Mas não é só por isso que o leonino Rick Wright, tecladista do Pink Floyd, foi/é especial para mim. O Pink Floyd é a minha primeira banda de rock, a minha porta de entrada, e o tecladista era o meu amigo na banda. Roger Waters é um gênio, eu me identifico com ele, mas a expressão sempre leve do Wright fazia me sentir mais conectado com ele, aquela coisa de saber que, se um dia estivéssemos frente a frente, teríamos abertura e simpatia imediata. Essa sensação começou ao vê-lo nos shows, sempre sorrindo e olhando para um dos colegas de banda, naquela comunicação satisfeita de olhar. Aprofundou-se quando ele divulgou seu segundo - e último - disco solo, 'Broken China', em 1996. Na (então) Showbizz, ele disse que por ele a banda estaria reunida, que estava a postos para uma reunião. O clímax veio com uma entrevista feita pela Bruna Lombardi, em que ele disse, entre outras coisas, que para ele o paraíso seria morar numa ilha, que "poderia ter um golfinho" (passando). Santo espírito! Nascido em 28/07/1943, Wright era, no horóscopo chinês, carneiro, "o signo mais feminino do horóscopo chinês. É integro, sincero e se emociona com facilidade. Tem tendências a ser uma pessoa gentil e compassivo e perdoa com grande facilidade, com seu coração bondoso".
Rick Wright é a segunda voz de 'Echoes', é o autor da música do Jornal Nacional ('Summer '68', cuja versão original estou ouvindo agora e é uma das melhores composições de todos os tempos), é o melhor tecladista do mundo - até porque é o único tecladista que eu considero, porque costumo não gostar de tecladistas, mas de pianistas e tocadores de sintetizador. Tecladista era ele. E o space rock não teria sido inventado sem o teclado, seu o seu teclado.
Rick morreu hoje, aos 65, de um câncer tão rápido que ninguém havia ficado sabendo da doença. (Espero que o David Gimour arrependa-se por não ter aceitado reunir a banda novamente, embora o show no Live8 tenha lavado a minha alma. Em maio ele havia começado a cogitar aceitar, já que até o teimoso Roger Waters já estava disposto, mas agora é tarde.)
Gilmour escreveu hoje: "Ninguém pode substituir Richard Wright. Ele era meu parceiro musical e meu amigo. Quando se discutia quem ou o que era o Pink Floyd, Rick era frequentemente esquecido. Ele era gentil e reservado, mas sua voz cheia de alma e seu toque cheio de alma foram vitais e mágicos componentes da maioria do reconhecível/característicos som do Pink Floyd. Eu nunca toquei com ninguém como ele. A junção das vozes minha e dele e nossa telepatia musical econtraram o primeiro fruto em 1971, com 'Echoes'. Na minha opinião todos os maiores momentos do PF aconteceram quando Rick estava a todo vapor. Afinal, sem 'Us and them' e 'The great gig in the sky', músicas que ele compôs, o que teria sido do 'The dark side of the moon'? Sem seu toque quieto, o álbum 'Wish you were here' não teria sido trabalhado. Nas nossas meia-idades, por muitas razões ele ficou um tempo perdido, mas no começo dos anos 90, com 'The division bell', sua vitalidade, seu fogo e seu humor estavam de volta, e então a reação do público a suas aparições na minha turnê em 2006 foi estrondosa. Na sua modéstia, aquilo foi uma surpresa para ele, embora não tenha sido para o resto de nós. Como Rick, eu não tenho facilidade de expressar meus sentimentos com palavras, mas eu amava ele e vou sentir muito sua falta."
Fiquei sabendo da notícia no trabalho, por e-mail enviado pelo amigo Rodrigo Souto, e lá não pude chorar, e para lá não pude ir de roupa preta. Mas agora registro todo o meu sentimento com relação a esse cara. E choro. Mais um a encontrar depois, um dia. Quem sabe.

2 comentários:
pink floyd pra sempre!!
"summer 68" é uma das minhas preferidas também :)
Lindo o teu post. bjo
Enquanto lia, tocava aqui de fundo The great gig in the sky. Realmente emocionante, inesquecível. Pensei por inúmeras vezes receber a noticia do retorno desta que é uma de minhas bandas preferidas, e assim como você, Douglas, também foi a minha porta de entrada.
Realmente Wright foi esquecido por muito tempo. Sem ele, faltaria algo. Agora falta pra sempre.
Postar um comentário