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sexta-feira, 15 de março de 2013
"Feliciano parece não saber que uma porcentagem substancial de homossexuais não gosta de sexo anal, enquanto, inversamente, o sexo anal faz parte das fantasias e das práticas sexuais de muitos homens e mulheres heterossexuais. Isso, sem entrar no vasto capítulo das penetrações (fantasiadas ou reais, solitárias ou não) com objetos inanimados ou outras partes do corpo. (...) Mesmo assim, fico curioso. Será que, para o deputado Feliciano, as mãos foram feitas para carícias, solitárias ou não, recíprocas ou não? E como fica a boca? Sem pensar muito longe, será que ela foi feita para ser invadida pela língua do parceiro ou da parceira? (...) Imaginemos que eu faça parte de um culto satânico que só permite atos sexuais que desprezem a finalidade reprodutiva, e isso justamente para contrariar um eventual plano divino. Ou imaginemos que eu pense, simplesmente, que o melhor uso do meu corpo é o prazer e o gozo. Será que Marco Feliciano, presidente da CDHM, vai defender meus direitos? Se a resposta não for um sim retumbante, a CDHM deve trocar de presidente." (Contardo Calligaris)
"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E, por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer. E morrem como se nunca tivessem vivido." (Dalai Lama)
quinta-feira, 14 de março de 2013
"O Brasil ainda hoje é menos conhecido e valorizado do que merece. O Brasil é quase tão grande como a China, mas é uma democracia. O Brasil é quase três vezes maior que a Índia, tem quase o mesmo número de etnias e de religiões, mas vive em paz interna e em paz com os países limítrofes. O Brasil é quatro vezes maior que a zona do Euro, mas tem um único governo e fala uma única língua. O Brasil é o país onde há mais católicos, mas onde a população vive da forma mais pagã. O Brasil é o único país no mundo onde a cultura ainda mantém características de solidariedade, sensualidade, alegria e receptividade." (Domenico De Masi)
domingo, 10 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
Tá, mas e eu pulei do 12 para o 14? Do Enforcado para a Temperança? O que há entre esses dois estágios? A Morte [da produção musical]. Sallie Nichols:
Na carta anterior deixamos o herói pendurado de cabeça para baixo e indefeso sobre um abismo, a fim de sofrer a morte espiritual e o desmembramento final de sua vida e de sua personalidade anteriores. Vemos aqui retratado esse desmembramento: suas ideias (simbolizadas pelas cabeças), seus pontos de vista (pintados como pés) e suas atividades (mostradas como mãos) passadas jazem, inúteis, espalhadas pelo chão. Todos os aspectos da vida anterior do herói parecem ser sido cortados.
Tudo o que sabemos é que o herói, tendo "amadurecido" como o Enforcado, agora se sente como se estivesse sendo desmembrado. A Morte retrata o momento em que a pessoa se vê "feita em pedaços" — espalhada — com a velha personalidade e os modos quase irreconhecíveis de tão mutilados. Em face da dança remoinhosa do vento, todos nos quedamos assombrados, despedaçados, espalhados.
Se o Enforcado não quiser ficar suspenso no ar, tornando-se espiritualmente paralisado com o correr dos anos, precisará dar o passo seguinte, que conduz, através do vale da sombra, à aceitação da morte. Em reconhecimento da íntima conexão entre a morte e a transformação espiritual, cerimônias religiosas primitivas requeriam, não raro, que o iniciado enfrentasse a morte. Às vezes, como o Enforcado, era abandonado, inerme e só - porventura numa floresta escura.
Quando lhe perguntaram: "Que acontece depois da morte?" Krishnamurti respondeu: "Saberei quando lá chegar. Por enquanto não preciso saber." Precisamos saber agora? A preocupação com o que acontece no próximo capítulo não estragará o prazer que este nos proporciona? Perguntaram a Krishnamurti como se preparava para a morte. Ao que ele replicou: "Todos os dias morro um pouco."
