Me deparei com um GIF compartilhado pelo amigo João de Ricardo, em que os arcanos maiores do tarot vão rodando em alta velocidade e, se você clica, a "roleta" para numa carta, a sorteada. Tirei a carta O Julgamento, cuja interpretação junguiana eu colo abaixo e que tem tudo a ver com o momento de hoje e das últimas semanas.
Sallie Nichols:
O julgamento dramatiza o momento de ressurreição espiritual de diversas maneiras. Pela primeira vez, uma figura humana se vê diante da fonte de iluminação. Não foi este o caso em O Enamorado, A Torre da Destruição, A Estrela, A Lua ou O Sol, onde a atividade no reino arquetípico ocorreu acima e atrás das figuras terrenas, que lhe sentiram os efeitos, mas apenas indiretamente por intermédio do inconsciente. No Julgamento, a figura central percebe conscientemente e ouve o chamado.
Em pé, ao lado do sepulcro aberto, um homem e uma mulher saúdam o recém-erguido em atitudes de devota ação de graças. Dão as boas-vindas àquele que estava morto (sepultado no inconsciente) e que volta a uma vida nova.
A figura central da gravura é evidentemente o herói. Quando vistos pela última vez, ele e a dama que o acompanhava foram retratados caindo derrubados da Torre aparentemente inexpugnável por um raio. Nas três cartas seguintes, A Estrela, A Lua e O Sol, ele desaparece da nossa vista. Nós o imaginávamos jazendo na lama pegajenta de uma depressão profunda. Agora ressurge da sua longa noite para juntar-se às duas figuras que estão de pé, vigiando-lhe a tumba.
Uma reunião, de qualquer espécie, sempre inaugura um novo princípio: nunca resulta no restabelecimento do status quo anterior. Quer tenha partido para uma jornada externa, quer tenha partido para uma jornada interna, volta o viandante muito diferente do que partiu. E o mesmo acontece com os que ficaram para trás. Todos terão mudados nesse ínterim.
A vitalidade da figura que se ergue da tumba é aparente. Pintado como jovem, sólido e musculoso, sua carne reluz de saúde. Se bem que, do ponto de vista da consciência cotidiana, tenha parecido 'perdido' e 'morto', volta renovado, tanto de corpo como de espírito, revitalizado pelo contato com a terra e pelas aventuras nas profundezas subterrâneas.
No caso do sentimento, fazemos escolhas de acordo com uma hierarquia racional de valores sentimentais. Não se confunda esse tipo de decisão consciente pelo sentimento, tal como Jung a concebe, com a emoção inconsciente; trata-se, ao contrário, de um julgamento de valor muito preciso, baseado muito mais no que sentimos a respeito de alguma coisa do que no que pensamos a respeito dela. As conclusões alcançadas através das funções racionais (à diferença das que derivam da sensação e da intuição) podem ser descritas e sustentadas de modo racional.
Se a sua jornada pelas profundezas for bem-sucedida, o Pensador deposto voltará à vida renascido. Daqui por diante, será capaz de operar não somente através do pensamento, mas também com outros aspectos de si mesmo, agora disponíveis para uso consciente. O pensamento continuará sendo a função superior, mas ele também terá se transformado - revitalizado pelo contato com os mananciais de que flui toda a criatividade. Então, a personalidade do ego e todas as funções da psique experimentarão a espécie de reunião pintada no Julgamento. Quando isso acontece, o que antes era sentido como punhalada nas costas e raio destruidor do céu, será visto como um anjo de assombro e de glória.
No julgamento, um anjo irrompe, de improviso, de parte alguma para fazer um pronunciamento desafiador. O advento de um libertador nessas condições assume dimensões catastróficas, que Jung descreve da seguinte maneira: 'O nascimento do libertador equivale a uma grande catástrofe, visto que uma nova e poderosa a vida surge onde não se antecipava nenhuma vida, nenhuma força ou nenhum desenvolvimento novo. Flui do inconsciente, isto é, da parte da psique que, quer o desejemos, quer não, é desconhecida e, portanto, tratada como nada por todos os racionalistas. Dessa região desacreditada e rejeitada vem o novo tributário da energia, a revivificação da vida.
