Quando é que Moisés, do Detran do Distrito Federal, vai ser transerido para o Rio Grande do Sul a fim de promover o milagre da travessia do Mar de Asfalto? Porque aqui as faixas de pedestres são para enfeitar as ruas. Que bonitas! Para começar a estupidez, os cruzamentos de duas vias de mão ÚNICA têm quatro faixas de segurança, enquanto o máximo possível é de duas. Imagine um cruzamento. Uma cruz. Imagine ela na vertical, como se fosse a visse voando como o Superman. Passam carros da esquerda para a direita e de baixo para cima. Então tem que haver faixa de pedestres na união do braço oeste com o centro da cruz e na união do braço sul com o mesmo centro. Nos braços leste e norte não tem como haver faixa de segurança, pois não tem como o carro parar - para os pedestres atravessarem - no meio do cruzamento. Sacou? Absolutamente, duas dessas quatro faixas são mesmo para decoração da rua. As outras duas são absolutamente corretas e úteis, mas relativamente não. Porque o único motorista que pára nessas faixas neste Estado sou eu. Eu paro, e podem acontecer as seguintes conseqüências (todas verídicas, já aconteceram):
a) Sendo uma mulher, ela não passa porque acha que eu parei para ver ela passar, para ver a bunda dela.
b) A pessoa não passa porque acha que quando ela passar eu vou dar arrancada e matá-la atropelada de maneira traiçoeira, sádica e psicótica.
c) A pessoa fica confusa, por nunca ter visto aquilo, e nunca mais se move (tendo que alguém chamar a Equipe Para Humanos da Confuse-A-Cat).
d) A pessoa fica confusa, espera, forma-se uma fila enorme de carros buzinando, sem saber direito o que está havendo, e só então ela resolve passar.
e) A pessoa fica confusa, espera, forma-se uma fila enorme de carros buzinando, sem saber direito o que está havendo, e mesmo assim ela continua esperando, porque ela nunca viu isso, "não é normal", "alguma coisa está errada aqui", e eu é que tenho que fazer papel de palhaço e arrancar sem a que a pessoa tenha passado diante da minha parada, que acabou sendo inútil.
f) As pessoas passam, o motorista do carro de trás enfia a mão na buzina, me ultrapassa acelerando de forma a eu perceber o seu nervosismo, abre a janela do carro, põe a cabeça para fora, estende o dedo médio com o resto dos dedos em punho, e grita uns palavrões junto com o adjetivo "Maneta!".
Além disso, é bonito ver o balé das pessoas atravessando em todos os pontos possíveis ANTES e DEPOIS da faixa de pedestres. Tem uma faixa ali na esquina, mas ela não pode caminhar até ali, mesmo porque aquilo ali não serve para travessia (eu havia esquecido). Toda vez que eu me deparo com um pedestre atravessando FORA da faixa e PERTO da faixa, eu buzino e ainda falo na janela "A faixa, meu filho!". Também há as faixas que servem para estacionamento, como uma na frente da Unisinos que é habitada por ônibus. As únicas faixas em que os motoristas não têm obrigação de parar são aquelas acompanhadas por um(a) semáforo / sinaleira / sinal / farol. Nesses locais, geralmente há um semáforo PARA pedestres. A pessoa aperta um botão e espera o semáforo dos automóveis ficar vermelho. Isso na teoria, pois tanto no DF como no RS:
a) A pessoa não aperta o botão e fica esperando o sinalzinho (vamos chamar assim o de pedestres) abrir sozinho, podendo não abrir nunca.
b) A pessoa aperta o botão, mas, na primeira oportunidade sem carros passando, atravessa. E os motoristas que se fodam depois esperando o sinalzão abrir sem pedestre algum atravessando. (Essa opção é a mais comum no portão principal da Unisinos.)
c) A pessoa não sabe que existe botão nem sinalzinho e ignora a faixa, atravessando fora dela a hora que ela quiser, pois ela é livre.
d) A pessoa aperta o botão e espera - sempre, em sinal de respeito aos motoristas - o sinalzinho abrir para atravessar. (Essa opção eu só vi ser adotada por mim e pela minha espousa.)
Como pedestre, eu atravesso na faixa calculando se daria tempo de o carro que vem vindo parar. Se dá, eu atravesso, e o carro é obrigado a parar. Só não atravesso quando não daria tempo. Nas ruas de trânsito mais lento (como na Independência, a Rua Grande de São Leo*, onde as pessoas andam a menos de 20 Km/h até de madrugada com a rua vazia, apenas porque todo mundo faz assim - é muito arriscado andar a 60 Km/h, que é o limite da rua, e contrair uma exclusão social ou ficar confuso), eu atravesso e há motoristas que mesmo assim não param. Então eu deu um tapa nos carros deles. Porque eu queria ser o Loki do Dogma e fazer justiça por aí.
Pode vir o cara de ré para me atropelar e querer me dar uma surra. Não vou concordar que uma lei seja invalidada por consenso, só porque a maioria não obedece e os porcos não fazem nada. (E isso se aplica também ao uso do pisca-pisca, que é totalmente ignorado, e à obediência às marcas da pista para quem vai reto e da pista para quem vai dobrar. Como na descida da Avenida Unisinos, chegando na estação do trensurb. A faixa da esquerda é para dobrar à esquerda, forma-se uma fila ali e os espertinhos, que vão dobrar para o mesmo lado, descem pela pista da direita e cortam a frente dos que estão dobrando. Eu cravo a mão na buzina e na luz alta. Só para ter uma idéia, buzinar em Brasília é proibido. Não precisa.) Se um dia eu morrer atropelado, publiquem: "Mártir da faixa de pedestres".
(*Leo NÃO tem acento.)
|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::
quinta-feira, 4 de abril de 2002
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário