Prezado Reitor,
Escreve-lhe Cláudio Ribeiro (www.claudioribeiro.com), maestro, artista brasileiro com trajetória internacional, ex-Maestro Titular e Diretor Artístico da Ospa. Com profunda tristeza e desilusão, recebo a notícia do encerramento das atividades do Projeto Sinos Acorda e da Orquestra da Unisinos. Por melhores que sejam as razões alegadas - e tenho para mim que não justificam tamanho ato - permita-me com o maior respeito dizer que a memória de meu ilustre colega José Pedro Boéssio foi lastimavelmente atingida. Ele que foi o idealizador de toda esta obra, que dedicou os melhores anos de sua vida e de sua energia a cuidar deste projeto maravilhoso, essencial à vida cultural do Estado e do Brasil. Talvez a Unisinos não tenha ainda calculado, por mais que novas estratégias internas tenham sido estudadas, o enormeerro que cometeu. Em segundo lugar, toda uma comunidade que estava envolvida nos projetos, tanto os pais dos alunos, quanto as próprias crianças; os qualificados professores, os músicos da orquestra; a programação músico-cultural que movia a comunidade e emprestava prestígio à Unisinos e ao RS; todo este mundo ruiu e deixou, acredite senhor Reitor, incrédulos e chocados os que firmemente acreditavam nos projetos acima referidos e no real interesse da Unisinos em promovê-los. E entre estes chocados, me incluo. Sou diretor-Presidente do INSTITUTO MÚSICA, uma ong cultural e bem seique os caminhos de quem se dedica ao ensino e à cultura não são os maisfáceis. Mas acredito que há diversas rotas alternativas para manter idéias, projetos e metas, sem ter que cortar na própria carne, sobretudo naquilo de que mais nosso País necessita: Educação e Cultura! Hoje entidades privadas conseguem subsistência, mesmo não dependendode uma instituição maior que lhe dê guarida. Basta se olhar às orquestras da Petrobrás, no Rio de Janeiro e a Osesp, em São Paulo. Quem dirá, então, contando com o apoio de uma instituição tão sólida e prestigiada como a Unisinos. Não há desculpa. É inaceitável que para uma instituição como a Unisinos não seja possível manter projetos da importância dos que foram brutalmente ceifados. Há várias formas de obtenção de investimento, que não os que advêm especificamente de matrículas ou de créditos do MEC. Tenho absoluta certeza que o senhor sabe disso. Talvez não tenha sido sua a idéia de por um fim ao "Sinos Acorda" e à Orquestra. Se realmente não foi, senhor Reitor, sinceramente, Vossa Senhoria está muito mal assessorado. Esta mensagem, por mais eloqüente, não quer ferir ninguém. Antes, ela é fruto de alguém ferido e, tenha certeza, de um exército de feridos. Que Deus saiba, por outro caminho, manter viva a obra do maestro José Pedro Boéssio e que a comunidade, de luto, tenha como encontrar outras fontes onde depositar todo o investimento, físico e espiritual, que colocou nas mãos da Unisinos.
Atenciosamente,
Maestro CLÁUDIO RIBEIRO
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