arte!

E se depois de tudo isso, ainda tiver gente coçando o dedinho para comentar: “quero ver se fosse no seu portão se você ia gostar”, pergunto ao Sérgio qual resposta ele daria para esse tipo de argumento.
“A porta da sua casa está na paisagem pública. O que você colocou na arquitetura externa dela, foi debatida coletivamente ou foi sua intenção pessoal? Com o pixador acontece a mesma coisa: na intenção pessoal ele colou o pixo, o nome dele ali sem debater coletivamente como única forma dele pertencer aquele espaço desigual. É lidar com o efêmero de forma política. Ou como explicaria o filósofo Jacques Rancière, é a ‘partilha do sensível'”.

Nenhum comentário: