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sexta-feira, 22 de novembro de 2002

Primeira crítica que eu leio sobre a Blanched depois de ter entrado nela: Esquizofrenia.
VIVA! Novo disco do Massive Attack em fevereiro: 100th Window. E é o Robert Del Naja sozinho! (É dele, do louro da banda, a sonoridade e a voz sussurrada de Angel, Risingson, Inertia Creeps e Karmacoma - simplesmente as músicas mais guitarreiras e bonitas do Massive Attack.) Pitchforkmedia: . . . signs of that discord are evident, as 100th Window contains the work of only one of Massive Attack's three founding members, Robert "3-D" Del Naja. DJ Andrew "Mushroom" Vowles left the band following Mezzanine's release, and third member Grant "Daddy G" Marshall just... appears to be sitting this one out. Picking up the slack, Del Naja has enlisted Blur frontman/Gorilla Damon Albarn and long-time collaborator Horace Andy to join the album's official chanteuse, Sinead O'Connor. According to Del Naja, O'Connor will sing on three tracks, Andy on two, with Albarn contributing backing vocals to "Small Time Shot Away". Tracklist:

01 Future Proof
02 What Your Soul Sings
03 Everywhen
04 Special Cases
05 Butterfly Caught
06 A Prayer For England
07 Small Time Shot Away
08 Name Taken
09 Antistar

Mas a "banda" já está trabalhando num sucessor da centésima janela, incluindo Daddy G, além de Mos Def e Tom Waits.
Chamaram a Gisele Bündchen de puta porque assinou contrato com uma grife de peles. Ela ficou puta e disse que está fazendo o trabalho dela. O Radiohead não toca sob o patrocínio de marcas de cigarro.
"Eu sempre achei que o errado é o outro, e sempre me achei do caralho. Se não fosse assim, nunca teria sobrevivido. Eu não sou uma pessoa comum. Pra você não ser comum basta que não queira." (Lobão, na revista Zero)
Um carinha com camiseta do Korn foi me pedir Korn na discotecagem da última festa do Apanhador. Eu disse que não tinha. Então podia ser Cranberries...
É patética a falta de ética na internet. Falta até senso de marketing (quem se interessa por coisas empurradas?) para os idiotas que ficam entupindo nossos e-mails com propagandas de livros jurídicos, sites pornográficos pagos e de gosto padrão, perfumes famosos e outras coisas que não tem nada a ver com a gente, incluindo uma mensagem de rodapé sobre a "lei dos spams" e "é só responder REMOVER", então você obedece rapidamente com prazer, só que a resposta não vai porque o e-mail é inexistente. Assim não adianta nem bloquear remetente, mesmo porque eles usam um endereço diferente a cada encheção de saco. Como eles conseguem o nosso e-mail? Criei uma conta nova, só divulguei para amigos que não são forwarders compulsivos desconhecedores da cópia oculta, e no segundo dia já havia perfumes famosos lá. A saída são os filtros para e-mail que contenham aquelas palavras demoníacas no assunto.

quinta-feira, 21 de novembro de 2002

A família compra um cachorro para passar as férias (frustradas) no campo. Quando soltam o cão fora do carro, ele sai correndo e desaparece. Dias depois, a família vê o cão passando correndo, e ele desaparece de novo. É uma das cenas mais engraçadas que eu já vi.

Melhor vilão em filmes de terror: a televisão de Poltergeist.

quarta-feira, 20 de novembro de 2002

- Eu queria fazer tatuagem de rena - eu disse, pensando em coisas como o SONIC YOUTH da capa do Goo.
- Ah, se usa bastante no verão! São legais aqueles desenhinhos ["tribais"]* - "concordou" a "doutora".

(* Lembrando que sempre que eu uso colchetes é para representar a minha fala dentro de outra fala.)
Seis pistas, três em cada faixa, separam o estacionamento do Centro Administrativo estadual do Fórum de Porto Alegre. Em cada faixa há uma faixa de pedestres. Sempre que eu atravesso ali tem poucos carros, mas ontem foi o teste de fogo.