Depois desse confronto com a carta número treze do Tarô, o herói da nossa saga também terá dado um passo irrevogável naquele rio do qual nenhum viajante retorna à mesma vida que levava antes. À semelhança do Sábio, já não se sentirá à vontade no velho regime. Ter-se-á tornado um estranho para a própria família e para os amigos de antanho, um exilado na pátria. Mas não lhe é dado retroceder. À maneira do Louco - e à maneira do Sábio - precisa tomar a estrada novamente, à procura de "outra morte".
Na carta anterior deixamos o herói pendurado de cabeça para baixo e indefeso sobre um abismo, a fim de sofrer a morte espiritual e o desmembramento final de sua vida e de sua personalidade anteriores. Vemos aqui retratado esse desmembramento: suas ideias (simbolizadas pelas cabeças), seus pontos de vista (pintados como pés) e suas atividades (mostradas como mãos) passadas jazem, inúteis, espalhadas pelo chão. Todos os aspectos da vida anterior do herói parecem ser sido cortados.
Tudo o que sabemos é que o herói, tendo "amadurecido" como o Enforcado, agora se sente como se estivesse sendo desmembrado. A Morte retrata o momento em que a pessoa se vê "feita em pedaços" — espalhada — com a velha personalidade e os modos quase irreconhecíveis de tão mutilados. Em face da dança remoinhosa do vento, todos nos quedamos assombrados, despedaçados, espalhados.
Se o Enforcado não quiser ficar suspenso no ar, tornando-se espiritualmente paralisado com o correr dos anos, precisará dar o passo seguinte, que conduz, através do vale da sombra, à aceitação da morte. Em reconhecimento da íntima conexão entre a morte e a transformação espiritual, cerimônias religiosas primitivas requeriam, não raro, que o iniciado enfrentasse a morte. Às vezes, como o Enforcado, era abandonado, inerme e só - porventura numa floresta escura.
Quando lhe perguntaram: "Que acontece depois da morte?" Krishnamurti respondeu: "Saberei quando lá chegar. Por enquanto não preciso saber." Precisamos saber agora? A preocupação com o que acontece no próximo capítulo não estragará o prazer que este nos proporciona? Perguntaram a Krishnamurti como se preparava para a morte. Ao que ele replicou: "Todos os dias morro um pouco."
Depois desse confronto com a carta número treze do Tarô, o herói da nossa saga também terá dado um passo irrevogável naquele rio do qual nenhum viajante retorna à mesma vida que levava antes. À semelhança do Sábio, já não se sentirá à vontade no velho regime. Ter-se-á tornado um estranho para a própria família e para os amigos de antanho, um exilado na pátria. Mas não lhe é dado retroceder. À maneira do Louco - e à maneira do Sábio - precisa tomar a estrada novamente, à procura de "outra morte".
sexta-feira, 8 de março de 2013
'Where are we now?' é exceção como 'Slip away' (2002) e 'Thursday's child' (1999). O último all-bombom do Bowie é o 'Earthling' (1997).
Contardo Calligaris e os dilemas:
Na coluna da semana retrasada, "Para que serve a tortura?", propus um dilema moral. Uma criança sequestrada está num lugar onde ela tem ar para pouco tempo. O sequestrador não diz onde está a criança. A tortura poderia levá-lo a falar. Você faz o quê? Entre os muitos leitores que me escreveram, menos de 10% entenderam que eu estaria promovendo o uso da tortura; mesmo esses, em sua maioria, usaram o dilema para pensar (com seus botões) no que eles fariam. Na semana passada, na Folha, Vladimir Safatle e Marcelo Coelho entenderam que meu dilema favorecia a tortura. No domingo, Hélio Schwartsman tentou colocar alguma ordem nessa cacofonia. Pena que nem Safatle nem Coelho fizeram o único exercício que um dilema moral pede: o de pensar nos termos que ele propõe. Muito pior: ambos declararam que não gostam de dilemas. Caramba!
O dilema estimula a moralidade porque nos encoraja a não escolher por respeito a supostos princípios ou por medo de uma punição. Para [Lawrence] Kohlberg (e para mim), seja qual for a escolha, escolher pelo foro íntimo é sempre mais moral do que escolher por obediência a uma cartilha. Em qualquer momento histórico, entre os homens de bem, que resistem ao totalitarismo do momento, pode haver homens atormentados por dilemas e também portadores de cartilhas opostas às dos opressores. Mas, em qualquer momento histórico, entre os opressores e os torturadores, só há portadores de cartilhas.
quinta-feira, 7 de março de 2013
A caverna de Platão. Hoje. Aqui.
