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segunda-feira, 11 de novembro de 2002

Eu estou no Dia da Marmota de alguém. Quando cheguei no novo emprego, eu estava pensando em mudar para Porto Alegre. Um colega de trabalho, então, estava contente em tentar me ajudar naquela tarefa. Me trouxe os classificados de imóveis. E na semana seguinte, de novo. Depois de algumas semanas, eu desisti de mudar. Depois dessa decisão, na primeira vez em que ele puxou assunto comigo, perguntou como é que ia o apartamento. Disse que tinha desistido temporariamente, que ia ficar no meu atual por enquanto. Na semana seguinte, jogou os classificados na minha mesa. Perguntou como é que estava o apartamento. Na semana seguinte, jogou os classificados na minha mesa. Eu disse que não estava mais procurando. Deixei o jornal ali um pouco e depois joguei no lixo. Pergunta como é que está. Joga o jornal na minha mesa. Jogo direto no lixo.
"Se há um animal cuja extinção beneficiaria as outras espécies, este animal é o homem. Trata-se do único predador capaz de ampliar artificialmente quase ao infinito a sua potência destrutiva. O homem devora os seus semelhantes, abandona os próprios filhos, escraviza os mais fracos e racionaliza a exploração. A razão é a faculdade que lhe permite justificar a demência." (Juremir Machado)

sexta-feira, 8 de novembro de 2002

Esta era a minha turma do segundo grau num colégio de freiras em Taquara: "O Brack escondeu os estintores durante meses debaixo daqueles bancos e um deles sumiu (hehe)... As frutas eram bergamotas que apareceram em dois ou três sacos enormes ali naquele andar e que a gente despejou debaixo dos bancos e esqueceu... meses depois a gente lembrou por causa do cheiro que vinha dos bancos e quando vimos tava tudo podre e cheio de bichos... A laranja era na cabeça do cristo pequeno que ficava no canto da sala e o Buchecha pau no cu dedurou... aliás, naquele ano, ele sempre fazia isso... A estátua da santa rodou pelos corredores, foi parar na banheira, na escada, no pátio, até escondida durante semanas ela ficou... Mas vai uma revelação desse ano: escondemos durante um tempão, na lavanderia, um bebedouro... lembro que eu e o Batata vimos o bebedouro dando sopa no corredor e saímos com ele no colo, descemos dois lances de escadas, cruzamos um corredor e escondemos ele na lavanderia, embaixo duns panos e atrás duns baldes... e lá ficou... hehe Lembram daquele banheiro das irmãs que ficava do lado da nossa sala e que um belo dia alguém abriu a porta com uma tesoura? A gente pegou as pastas de dente e escovas das freirasa e colocamos em cima da mesa dos professores, com copo d´água e tudo, e ainda escovaram os dentes do cristo... hehe" (Meldrick Taylor)
LEARY, Timothy. Flashbacks. 1983.
Primeira parte do resumo: cogumelo.
A mesma questão da identificação é responsável pela progressão geométrica da ampliação de gosto estético que acontece quando a gente se permite conhecer o novo ou diferente e gostar dele.

Pink Floyd e Sonic Youth foram os principais desencadeadores do meu gosto musical. Depois de conhecer um deles, meu horizonte se abriu para inúmeras outras bandas. E assim a árvore vai se abrindo. Mas as frutas e as folhas mais fracas acabam caindo, senão a árvore fica sobrecarregada e doente.

A mesma coisa acontece com música, beleza feminina, cinema e tudo o mais.

quinta-feira, 7 de novembro de 2002

Moda é identificação. Padrão - de atitude, comportamento, pensamento, beleza - é identificação. "Pra essas pessoas quase todas a beleza não passa de identificação. Elas aprendem o que é bonito e o que é feio, e quando vêem uma coisa diferente elas procuram os elementos e classificam num dos padrões." (Madi)
Lembrei que eu anotava num daqueles tradicionais bloquinhos verticais com espiral os meus recordes no videogame Dactar. Meus cartuchos preferidos eram - e meus ROMs do emulador Stella preferidos são - Frogger, Jawbreaker, Seaquest e Tennis.

