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domingo, 5 de fevereiro de 2006

É engraçado o jeito como as coisas acontecem, é fascinante.

Eu gostei de Chemical Brothers e de Prodigy desde que os ouvi pela primeira vez. De Portishead e Massive Attack, e Tricky, idem. Mas eram artistas isolados no meu rol de gostos, representantes de estilos específicos - big beat e trip hop.

Em outubro de 2000, 'Kid A' recém lançado pelo Radiohead, saiu uma matéria no MusicZine, que eu editava na época, com três opiniões sobre o sucessor de 'OK computer'. Na chamada de capa, "Kid A surpreende com experimentalismo eletrônico e quase sem guitarras". E a minha opinião era: "O Radiohead escolheu mudar, mas ficou parecendo que o motivo foi falta de inspiração. (...) De resto, seis faixas que mexem com pseudomaluquices e timbres frios e fracos que lembram Aphex Twin (...)."

Era a primeira vez que um artista de que eu gostava tinha descoberto a eletrônica, mas foi um baque, não era aquilo que eu esperava do Radiohead naquele momento. Depois, acabei gostando do disco, e inclusive ele e o 'Amnesiac' tornaram-se os discos que eu mais ouço da banda.

Algum tempo depois, na época do lançamento de 'Yoshimi' e 'Think tank', eu escrevi um post aqui questionando se dali a algum tempo não haveria mais bandas fazendo rock sem eletrônica.

Passado mais um tempo nesse meu filmezinho, chegou a época em que eu descobri o que eu tinha que fazer, como criador, e descobri isso ao procurar um som que eu desejava ouvir, mas esse som não existia, era o meu que estava por vir. Então fiz o disco do input_output. Alguns meses mais tarde, o André Gomes fez aquele entrevista comigo para o site português Bodyspace. Uma das questões perguntava como se dava a minha relação com a música eletrônica:

Como nasceu a direcção essencialmente electrónica seguida em Eu Contenho Todos os Anos Dentro de Mim? É uma área na qual já vinha trabalhando nos últimos tempos?

Como nasceu realmente eu não sei. Uma área que faz parte de mim é o minimalismo - que também está presente na electrónica. A matemática sempre foi a minha disciplina predilecta, então há uma influência dela na minha arte. "Caos Organizado", como disse uma vez um professor meu.


Fiquei refletindo sobre esse trecho e não sei como e quando exatamente eu comecei a ir atrás de sons eletrônicos no All Music Guide e no Soulseek. Então foi a minha vez de, através de um input, descobrir conscientemente a música eletrônica, que já tinha aparecido na forma de output, na minha criação. Ela aumenta enormemente o leque de possibilidades criativas ousadas e provocadoras de sensações físicas.

Descobri Oval, Autechre, Dntel, Pita, Pan Sonic, Múm etc., o que acabou abrindo a minha mente também para projetos com elementos de eletrônica pop, como Architecture In Helsinki e The Fiery Furnaces, e projetos de avant-pop, como Animal Collective. Até de rap eu fui atrás.

***

Ontem eu instalei dois softwares sintetizadores que eu havia baixado. O GranuLab é autosuficiente, você aciona o play e ele toca um som que você vai modulando em vários parâmetros, através do "método de síntese granular". Cada configuração legal que você fizer é possível salvar em um patch, e depois de vários patchs salvos dá para ficar viajando de um para o outro, e ele faz a transição de uma configuração para a outra como se fosse manualmente, ou seja, como se fosse você mexendo nos "botões". Já o CrusherXLive é semelhante ao Max/MSP que o Dennis McNulty usa: você tem espaço para carregar quatro samples seus e pode ficar jogando com eles, e modulando cada um deles. Concomitantemente, há um sintetizador, no painel, que você pode acionar juntamente com os samples. Nesse, fiquei improvisando por mais de uma hora e gravei o resultado. Com alguma edição, pode se transformar num single do input_output.

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