"DEVASTADOR." (Douglas Dickel)

"A imprensa norte-americana sente frequentemente uma necessidade de encontrar novos 'gênios' do cinema. É neste universo que, acredito, vivem os realizadores mais comentados pela imprensa norte-americana em 2010: Christopher Nolan e Darren Aronofsky. O primeiro, com seu A Origem (Inception, 2010), tornou-se símbolo de um suposto cinema de entretenimento 'com cérebro' ventilado aos quatro cantos do mundo; o segundo, com este Cisne Negro, um realizador que estaria trazendo profundidade psicológica ao cinema mainstream. Ambos respondem a uma necessidade de buscar-se no cinema mainstream contemporâneo algum respiro criativo, algo que nos conforte numa época em que cada vez mais os filmes comerciais parecem feitos para cachorros, muitas vezes sendo menos interessantes vê-los do que sentar numa cadeira de praia em frente ao forno giratório de assar frango e olhar o troço girar até dourar. É sim uma busca louvável, mas, até então, executada de maneira bastante pueril. Nas mãos de ambos [os diretores] o cinema é um quebra-cabeças, e existem duas preocupações que, nestes filmes, parecem interessar muito mais do que a própria pintura contida nele: em um primeiro momento, bagunçar as peças, desnortear o 'jogador'; em seguida, conferir cada uma dessas peças cuidadosamente para ver se todas estão em seus lugares específicos. É assim que a brincadeira acaba. Quem montou, é claro, sai com um sorriso no rosto. Algumas sequências, beneficiadas pela atmosfera de paranoia trazida de filmes como Repulsa ao Sexo (Repulsion, 1966) e Suspiria (idem, 1977), fazem de Cisne Negro uma emulação juvenil interessante de um cinema psicológico que já não se faz mais; a relação da personagem de Natalie Portman com o trabalho em que tanto busca a perfeição, por sua vez, carrega quês de A Hora do Lobo (Vargtimmen, 1968) e Videodrome – A Síndrome do Vídeo (Videodrome, 1982), outros grandes clássicos desta escola de cinema que se utiliza da diluição entre o real e a alucinação para fazer suspense." (Daniel Dalpizzolo)
"Aronofsky, que havia feito um belo trabalho com O Lutador, tenta aqui impor uma linguagem cinematográfica que demonstre essa luta de contradições. O verbo demonstrar não está aí por acaso. É perceptível a preocupação do cineasta em passar visualmente a sua 'mensagem' e, com tanta insistência, que acaba por prejudicar aquilo que tem a dizer. Diga-se de passagem, Aronofsky não é cineasta conhecido por sua sutileza. Basta lembrar de A Fonte ou mesmo de O Lutador, que tem muitas qualidades, mas não a do trabalho em entrelinhas ou com subentendidos. Com Aronofsky é tudo na lata, por assim dizer." (Luiz Zanin)
"E tudo por causa das luzes. Dos holofotes. Nolan e Aronofsky parecem compartilhar do desejo pela discussão da importância da estrutura cinematográfica e sua influência na sociedade moderna. Enquanto Nolan cria um castelo de idéias sobrepostas para maximizar os efeitos de um conceito simples, fazendo da jornada algo memorável, Aronofsky não mede esforços para construir um calabouço de mágoas e, pouco a pouco, apresenta os elementos de uma bomba-relógio. Diferente do dilema dos sonhos, Cisne Negro é a realidade manifesta – em diversos níveis de compreensão. (...) Nota pessoal: A Fonte da Vida é e sempre será meu filme favorito de Darren Aronofsky. Brilhantemente insuperável e profundo." (Fábio Barreto)

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