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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

É sobre a arte, com ênfase na literatura, mas pode ser sobre a comunicabilidade (e o sentimento de comunicabilidade) em geral. A seguir, trecho do post do Daniel Galera publicado em 26/10/2005 no finado blog Ranchocarne e respostado por ocasião do recente suicídio do David Foster Wallace.

"Quem já tentou escrever ou filmar ou desenhar ou compor alguma coisa certamente passou pela experiência de elaborar uma idéia imensa, complexa, perfeita em sua forma e suas interconexões, uma condensação abstrata de inúmeras opiniões e sentimentos, só pra sentir a quase total incapacidade de transformar aquela idéia abstrata em palavras, imagens, sons quando chega a hora de botar a mão na massa. Quando se sobrevive ao processo, mesmo o resultado bom é somente a ponta do iceberg da idéia original, e no máximo se pode ter a expectativa de que a obra resultante tenha a capacidade de apertar os botões certos nos leitores/ ouvintes/ espectadores para que, com alguma sorte, reflitam em seu inconsciente uma parte daquilo que nos moveu a buscar um meio de expressão pra começo de conversa. É como se todos vivêssemos dentro de quartos fechados (e essa analogia é emprestada do conto do DFW [David Foster Wallace], já vou avisando), ligados a todos os demais quartos somente por buracos de fechadura. É muito pouco para transmitirmos o que se passa dentro de nosso quarto. Tentamos encontrar truques para descrever nossa estante de livros, o papel de parede que escolhemos, o modo como a lua cheia ilumina a cama em determinadas noites. Tocamos nosso som favorito no volume máximo, torcendo pra que alguém do outro lado da porta escute e goste também. Mas é sempre tão pouco. Então o negócio é aproveitar o buraquinho da fechadura da melhor maneira possível. Escrever é como sussurrar uma história pelo buraco. Um filme é como mostrar uma seqüência de imagens pelo buraco, e por aí vai. (Ok, agora estou desenvolvendo a analogia ao meu gosto, como já devem ter percebido). E raramente, muito raramente, bem na hora que a gente bota o olho no buraco, tem alguém espiando exatamente ali no mesmo instante. É claro que o quarto é ilusório. No fundo não existem paredes. Mas saber disso não ajuda muito, não é mesmo?

"Arrisco dizer que escrever é a forma mais mentalmente extenuante de tentar transmitir nosso fluxo interior de pensamentos e impressões. As palavras são pecinhas muito pequenas, com regras de encaixe manhosas, chatinhas. Tentar transformar um clarão intuitivo em uma seqüência linear de palavras pode ser bem complicado. Mas é possível, e bons livros estão cheios de momentos 'pára tudo', porque um conjunto de páginas triunfante consegue transmitir algo da mesma forma que três segundos de alguns filmes ou algumas músicas. O poder ocasional de um olhar de um ator em um filme ou de um refrão de uma música às vezes me deixa em uma espécie de estado de graça, e buscar esse efeito em parágrafos e páginas às vezes me parece uma tarefa tão imensa que quase acredito, por um instante, que escrever é coisa de louco (não é)."

3 comentários:

Luciano disse...

Cara...

É HOJE!!!!

Abrazzo!

RicardoMello disse...

foste no show ontem?
abraço!

Douglas Dickel disse...

Fui. Fiquei do lado da Ana Margarites.