CD-R ring. Algum dos participantes tem algum comentário a fazer? Façamos adiante uma outra edição. Eis o que o meu presenteado, o Zyon, me escreveu hoje:
From: "Moisés Crivelaro"
Subject: Ouvi tua Miopia e isso me fez bem!
Ouvi seu CD ontem e antes de ontem e achei muito legal. Das coisas que não conhecia gostei de Built To Spill, Blonde Redhead (apesar de não ter ouvido a música com muita atenção) e passei a ter menos reticências quanto a fase eletrônica do Bowie. Mas a melhor faixa para mim é a tua Miopia. Quando ouvi pela primeira vez tive uma idéia para fazer uma história em quadrinho, depois te falo mais!
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
Bleedthrough é o nome do novo CD do Nine Inch Nails, outro predileto da casa que deve lançar em breve - pela Nothing Records/Interscope. Trent Reznor disse que o bicho vai ser bem mais pesado e cru que The Fragile. "Computadores, entre outras coisas, são a ruína da música nestes dias. Eu odeio o padrão Pro Tools de perfeição, de que tudo pode ser arrumado. Esta gravação definitivamente vai ser não-arrumada." A produção está por conta de um time: Rick Rubin, Atticus Ross, Leo Herrera, Jerome Dillon e o engenheiro de mixagem Rich Costey. Já se sabe o nome de três músicas: The Line Begins To Blur, Everyday Is Exactly The Same e My Dead Friend.
O Placebo ainda não está confirmado para a segunda edição do Curitiba Pop Festival, que deve acontecer nos primeiros dias de maio. Outros nomes que estão sendo cogitados são Guided By Voices e Teenage Fanclub - que estava previsto para tocar no Brasil em março. Se vier Placebo ou Teenage Fanclub, eu e a Manuela vamos. Organizemo-nos, sim, para gastar menos.
Loved despite great faults
Blonde Redhead
you will move
with me we will
stay still and
words will move around us.
surround us in gold
and in our world
we will be
silent.
you will swim
to me we will
be free
and words will move around us
swim around us
surround us in schools
and in our cool
we'll be reminded.
(...)
Blonde Redhead
you will move
with me we will
stay still and
words will move around us.
surround us in gold
and in our world
we will be
silent.
you will swim
to me we will
be free
and words will move around us
swim around us
surround us in schools
and in our cool
we'll be reminded.
(...)
Bowie mente.
"Eu nunca tive problemas em voltar a usar um jeito que gravei alguma coisa há vinte anos se eu achar que é uma técnica boa. Especialmente se eu estou trabalhando com alguém como Tony, que volta comigo para podermos olhar todos os métodos e maneiras diferentes que fizemos as coisas e dizermos: vamos fazer o tipo de coisa que fizemos naquela música. Voltamos para 1843, nos apropriamos daquele método e trazemos ele para o modo como trabalhamos agora. O melhor de avançar esses anos é acumular esse monte de coisa, e felizmente a maioria é coisa boa. Eu acumulei bastantes coisas e tenho muitos métodos que previnem um bloqueio." (Entrevista publicada na revista Época, sobre o recente álbum dele, Reality.)
"Eu nunca tive problemas em voltar a usar um jeito que gravei alguma coisa há vinte anos se eu achar que é uma técnica boa. Especialmente se eu estou trabalhando com alguém como Tony, que volta comigo para podermos olhar todos os métodos e maneiras diferentes que fizemos as coisas e dizermos: vamos fazer o tipo de coisa que fizemos naquela música. Voltamos para 1843, nos apropriamos daquele método e trazemos ele para o modo como trabalhamos agora. O melhor de avançar esses anos é acumular esse monte de coisa, e felizmente a maioria é coisa boa. Eu acumulei bastantes coisas e tenho muitos métodos que previnem um bloqueio." (Entrevista publicada na revista Época, sobre o recente álbum dele, Reality.)
A última notícia no Pitchforkmedia sobre o novo disco da PJ Harvey - ela não lança desde 2000 - é de 28 de fevereiro do ano passado. Diz que algumas músicas foram compostas junto com a Marianne Faithfull. "É um som muito mais simples e raivoso. É brutalmente honesto, quase não há embelezamento de nada. No último disco, eu estava muito na criação de camadas de beleza e intensidade melódica e músicas bonitas leves, e tudo isso foi pela janela agora. Eu costumo ser alguém que reage contra o último trabalho, então eu tenho ido para músicas que soam completamente feias e totalmente perturbadoras, raivosas."
Eis a letra do hit do Sigur Rós. Cantem junto!
Svefn-g-englar
Ég Er Kominn Aftur
Inn I Þig
Það Er Svo Gott Að Vera Hér
En Stoppa Stutt Við
Eg Flýt Um I Neðarsjávar Hýði
A Hóteli Beintengdur Við Rafmagnstöfluna Og
Nærist
Tjú Tjú
En Biðin Gerir Mig Leiðan - Brot Hættan Sparka Frá
Mér
Og Kall A - Verð Að Fara - Hjálp
Tjú Tjú
Eg Spring Ut Og Friðurinn I Loft Upp
Baðaður Nýju Ljósi
Eg Græt Og Eg Græt - Aftengdur
Onýttur Heili Settur A Brjóst
Og Mataður Af Svefn-G-Englum
Svefn-g-englar
Ég Er Kominn Aftur
Inn I Þig
Það Er Svo Gott Að Vera Hér
En Stoppa Stutt Við
Eg Flýt Um I Neðarsjávar Hýði
A Hóteli Beintengdur Við Rafmagnstöfluna Og
Nærist
Tjú Tjú
En Biðin Gerir Mig Leiðan - Brot Hættan Sparka Frá
Mér
Og Kall A - Verð Að Fara - Hjálp
Tjú Tjú
Eg Spring Ut Og Friðurinn I Loft Upp
Baðaður Nýju Ljósi
Eg Græt Og Eg Græt - Aftengdur
Onýttur Heili Settur A Brjóst
Og Mataður Af Svefn-G-Englum
... A Coerência É Uma Armadilha, do Frank Poole, é o melhor disco de rock alternativo deste país de todos os tempos - especialmente pelas duas primeiras faixas. Vai ser duro fazer algo melhor.
