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sexta-feira, 7 de junho de 2002

Não dá pra acreditar que uma pessoa pára de existir. Simplesmente não tem mais como encontrar essa pessoa. Mas o nosso sentimentalismo (sem pejoração, nessa palavra) é acentuado pela cultura (mais uma vez a cultura). Pois a morte é inevitável, um dia ela chega. Se chega antes, choca mais. Mas se chega depois, choca também. A não ser que a pessoa fique doente por anos ou muito velha por anos, que a gente fica sentindo a dor aos poucos e na hora H a coisa já era esperada. Tem culturas que promovem festas de morte, como eu vi no filme Dreams, do Kurosawa (que morreu esses dias). A pessoa mais querida por mim que morreu até hoje foi o meu vô, e até hoje eu fico triste pensando que ele poderia estar aqui. Ainda mais que a minha vó também não se conforma com o acidente estúpido. Entre pessoas que eu conheci, mais de dez já morreram, de várias idades. Eu tenho medo de morrer e de que os outros morram.

Assim como com o trabalho destruidor, com uma rejeição amorosa, a dor da perda total de uma pessoa só é amenizada mesmo com o tempo passado, pelo menos pra mim. Palavras, nessas horas, são quase inúteis. Por isso eu prefiro nunca precisar ir a velórios e enterros. Por isso que o que eu estou escrevendo aqui pode estar atrapalhando. Mas o único conselho que eu posso dar é: pensem nas coisas boas, tanto nas que ficaram quanto nas que se foram. Mesmo porque, essa é infalível, ele não iria gostar que a gente ficasse tão triste. Eu ainda não chorei, talvez chore na próxima vez que eu fumar. Mas é isso aí, a nossa vida continua e uma morte não pode ser responsável por outras semi-mortes.

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