terça-feira, 5 de novembro de 2002

GRAFORRÉIA XILARMÔNICA, dia 25 de novembro! (De novo no Manara... De novo numa segunda-feira... Em Porto Alegre não há mais shows para quem acorda cedo em dia de semana e para quem não se sente muito agradável num templo das baladas noturnas.) É o segundo show especial pós-término. Eu vou estar lá imóvel na frente do guitarrista.
Alguém considerar No macio, no gostoso um título de música ridículo me faz pensar que realmente as imagens e os mecanismos mentais acionados pelas palavras e pela linguagem são bizarros. Camas são macias e gostosas e portanto prazerosas e eu não consigo imaginar que tipo de ridicularidade há nisso. "Você não quis me acordar / E eu não quis me levantar / Já é quase meio-dia / E ainda estou aqui / Deitado, sossegado / No macio, no gostoso".
Lavar as calçadas já é ridículo por gastar tanta água em vão e esfregar a rua com sabão em pó. Mas eu nunca tinha visto o que eu vi hoje: alguém passando aspirador de pó na calçada. Tinha que tirar um retrato.
Camisetas: "Não sou viciado. Eu sei usar drogas." / "Diga não às drogas. Se você não souber usá-las." / "Diga não às drogas burras, como cigarro e álcool." / "Diga não às drogas. Se você quiser continuar achando que a realidade não é subjetiva." / "Droga: estou fora! Da visão única, artificial e pré-concebida de mundo." / "As drogas matam. As certezas convenientemente perpetuadas aos cegos de espírito." / "As drogas matam. A visão preta-e-branca." E assim vai...
E-mail que a Blanched recebeu: "Sou repórter do jornal Gazeta do Povo e idealizadora, produtora e assessora de imprensa, junto com Ivan, do selo curitibano De Inverno e do festival Rock de Inverno. Vocês receberão nossos materiais. Com certeza vamos nos falar, pois vou comentar o trabalho de vocês no jornal. (...) Valeu, pelo belo EP, pelas tocantes canções... Depois Da Noite e Mandrágora já figuram entre as minhas preferidas, daquelas que podem ser ouvidas a qualquer dia e qualquer hora; daquelas que foram feitas especialmente para certos momentos em que se tem vontade de gritar junto com um artista, fazendo nossa - de quem ouve - as palavras gravadas, pois cantam "nossas" vontades, "nossas" tristezas, "nosso" querer lavar a alma... Até mais." (Adriane Perin)
Astromato acabou :~~

segunda-feira, 4 de novembro de 2002

BLONDE REDHEAD
japonesa Kazu Makino / voz e guitarra
italiano Simone Pace / bateria
italiano Amedeo Pace / guitarra, baixo e voz

Melody of certain damaged lemons (2000)
1. Equally damaged
2. In particular
3. Melody of certain three
4. Hated because of great qualities
5. Loved despite of great faults
6. Ballad of lemons
7. This is not
8. A cure
9. For the damaged
10. Mother

In an expression of the inexpressible (1998)
1. Luv Machine
2. 10
3. Distilled
4. Missile
5. Futurism vs. passeism Part 2
6. Speed + distance = time
7. In an expression of the inexpressible
8. Suimasen
9. Led Zep
10. This is for me and I know everyone knows
11. Justin Joyous

Fake can be just as good (1997)
1. Kazuality
2. Symphony of treble
3. Water
4. Ego maniac kid
5. Bipolar
6. Pier Paolo
7. Oh, James
8. Futurism vs. passeism

La mia vita violenta (1995)
1. (I am taking out my eurotrash) I still get rocks off
2. Violent life
3. U.F.O
4. I am there while you choke on me
5. Harmony
6. Down under
7. Bean
8. Young Neil
9. 10 Feet high
10. Jewel

Blonde Redhead (1994)
1. I don't wan't u
2. Sciuri sciura
3. Astro Boy
4. Without feathers
5. Snippet
6. Mama cita
7. Swing pool
8. Girl boy
LEE RANALDO é a voz mais agradável para mim entre todas as minhas melhores vozes preferidas do mundo. As femininas são estas: Kim Gordon, PJ Harvey, Björk, Beth Gibbons, Chan Marshall, Jennifer Charles, Kazu Makino, Courtney Love.
NESSA CASA
(Pedro Verissimo)

E o quarto e o banheiro
A cozinha cheirando a flores
Os tapetes, os espelhos
As cortinas cheirando a flores

Essa casa é perfumada
Pela lembrança dos amores
E nos trincos, pregadores
Até nas chaves sinto

Nas escadas, corredores
Almofadas cheirando a flores
Na sacada, na cadeira
Na chaleira, cheiro de flores

Essa casa é perfumada
Pela lembrança dos amores
No cinzeiro, nas tomadas
E nas telhas de zinco

Na sala de jantar, nas garrafas do bar
Nas persianas e nos pés das mesas
Liquidificador, embaixo do cobertor
Pelos cantos, no chão
Pelas plantas e até mesmo no vão
Entre a cama e a parede
Na televisão e nas janelas
E no marco da porta
Onde quer que se passe
Essa casa cheirando a flores

sexta-feira, 1 de novembro de 2002

Independentes se unem para distribuir catálogos
PEDRO ALEXANDRE SANCHES
da Folha de S.Paulo

O segmento independente da música brasileira apresenta mais sinais de organização. De um lado, está fundado o dito Cartel, cooperativa de distribuição que agrupa três selos indie de ponta, Bizarre (de São Paulo), Midsummer Madness (do Rio) e Monstro (de Goiás).

Reunindo de início mais de 50 títulos, o Cartel congrega bandas indie como Objeto Amarelo, Monokini, Sala Especial, National (pela Bizarre), Fellini, Astromato, Casino, Brincando de Deus (Midsummer Madness), Walverdes, Autoramas, Bois de Gerião, Momento 68 (Monstro).

Do lado menos underground da música dita indie, a Trama acaba de oficializar, com apoio da Associação Brasileira da Música Independente, a fundação de sua distribuidora, chamada Distribuidora Independente. Já estão associados os selos Instituto, Candeeiro, Brincante, Albatroz (de Roberto Menescal), entre outros. O nome, segundo a Trama, é para não criar disputa de espaço de artistas da gravadora em si com outros que serão só distribuídos.
Olha, agora eu sou um monge copista. (Desta vez é Flashbacks, do Timothy Leary.) Me chamaram aqui de O Digitador Maluco.
O ser humano diferencia-se dos outros animais por ser o único a acreditar que compreende a vida, o universo e tudo.