Gatos viram ameaça na Redenção
Bichos abandonados no parque de Porto Alegre põem em risco pássaros
CARLOS WAGNER/ZH
Uma prática de moradores de Porto Alegre, acentuada em época de férias, coloca em risco os pássaros do Parque Farroupilha: o abandono de gatos. Os bichos de estimação ali deixados se juntam a dezenas de felinos que já vivem no parque e formam uma superpopulação que representa uma ameaça mortal para as aves e seus filhotes.
Área verde de 37,5 hectares cercada por edifícios, ruas e avenidas, a Redenção é um dos cartões-postais da Capital e a principal área verde da zona central da cidade. Por ali, passam e vivem milhares de pássaros de 60 espécies.
Os mais vulneráveis aos ataques dos gatos são os que pousam no chão, como o joão-de-barro, o sabiá, o tico-tico e o pardal, explicou Glayson Bencke, biólogo e pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica.
- Fazendo uma conta conservadora, vamos considerar que existam cem gatos no parque e que todos sejam bem cuidados e alimentados: em um ano, eles podem matar 5 mil passarinhos. O gato é um predador nato - observou.
Pela mais recente contagem, existem no local 130 felinos, 30 deles abandonados nos primeiros dias deste verão. Na estação, a prática é mais intensa, porque muita gente deixa os mascotes à própria sorte e vai veranear despreocupadamente, sem ter o encargo de cuidar deles.
Na semana passada, a administradora da Redenção, a veterinária Simoni Barcelos Gutkoski, flagrou pessoas deixando duas caixas com filhotes de gatos.
- Conversei, expliquei a eles a situação e avisei que não poderiam deixar os animais no parque - comentou a veterinária.
A maioria dos mascotes é castrada e de bom aspecto
Simoni mencionou que, em um relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de 1999, técnicos recomendam a eliminação dos gatos na Redação para evitar riscos à integridade dos pássaros. Ela discorda da recomendação.
A situação só não se transformou em um problema ainda maior para população graças ao Movimento Gatos da Redenção, ONG fundada em 2001. A entidade se dedica a alimentar, cuidar da saúde e procurar novos donos para os animais abandonados no parque.
- O verão é a pior época do ano para nós, porque cresce o número de gatos abandonados no parque e diminuem as adoções, por ser um período de férias. Já fizemos 810 doações de gatos - informou Maria da Graça Zanotta, agente de viagens e uma das fundadoras da ONG composta por 10 colaboradores fixos e inúmeros voluntários.
Diariamente, Maria da Graça e colegas distribuem aos gatos três quilos de ração, dois litros de leite e dois quilos de carne. Ela disse que o perfil do animal abandonado é bem diferente daquele que vive na rua. São bichos de estimação que recebiam cuidados:
- São dóceis, bem alimentados e a maioria é castrado. Eram bichos de estimação até que seus donos cansaram deles e os abandonaram à própria sorte.

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