Sallie Nichols:
O julgamento dramatiza o momento de ressurreição espiritual de diversas maneiras. Pela primeira vez, uma figura humana se vê diante da fonte de iluminação. Não foi este o caso em O Enamorado, A Torre da Destruição, A Estrela, A Lua ou O Sol, onde a atividade no reino arquetípico ocorreu acima e atrás das figuras terrenas, que lhe sentiram os efeitos, mas apenas indiretamente por intermédio do inconsciente. No Julgamento, a figura central percebe conscientemente e ouve o chamado.Em pé, ao lado do sepulcro aberto, um homem e uma mulher saúdam o recém-erguido em atitudes de devota ação de graças. Dão as boas-vindas àquele que estava morto (sepultado no inconsciente) e que volta a uma vida nova.
A figura central da gravura é evidentemente o herói. Quando vistos pela última vez, ele e a dama que o acompanhava foram retratados caindo derrubados da Torre aparentemente inexpugnável por um raio. Nas três cartas seguintes, A Estrela, A Lua e O Sol, ele desaparece da nossa vista. Nós o imaginávamos jazendo na lama pegajenta de uma depressão profunda. Agora ressurge da sua longa noite para juntar-se às duas figuras que estão de pé, vigiando-lhe a tumba.
Uma reunião, de qualquer espécie, sempre inaugura um novo princípio: nunca resulta no restabelecimento do status quo anterior. Quer tenha partido para uma jornada externa, quer tenha partido para uma jornada interna, volta o viandante muito diferente do que partiu. E o mesmo acontece com os que ficaram para trás. Todos terão mudados nesse ínterim.
A vitalidade da figura que se ergue da tumba é aparente. Pintado como jovem, sólido e musculoso, sua carne reluz de saúde. Se bem que, do ponto de vista da consciência cotidiana, tenha parecido 'perdido' e 'morto', volta renovado, tanto de corpo como de espírito, revitalizado pelo contato com a terra e pelas aventuras nas profundezas subterrâneas.
No caso do sentimento, fazemos escolhas de acordo com uma hierarquia racional de valores sentimentais. Não se confunda esse tipo de decisão consciente pelo sentimento, tal como Jung a concebe, com a emoção inconsciente; trata-se, ao contrário, de um julgamento de valor muito preciso, baseado muito mais no que sentimos a respeito de alguma coisa do que no que pensamos a respeito dela. As conclusões alcançadas através das funções racionais (à diferença das que derivam da sensação e da intuição) podem ser descritas e sustentadas de modo racional.
Se a sua jornada pelas profundezas for bem-sucedida, o Pensador deposto voltará à vida renascido. Daqui por diante, será capaz de operar não somente através do pensamento, mas também com outros aspectos de si mesmo, agora disponíveis para uso consciente. O pensamento continuará sendo a função superior, mas ele também terá se transformado - revitalizado pelo contato com os mananciais de que flui toda a criatividade. Então, a personalidade do ego e todas as funções da psique experimentarão a espécie de reunião pintada no Julgamento. Quando isso acontece, o que antes era sentido como punhalada nas costas e raio destruidor do céu, será visto como um anjo de assombro e de glória.
No julgamento, um anjo irrompe, de improviso, de parte alguma para fazer um pronunciamento desafiador. O advento de um libertador nessas condições assume dimensões catastróficas, que Jung descreve da seguinte maneira: 'O nascimento do libertador equivale a uma grande catástrofe, visto que uma nova e poderosa a vida surge onde não se antecipava nenhuma vida, nenhuma força ou nenhum desenvolvimento novo. Flui do inconsciente, isto é, da parte da psique que, quer o desejemos, quer não, é desconhecida e, portanto, tratada como nada por todos os racionalistas. Dessa região desacreditada e rejeitada vem o novo tributário da energia, a revivificação da vida.

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