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segunda-feira, 29 de março de 2010

" . . . 'Homem que não vive da glória do passado', uma produção que não merece nem mesmo a gentileza de um aplauso, apesar de haver nela muito estudo envolvido, mesmo que não saibamos muito bem qual estudo é esse. Signos são lidos a partir de códigos. Não havendo possibilidade de leitura de um código, os signos não são retirados da vida, não se tornam passíveis de leitura, não atingem a secundidade (Peirce), não são estruturáveis (Levi-Strauss e Greimas), não comunicam nada (Eco). Significante e significado (Saussure) são dois lados de uma mesma moeda. Não há como haver um só lado numa moeda. Ela não existe apenas com um lado. O espetáculo de João de Ricardo, até agora, não existe porque não pode ser lido e, pelo que ele mesmo informa, deve apenas ser sentido. E o que se sente é o tédio de ler um livro em japonês sem entender o que significam 'aqueles desenhos que parecem letras'. (...) Quanto ao personagem, o interesse vem pela problematização dele, esse um ser que, diferente do que se vende na publicidade do espetáculo, tem pouca relação com o homem moderno comum. A solidão contemporânea, tema já outras vezes tratados em outros espetáculos da Cia. Espaço em Branco, aqui é tratada de forma caricata. Não há sustentação dramatúrgica para o personagem, esse que se mistura com o encenador por terem ambos o mesmo nome e a mesma idade. A solidão vivida pelo homem contemporâneo é interna. O homem se sente só entre muitas pessoas. Alguém que não sai de casa, que não faz sexo e que só come miojo e vê TV em nada se parece comum e que, por isso, para ser um personagem e não apenas a proposta de, precisa de um contexto que dê a ele chance de se estabelecer enquanto elemento de uma narrativa. A narrativa não acontece apesar de vários elementos serem postos em cena. (...) Mas, em nada um elemento se relaciona com o outro e aqui voltamos à parte em que tratamos sobre a ausência de um código. O Apocalipse, último livro da bíblia e o mais imagético dos 72 (ou 73 dependendo se ela for católica ou protestante), é citado, talvez, como desculpa para a bagunça conceitual ou ausência de conceito. Mas é importante destacar que a carnavalização de Nietzsche e também estudada por Bakhtin nada tem com isso. Lá não há assistência e só participação. Aqui há o histrionismo de um ator e também de seu grupo querendo utilizar elementos da performance art e dos usos de som e de vídeo (já cansados de serem usados lá nos anos 70) para discutir um tema batido e que, podendo como todos ser trazido ao palco de forma inteligente, não é feito nem de forma inteligível." (Rodrigo Monteiro)

"Douglas Dickel conduz uma sonoplastia carregada de significados que faz desse momento inicial a única parte interessante de toda a peça (que dura mais de duas horas!). (...) Imagens belíssimas são dispostas. Um trabalho de luz e uma trilha sonora dignas de elogios efusivos." (Rodrigo Monteiro)

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