20 de novembro de 2008
SUL-AMERICANA
Tango final
Inter faz 4 a 0 no Chivas e espera por Estudiantes ou Argentinos Jrs
DIOGO OLIVIER
Foi uma vaga na final com a marca da maturidade de um clube que alcança a sua quarta decisão continental em três anos. O 4 a 0 sobre o Chivas, ontem, no Beira-Rio, somado ao 2 a 0 de Guadalajara, revelam um time que se acostumou a disputar títulos de envergadura. Assim, depois da Libertadores, do Mundial e da Recopa, agora o Inter vai buscar a Copa Sul-Americana contra o vencedor de Estudiantes e Argentinos Juniors, que se enfrentam hoje (sic).
O técnico Tite deve ter aplicado uma vacina tripla anti-salto em seus jogadores. O Inter entrou em campo como se precisasse vencer de goleada, ainda que pudesse perder por um gol de diferença. Não perdeu uma dividida sequer. Isso nada tem a ver com técnica ou estratégia de jogo, mas mostrou-se fundamental. O técnico Efraím Flores marcou pressão no campo do Inter, a partir dos atacantes Medina e Santana. De nada adiantou. O Inter de quatro decisões em três anos parece não se espantar com mais nada.
Nada de drama, tensão, nervosismo, matizes épicos. Não foi preciso nada disso para o Inter chegar à final inédita para o futebol brasileiro. Tudo aconteceu com naturalidade.
Todos os movimentos do jogo tiveram um maestro. D'Alessandro rigorosamente regeu os seus companheiros. Quando a bola não parava no ataque, ele girava para cá e para lá, chamando a falta. Se a marcação apertava, insistia no toque de primeira com Magrão, Guiñazu pelo meio. Vez por outra abria pelos lados e tornava a tabelar com Bolívar e Marcão. A cadência do argentino matou os mexicanos.
Nada mais justo que a goleada tivesse a assinatura de D'Alessandro também no placar. A 19 minutos, converteu pênalti sofrido por ele mesmo. Carregou a bola na área até o o zagueiro Ocampo derrubá-lo. Já caiu de braços abertos, no melhor estilo catimbeiro argentino. Aos 36 minutos, pediu a bola para cobrar falta na entrada da área. Ninguém ousou contestá-lo. O goleiro Hernández se esticou todo, mas não conseguiu alcançar o seu cantinho esquerdo, ao pé da trave.
Enquanto isso, Lauro fazia polichinelos na sua área, para se aquecer um pouco. Do ponto de vista defensivo, o Inter beirou à perfeição. Índio, Álvaro, Bolívar e Marcão não perderam um lance sequer pelo alto.
O terceiro gol poderia ter sido olímpico. Em escanteio cavado por D'Alessandro, contra três marcadores, Taison imprimiu uma curva que quase traiu Hernández. Nilmar apareceu por trás do goleiro e completou de cabeça, aos 43.
Ao garantir vaga na final tão cedo, o Inter transformou o segundo tempo em mera formalidade. Tite deu-se ao luxo de preservar D'Alessandro, com cartão amarelo. Andrezinho entrou. O gol de Nilmar, a 25 minutos, serviu apenas para deflagrar os gritos de "olé" da torcida, contra o time de um país que adora touradas, como o México.
Agora, resta saber com quem será o último tango: Estudiantes ou Argentinos Jrs.

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