Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

segunda-feira, 6 de junho de 2005

"A jornada do herói sempre começa com um chamado. De algum modo, deve aparecer algum guia e dizer: 'Olhe, você está na Terra do Sono. Acorde. Vamos viajar. Há todo um aspecto de sua consciência, de seu ser, que ainda não foi tocado. E então, você está em sua casa? Bem, não há muito de você aí.' E ela começa.

"O aurauto ou anunciador da aventura costuma ser sinistro, odioso ou aterrorizante, considerado diabólico pelo mundo, mas, se o seguirmos, será aberto um caminho pelas paredes do dia e chegaremos às sombras onde brilham as jóias.

"O chamado pede que a pessoa deixe certa situação social, passe para a sua própria solidão e encontre a jóia, o centro que é impossível encontrar quando se está engajado socialmente. Você é deslocado de seus centro de equilíbrio, e quando isso acontece é porque chegou a hora de partir. É nessa partida que o herói sente que alguma coisa foi perdida, e sai à sua procura. Você está prestes a cruzar o limiar de uma nova vida. É uma aventura perigosa, pois você está saindo de sua esfera de conhecimento sobre a comunidade e sobre você mesmo.

"O primeiro passo, o desapego ou a introspecção, consiste em uma transferência de ênfase radical, levando do mundo externo para o interno, do macro para o microcosmo, um afastamento do mundo sempiterno que existe em seu interior. Mas este reino, pelo que a psicanálise nos informa, é precisamente o inconsciente infantil. É o reino em que entramos ao dormir. Levamo-lo em nosso íntimo para sempre. Todos os ogros e auxiliares secretos de nossas brincadeiras estão lá, toda a magia da infância. Mais importante, todas as potencialidade de vida que nunca conseguimos reproduzir na vida adulta, essas outras porções de nós mesmos, estão lá; pois essas sementes douradas não perecem.

"Quando pensamos em algum motivo para não ir ou temos medo e ficamos na sociedade porque é mais segura, os resultados são radicalmente diferentes do que acontece quando atendemos ao chamado. Se você se recusa a ir, é porque serve a alguém. Quando acontece a recusa ao chamado, há uma espécie de ressecamento, a sensação de que parte da vida se perdeu. Tudo que existe em seu íntimo sabe que você se recusou a vivee uma aventura obrigatória. Acumulam-se ansiedades. O que você se recusou a vivenciar de forma positiva será vivenciado de forma negativa.

"Contudo, se o que você está seguindo é a sua própria e verdadeira aventura, se é algo apropriado às suas mais profundas necessidades espirituais ou à sua preparação, então guias mágicos surgirão para auxiliá-lo. Se você diz 'Todos vão fazer essa viagem este ano e por isso eu vou também', não aparecerá guia algum. Sua aventura precisa sair bem do seu interior. Se você estiver pronto para ela, abrir-se-ão portas onde antes não havia porta alguma, nem para você, nem para qualquer outra pessoa. E você precisa ter coragem. É um chamado para a aventura, o que significa nada de segurança, nada de regras.

"Ao cruzar o limiar, você adentra a floresta sombria, mergulha no mar, embarca em uma viagem pelo mar noturno. Ela envolve a travessia de pedras em choque, portões estreitos ou coisas do gênero, representando o sim e o não, os pares de opostos. Haverá um momento em que você terá a impressão de que as paredes do mundo se abriram por um segundo, e você vislumbra o que existe lá. Então, pule! Vá! Geralmente, as portas fecham-se tão depressa que arrancam a ponta da cauda do seu cavalo. Você pode ser desmembrado, perder tudo o que tem.

"Psicologicamente, isso representa a viagem que sai do mundo das intenções racionais e conscientes e se dirige para a zona das energias do corpo que se movem de outro centro: o centro com o qual você está tentando entrar em contato.

"Como agora você está rumando para o centro, terá mais ajuda, bem como provas cada vez mais difíceis. Você precisa abdicar cada vez mais daquilo a que está apegado. O evento final é o desapego total, cede-se completamente. Você está em um lugar diametralmente oposto a suas experiências de vida e a tudo o que aprendeu na escola. Psicologicamente, houve uma passagem para o inconsciente; no entanto, é um deslocamento para um campo de ação do qual você não conhece nada. Tudo pode acontece, tanto favorável quanto desfavorável.

"Quanto mais fundo você vai, e mais se aproxima da realização final, maior a resistência. Você está chegando às terras reprimidas, e é esse sistema de repressão que você vai atravessar. E é nesse lugar, evidentemente, que a ajuda mágica é mais necessária. Aqui, o herói pode descobrir, pela primeira vez, que em todos os lugares existe um poder benigno a apoiar sua passagem sobrenatural." (Joseph Campbell)

Nenhum comentário: