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segunda-feira, 31 de março de 2003

BG:

CHOQUE E PAVOR

Lembrei dessa agora: no meio da quebradeira do show da Viana Moog, após alguns lmls distribuídos por Cidade e cia., resolvi fazer uma brincadeira e berrar "LIBERTA, DJ"!

Só faltou a guria que tava na minha frente me encher de porrada. Ouvi um "ÃHN?" que pareceu-me a maior expressão de sentimento de repulsa que eu já presenciei.

Trimmmmassa.

Pela descrição, a expressão foi idêntica à que eu recebi:

- Toca um The Cure!
- Não tenho.
- Não tem???
- Não curto.
- [MAIOR EXPRESSÃO DE SENTIMENTO DE REPULSA QUE EU JÁ PRESENCIEI]
Desde o último show da Acretinice Me Atray no Garagem Hermética antigo, em 1999, que eu não via mais o Egisto. Um dia eu vi o Leo Felipe e achei que ele era o Egisto. Passei um tempo achando que o Leo era o Egisto. Ou que os dois eram a mesma pessoa. Já faz algum tempo que eu conheço o Leo, e sei que ele não é o Egisto, mas continuei não vendo o Egisto. Finalmente sábado, depois de quatro anos, eu vi o Egisto! Ele tem uma tatuagem na orelha e olhos meio fechados.
Tinha mais esta.
Eu (na festa feliz).

domingo, 30 de março de 2003

Chorei no sonho e acordei chorado.
A segunda noite do mini-festival foi o evento mais divertido e catártico que o Apanhador já promoveu. A discotecagem foi até as 5h30, lembrando a festa com Poliéster/Laranja Freak, cuja dança pós-shows também foi extensa e memorável. Menção honrosa ao Tisco (Viana Moog) e ao Daniel (Freak Funk), que se emocionaram com a minha seleção musical; e ao cara que simpaticamente me pediu para rodar um Sugarcubes, cujo CD era de propriedade da Gisele, uma menina que disse que ter conhecido o Apanhador recentemente foi um marco para ela, mas não deu detalhes. Muitos amigos estavam presentes (incluindo o Felipe Dreher, que me pediu para segurar um mosh seu), o que garantiu a minha diversão pessoal non-stop. Eu, o Mauricio, o Arlen, o Vignoli e o Marcos celebramos juntos. Celebrado, eu percebi o quanto duas figuras são umas figuras: o Bruno Galera, que se mexe e fala numa velocidade sobrenatural; e o Vignoli, que eu não conhecia ainda pessoalmente, mas que é bastante simpático e agradável aparecendo e se mexendo (além de bem parecido com o Tiago Ianuck/John Voyers), sendo um desperdício ele só escrever ou falar na rádio. O baixista da Sensifer, Renan, é um dos melhores que eu já vi tocando (além de achá-lo algo parecido com o Spud): ele consegue tocar uma nota só, numa música, algo impossível para os baixistas ordinários. O baterista da Viana Moog, Mack, usou o prato de condução de uma forma em que os bateristas ordinários nem pensam: marcando o tempo com ele, mas batendo de modo que ele fique soando sem parar como um grande chiado bonito intermitente. Não bastasse isso, a Sensifer (destaque para Gavilã e Jacó) encerrou com Shadowplay do Joy Division e um ritual selvagem. Bruno Galera, um dos guitarristas, escreveu no blog dele:

OBRIGADO, NOVO HAMBURGO

Sim, obrigado. Obrigado por proporcionar o melhor show da história da Sensifer. Obrigado por proporcionar uma grande noite de rock para o estado. E obrigado por proporcionar uma guitarrada no meio das minhas fuças, que rendeu o primeiro par de pontos que meu corpo já recebeu.
Você não imagina a saudade com que eu estava de você, pão francês.
Segunda noite do festival do Apanhador
DISCOTECAGEM minha

1. Queens Of The Stone Age - You think I ain´t worth a dollar, but I feel like a millionaire
2. Sonic Youth - In the kingdom #19
3. Broken Social Scene - Almost crimes (radio kills remix)
4. Nine Inch Nails - Wish
5. Placebo - Bulletproof cupid
6. Explosions In The Sky - Have you passed through this night? [não saiu som...]
7. John Frusciante - Going inside
8. Frank Poole - Canção sobre Cecília
[show da Girlish e discotecagem do Charles]
10. Deus E O Diabo - Cocaína (R$ 10,00)
11. Mogwai - [eu queria tocar Ithica, mas não sei qual saiu...]
12. Blonde Redhead - Astroboy
13. Built To Spill - You are [era para ser The plan...]
14. Explosions In The Sky - Have you passed through this night?
15. The Flaming Lips - Turn it on
16. Primal Scream - Shoot speed/kill light
17. The Velvet Underground - White light/white heat
18. Tom Bloch - Nessa casa
19. Super Furry Animals - God! show me magic
20. Pixies - Manta ray
21. Underworld - Born slippy
22. Grandaddy - The crystal lake
23. Sugarcubes - [faixa 5 do CD da Gisele]
24. Squarepusher - Goodnight Jade [por engano...]
25. Frank Poole - Fokker 100
26. Teenage Fanclub - About you
27. Nine Inch Nails - Starfuckers inc.
28. Squarepusher - North circular
29. Radiohead - Packt like sardines in a crushd tin box
30. Yo La Tengo - Sugarcube
31. Air - Sexy boy
32. Marylin Manson - Beautiful people
33. Morphine - Super sex
34. Placebo - English summer rain
35. Placebo - Slackerbitch
36. Joy Division - Shadowplay
37. Frank Poole - Galla
38. Nick Cave & The Bad Seeds - The mercy seat
39. Porsche - Palavras santas
40. Sheik Tosado - Hardcore brasileiro
41. Cul De Sac - ...His teeth got lost in the matress...
42. Porsche - Acabou a guerra
Show comemorativo da Poliéster. Única apresentação. Stay tuned. Coming soon.
"Não há dúvidas de que Dave precisa de um veículo para trazer para fora o melhor da sua guitarra. E ele é um grande guitarrista. Mas a idéia, que ele tentou propagar ao longo dos anos, de que ele é mais musical do que eu, é fucking nonsense absoluto. É uma noção absurda, mas as pessoas parecem completamente felizes por acreditarem nisso." (Roger Waters)

"Roger tinha um empenho fantástico e um bom cérebro para letras. Ele era uma força muito empenhada e critativa. E eu suponho que eu poderia dizer que eu tinha muito mais senso de musicalidade do que ele tinha. Eu podia certamente cantar no tom muito melhor." (David Gilmour)

A Rolling Stone fez uma reportagem comemorativa: 30 Years of Dark Side Of The Moon. (Obs.: Ambas as respostas são atuais e para perguntas diferentes, em entrevistas diferentes.)
CARTA GENTIL 35 (Palavras Gentis do Beto Só, aquele que tem os Solitários Incríveis e que canta Isadora)

Em tempos de guerra – estúpida guerra – começo a ter medo de ser um artista ultrapassado. Minhas letras não cantam mensagens de paz ou de repúdio à arrogância americana que atinge em cheio minha sensação de ser dono do meu próprio destino. Arrogância que faz com que eu me sinta mais um inseto que pode a qualquer momento ser esmagado na sola do sapato de um gigante burro, bélico, cego e injusto. Minhas letras não propõem boicote aos produtos americanos, única ação nossa que parece ser possível, já que eles cagam nos Direitos Humanos e nos transformaram em simples consumidores. Meus refrões não berram contra a América nem procuram conscientizar a juventude sobre a tirania do imperialismo do norte. De repente, tudo que parecia antigo pra mim volta a fazer sentido. As “ingênuas” letras contra o “sistema” voltam a soar as mais adequadas, sinceras e atuais. O que só pode significar uma coisa: os Estados Unidos estão fazendo o mundo retroceder. Eles acusam seus inimigos de medievais, mas são eles que acionam a máquina do tempo e nos fazem voltar décadas – com o ônus de chegarmos ao passado envelhecidos e cansados, obrigados a percorrer de novo todo o caminho vencido.

(...) Frente ao horror da guerra, minhas letras pessoais, sobre meus amores, minha solidão e meus medos, começam a me incomodar porque soam covardes. Como se me recolhesse ao meu mundo pra não precisar pensar no Mundo. É com esse incômodo que viajo pra São Paulo, a trabalho, e me dirijo à USP para uma reunião com intelectuais da comunicação. (...)
eu já vivencio uma guerra dentro de mim...
eu e meu alter-ego
rasgando-nos em centenas de pedaços
tentando achar alguma pergunta pra uma resposta.

e o mundo ainda me pede atenção
pra uma briguinha no iraque!

e eu?!

(john voyers & tiago)
"As formas e seus preços médios de se aliviar a dor:

Psicólogo...................R$ 150,00 a sessão
Maconha....................R$ 3,00 o baseado
Cocaína......................R$ 20,00 a carreira
Doril...........................R$ 0,50 envelope com 4
Prostituta low level......R$ 80,00 a noite
Prostituta high level.....R$ 500,00 a noite
Cafuné de mão amiga..R$ 4,00 p/ chegar até a casa dela
Prozac.......................R$ sei lá
Cinema Hollywood.......R$ 6,00 o ingresso
Cigarro.......................R$ 2,00 a carteira
ICQ, IRC e internet......R$ 100,00 por mês (tel. + provedor)
Jogar bola..................R$ 50,00 a bola
Heroína......................R$ sei lá
Tomar cerveja.............R$ 20,00 (c/ combustível até o bar)
Raves Exxxperience...R$ 75,00 (com extase no pacote)
Correr até cansar........R$ sem valor
Ir a igreja católica........R$ 3 a 10,00 (contribuição decente)
Ir a igreja evangélica...R$ sei lá (mas deve ser mais que 10)
Ajudar os pobres........R$ 3,00 (o quilo do arroz)
Tomar LSD.................R$ sei lá
Ver filme em casa.......R$ 10,00 (locação + pipoca)"

(john voyers & tiago)

sexta-feira, 28 de março de 2003

"(...) Rock. Pilger, profeta, me apresentou Blanched. E até hoje eu mal sei falar sobre o porquê d'eu gostar dessa banda. Sensacional? Horrível? Lembrem-se: a paixão que nos une é a mesma. Uma das minhas bandas nacionais prediletas, é essa a verdade. O por quê importa? Se importa, prometo que o dia em que descobrir digo para vocês, camaradas gaúchos. Nunca estive no Rio Grande do Sul, eu sei. Não sei, claro, pois já estive aos doze anos em Novo Hamburgo, onde passei dois dias e nunca mais desci. Uma pena. Mas estou com viagem marcada para aí, para a terra de vocês, em junho. (...)" (Rafael Spoladore)
Quem faz a arte evoluir são os destaques, aqueles que provocam saltos (evolução). E estes, para provocar tais saltos, antes fruem os saltantes anteriores. (...) Ninguém decide o que é arte. Ou melhor: cada um decide, para si. (...) Uma cena musical movimentada só que com pouca criatividade tem como única função movimentar a economia.
É amanhã o Fórum de Música Independente, sobre criação de selos. A partir das 16h, no Santander Cultural (Sete de Setembro, 1028). Senhas estão sendo distribuídas no local.
Não poderia deixar de registrar aqui o elogio do cara da Frank Poole, melhor banda brasileira, uma das únicas do país que tem a sonoridade de que eu mais gosto, junto com a Blanched.

Olá Blanched!

Ouvi agora o disco de vcs, com 3 músicas, gostei bastante! O som é muito bom e as letras ficaram bem legais, gostei mesmo! Os shows devem ser bons também, pelo que percebi dos contrastes e barulhos!

Parabéns!

Têm material novo em vista?

Falou!

Yury

quinta-feira, 27 de março de 2003

O Brasil deveria adotar o hábito espanhol da sesta.
Potencializar a sensibilidade (que é nata) é a minha meta profissional. Eu não tenho metas profissionais. Eu não sou bitolado. Eu quero viver. Trabalho é violência, porque é involuntário e é para os outros, estranhos. E há muito trabalho para se fazer aqui dentro e entre os dentros das almas irmãs.
Durante a minha adolescência, eu senti uma necessidade impotente de manifestar às meninas que eu achava bonitas o quanto eu as achava bonitas. (Desde sempre a beleza me afeta profundamente, me maravilha.) Eu decidia que, na próxima vez, eu dirigiria umas palavras à menina que passasse por mim na rua e que me despertasse tal vontade. Mas havia a impotência, porque instrumentos eu não tinha; pelo contrário, somente a timidez a insegurança. Hoje, bem ou mal, eu tenho o texto - e a coragem.

Quem me conheceu antes da Madi sabe o quanto a Madi foi importante para a minha pessoa. O casamento entre mim e ela provocou um crescimento mútuo, de modo que ambos ficamos mais potenciais. Me dei conta disso e me emocionei com isso no show do Jupiter no Manara. (O assunto surgiu ontem, diante da mesma idéia tida pelo Charles. Ele disse que a minha vantagem é que eu não retrocedi. Sinto que foi uma coisa que eu aprendi, incorporei.) Eu só ainda não o havia manifestado, pelos ecos de decepção que eram emitidos pelos fatos que me entristeceram. Mas a melhor vida é destacar as coisas boas e seguir adiante, sempre adiante.