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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Trechos de 'O poder do mito', do Joseph Campbell, sobre a morte do cisne e sobre a existência de cisnes opostos.

A mitologia do plantio tem a ver com o cultivo das plantas, o plantio da semente, a morte da semente, por assim dizer, e o nascimento da nova planta, é orientada para dentro. Em sua sequência de vida, o mundo das plantas é idêntico à vida do homem. Como você vê, aí se estabelece uma relação de interioridade. Outra idéia associada às florestas tropicais é que da decomposição surge a vida. Eu vi maravilhosas florestas de pau-brasil, com grandes, imensas toras de árvores cortadas havia décadas. Brotavam delas essas novas criancinhas iluminadas, que são parte da mesma planta. Se você corta um ramo de uma planta, surge outro. Assim, nas culturas da floresta e do plantio, existe uma noção de morte que, de algum modo, não é propriamente morte, pois a morte é necessária à nova vida. E o indivíduo não é propriamente um indivíduo, é o ramo de uma planta.

A aventura do herói pode ser detectada já na puberdade ou nos rituais de iniciação das primitivas sociedades tribais, por meio dos quais uma criança é compelida a desistir da sua infância e a se tornar um adulto - para morrer, dir se ia, para a sua personalidade e psique infantis e retornar como adulto responsável. E essa é uma transformação psicológica fundamental, pela qual todo indivíduo deve passar. Na infância, vivemos sob a proteção ou a supervisão de alguém. Você não é, em nenhum sentido, auto-responsável, um agente livre, mas um dependente submisso, esperando e recebendo punições e recompensas. Evoluir dessa posição de imaturidade psicológica para a coragem da auto-responsabilidade e a confiança exige morte e ressurreição. Esse é o motivo básico do périplo universal do herói - ele abandona determinada condição e encontra a fonte da vida, que o conduz a uma condição mais rica e madura.

Todo ato na vida desencadeia pares de opostos em seus resultados. O melhor que podemos fazer é pender na direção da luz, na direção do harmonioso relacionamento que resulta da compaixão pelo sofrimento, que resulta de compreender o outro.

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