"Exceto por duas músicas, a parte instrumental deste disco foi gravada ao vivo, em estúdio, numa sessão de 4 horas. (...) Os vocais foram colocados depois, em overdubs. Optamos por gravar dessa forma porque queríamos que o disco soasse exatamente como ouvíamos as músicas em nossos ensaios, e conseguimos. Eu usei um aplificador Marshall e o Gustavo, um Mesa Boogie. Ensaiamos tanto para aquela sessão que as músicas saíram perfeitas. (...) Com essas faixas gravadas, voltamos para casa e finalizamos as letras, sobre as músicas. Canção Para Cecília foi um conjunto de acidentes. Ensaiamos essa música diversas vezes, e quando errávamos alguma coisa, algum volume, etc., parávamos e pensávamos: Putz, isso ficou legal! Assim a música foi ficando tão forte, ganhando uma personalidade que nos interessou muito . . . Alguma Coisa Sobre Bêbados é a mais pesada do CD. As duas guitarras fazem exatamente a mesma coisa, uma de cada lado, mas com 4 frases de diferença. Significa que quando o Gustavo termina uma parte, eu estou começando exatamente ali." (Yury Hermuche)
infanticídio
eu não vou ter filhos,
eu prefiria morrer.
não vou, não vou me multiplicar.
a minha desgraça vai comigo,
com minha morte.
tudo o que eu fizer,
nada merece ficar.
não pai. não pai.
não pai. não pai.
eu nunca quis crescer,
mas hoje eu quero matar
a criança que há dentro de mim.
mas não será possível
se eu não tiver filhos.
mas é meu destino.
nasci filho, não vou ser pai.
não pai. não pai.
não pai. não pai.
"Exceto por duas músicas, a parte instrumental deste disco foi gravada ao vivo, em estúdio, numa sessão de 4 horas. (...) Os vocais foram colocados depois, em overdubs. Optamos por gravar dessa forma porque queríamos que o disco soasse exatamente como ouvíamos as músicas em nossos ensaios, e conseguimos. Eu usei um aplificador Marshall e o Gustavo, um Mesa Boogie. Ensaiamos tanto para aquela sessão que as músicas saíram perfeitas. (...) Com essas faixas gravadas, voltamos para casa e finalizamos as letras, sobre as músicas. Canção Para Cecília foi um conjunto de acidentes. Ensaiamos essa música diversas vezes, e quando errávamos alguma coisa, algum volume, etc., parávamos e pensávamos: Putz, isso ficou legal! Assim a música foi ficando tão forte, ganhando uma personalidade que nos interessou muito . . . Alguma Coisa Sobre Bêbados é a mais pesada do CD. As duas guitarras fazem exatamente a mesma coisa, uma de cada lado, mas com 4 frases de diferença. Significa que quando o Gustavo termina uma parte, eu estou começando exatamente ali." (Yury Hermuche)
infanticídio
eu não vou ter filhos,
eu prefiria morrer.
não vou, não vou me multiplicar.
a minha desgraça vai comigo,
com minha morte.
tudo o que eu fizer,
nada merece ficar.
não pai. não pai.
não pai. não pai.
eu nunca quis crescer,
mas hoje eu quero matar
a criança que há dentro de mim.
mas não será possível
se eu não tiver filhos.
mas é meu destino.
nasci filho, não vou ser pai.
não pai. não pai.
não pai. não pai.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
"Mas foi ela (Yoko) que o mandou seguir o seu caminho, em 1973, quando ficaram 18 meses separados, e também para a viagem sozinho para Hong Kong, no final dos anos 70. Durante este período, no meio de um banho, um dia John descobriu a si mesmo. 'Eu estava simplesmente muito relaxado', diria ele depois, 'E foi como um reconhecimento. Meu Deus! Sou eu! Esta pessoa relaxada sou eu. Eu me lembro desse cara de muito tempo atrás! Daí eu telefonei para Yoko e disse: Adivinha quem é? Sou eu! Sou eu aqui!. Eu era John Lennon antes dos Beatles, e depois dos Beatles, e assim seja. 'Saindo de tais abismos', escreveu Nietzsche, como que descrevendo o ocorrido, 'e saindo também do abismo de uma grande suspeita, os que retornam voltam renascidos, depois de terem trocado de pele, mais sensíveis e sarcásticos, com um gosto mais delicado pela alegria, com uma língua mais suave para todas as coisas boas, com os sentidos mais vivos, com uma perigosa segunda inocência na alegria, mais infantil, porém cem vezes mais sutil do que antes'." (A balada de John & Yoko)
O Rodrigo, meu colega indireto de trabalho, maior fã de Los Hermanos que eu conheço, contou que a banda tocou no Planeta Atlântida de SC e que o assédio pelos jornalistas foi oposto ao assédio pelo público. Contou também que a banda tocou no Faustão, e que o McClintock constrangeu os caras enumerando as glórias da Anna Júlia até que eles foram obrigados a tocá-la, antes que o constrangimento se estendesse ao mundo. Eu até imagino como foi. "Urra meu. Essa música é uma das atrizes mais íntegras, mais verdadeiras da televisão brasileira." O Rodrigo disse que o xará dele, o Amarante, deixou cair a palheta durante a música e a juntou sem a mínima pressa, e que o Marcelo cantou sem vontade alguma.
Domingo, Janeiro 18, 2004
Los Hermanos no Faustão
Acabou de ir ao ar a participação dos hermanos no Domingão do Faustão. Apesar dos cortes, do Faustão falando no meio das músicas, do som baixo dos metais e dos erros na letra de O Vencedor, eu achei bastante proveitosa essa apresentação. O assunto principal foi Anna Júlia, como já era previsto. Achava que não estaria vivo para vê-los tocando a música na televisão outra vez, mas segundo Faustão, essa foi a última execução na tv. Marcelo falou ainda sobre a falta de preconceitos na hora de compor, que todos os ritmos eram válidos e Amarante brincou com Faustão, cantando uma música dos Bee Gees quando o apresentador pediu para eles um trecho de Anna Júlia em inglês. (LosHermanos.blogger.com.br)
Domingo, Janeiro 18, 2004
Los Hermanos no Faustão
Acabou de ir ao ar a participação dos hermanos no Domingão do Faustão. Apesar dos cortes, do Faustão falando no meio das músicas, do som baixo dos metais e dos erros na letra de O Vencedor, eu achei bastante proveitosa essa apresentação. O assunto principal foi Anna Júlia, como já era previsto. Achava que não estaria vivo para vê-los tocando a música na televisão outra vez, mas segundo Faustão, essa foi a última execução na tv. Marcelo falou ainda sobre a falta de preconceitos na hora de compor, que todos os ritmos eram válidos e Amarante brincou com Faustão, cantando uma música dos Bee Gees quando o apresentador pediu para eles um trecho de Anna Júlia em inglês. (LosHermanos.blogger.com.br)
Nirvana
(BARCINSKI, André. Barulho.)
Trinta e um de outubro, dia de Halloween. Tinha Morrisey em Palo Alto. Tinha Stray Cats com Dread Zeppelin em Nova York. O Smashing Pumpkins tocava em Chicago. Mas o show mais importante, o mais comentado, era o de Seattle. Nirvana e Mudhoney, as duas maiores bandas da cidade, tocando juntas no grande Paramount. Cinco mil ingressos começaram a ser vendidos às dez da manhã. Às três da tarde já tinham esgotado.
Não era pra menos: o Nirvana fazia o primeiro show em casa depois do estouro de Nevermind - seu segundo LP. De uma hora pra outra, tinha virado uma superbanda.
Tudo aconteceu rápido demais com os caras: no meio de agosto, quando pedi a entrevista, a divulgadora se apressou em me tranqüilizar: "Não precisa marcar a entrevista agora. Depois do show a gente pega o Chris e sai pra tomar umas cervejas." O Chris em questão era o Novoselic, baixista do Nirvana. Naqueles dias, tudo era fácil. A banda tinha uma pequena fama local, sustentada pelo excelente LP de estréia, Bleach (1989), e mais nada. Era só questão de marcar a hora e o local da entrevista. Os caras estavam livres e disponíveis. Nem esquentei mais com o Nirvana. Cheguei nos Estados Unidos no dia 24 de setembro, dia do lançamento de Nervermind. O LP começou a vender como água. A cada dia [as últimas palavras não estão legíveis no xerox da Manu].
Um mês depois, dia do show de Seattle, eles tinham se tornado pop stars, prestes a tirar Michael Jackson do topo da parada da Billboard.
As evidências de que o Nirvana se tornaria um fenômeno eram óbvias. Em um show do Damned [banda punk inglesa], em Los Angeles, Smells Like A Teen Spirit rolava a cada vinte minutos nos alto-falantes, para esquentar o público. Numa entrevista com o Red Hot Chili Peppers, o vocalista Anthony Kiedis repetia a todo instante que gostaria de fazer um show com o Nirvana (esse show acabou rolando, na noite de reveillon, em São Francisco). Joey Ramone foi outro que ficou obcecado por Nevermind. CJ, baixista dos Ramones, garantiu que só estava ouvindo Steady Diet Of Nothing, novo do Fugazi, e Nevermind. Na MTV, entrevista com o Metallica. A repórter pergunta: "O que é que vocês estão ouvindo no momento?" Kirk Hammett nem pensa: "Nirvana!"
A vida é dura... Minha entrevista, antes exclusiva, teria que ser disputada a tapa com pelo menos outros vinte repórteres. O que era pra ser um show tranqüilo acabou se tornando o maior acontecimento do ano em Seattle. Cinco mil pessoas dentro, outras tantas do lado de fora. A banda estava filmando o show, para fazer seu primeiro homevideo. O clima era de histeria coletiva.
No espaço reservado aos fotógrafos, um curralzinho que separava o palco de uma horda de fãs, a coisa ficava preta. O show estava atrasado; o tempo, quente. Fãs jogavam tudo no palco: tênis, camisetas e bottons.
Os seguranças, solícitos, davam água para os fãs espremidos contra a grade de proteção. De repente, uma portinha no chão se abre e, no meio dos fotógrafos, sai um cara loiro, de suéter. Era Kurt Cobain, assustado com a lotação do teatro. Poucos fãs o reconheceram. Coisa de quem atingiu um sucesso instantâneo, de quem ainda é menos conhecido do que sua música. Coisa de quem ainda não foi mastigado pela mídia.
Um fã grita: "Kurt, você é louco pra cacete". Kurt não responde. Bem atrás do fã, alguns alucinados brincavam de arremessar um amigo uns três metros para o alto e depois escorá-lo com as mãos, como se fosse um stage dive sem palco. Estava claro quem eram os loucos.
O Nirvana entra no palco. Kurt diz: "Essa é uma música de uma banda que a gente ama". Começa Molly's Lips, dos escoceses do The Vaselines. Seriam as únicas palavras que ele dirigiria ao público durante todo o show.
A banda emenda Negative Creep, hit do Bleach. O público urra. O barulho que três caras conseguem fazer em cima de um palco é impressionante. Chris Novoselic do lado direito, tocando baixo como se estivesse numa corrida de obstáculos, pulando por todos os lados do palco. No centro, David Grohl, espancando seu kit. Na direita, o canhoto Kurt Cobain, olhar de psicopata, balançando a cabeça.
O show do Nirvana é uma experiência impressionante. Tudo em silêncio... Kurt balbucia "one, two, three, four", e a máquina de esporro começa a funcionar. São três minutos ininterruptos de pancadaria. Breed, uma dos melhores do Nevermind, vem como fósforo em gasolina e incendeia o lugar. O público, espremido, tenta subir no palco; os seguranças agem. O esporte do dia é o stage dive das costas dos amigos. Valia a pena estar sóbrio só para ver o espetáculo. Na guitarra de Kurt, um adesivo diz: "Vandalismo - tão bonito quanto uma pedra na cara de um guarda". Ele age como um delinqüente. Parece um daqueles moleques que passou toda a infância apanhando dos fodões da turma e que agora resolveu descontar no mundo. Raras vezes a vingança veio numa embalagem tão especial. O Nirvana é a melhor coisa que surgiu no rock no início dos anos 90.
O show continua, um hit atrás do outro. São 70 minutos, divididos em 17 espasmos de barulho. Mesmo baladas, como Polly, soam, só pra usar uma expressão batida, "viscerais".
Começam os acordes de Smells Like A Teen Spirit. Sempre ouvi amigos mais velhos falando da emoção que foi ouvir os Sex Pistols tocando Bodies em 1977, ou o Black Sabbath matando com Paranoid, lá pelos idos de 1973. Nunca tinha visto uma banda no auge, tocando um pretendente a clássico. Agora sim. Só de saber que a banda está acontecendo ali, na sua frente, é um prazer. É bom saber que não é nenhum desses shows nostálgicos que aportam no Brasil, com dez anos de atraso. O Nirvana é carne fresca, e Seattle é um grande açougue.
O show vai chegando ao fim, num crescendo de barulho e suor. Chris quase tropeça num tênis de cano alto, arremessado por um doente mental. Em Territorial Pissings, começa o ritual: Kurt pega a sua Fender e enfia num ventilador na beira do palco. A microfonia é insuportável. Ele enfia o braço da guitarra nas hélices do ventilador, apóia a guitarra no chão e se equilibra com a barriga na ponta, como se estivesse no meio de um salto com vara. Do outro lado do palco, Chris e David continuam o massacre. O ventilador é pouco para Kurt. Um Marshall na beira do palco vira saco de pancada. A Fender leva a pior. Um roadie entrega outra guitarra novinha para ele. Não demorou nem dois minutos, e a pobrezinha já engrossa a lista de bebês mortos no palco. Sem tocar um acorde, Kurt martela a infeliz no chão. Ainda agonizante, ela é recolhida por Chris. O meliante joga a guitarra para o alto. Uns cinco metros. Quando ela cai, ele emenda um bate-pronto, usando seu baixo como taco de beisebol. Show-demência. Chris jogando beisebol com uma Fender, David chutando todo seu kit, Kurt agradecendo timidamente. Não teve bis. O equipamento estava todo destruído. A banda sai co palco. Quem chegasse ao Paramount naquela hora poderia pensar que havia acontecido algum acidente de carro: de um lado, tudo destruído; do outro, cinco mil pessoas embasbacadas, olhando. Nenhum grito de "fucking great", nada. Transe total. O público ainda não havia digerido a porrada. O show do Nirvana é agradável como um motim em prisão: tem sempre algum perigo escondido, esperando por você.
Caos juvenil, anarquia destruidora, estupro sonoro.
Finalmente entendi o que um amigo meu falou sobre um show do Ministry, que ele havia visto em Boston... "Foi a coisa mais violenta que já vi." Eu não entendia, ou não acreditava. Agora sim deu pra pegar o espírito da coisa. A violência em questão não é aquela coisa escrota a que nós estamos acostumados, com imbecis armados de machadinhas querendo matar alguém. Ninguém saiu machucado do show do Nirvana, mas purificado. O Nirvana solta os bichos que existem em você.
O camarim ficava nos fundos do palco, mas entrar lá estava mais difícil do que mineiro de Governador Valadares conseguir visto nos Estados Unidos. Uma barreira de seguranças impedia a entrada de outra barreira, de repórteres, gente da gravadora, e os habituais bicões.
Uma portinha do lado podia ser a solução. "Estou procurando o chefão, o Brian." A jogada do "Brian" sempre cola. O negão não conhece, acha o nome pomposo, pensa "deve ser alguém importante" e libera a entrada.
No camarim, uma zona. Kurt, Chris e David estão lá, cercados por dezenas. É a equipe de filmagem, comemorando uma noite bem sucedida. Chego perto de Chris... Oi, sou do Brasil, marquei uma entrevista com a Jenny... Ela te avisou, né? "Entrevista? Brasil? Não me lembro." Àquela altura, ele não se lembraria nem da data do próprio aniversário. "O que você achou do show?" "Fucking great". Parecia que eu estava conversando com algum adversário do Mike Tyson, depois da luta. Chris era um caso perdido.
Kurt, nem adiantava tentar. Sentado num canto, cercado por uma multidão, falando baixo e completamente torto. Nocaute técnico.
Talvez David conseguisse falar alguma coisa... Vocês esperavam que Nevermind fizesse tanto sucesso? "Não, ninguém esperava." Foi a frase mais articulada que eu ouvi em toda a noite. Comecei a ficar desesperado: a banda ia folgar no dia seguinte, uma sexta, e no sábado iam para a Europa, numa excursão. Minha entrevista tinha dançado.
De qualquer maneira, ia ser tarefa ingrata entrevistar a banda, sóbrios ou não. O legal do Nirvana é que eles ainda não têm uma história. Ela está sendo contada agora. Daqui há [sic] uns dez ou vinte anos, a gente vai poder falar daquela "loucura do final de 1991". Alguém já disse: "Se você fala sobre os 70, é porque não esteve lá". Para 1991, idem. É melhor aproveitar enquanto é tempo.
(BARCINSKI, André. Barulho.)
Trinta e um de outubro, dia de Halloween. Tinha Morrisey em Palo Alto. Tinha Stray Cats com Dread Zeppelin em Nova York. O Smashing Pumpkins tocava em Chicago. Mas o show mais importante, o mais comentado, era o de Seattle. Nirvana e Mudhoney, as duas maiores bandas da cidade, tocando juntas no grande Paramount. Cinco mil ingressos começaram a ser vendidos às dez da manhã. Às três da tarde já tinham esgotado.
Não era pra menos: o Nirvana fazia o primeiro show em casa depois do estouro de Nevermind - seu segundo LP. De uma hora pra outra, tinha virado uma superbanda.
Tudo aconteceu rápido demais com os caras: no meio de agosto, quando pedi a entrevista, a divulgadora se apressou em me tranqüilizar: "Não precisa marcar a entrevista agora. Depois do show a gente pega o Chris e sai pra tomar umas cervejas." O Chris em questão era o Novoselic, baixista do Nirvana. Naqueles dias, tudo era fácil. A banda tinha uma pequena fama local, sustentada pelo excelente LP de estréia, Bleach (1989), e mais nada. Era só questão de marcar a hora e o local da entrevista. Os caras estavam livres e disponíveis. Nem esquentei mais com o Nirvana. Cheguei nos Estados Unidos no dia 24 de setembro, dia do lançamento de Nervermind. O LP começou a vender como água. A cada dia [as últimas palavras não estão legíveis no xerox da Manu].
Um mês depois, dia do show de Seattle, eles tinham se tornado pop stars, prestes a tirar Michael Jackson do topo da parada da Billboard.
As evidências de que o Nirvana se tornaria um fenômeno eram óbvias. Em um show do Damned [banda punk inglesa], em Los Angeles, Smells Like A Teen Spirit rolava a cada vinte minutos nos alto-falantes, para esquentar o público. Numa entrevista com o Red Hot Chili Peppers, o vocalista Anthony Kiedis repetia a todo instante que gostaria de fazer um show com o Nirvana (esse show acabou rolando, na noite de reveillon, em São Francisco). Joey Ramone foi outro que ficou obcecado por Nevermind. CJ, baixista dos Ramones, garantiu que só estava ouvindo Steady Diet Of Nothing, novo do Fugazi, e Nevermind. Na MTV, entrevista com o Metallica. A repórter pergunta: "O que é que vocês estão ouvindo no momento?" Kirk Hammett nem pensa: "Nirvana!"
A vida é dura... Minha entrevista, antes exclusiva, teria que ser disputada a tapa com pelo menos outros vinte repórteres. O que era pra ser um show tranqüilo acabou se tornando o maior acontecimento do ano em Seattle. Cinco mil pessoas dentro, outras tantas do lado de fora. A banda estava filmando o show, para fazer seu primeiro homevideo. O clima era de histeria coletiva.
No espaço reservado aos fotógrafos, um curralzinho que separava o palco de uma horda de fãs, a coisa ficava preta. O show estava atrasado; o tempo, quente. Fãs jogavam tudo no palco: tênis, camisetas e bottons.
Os seguranças, solícitos, davam água para os fãs espremidos contra a grade de proteção. De repente, uma portinha no chão se abre e, no meio dos fotógrafos, sai um cara loiro, de suéter. Era Kurt Cobain, assustado com a lotação do teatro. Poucos fãs o reconheceram. Coisa de quem atingiu um sucesso instantâneo, de quem ainda é menos conhecido do que sua música. Coisa de quem ainda não foi mastigado pela mídia.
Um fã grita: "Kurt, você é louco pra cacete". Kurt não responde. Bem atrás do fã, alguns alucinados brincavam de arremessar um amigo uns três metros para o alto e depois escorá-lo com as mãos, como se fosse um stage dive sem palco. Estava claro quem eram os loucos.
O Nirvana entra no palco. Kurt diz: "Essa é uma música de uma banda que a gente ama". Começa Molly's Lips, dos escoceses do The Vaselines. Seriam as únicas palavras que ele dirigiria ao público durante todo o show.
A banda emenda Negative Creep, hit do Bleach. O público urra. O barulho que três caras conseguem fazer em cima de um palco é impressionante. Chris Novoselic do lado direito, tocando baixo como se estivesse numa corrida de obstáculos, pulando por todos os lados do palco. No centro, David Grohl, espancando seu kit. Na direita, o canhoto Kurt Cobain, olhar de psicopata, balançando a cabeça.
O show do Nirvana é uma experiência impressionante. Tudo em silêncio... Kurt balbucia "one, two, three, four", e a máquina de esporro começa a funcionar. São três minutos ininterruptos de pancadaria. Breed, uma dos melhores do Nevermind, vem como fósforo em gasolina e incendeia o lugar. O público, espremido, tenta subir no palco; os seguranças agem. O esporte do dia é o stage dive das costas dos amigos. Valia a pena estar sóbrio só para ver o espetáculo. Na guitarra de Kurt, um adesivo diz: "Vandalismo - tão bonito quanto uma pedra na cara de um guarda". Ele age como um delinqüente. Parece um daqueles moleques que passou toda a infância apanhando dos fodões da turma e que agora resolveu descontar no mundo. Raras vezes a vingança veio numa embalagem tão especial. O Nirvana é a melhor coisa que surgiu no rock no início dos anos 90.
O show continua, um hit atrás do outro. São 70 minutos, divididos em 17 espasmos de barulho. Mesmo baladas, como Polly, soam, só pra usar uma expressão batida, "viscerais".
Começam os acordes de Smells Like A Teen Spirit. Sempre ouvi amigos mais velhos falando da emoção que foi ouvir os Sex Pistols tocando Bodies em 1977, ou o Black Sabbath matando com Paranoid, lá pelos idos de 1973. Nunca tinha visto uma banda no auge, tocando um pretendente a clássico. Agora sim. Só de saber que a banda está acontecendo ali, na sua frente, é um prazer. É bom saber que não é nenhum desses shows nostálgicos que aportam no Brasil, com dez anos de atraso. O Nirvana é carne fresca, e Seattle é um grande açougue.
O show vai chegando ao fim, num crescendo de barulho e suor. Chris quase tropeça num tênis de cano alto, arremessado por um doente mental. Em Territorial Pissings, começa o ritual: Kurt pega a sua Fender e enfia num ventilador na beira do palco. A microfonia é insuportável. Ele enfia o braço da guitarra nas hélices do ventilador, apóia a guitarra no chão e se equilibra com a barriga na ponta, como se estivesse no meio de um salto com vara. Do outro lado do palco, Chris e David continuam o massacre. O ventilador é pouco para Kurt. Um Marshall na beira do palco vira saco de pancada. A Fender leva a pior. Um roadie entrega outra guitarra novinha para ele. Não demorou nem dois minutos, e a pobrezinha já engrossa a lista de bebês mortos no palco. Sem tocar um acorde, Kurt martela a infeliz no chão. Ainda agonizante, ela é recolhida por Chris. O meliante joga a guitarra para o alto. Uns cinco metros. Quando ela cai, ele emenda um bate-pronto, usando seu baixo como taco de beisebol. Show-demência. Chris jogando beisebol com uma Fender, David chutando todo seu kit, Kurt agradecendo timidamente. Não teve bis. O equipamento estava todo destruído. A banda sai co palco. Quem chegasse ao Paramount naquela hora poderia pensar que havia acontecido algum acidente de carro: de um lado, tudo destruído; do outro, cinco mil pessoas embasbacadas, olhando. Nenhum grito de "fucking great", nada. Transe total. O público ainda não havia digerido a porrada. O show do Nirvana é agradável como um motim em prisão: tem sempre algum perigo escondido, esperando por você.
Caos juvenil, anarquia destruidora, estupro sonoro.
Finalmente entendi o que um amigo meu falou sobre um show do Ministry, que ele havia visto em Boston... "Foi a coisa mais violenta que já vi." Eu não entendia, ou não acreditava. Agora sim deu pra pegar o espírito da coisa. A violência em questão não é aquela coisa escrota a que nós estamos acostumados, com imbecis armados de machadinhas querendo matar alguém. Ninguém saiu machucado do show do Nirvana, mas purificado. O Nirvana solta os bichos que existem em você.
O camarim ficava nos fundos do palco, mas entrar lá estava mais difícil do que mineiro de Governador Valadares conseguir visto nos Estados Unidos. Uma barreira de seguranças impedia a entrada de outra barreira, de repórteres, gente da gravadora, e os habituais bicões.
Uma portinha do lado podia ser a solução. "Estou procurando o chefão, o Brian." A jogada do "Brian" sempre cola. O negão não conhece, acha o nome pomposo, pensa "deve ser alguém importante" e libera a entrada.
No camarim, uma zona. Kurt, Chris e David estão lá, cercados por dezenas. É a equipe de filmagem, comemorando uma noite bem sucedida. Chego perto de Chris... Oi, sou do Brasil, marquei uma entrevista com a Jenny... Ela te avisou, né? "Entrevista? Brasil? Não me lembro." Àquela altura, ele não se lembraria nem da data do próprio aniversário. "O que você achou do show?" "Fucking great". Parecia que eu estava conversando com algum adversário do Mike Tyson, depois da luta. Chris era um caso perdido.
Kurt, nem adiantava tentar. Sentado num canto, cercado por uma multidão, falando baixo e completamente torto. Nocaute técnico.
Talvez David conseguisse falar alguma coisa... Vocês esperavam que Nevermind fizesse tanto sucesso? "Não, ninguém esperava." Foi a frase mais articulada que eu ouvi em toda a noite. Comecei a ficar desesperado: a banda ia folgar no dia seguinte, uma sexta, e no sábado iam para a Europa, numa excursão. Minha entrevista tinha dançado.
De qualquer maneira, ia ser tarefa ingrata entrevistar a banda, sóbrios ou não. O legal do Nirvana é que eles ainda não têm uma história. Ela está sendo contada agora. Daqui há [sic] uns dez ou vinte anos, a gente vai poder falar daquela "loucura do final de 1991". Alguém já disse: "Se você fala sobre os 70, é porque não esteve lá". Para 1991, idem. É melhor aproveitar enquanto é tempo.
Voltando a pesquisar sobre o minimalismo.
"(...) O primeiro compositor a se dedicar exclusivamente à dissolução da tonalidade foi o austríaco Arnold Schoenberg. (...) Aos poucos, ele foi ampliando o cromatismo herdado de Wagner e introduziu a atonalidade, baseada no princípio de que todos os 12 semitons da escala cromática teriam o mesmo valor. Para Schoenberg, era o fim da música tonal [padrão de campo harmônico que pode ser percebido sobretudo no jazz] e o começo da era atonal.
DODECAFONISMO 1923 - 1960
Não demorou muito para que o próprio Schoenberg notasse que a atonalidade era tão anárquica que não parecia ser um sistema razoável. E tratou de construir um método de organizar os tais 12 tons "iguais". Em 1923, ele apresentou ao mundo o "sistema dos doze tons", ou, como ficou mais conhecido, o dodecafonismo serial.
As composições seriais são produzidas a partir de séries preestabelecidas de doze sons diferentes e independentes entre si. Nenhum dos doze sons pode ser ouvido novamente antes que os outro onze tenham sido executados. Afinal, Schoenberg queria que todos os tons tivessem direitos iguais, então todos deveriam ser igualmente escutados.
EXPERIMENTALISMO 1950 - 1970
(...) Uma das primeiras técnicas experimentais foi a música concreta, proposta pelo francês Pierre Schaeffer. Ela consiste em gravar ruídos da natureza ou da cidade e transformá-los por processos eletroacústicos. (...) John Cage foi mais longe ainda. Ele propôs a música aleatória, baseada em sons gravados arbitrariamente no rádio ou na rua, e depois selecionados ao acaso. Outra técnica era escrever partituras jogando dados ou consultando o I-Ching. Mas a maior contribuição de Cage foi sua discussão em torno do silêncio. Compondo músicas absolutamente silenciosas.
MINIMALISMO 1960 em diante
Na década de 50, os serialistas controlavam toda a música de vanguarda que era produzida. (...) Em reação a essa "máfia serialista", dois estudantes da Julliard School de Nova York, Philip Glass e Steve Reich, resolveram se aliar às idéias do compositor Terry Riley [que compôs a peça minimalista In C] e serem os embaixadores de um novo movimento: o minimalismo.
O minimalismo tem dois objetivos principais: reafirmar a tonalidade e diminuir o material para composição (daí o nome do estilo). Ele se baseia sobre a repetição constante e hipnótica de pequeninas células rítmicas e melódicas, quase sem modulação. (...)"
Duas características interessantes do minimalismo que eu extraí de um site:
- simplificação e o abstracionismo extremos
- simplicidade intensa
"(...) O primeiro compositor a se dedicar exclusivamente à dissolução da tonalidade foi o austríaco Arnold Schoenberg. (...) Aos poucos, ele foi ampliando o cromatismo herdado de Wagner e introduziu a atonalidade, baseada no princípio de que todos os 12 semitons da escala cromática teriam o mesmo valor. Para Schoenberg, era o fim da música tonal [padrão de campo harmônico que pode ser percebido sobretudo no jazz] e o começo da era atonal.
DODECAFONISMO 1923 - 1960
Não demorou muito para que o próprio Schoenberg notasse que a atonalidade era tão anárquica que não parecia ser um sistema razoável. E tratou de construir um método de organizar os tais 12 tons "iguais". Em 1923, ele apresentou ao mundo o "sistema dos doze tons", ou, como ficou mais conhecido, o dodecafonismo serial.
As composições seriais são produzidas a partir de séries preestabelecidas de doze sons diferentes e independentes entre si. Nenhum dos doze sons pode ser ouvido novamente antes que os outro onze tenham sido executados. Afinal, Schoenberg queria que todos os tons tivessem direitos iguais, então todos deveriam ser igualmente escutados.
EXPERIMENTALISMO 1950 - 1970
(...) Uma das primeiras técnicas experimentais foi a música concreta, proposta pelo francês Pierre Schaeffer. Ela consiste em gravar ruídos da natureza ou da cidade e transformá-los por processos eletroacústicos. (...) John Cage foi mais longe ainda. Ele propôs a música aleatória, baseada em sons gravados arbitrariamente no rádio ou na rua, e depois selecionados ao acaso. Outra técnica era escrever partituras jogando dados ou consultando o I-Ching. Mas a maior contribuição de Cage foi sua discussão em torno do silêncio. Compondo músicas absolutamente silenciosas.
MINIMALISMO 1960 em diante
Na década de 50, os serialistas controlavam toda a música de vanguarda que era produzida. (...) Em reação a essa "máfia serialista", dois estudantes da Julliard School de Nova York, Philip Glass e Steve Reich, resolveram se aliar às idéias do compositor Terry Riley [que compôs a peça minimalista In C] e serem os embaixadores de um novo movimento: o minimalismo.
O minimalismo tem dois objetivos principais: reafirmar a tonalidade e diminuir o material para composição (daí o nome do estilo). Ele se baseia sobre a repetição constante e hipnótica de pequeninas células rítmicas e melódicas, quase sem modulação. (...)"
Duas características interessantes do minimalismo que eu extraí de um site:
- simplificação e o abstracionismo extremos
- simplicidade intensa
terça-feira, 27 de janeiro de 2004
O Blonde Redhead, que era da Touch & Go Records, assinou com a 4AD/Beggars Banquet, lar de Breeders, Mojave 3 e famosa pelos Cocteau Twins. E é por essa gravadora, então, que UM NOVO DISCO VAI SER LANÇADO, com o título Misery Is A Butterfly, em 9 de março! O toque foi da Mirella-Blonde-Redhead (obrigado!) e os detalhes são do punknews.org.
1. Elephant woman
2. Messenger
3. Melody
4. Doll is mine
5. Misery is a butterfly
6. Falling man
7. Anticipation
8. Maddening cloud
9. Magic mountain
10. Pink love
11. Equus
(Assim que alguém baixar, eu quero cópia!!)
1. Elephant woman
2. Messenger
3. Melody
4. Doll is mine
5. Misery is a butterfly
6. Falling man
7. Anticipation
8. Maddening cloud
9. Magic mountain
10. Pink love
11. Equus
(Assim que alguém baixar, eu quero cópia!!)
" . . . as melhores escolas formam um contingente de cretinos semianalfa. As exceções se devem à influência de pais e amigos, uma ou outra escola, um ou outro professor, ou acidentes genéticos. Ninguém sabe de nada, ninguém lê, ninguém escreve direito, ninguém fala inglês, e o pior: ninguém é curioso. (...) Minha teoria é que toda escola serve para esmagar o espírito e a imaginação do ser humano para que ele se torne um escravo zumbi da sociedade. (...) Quem é curioso lê e experimenta, pula muro, tem conversas estranhas, faz conexões, cria universos. Pensa com a própria cabeça. É o que interessa." (FORASTIERI, André. Chega de escola. Caros Amigos, fevereiro de 2001.)
segunda-feira, 26 de janeiro de 2004
Cinco vídeos nos últimos cinco dias.
A Estranha Família De Igby (Igby Goes Down), Extermínio (28 Days Later) e De Caso Com O Acaso (Sliding Doors) são filmes ruins com finais ainda piores - sempre o suplício dos finais. Destaca-se Extermínio - escrito pelo Alex Garland e dirigido pelo Danny Boyle, ambos escoceses - pela história inusitada, mas está longe de ser um boa realização, a começar por detalhes muito fora da realidade acerca da "infecção", beirando o clichê-de-filme-de-terror: os "infectados" não ficavam só doentes, mas super ágeis e com energia para correr incansavelmente. Tem boa trilha, como em todos os filmes do diretor, incluindo GY!BE, porém ela nunca está em primeiro plano.
Brincando De Seduzir (Beautiful Girls) é um filme simples e bom. Tem o Timothy Hutton, a Natalie Portman com 13, o Matt Dillon, a Uma Thurman, a Lauren Holly, a Mira Sorvino e o Michael Rapaport (abaixo) - sósia do Cássio Grovermann, meu amigo de infância e vocalista da Megalon.
O documentário Hype!, sobre a "cena" de Seattle, é excelente! Mostra quase só bandas "desconhecidas" - muitas - e disseca a cidade e sua realidade na época. O melhor de tudo é que a fita se concentra na idiotia da mídia e de toda a indústria quando elas se atiraram em cima do "grunge". Tinha uma empregada da Sub Pop que sacaneava os jornais inventando coisas, já que eles queriam sensacionalismo. Uma lista fictícia que ela fez de gírias do grunge saiu na capa do New York Times! Ótimos depoimentos do Jack Endino, ex-engenheiro naval, voz cavernosa.
A Estranha Família De Igby (Igby Goes Down), Extermínio (28 Days Later) e De Caso Com O Acaso (Sliding Doors) são filmes ruins com finais ainda piores - sempre o suplício dos finais. Destaca-se Extermínio - escrito pelo Alex Garland e dirigido pelo Danny Boyle, ambos escoceses - pela história inusitada, mas está longe de ser um boa realização, a começar por detalhes muito fora da realidade acerca da "infecção", beirando o clichê-de-filme-de-terror: os "infectados" não ficavam só doentes, mas super ágeis e com energia para correr incansavelmente. Tem boa trilha, como em todos os filmes do diretor, incluindo GY!BE, porém ela nunca está em primeiro plano.
Brincando De Seduzir (Beautiful Girls) é um filme simples e bom. Tem o Timothy Hutton, a Natalie Portman com 13, o Matt Dillon, a Uma Thurman, a Lauren Holly, a Mira Sorvino e o Michael Rapaport (abaixo) - sósia do Cássio Grovermann, meu amigo de infância e vocalista da Megalon.
O documentário Hype!, sobre a "cena" de Seattle, é excelente! Mostra quase só bandas "desconhecidas" - muitas - e disseca a cidade e sua realidade na época. O melhor de tudo é que a fita se concentra na idiotia da mídia e de toda a indústria quando elas se atiraram em cima do "grunge". Tinha uma empregada da Sub Pop que sacaneava os jornais inventando coisas, já que eles queriam sensacionalismo. Uma lista fictícia que ela fez de gírias do grunge saiu na capa do New York Times! Ótimos depoimentos do Jack Endino, ex-engenheiro naval, voz cavernosa.
Fim das minhas férias. Já estão de volta o blog douglasdickel (em breve também o love_is_all_around/hiperboles) e os fotologs douglasdickel, rickyfitts, marioruoppolo e blanched. Volto a existir virtualmente.
domingo, 25 de janeiro de 2004
Isto aconteceu com o porto-alegrense Pedro Bopp, que está morando em Chicago e faz o mailzine Plastic Cookies:
plastic cookies #64 : salve os deuses do rock
abro o jornal e vejo um anúncio dizendo que vai ter show de um tal de frank black no double door, um bar bacana à duas quadras da minha casa... no outro dia, em incontrolável entusiasmo, já tenho meu ingresso, é claro! aprendi com belle & sebastian, lembra o martírio? já tinha também comprado o ingresso há um tempão, uns dois meses e o show é semana que vem... bem, comprei ingressos pro frank black! na próxima semana comprei outro, para um amigo, um grande amigo que vinha passar uns tempos por aqui! sensacional! ver um show que se sonha desde os tempos de colégio, com um grande amigo dos tempos de colégio. nada mal. uma viagem de ônibus foi o suficiente para colocar a coisa abaixo. consegui perder a minha carteira e com ela, os dois ingressos para o show do sr black. é mole? não, não é! no dia anterior ao show, sold out, descubro que perdi os ingressos... desespero. antes de fazer uma loucura, resolvi conter as minhas lágrimas até a noite do dia seguinte. com certeza um cambista salvador me colocaria de volta no caminho da salvação. eu precisava conseguir, haveria de aparecer uma santa alma... para diminuir o nervoso, resolvermos dar um passeio pela cidade! nada melhor do que um passeio num dia de sol para desopilar das malvadezas da vida moderna, não é certo? eis então que passando em frente ao double door, estava uma van branca com uns caras tirando cabos, caixas, equipamentos de som, enfim, aquele monte de apetrechos que olhando já se vê que vem coisa boa... um dos caras um gordo suado, careca, com luvas de couro, aquelas de obreiro, camiseta e calça de brim no meio da bunda muito surrados e um sorriso carismático no rosto. este gordo... o gordo! entre os mortais, frank black! o tempo parou por cerca de 5 minutos e tudo que eu ouvi foram nossos corações batendo à mil. passados estes cinco ele vira e diz: "que era pra vocês?" enquanto um cara atravessa a calçada levando uma caixa preta escrito "pixies" ... mais uma pausa de dois minutos. esqueci como se fala. até que uma voz não sei de onde diz: "cara, sou teu fã! somos do brasil. comprei ingressos para mim e pro meu amigo assim que soube que tu tocaria aqui, mas roubaram minha carteira e..." entenda, ele estava trabalhando e não queria ser incomodado... "ok! entrem aí! falem com um cara de óculos, é o baterista! dêem os nomes de vocês e ele pôe na lista!!!" dizendo isso o cara que escreveu "monkey gone to heaven", "debaser" e "where is my mind?" sorriu e voltou ao trabalho, pouco se importando com o rego real que aparecia entre o final das calças e o início da camiseta. mais uma vez o tempo pára. olho para o meu amigo. sinto meu queixo cair. acho que babei. "ei caras! vocês entenderam? entrem aí!! um cara de óculos... vão, vão..." "hãããã..." entramos então, de graça, no show das nossas vidas... que não preciso dizer, foi excelente... e este cookies já está longo demais! a vida vale a pena! pedro.
