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quinta-feira, 8 de julho de 2010

O legítimo endoidecer do amor
(Adriel)


O amor, aquele que de chofre nos arrasta por ver não se sabe o que no outro que nunca até então vimos, que se chame de paixão ou outro nome quando o que importa aqui é um sentimento indescritível, é da ordem da loucura. Sua legitimidade é o se endoidecer. É tudo ou nada e qualquer coisa fora disso é imaturidade.

Psicanalistas e psicólogos que teorizam o amor na tentativa de nos fornecer diques para não sermos arrastados por esse sentimento são corruptos à vida: a paixão que ferve pelo outro não permite ser capturada pela segurança e conforto das palavras. Freud falando de amor é como o padre falando de sexo.

Esse amor é incompatível com razão e reflexão, é explosão de vida pura que nos arrasta a um turbilhão de prazer ou desprazer.

Sim, o terror reservado àquele que não é correspondido estraçalha o corpo e a alma, mas qualquer tentativa de temer entrar de corpo e alma nessas galáxias que não sabemos o que vamos encontrar, se a abertura de novos céus ou buracos-negros difíceis de se sair, é negar aquilo que nos é tão próprio na vida.

Ora, a alegria do bom encontro do amor, ainda que não perdure para sempre, é o devir elevado à quintessência da potência. Já a tristeza daquele que teve o coração rasgado, se reconhecida como legítima e compreendida como sendo inerente à vida, pode proporcionar uma experiência que coloca, como dizia Cioran, qualquer "cabeleireiro" como um rival de Sócrates.

A desilusão amorosa quando não negada nos permite novas possibilidades e re-significações de vida que nos desterritorializa para nos territorializar em outros cumes com novos ares.

Mas que não se diga que isso seja uma brincadeira gostosa: se Jesus Cristo nos cobra há mais de dois mil anos, por ter sido pregado numa cruz, é porque ele não sabe o que é a dor da criatura que suporta o tempo quando deseja ao outro que o enlouqueceu.

Um comentário:

Unknown disse...

muito bom, sobretudo a referencia so Mr. Jeez!