- Hoje quero falar da forma de uma coisa. E essa coisa é o lume. Que forma isso pode ter? No fundo, o que é um lume? Uma luz bem fraca? De onde pode vir?
- De uma vela?
- E do que mais?
- De um olhar?
- Sim.
- De um reflexo?
- De um material reluzente?
- Dizemos "o lume da esperança".
- Sem dúvida.
- Do crepúsculo ou da aurora? Falamos do primeiro lume da aurora.
- Esta palavra tem uma conotação positiva ou negativa? Um lume.
- Uma coisa que desejamos ver?
- Isso faz pensar em que, como forma, como representação? Podemos dizer que é um resto, um traço de luz?
- O que escapa da escuridão?
- Bom. Em geral, um lume implica luz e escuridão. O que acham?
- Eu estava relendo um texto de Tadao Ando em que ele diz que não encontramos mais, nas casas, "um canto onde algo reluza, onde algo aconteça". Pensem nisso, porque isso falta nos seus projetos. O problema é que para vocês a luz é algo evidente, Mas falta alguma coisa, essa sutileza que faz a diferença. Algo que podemos chamar de "percurso". Vocês abordam a luz de uma forma muito literal, muito mecânica. Ela deve ser também a expressão de uma dúvida. Devem recomeçar do zero, repensar a edificação a partir do interior, da escuridão, como se começassem com uma massa de sombras. Para começar, me digam uma palavra associada à escuridão. Respondam sem pensar, não precisam ser originais.
- A noite.
- O vazio.
- Um segredo.
- A morte.
- Estão vendo? A arquitetura se preocupa com todas essas palavras.
- Vamos falar disso tudo, mas pensei em uma coisa, algo essencial ligado a tudo isso.
- O passado?
- Quase. A memória.
("Un amour de jeunesse", Mia Hansen-Løve, 2011)
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sábado, 3 de novembro de 2012
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2 comentários:
legalzinho esse filme, né?
Sim : )
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