O Nada existe. O Nada é O QUE existe. É o que existe por trás do Tudo, que é cultural. O ser humano criou o Tudo para não sofrer com o Nada. O budismo busca entrar em harmonia com o Nada para atingir a Felicidade. As drogas reduzem a válvula redutora e nos fazem tolerar melhor o Nada. Mas o triste é que quando o efeito passa, a gente se sente mal porque volta a pensar no Tudo e, ainda por cima, se sente mal por ter estado em maior harmonia com o Nada, por ter estado "alto" através de indução artificial. A consciência é o diabinho do Tudo lutando contra o anjinho do Nada.
> Se a vida é nada além de uma questão de sobrevivência, as pessoas se
> igualam aos animais, perdem sua humanidade vivendo para sobreviver,
> para trabalhar e ganhar dinheiro e morrer. Que triste :(
A Humanidade faz parte do Tudo, é cultural. A maldição da razão é que nos cria a sensação de Infelicidade e a obrigação de haver um Sentido Da Vida. As pessoas não se igualam aos animais, pois elas são iguais aos animais, pois elas são animais. A diferença espiritual que temos com relação aos outros animais nos cria maiores dificuldades - porque precisamos atingir o Equilíbrio Emocional e a Felicidade - e, em contraponto, algumas alternativas lúdicas para a sobrevivência. Entre elas está a Arte, que se iguala ao Trabalho na função de passatempo da vida. No entanto, o Trabalho é mais cultural, enquanto a Arte é mais vital, intuitiva, prazerosa, transcedental. Tanto que ela pode entrar de forma macia na vaga do Sentido Da Vida, já que a nossa mente anseia tanto por tal preenchimento. E assim aparece uma visão de mundo menos realista que a anterior, mais romântica e confortável, que não necessariamente seja mentirosa, pois a Verdade é um conceito que não existe de fato.
> Talvez isso
> explique essa fixação de se trabalhar com algo de que se goste, uma
> última tentativa de recuperar a dignidade, o sonho. Do jeito errado,
> lógico: tentando unir o útil ao agradável. O útil não é pra ser
> agradável. É pra ser útil e pronto. E vice-versa. Não podem se
> juntar. Senão o agradável vira "hobby". Minha mãe mesmo disse outro
> dia que eu tinha que fazer publicidade e fazer artes como "hobby". Eu
> bati o pé: artes não é pra ser "hobby" senão perde o sentido. Mas
> tentar convencê-la disso foi a mesma coisa que tentar atravessar uma
> parede.
Perfeito. O agradável - principalmente a arte - não pode ser contaminado pelo útil - principalmente o trabalho, que é comercial.
> Quanto ao útil, eu penso depois, qualquer merda de trabalho é útil. Tanto
> faz ser jornalita ou funcionário público, o trabalho é a parte da
> vida dedicada ao nada. Por isso o Douglas vai ser funcionário público
> (e o Bukowski vivia de subempregos). Pra separar o útil do agradável.
* Diálogo virtual entre mim e a Gabriela.
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segunda-feira, 1 de abril de 2002
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