Na primeira faixa havia carros nas três pistas. O da primeira vinha devagar e eu passei. Os das outras duas não pararam e eu só não morri porque estava entre a segunda e a terceira pista quando eles passaram - um deles era um carro de auto-escola com um aluno em plena "aula" de direção... Fiz o sinal com o braço e a mão apontando para aquelas lindas listras que enfeitam os asfaltos do nosso país. (Só a cidade de Brasília é que é feia, fica dando utilidade àquelas obras de arte.) Na segunda faixa, um carro vinha lento e eu me toquei pelas listras. Não parou também! Era uma mulher, estava com o vidro aberto, gritei para ela, que não mexeu um músculo.
Dia palíndromo: 201102.
Da mulher por todos detalhes e partes e movimentos fetiche tenho eu. Fetiche deixe de ser talvez então.

terça-feira, 19 de novembro de 2002

Primeiros filmes do Andy Warhol
Fonte: Rebel Rebel

Sleep (1963) - Poeta dorme durante seis horas.
Kiss (1963) - 58 minutos de closes de casais se beijando.
Blowjob (1963) - 35 minutos de close no rosto de um jovem recebendo boquete.
Eat (1964) - Pintor pop come cogumelos e brinca com um gato.
Couch (1964) - 58 minutos de pornografia no divã vermelho do centro da Factory. Com Allen Ginsberg, Gregory Corso e Jack Kerouac.
Empire (1964) - 8 horas de câmera parada. Empire States das 20h às 2h30. Editado em slow motion.
Velvet Underground And Nico: A simphony of sound (1966) - Uma banda ensaia. As câmeras se movem desenfreadamente ao redor e o som é sujo e muito alto.
Chelsea girls (1966) - Superstars de Warhol moram no Chelsea Hotel.
I, a man (1967) - Um garoto bissexual faz sexo ou conversa com seis garotas diferentes num dia em Nova York.
Lonesome cowboys - Romeu e Julieta estilo faroeste. Venceu o San Francisco Film Festival.

"Andy ficava no canto da sala com a câmera, sentado num banquinho e lendo o jornal. A câmera virada em uma direção e ele virado para outra. Nunca olhava através da câmera, apenas lia o seu jornal e de vez em quando apertava um botão. Esse era seu jeito de dirigir um filme." (Joe Dallesandro, superstar)

"Ele dizia 'Se não sair bom, tudo bem'. Ele não dirigia, ele não pedia que fizéssemos nada" (Dennis Hopper)
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CHAVE
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A luta é para se liberar do negativo, que, na verdade, é a nossa vontade do nada. E eu tenho dito SIM ao instante, a afirmação é contagiosa. Explode numa cadeia de afirmações sem limites. Dizer SIM a um instante é dizer sim a toda a existência."

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CHAVE
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SOBRE O NIILISMO

§ 12

Queda dos valores cosmológicos

A


O niilismo como estado psicológico terá de ocorrer, primeiramente, quando tivermos procurado em todo acontecer por um "sentido" que não está nele: de modo que afinal aquele que procura perde o ânimo. Niilismo é então o tomar-consciência do longo desperdício de força, o tormento do "em vão", a insegurança, a falta de ocasião para se recrear de algum modo, de ainda repousar sobre algo - a vergonha de si mesmo, como que se tivesse enganado por demasiado tempo . . . Aquele sentido poderia ter sido: o "cumprimento" de um cânone ético supremo em todo acontecer, a ordenação ética do mundo; ou o aumento do amor e da harmonia no trato dos seres; ou a aproximação de um estado de felicidade universal; ou mesmo o livrar-se de um estado universal de nada - um alvo é sempre um sentido ainda. O que há de comum entre todos esses modos de representação é que algo deve, através do processo mesmo, ser alcançado: - e agora se concebe que, com o vir-a-ser, nada é alvejado, nada é alcançado . . .

Dadas essas compreensões, de que com o vir-a-ser nada deve ser alvejado e de que sob todo vir-a-ser não reina nenhuma grande unidade em que o indivíduo pode submergir totalmente como em um elemento de supremo valor: resta como escapatória condenar esse inteiro mundo do vir-a-ser como ilusão e inventar um mundo que esteja para além dele, como verdadeiro mundo . . .

- O que aconteceu, no fundo? O sentimento da ausência de valor foi alvejado, quando se compreendeu que nem com o conceito "fim", nem com o conceito "unidade", nem com o conceito "verdade" se pode interpretar o caráter global da existência. Com isso, nada é alvejado e alcançado; falta a unidade abrangente na pluralidade do acontecer: o caráter da existência não é "verdadeiro", é falso . . . não se tem absolutamente mais nenhuma fundamento para se persuadir de um verdadeiro mundo . . . Em suma: as categorias "fim", "unidade", "ser", com as quais tínhamos imposto ao mundo um valor, foram outra vez retiradas por nós - e agora o mundo parece sem valor . . .

B


Suposto que tenhamos conhecido em que medida o mundo não pode mais ser interpretado com essas três categorias, e que depois dessa compreensão o mundo começa a se tornar sem valor para nós: temos então de perguntar, de onde provém nossa crença nessas três categorias, - ensaiemos se não é possível retirar a elas a crença! Depois que desvalorarmos essas três categorias, a demonstração de sua inaplicabilidade ao todo não é mais nenhum fundamento para desvalorarmos o todo.

