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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O maior delírio vivido hoje no Brasil é o da “normalidade”
ELIANE BRUM

“Distopia simulada”. Esta foi a expressão usada por Luis Felipe Salomão, ministro do Superior Tribunal Eleitoral, para justificar a proibição do programa de Fernando Haddad em que era mostrada a apologia de Jair Bolsonaro à tortura e aos torturadores. O programa de Haddad, ao mostrar o que Bolsonaro diz e faz, nas palavras do ministro, “pode criar, na opinião pública, estados passionais com potencial para incitar comportamentos violentos”. A questão, para o ministro, não é o que Bolsonaro diz e faz, mas que as pessoas possam escutar o que ele diz e ver o que ele faz. E se posicionar a partir do que ele efetivamente diz e faz. Ou seja, se posicionar a partir da realidade dos fatos.

O problema do ministro é que o eleitor possa pensar algo lógico como: “Não posso votar num homem que defende a tortura e tem como herói um torturador que colocava fios desencapados na vagina das mulheres e depois chamava seus filhos pequenos para ver a mãe nua, urinada e vomitada”. Não, o ministro entendeu que precisava vetar a realidade factual para que o eleitor, ao conhecer os fatos, não tenha a estranha reação de pensar sobre eles.

O risco da violência, para o ministro, estaria naqueles que sentem medo, não nos que provocam medo. Pensar que o Brasil quase certamente vai eleger um homem que defende a tortura e tem como herói Carlos Alberto Brilhante Ustra poderia assustar a população. E o ministro acha que não há motivo para a população se assustar.

Vale a autoverdade do ministro, o que ele escolheu que é real e o que ele escolheu que é “simulado”. A verdade, assim como a realidade, tornou-se uma escolha pessoal. (...)
Pra família doentia brasileira, leis, direitos, justiça, liberdade, igualdade, é tudo questão de 'gosto'.
"Com esse STF, caso o próximo presidente venha a tomar medidas e aprovar projetos que sejam contrárias ao gosto desse STF, eles vão declarar inconstitucional. E aqui a gente não vai se dobrar a eles, não." (Dado)
Interprete os seguintes trechos da entrevista de ontem para o JN.

"Ao longo de 4 anos, nós tivemos uma bandeira baseada numa passagem bíblica, João 8:32: 'E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará'. Está na hora do Brasil conviver com a verdade. (...) As eleições acabaram. Chega de mentira, chega de fake new. Realmente agora estamos numa outra época. Eu quero governar para todos, não apenas para aqueles que votaram em mim." (Presidente)
"Ele é tachado como misógino, mas ele é casado com quem? Com a filha de um cearense!" (Primeira-Dama)
Adeus, Porta dos Fundos.

' ' Da série “Banalizaram tanto o termo ‘fascista’ que virou sinônimo de quem não gosta do PT”, que tal parar de brincar de Jedi? “Resistência” é só contra governo imposto. Contra governo eleito, é oposição. Aliás, estamos precisando de uma consciente e que se dê o respeito. ' ' (Antônio Tabet)

Eu já tinha parado de ver, aliás. Por causa dele.


Outras dele no Twitter:


"Eleito o presidente do Brasil. Que ele governe com sabedoria, responsabilidade e para todos, respeitando a democracia e as instituições. Boa sorte para nós e que voltemos a ser um só Brasil a partir de agora."

"Liberdade? Brigas? Esperanças? Histeria? Democracia? Crise? Não sei com o que a eleição de domingo vai acabar, mas se der fim às regras que os “cientistas políticos” que moram com os pais e nunca tiveram um contracheque cagam aqui, já sairemos no lucro."

"O PT não deveria estar tão preocupado com as fake news de 2018. As notícias de verdade desde 2005 são bem piores."

"Entre todas as imbecilidades que marcaram esta eleição - e não foram poucas - nenhuma é tão grave quanto brigar com parente ou amigo por causa de político."


"Deixa eu ver se entendi: quantos desses “fascistas, machistas e homofóbicos” que podem eleger Bolsonaro no 1º turno são os mesmos que elegeram Dilma... DUAS VEZES?!?"

"A militância de esquerda precisa de mais divã e menos empáfia."
 