Olha quantas pessoas ficaram sem chávez para entrar em casa! Ficou todo mundo na rua. Haja chaveiro para socorrer tanta gente! E parece que os afetados foram, em sua maioria, colorados, embora houvesse alguns torcedores do Pelotas.
“Sincero vem do latim 'sine cera', ou seja, 'sem cera'. Na produção de mel de abelhas o verdadeiro mel puro não podia conter cera, daí a origem da expressão que remete á ideia de pureza.” (Mário Sérgio Cortella)
"Uma das qualidades que mais importam ao mestre no Caminho é a sinceridade de espírito no discípulo. Sincero vem do latim 'sine cera', que costuma ser associado a 'sem cera'. Os antigos costumavam dizer que as colunas de mármore que ficavam desgastadas com o tempo eram completadas com cera em seus buracos. Eram colunas 'com cera'." (Jorge Kishikawa)
"Uma das qualidades que mais importam ao mestre no Caminho é a sinceridade de espírito no discípulo. Sincero vem do latim 'sine cera', que costuma ser associado a 'sem cera'. Os antigos costumavam dizer que as colunas de mármore que ficavam desgastadas com o tempo eram completadas com cera em seus buracos. Eram colunas 'com cera'." (Jorge Kishikawa)
quarta-feira, 6 de março de 2013
Joana Manuel: “Mais grave do que roubarem-nos o futuro é roubarem-nos o presente”
"O que impediu os meus pais de serem jovens é aquilo que me cola à pele o epíteto. Jovem. É uma espécie de espelho invertido. Não sei se basta passar através dele, como a Alice. Um dia vamos mesmo ter de parti-lo." (Joana Manuel)
Chamam-lhe jovem aos 36 anos. Mas a actriz e cantora não assume a etiqueta. O que não deixou os seus pais serem crianças não a deixa agora ser adulta. Precariedade, ausência de futuro. O discurso que fez há dias deixou muitos emocionados
"O que impediu os meus pais de serem jovens é aquilo que me cola à pele o epíteto. Jovem. É uma espécie de espelho invertido. Não sei se basta passar através dele, como a Alice. Um dia vamos mesmo ter de parti-lo." (Joana Manuel)
terça-feira, 5 de março de 2013
Intervenções no cérebro.
Um gol de mão.
Toda decisão é precedida de uma atividade neurofisiológica.
"Os meus alunos lutaram pela ética na política, pedindo o impeachment do Collor, e na prova de final do semestre todos colaram vergonhosamente."
Eduardo Gianetti
Um gol de mão.
Toda decisão é precedida de uma atividade neurofisiológica.
"Os meus alunos lutaram pela ética na política, pedindo o impeachment do Collor, e na prova de final do semestre todos colaram vergonhosamente."
Eduardo Gianetti
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Dunga: Fizeram uma reunião lá na associação dos árbitros pra me fuder...
segunda-feira, 4 de março de 2013
A beleza da voz e da face da cantora Bárbara Eugênia - que tem uma tatuagem do Radiohead (Meeting People is Easy/OK Computer) no pulso.
sábado, 2 de março de 2013
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| Gostei de ter visto no palco do Claro Q É Rock, durante a passagem de som, a Michelle Coyne, mrs. Wayne Coyne. |
sexta-feira, 1 de março de 2013
Já do início, a obra da Miranda July objetivava principalmente recondicionar o olhar sobre o que há de mais banal. Buscar o que o cotidiano esconde e tornar estranho o que há de mais familiar, para que ele seja, então, percebido, é desvendar o “extra-ordinário” — ou “ver coisas invisíveis”. Ao fazer-nos enxergar de novo, afirma a historiadora da arte Julia Bryan-Wilson, Miranda revela “a maravilha do mundo”, mas também o que nele é “insuportável e indizível”. (Beatriz Rodovalho e Lúcia Monteiro/Revista Bravo!)
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