Esses dias perguntei ao tarô o que seria, afinal, da música na minha vida, uma pergunta que acaba abrangendo o questionamento da arte toda na minha vida e a consequente falta de motivação atual. Ele me respondeu com O Enforcado. Sallie Nichols:
Ficamos apreensivos ao ver-lhe a cabeça, sede do pensar racional, assim degradada, e ansiamos por libertar-lhe os membros amarrados de modo que ele possa caminhar rumo a novas consecuções. Para o homem ocidental é difícil tolerar a inatividade forçada.
O seu contato com as águas subterrâneas maternais sugere o batismo e uma vida nova. A natureza talvez o conserve assim confinado em suas mãos para que ele possa emergir de novo do ventre dela como criatura renascida. Poder-se-ia imaginar que, à semelhança de um infante recém-nascido, ele está sendo seguro pelos calcanhares a fim de poder levar umas palmadas e renascer para uma nova vida. O herói é aqui retratado, com muita competência, suspenso entre os dois polos da existência: o nascimento e a morte. Todos sentimos a solidão e o desamparo da nossa suspensão sobre o abismo eterno. Um isolamento ou prova de resistência dessa natureza, tão terrível, desempenha uma parte importante em todos os ritos de iniciação. Às vezes, por exemplo, o iniciado é obrigado a passar a noite sozinho numa caverna escura ou numa floresta, onde precisa enfrentar uma possível morte física e resistir a ela, sem nenhuma outra ajuda além da sua força interior e dos seus recursos.
Como os animais mantidos prisioneiros na Roda da Fortuna, o Enforcado é uma vítima do Destino, à mercê dos deuses, tão indefeso quanto os animais, mas com esta diferença: ele tem uma oportunidade de aceitar o destino conscientemente e deslindar-lhe o significado, ao passo que os animais só poderão, na melhor das hipóteses, suportar a própria situação.
Pendurado no limbo, a sua posição lhe parece cheia de ambiguidades: de um lado, oscila precariamente sobre um abismo mas, visto por outro prisma, foi-lhe poupado o fado de cair num precipício. Externamente, está imobilizado mas, bem no fundo de si mesmo, agita-se a dança da libertação.
Referindo-se a esse estado psicológico, Jung escreve: "O paciente precisa estar só para descobrir o que o sustenta quando já não pode sustentar-se. Somente essa experiência poderá dar-lhe uma base indestrutível." Antes que novos galhos possam desenvolver-se no topo, as raízes precisam penetrar mais fundo e espalhar-se mais amplamente para suportar o novo crescimento.
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terça-feira, 25 de setembro de 2012
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3 comentários:
pra mim quase sempre dá O LOUCO
Angela Francisca disse que é a "carta zero". Não sei o que isso significa - ainda.
O Louco se acha em tão estreito contato como seu lado instintivo que não precisa olhar para onde vai no sentido literal: sua natureza animal guia-lheos passos. Em algumas cartas do Taro o Louco é retratado como se tivesse os olhos vendados, o que lheenfatiza ainda mais a capacidade de agir antes por introvisão do que pela visão, utilizando a sabedoriaintuitiva em lugar da lógica convencional. Porque o Louco encerra os pólos opostos de energia, é impossível segurá-lo. No momento emque cuidamos haver-lhe captado a essência, ele se transforma ladinamente no seu oposto e tripudia,escarnindo, nas nossas costas. Todavia, é justamente a ambivalência e a ambigüidade que o tornam tão criativo.
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