Resultado: A crença nas categorias da razão é a causa do niilismo, - medimos o valor do mundo por categorias, que se referem a um mundo puramente fictício.

Resultado final: todos os valores com os quais até agora procuramos tornar o mundo estimável para nós e afinal, justamente com eles, o desvaloramos, quando eles se demonstram inaplicáveis - todos esses valores são, do ponto de vista psicológico, resultados de determinadas perspectivas de utilidade para a manutenção e intensificação de formações humanas de dominação: e apenas falsamente projetados na essência das coisas. É sempre ainda a hiperbólica ingenuidade do homem: colocar a si mesmo como sentido e medida de valor das coisas.
Andando até a farmácia ontem, com o cabelo lambido recém-banho, calção da Madi e camiseta "física" com Supermercado Asun estampado na frente e Estância Velha Amiga atrás, fiquei pensando sobre o que alguém me dizia. Que o Carlo Pianta, numa certa época de Graforréia Xilarmônica, estava com o cabelo desgrenhado e ficava fazendo a mesma nota por muito tempo na guitarra. "Completamente maluco" alguém me disse. Andando até a farmácia ontem, com o cabelo lambido recém-banho, calção da Madi e camiseta física com "supermercado Asun" estampado na barriga e "Estância Velha amiga" nas costas, eu vi com clareza toda a situação. E você?
Eu ouvi uma mulher caminhando a céu aberto, saindo do trabalho, falando no celular provavelmente com o marido. "Me deposita 1.500 ou 1.700." Aí me transformei num gigante e vi a humanidade como formiguinhas. Duas delas bateram as antenas uma na outra. "Precisamos de mais 1.500 ou 1.700 folhinhas para o estoque do inverno." Estamos todos na mesma arca. A complexidade do progresso tecnológico é apenas detalhe dentro da Grande Lógica, que não distingue homem de formiga.
Engraçado que tem pessoas que pegam no sono fumando, vendo filme ou lendo. Ou seja, fazendo coisas SAGRADAS. (Eu só pego no sono no volante. De resto...) Eu só durmo quando eu decido dormir. É tão difícil assim ter esse controle? Já ouvi gente dizendo - mas isso faz muito tempo, quando existia a possibilidade de eu topar com gente assim - que Pink Floyd "é bom para dormir". Bom, Mogwai dá sono no Sapo, deixa o Renato "deprê" e "oprime" o Porsche. E o Apenas James acha que é "rock progressivo modernoso".
Devia haver trilhos para os automóveis nas rodovias. Talvez os motoristas aprendessem a dirigir de forma inteligente e o trânsito seria calmo e rápido-eficiente. No começo iriam espumar e se contorcer, mas com o tempo aprenderiam.
- Use o máximo de luzes possível para fazer desse Natal o mais brilhante de todos. Casa cheia de luzes...
- É zona.
- Não! ...é de quem ouve o Programa Y.

Ã?

segunda-feira, 18 de novembro de 2002

Lula, Bin Laden, talibãs, quakers, Che Guevara, Enéias, Marcelo Camelo. Só porque essas pessoas têm barba não quer dizer que todo barbudo do planeta seja um deles.
Mais três daquele tipo de elogio que recompensa o trabalho todo. Não há por que ter vergonha de massagem no ego :D

"Você está escrevendo muito claro." (Madi)

"Já tinham me dito que tu tinhas mudado, mas pelo que estou vendo a mudança foi maior que eu esperava; pra melhor, devo dizer!" (Graziela, colega de segundo grau que pôde comparar, no pré-reencontro da turma, por lista de discussão, o Douglas´2002 com o Douglas´1992)

"Mérito pro Douglas que tá lendo Timothy Leary, quando você desenvolveu gosto pra estas coisas, rapaz???? Sempre achei que você ia desenvolver mais a área de informática ou coisas assim. Pelo visto me enganei." (Suzin, colega de segundo grau confirmando a diferença entre o idiota completo e o idiota circunstancial, com potencial a ser explorado)

"ducaralho. curti muito. e ainda de quebra tem participacao do boto. massa." (Pepe, a única pessoa, entre as listas de discussão Independentes-POA, Poplist, LondonBurning, ImaginaryFriends, PopSantos e Jornalismo_Unisinos, que ouviu a trilha do Miopia e comentou, inclusive reforçando no fim de um outro e-mail) "legal mesmo o som, doug."