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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Contém spoiler.

"CIDADE DOS SONHOS (2001) é um filme que, cada vez mais, me remete ao Philippe Garrel. Um trabalho que acredita na potência dramática da imagem na mesma medida que tem uma fé inabalável na sua dimensão metafísica. O grande diferencial do cinema do Lynch é que, diferente de muita gente, ele realmente acredita nas duas coisas de forma muito intensa. Apesar de, oficialmente, ser um diretor experimental, é evidente que ele explora as premissas narrativas de modo mais rico que muitos "diretores narrativos". No fim das contas nem parece ser um artista que realmente enxerga uma distinção muito evidente nisso. Trata o cinema como essa coisa só e não faz um juízo óbvio entre o narrativo e o não narrativo, entre o tradicional e o experimental. O clássico aqui pode não sobreviver, mas tudo o que dá força ao filme nasce dessas tradições formais e narrativas mais elementares (o noir, uma mulher perdida, uma bolsa com dinheiro, um triângulo amoroso destrutivo, um softcore). O suicídio final da Diane, dessa vez, me pareceu funcionar como a imagem síntese dessa busca por uma abordagem contemporânea sofisticada, mas que se baseia em aspectos mais originários do cinema. A fumaça fake que surge do sofá depois que ela se mata é praticamente um aceno ao Georges Méliès. O cara constrói uma das narrativas mais complexas do cinema pra terminar tudo com um efeito estilístico que lembra o artifício ilusório mais "simples" da história da linguagem. Talvez o maior filme dos últimos 20 anos porque, simplesmente, é o que melhor transita por todas as possibilidades do cinema." (Arthur Tuoto)

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