 
 
"SOU CONTRA O ABORTO! TEM CAMISINHA PRA QUÊ?"
Ok, vamos educar então.
"MEU DEUS, ESTÃO EDUCANDO SOBRE CAMISINHA, É O FIM DO MUNDO MESMO!"
- O Brasil não perdeu de 7x1 pra Alemanha.
- O que é isso, cara. Foi no Mineirão, em 2014.
- Nem vem. Me respeita. E respeita a minha opinião.
- Mas é só entrar no site da FIFA...
- Vou entrar em site nenhum não. Você tem que aprender a respeitar a opinião dos outros. (@predocindio)
"Pelo novo vocabulário da língua brasileira - sim, porque em português é diferente - temos: (por Fernanda Barata Silva Brasil)

A) doutrinação: só existe para professores e quando esses são de esquerda;

B) ideologia de gênero: é explicar que existem pessoas com orientação hétero e homossexual e que todos merecem respeito em sua humanidade. Coisa muito perigosa, pois induz todas as crianças a serem homossexuais! Não falar no assunto, por outro lado, transforma toda a população em heterossexual automaticamente! Ser heterossexual é o normal, logo o que se espera das pessoas de bem
 
C) família: deve ser valorizada e protegida ao máximo, desde que esteja enquadrada no modelo que as marcas de margarinas elegeram para estampar seus comerciais. Quem fugir um pouquinho desse esquema está ferrado, pois há fortes tendências a criar filhos desviados. Ao menos que sejam ricos. Nesse último caso, o modelo fica mais liberal.

D) religião: é a cristã, o resto é seita.
 
E) cristianismo: parte de princípios que a direita e a ala mais conservadora da sociedade elegeram, independentemente do que Cristo realmente pregou ou praticou

F) história: é a versão que o exército quer dar aos fatos

G) educação: é o que o governo quer que o aluno aprenda, sem possibilidade de provocar “senso crítico” nos jovens. O mercado não quer jovens com capacidade de criticar, logo é papel do Estado assegurar uma massa de robôs que tenham colocação nas empresas.

H) corrupção: só existe quando praticada pelo PT

I) imprensa livre: a que está a serviço do governo. O jornalista amigo que combina perguntas e respostas com o entrevistado. O resto deve ser banido, por ser comprometido ideologicamente.

J) oposição: espécie em extinção no campo da política. Faz mal à democracia, pois significa torcer contra o país
 
K) nacionalismo: no caso do Brasil, é enaltecer o país, mas seguir o que determina o capital estrangeiro

L) sexualidade: cada um exercita a sua, desde que seja com absoluta discrição, mas a normal é a que as igrejas pentecostais apontam como tal

M) terrorismo: protestar contra o governo, ainda que pacificamente. Se mudar para um governo de esquerda, os protestos voltam a ser sinônimo de exercício de cidadania

N) segurança pública: é armar a população rica e dar carta branca pra polícia sair atirando, mesmo com o risco de matar inocentes (se forem pobres, claro)

O) democracia: é eleger um governo de extrema direita. Eleger um governo de esquerda, eventualmente, é fraude eleitoral

P) trabalhador: é o escravo. Aquele que labuta, mas quer direitos, é o aproveitador, que impede o crescimento da economia do país

Q) sindicatos: grupos de baderneiros que não gostam de trabalhar. Emperram o desenvolvimento econômico do país, insuflando os trabalhadores a exigirem privilégios exagerados dos patrões.

R) Justiça do Trabalho: órgão que faz o empresariado ser refém dos sindicatos e dos trabalhadores que ousam cobrar o que a lei lhes assegura. Impõe sanções injustas àqueles que não cumprem com os deveres legais, enriquecendo os desaforados que resolveram cobrar o que é seu. Formado por um contingente de juízes pouco espertos, ou tendenciosos, que não sabem detectar, ou coibir abusos das partes.

S) MPT: outro bando de baderneiros, responsáveis pela crise econômica no Brasil. E recebem dos cofres públicos para isso!! Está em vias de extinção, junto com a Justiça do Trabalho

T) Judiciário imparcial: aquele que é contra o PT

S) direitos: os exercidos pelas camadas mais abastadas da sociedade. Quando voltados aos pobres transmudam-se em privilégios, especialmente se forem sob a forma de programas sociais do governo

U) pessoas de bem: aquelas que seguem a cartilha da extrema direita

V) separação de poderes: sistema em desuso. Afinal, quando os interesses do Executivo são contrariados pelo Judiciário, ou pelo Legislativo ocorre uma verdadeira traição aos objetivos do país!

