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quarta-feira, 13 de julho de 2005

Por Bruno Galera, em 11.07.05, às 16:55

Marcas

Bensimon comenta em seu blog sobre passagem do tempo e o acúmulo de informações. Comentei mais especificamente no que tange à literatura, então decidi reproduzir aqui, por achar uma discussão interessante.

(...) do mesmo jeito que nos adaptamos tão velozmente a uma viagem, a volta à rotina também acontece rapidinho, e em alguns dias o passeio vai tomar uma espécie de distanciamento, ficando semi distorcido pela memória. Memória essa que apronta e me angustia. Veja, por exemplo: eu li o Grande Gatsby há três anos e já sou incapaz de me lembrar como era. Sei que gostei, e me lembro de fragmentos de trama, só isso. Acumulamos anos de leituras para nos lembrarmos apenas do que lemos nos últimos meses? Essas coisas me levam às vezes a acreditar que a vida tem que ser mesmo essa coisa pós-moderna dos prazeres fugazes e do instante. Ler o livro para o prazer da leitura somente, porque é provável que quase nada fique para além disso.
Acho que o problema é essa necessidade de lembrança como algo documental. Não faz o menor sentido.


Grosso modo, pouco lembro de 99% das leituras que fiz, se tentar recapitular a coisa em formas burocráticas (trama, personagens, introdução, desfecho, moral). Mas de todas elas guardo marcas que se manifestam na forma como penso, me expresso e faço referências no cotidiano [grifo meu!].

Prefiro considerar a literatura como uma carga ou um panorama que vai se formando, mais do que como um dado a ser comparado ou cruzado no futuro.

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