plastic cookies #64 : salve os deuses do rock
abro o jornal e vejo um anúncio dizendo que vai ter show de um tal de frank black no double door, um bar bacana à duas quadras da minha casa... no outro dia, em incontrolável entusiasmo, já tenho meu ingresso, é claro! aprendi com belle & sebastian, lembra o martírio? já tinha também comprado o ingresso há um tempão, uns dois meses e o show é semana que vem... bem, comprei ingressos pro frank black! na próxima semana comprei outro, para um amigo, um grande amigo que vinha passar uns tempos por aqui! sensacional! ver um show que se sonha desde os tempos de colégio, com um grande amigo dos tempos de colégio. nada mal. uma viagem de ônibus foi o suficiente para colocar a coisa abaixo. consegui perder a minha carteira e com ela, os dois ingressos para o show do sr black. é mole? não, não é! no dia anterior ao show, sold out, descubro que perdi os ingressos... desespero. antes de fazer uma loucura, resolvi conter as minhas lágrimas até a noite do dia seguinte. com certeza um cambista salvador me colocaria de volta no caminho da salvação. eu precisava conseguir, haveria de aparecer uma santa alma... para diminuir o nervoso, resolvermos dar um passeio pela cidade! nada melhor do que um passeio num dia de sol para desopilar das malvadezas da vida moderna, não é certo? eis então que passando em frente ao double door, estava uma van branca com uns caras tirando cabos, caixas, equipamentos de som, enfim, aquele monte de apetrechos que olhando já se vê que vem coisa boa... um dos caras um gordo suado, careca, com luvas de couro, aquelas de obreiro, camiseta e calça de brim no meio da bunda muito surrados e um sorriso carismático no rosto. este gordo... o gordo! entre os mortais, frank black! o tempo parou por cerca de 5 minutos e tudo que eu ouvi foram nossos corações batendo à mil. passados estes cinco ele vira e diz: "que era pra vocês?" enquanto um cara atravessa a calçada levando uma caixa preta escrito "pixies" ... mais uma pausa de dois minutos. esqueci como se fala. até que uma voz não sei de onde diz: "cara, sou teu fã! somos do brasil. comprei ingressos para mim e pro meu amigo assim que soube que tu tocaria aqui, mas roubaram minha carteira e..." entenda, ele estava trabalhando e não queria ser incomodado... "ok! entrem aí! falem com um cara de óculos, é o baterista! dêem os nomes de vocês e ele pôe na lista!!!" dizendo isso o cara que escreveu "monkey gone to heaven", "debaser" e "where is my mind?" sorriu e voltou ao trabalho, pouco se importando com o rego real que aparecia entre o final das calças e o início da camiseta. mais uma vez o tempo pára. olho para o meu amigo. sinto meu queixo cair. acho que babei. "ei caras! vocês entenderam? entrem aí!! um cara de óculos... vão, vão..." "hãããã..." entramos então, de graça, no show das nossas vidas... que não preciso dizer, foi excelente... e este cookies já está longo demais! a vida vale a pena! pedro.
Preconceito.
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se possível fosse perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui."
"Triste Época! Mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito." (Albert Einstein)
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se possível fosse perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui."
"Triste Época! Mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito." (Albert Einstein)
domingo, 18 de janeiro de 2004
Bowie não quer trabalhar com "rede de segurança"?
David Bowie - Não, porque quando resolvi fazer isso fiquei insatisfeito como nunca. Senti que estava destruindo tudo que valia a pena no meu trabalho, e eu me senti desapontado comigo mesmo, e que estava desprezando a mim e ao meu trabalho. Eu teria parado, realmente. Eu estava ganhando muito dinheiro, me apresentando para multidões, e totalmente desconfortável e infeliz com a vida.
David Bowie - Não, porque quando resolvi fazer isso fiquei insatisfeito como nunca. Senti que estava destruindo tudo que valia a pena no meu trabalho, e eu me senti desapontado comigo mesmo, e que estava desprezando a mim e ao meu trabalho. Eu teria parado, realmente. Eu estava ganhando muito dinheiro, me apresentando para multidões, e totalmente desconfortável e infeliz com a vida.
"Toquei discos de 78 RPM em 33 RPM, e tirei deles idéias ótimas! Isso é brincar com aquelas áreas sônicas. Isso torna a vida interessante. Não quero registrar aquilo que já sei. Esse não é o meu objetivo na vida. Quero sempre trabalhar com as possibilidades sonoras. Minhas escolhas sempre foram diferentes daquelas dos meus contemporâneos. Nem os meus amigos mais íntimos, da minha idade, têm as mesmas ambições que eu, nem de longe." (David Bowie)
"É importante ter outra pessoa lá dentro. As colaborações sempre produziram o centro nervoso de cada disco meu. Tenho clara em mente a direção que quero tomar, e o produtor, em geral, desenvolve a paisagem sonora que conhece melhor, e o que eu tento fazer é subvertê-la. Eu co-produzo. Assim, essa fricção produz o que o disco vai ser." (David Bowie)
sábado, 17 de janeiro de 2004
"Não se deixe dominar por ela [a ironia] (...). Busque o âmago das coisas, aonde a ironia nunca desce. (...) Sob influência das coisas graves, com efeito, a ironia o abandonará (se tiver sido algo ocasional) ou então se reforçará (caso lhe pertença como coisa inata) num instrumento sério (...)." (RILKE)
Finalmente consegui fazer uma coletânea de Sonic Youth sem MUITO sofrimento:
1. Dirty boots [Goo]
2. Skip tracer [Washing machine]
3. Sugar kane [Dirty]
4. Disconnected notice [Murray Street]
5. Teenage riot [Daydream nation]
6. Free city rhymes [NYC ghosts & flowers]
7. Mote [Goo]
8. Sunday [A thousand leaves]
9. Cross the breeze [Daydream nation]
10. Karen revisited [Murray Street]
11. Bull in the heather [Experimental jet set, trash and no star]
12. Empty page [Murray Street]
13. Androgynous mind [Experimental jet set, trash and no star]
14. NYC ghosts & flowers [NYC ghosts & flowers]
1. Dirty boots [Goo]
2. Skip tracer [Washing machine]
3. Sugar kane [Dirty]
4. Disconnected notice [Murray Street]
5. Teenage riot [Daydream nation]
6. Free city rhymes [NYC ghosts & flowers]
7. Mote [Goo]
8. Sunday [A thousand leaves]
9. Cross the breeze [Daydream nation]
10. Karen revisited [Murray Street]
11. Bull in the heather [Experimental jet set, trash and no star]
12. Empty page [Murray Street]
13. Androgynous mind [Experimental jet set, trash and no star]
14. NYC ghosts & flowers [NYC ghosts & flowers]
sexta-feira, 2 de janeiro de 2004
quinta-feira, 1 de janeiro de 2004
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