W) meio ambiente: algo a ser protegido, a menos que entre em choque com os interesses do capital. Não mais se admite que caprichos de ambientalistas criem obstáculos à indústria, à mineração e ao agronegócio

X) Constituição Federal: dura o tempo que o governo quiser e enquanto estiver sendo “interpretada” de acordo com seus interesses

Y) mulher: deve ser amada e respeitada enquanto segue o modelo “anos 50”. O resto é vagabunda

Z) povo: massa de manobra
DITA   DOR
DITA ORDEM
ORDENADOR
ORDENA  DOR
ORDEM NA   DOR
DITADOR

(Abílio-José Santos, poeta português, c. 1970)
Escola sem partido (parte dois) - Leandro Karnal

(...) A neutralidade é um desejo e uma meta, jamais realizável na sua integridade. Todo cientista, todo saber, todo profissional deveria buscar a maior isenção pessoal possível e eliminar a maior quantidade da sua subjetividade possível. Neutralidade é uma meta. Todo ser humano nasce em uma inserção histórica, tem uma renda específica, uma orientação religiosa, uma identidade étnica, uma orientação sexual, uma visão de mundo e uma língua materna. Ele sempre expressará algo a partir de tal realidade. A língua não é neutra e o conhecimento não é neutro. (...) Se pensarmos em verdade como a parte cognoscível do real, entre mim e o real existe um sujeito e toda mediação implicará um sujeito que é mutável e histórico.

Vamos pensar por exemplos. (...) Quando dizemos que o juiz deve ser imparcial/neutro no julgamento, significaria que ele não parte de um pressuposto anterior, todavia segue uma busca de justiça que pode favorecer ou não o réu. Isso implica dizer que o juiz determina que o sistema legal maior e seus dispositivos constitui um grau maior de objetividade (ou de menor subjetividade a partir de regras conhecidas) do que as envolvidas no litígio. A subjetividade jurídica serviria para equilibrar as subjetividades das partes do processo. A questão maior é onde eu coloco meu ideal de subjetividade. Legisladores com opções políticas e partidárias muito claras elaboraram uma lei subjetiva. O juiz (que também possui opiniões e vivências políticas) deve introduzir nova subjetividade diante das duas subjetividades das partes envolvidas.

Sempre é importante lembrar: todo juiz de futebol torce para um time. Seu objetivo é, ao apitar um jogo, evitar o máximo possível que suas subjetividades interfiram demais na subjetividade das regras do futebol. E de novo: objetividade é desejável; jamais realizável em padrão total.

Quando eu utilizo a palavra "ideologia" (exemplo: "o ensino de tal professor é ideológico") eu parto de um conceito de que ideologia seria a distorção de um dado real a partir de uma subjetividade prévia. Ora, toda fala, ensino, texto ou posição é fruto de um conjunto de crenças e vivências anteriores.

A língua possui ideologia prévia ao estipular que o Deus cristão seja grafado com maiúscula e os deuses gregos com minúsculas. A gramática foi, ideologicamente, cristianizada. Quando eu leciono para uma turma de 50 pessoas de diferentes gêneros e digo “Atenção, alunos”, a gramática optou pelo masculino em função de elaborações ideológicas de fundo masculino. Por que o grupo menor numérico (homens) domina sobre o grupo maior (mulheres)? Há ideologia na língua, nas roupas e nas crenças. Quando eu organizo um currículo escolar enfatizando A ou B, faço opções prévias e subjetivas.

Sempre acreditei que a principal função do ensino não seria realizar a plena neutralidade, mas desvendar as ideologias presentes nas ações e discursos nossos e do mundo. (...) Todo recorte apresenta limites. O ideal em uma boa aula não seria a neutralidade (em si já uma ideologia) mas a análise dos andaimes de cada ideologia, a análise da construção do que os alemães chamavam de visão de mundo ou cosmovisão (Weltanschauung). (...)
"Se você é sexista, racista, homofóbico ou basicamente um idiota, não compre este CD [In Utero]. Eu não me importo se você gosta de mim, eu odeio você." - Kurt Cobain
"Sou professora há 28 anos. Trabalhei em escolas públicas e particulares. Com crianças e adolescentes. Vivi muita coisa nesse tempo e vou lhes dizer algo importante sobre educação sexual: Sabe a quem interessa que sua criança não tenha educação sexual? Aos pedófilos." (@sreginabarbosa)

"Quem ensina sexo é papai e mamãe. E ponto final." (Presidente da República Federativa do Brasil)
"Estou louca para conhecer Porto Alegre para sentir frio", disse a senhora, em Belo Horizonte, onde estava 16ºC enquanto em Porto Alegre estava 32ºC.
' ' Eunício disse a Paulo Guedes que obedece à vontade da maioria dos pares, vocalizada pelos líderes de bancada, e por isso não poderia pautar a matéria de qualquer jeito. Lembrou ainda que há prioridades como a votação do orçamento para 2019, que costuma centralizar as atenções dos parlamentares no meio e no fim de cada ano. A conversa começou "em tom ameno" e depois se tornou ríspida, disse o senador.

"Ele olhou para mim e disse que orçamento não é importante, importante é aprovar reforma da Previdência. [...] Ele me disse: 'Vocês não aprovam orçamento, orçamento eu não quero que aprove não'. Mas não é o senhor querer, a Constituição diz que só podemos sair em recesso após a aprovação", relatou Eunício, acrescentando ter sido interrompido quando falou sobre a impossibilidade de recesso parlamentar sem a aprovação do orçamento.

"Não, eu só quero reforma da Previdência. Se vocês não fizerem vou culpar esse governo. Vou culpar esse Congresso e o PT volta, e vocês vão ser responsáveis pela volta do PT", bradou o economista, sempre segundo o relato do presidente do Senado.

(...) o mal-estar aumentou depois da solenidade dos 30 anos da Constituição, quando Guedes declarou os jornalistas, na entrada do Ministério da Fazenda, que uma "prensa" tinha que ser dada no Senado para que a reforma da Previdência fosse logo votada. A declaração soou, para além de pressão, como ameaça.

"Ele foi lá para a porta do Ministério da Fazenda e disse que tem que dar uma prensa. Eu digo que aqui ninguém dá prensa. Aqui você convence, discute, ganha, perde. Agora, prensa ninguém vai dar em mim", rebateu Eunício. ' ' (Congresso em Foco)

domingo, 18 de novembro de 2018

"Se alguém está te julgando, lamente por ele. Algo terrivelmente feio está dentro de sua alma, assustando-o." (Yoko Ono)
"Em política, não existe indicação para qualquer coisa que não seja política. Não existe política externa sem orientação ideológica. Nenhuma. Um real pago por cada 'sem viés ideológico' salvaria a Previdência. Faz parte da derrocada cognitiva aceitar repetir esses conceitos tortos." (@flaviamarreiro)
"A crise não é econômica, não é política, nem ética. A grande crise é a falta de sensibilidade dos seres humanos para com outros seres humanos." (Betinho)
“O climatismo diz: ‘Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos individuais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de climate denier e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?'.” (Ministro Ernesto Henrique Fraga Araújo)
Os eleitores do Bolsonaro - maioria dos eleitores brasileiros que decidiram votar em alguém - podem ser resumidos por uma característica: mimados. (Logo eles, que reclamam tanto do "mimimi"; o "mimimi" os fazem se sentirem "oprimidos", mas eles querem ser os "opressores", os reizinhos.) Eles querem poder fazer qualquer coisa que quiserem. Qualquer responsabilidade ética eles consideram ditadura: ter respeito com os outros, cuidar do meio ambiente, não matar, etc. Como escreveu o Leandro Demoro, no Intercept: "Jogue uma lata de Coca-Cola no chão e liberte-se." É patético e infantil. O conceito de liberdade deles só inclui o próprio umbiguinho.
'' Abri o TweetDeck e fiz uma busca no perfil oficial @jairbolsonaro: digitei “direitos humanos” entre aspas. Bolsonaro usou as duas palavras combinadas exatas 53 vezes desde janeiro de 2013, quando falou pela primeira vez sobre o assunto no Twitter. Teve 55 retuítes e dois likes. As palavras associadas a “direitos humanos” em todas as suas manifestações desde então vão de “CANALHADA dos direitos humanos” a “ESTERCO DA VAGABUNDAGEM”, assim mesmo em letras maiúsculas. Sabem quantas vezes ele usou as palavras em tom positivo? Só uma, justamente quando resolveu madreteresamente defender os direitos humanos dos médicos cubanos. Teve 16 mil retuítes e 89 mil likes. Lacrou para os seus 2 milhões de seguidores, enquanto mais de 20 milhões de pessoas na vida real temem ficar sem médico já em janeiro. Mas tudo bem se vai tudo bem no Twitter da bolsosfera. '' (Leandro Demori/The Intercept Brasil)