![]()
|
|
|
![]() |
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: input_output | hotel | portfolio de fotografia | flickr | pesquisa musical diária | pesquisa plástica ::
:: catarses musicais inativas :: pelicano | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::
sexta-feira, 2 de março de 2012

"John
e eu escrevemos as canções uma semana antes do estúdio. Brian telefonou
e disse: 'Estarão no estúdio na próxima semana. Têm uma semana de
folga. Mas vocês têm de escrever o álbum.' Tínhamos de escrever uma
canção por dia para que tivéssemos sete ou mais músicas, que era o
suficiente para começar. Entramos no estúdio, às 10 da manhã, e foi a
primeira vez que George e Ringo ouviram as músicas. Isso mostra como
eles eram bons. John e eu dissemos 'É assim: she loves you, yeah, yeah,
yeah...', ou o que fosse. E George fazia os acordes. E fazia: 'Hã, hã'.
Nenhum comentário, era algo como 'Vá em frente, estou entendendo. Porque
sou um de vocês. Eu não escrevi, mas entendo o que fez.' Ringo apenas
ficava por ali com suas baquetas." (Paul McCartney, cavalo no horóscopo chinês)
"O Buda, o Dharma e a Sangha não devem ser simples ideias se queremos evoluir. Juntamente com aquela declaração, a pessoa precisa praticar, precisa ser capaz de tocar e reconhecer a natureza da iluminação dentro dela mesma; caso contrário, não será uma prática, será apenas uma declaração, nada mais que uma ideia. A prática deve ser contínua, todos os dias da nossa vida, e o trabalho de transformação deve ser feito todos os dias. Então não é apenas um problema de crença, de proteção, mas de prática. O Dharma é para ser praticado. Uma simples declaração não ajuda muito. É fundamental que vivam conforme a afirmação que fizeram." (Thich Nhât Hanh)
quinta-feira, 1 de março de 2012
Trechos livremente traduzidos e recortados por mim do livro 'O martelo das bruxas', a bíblia dos inquisidores misóginos:
Existem três coisas no homem: vontade, entendimento e corpo. A primeira delas é controlada por Deus (o coração do Rei está nas mãos do Senhor), a segunda é iluminada por um Anjo e a terceira é guiada pelos movimentos das estrelas. Como os demônios não conseguem efetuar mudanças sobre o corpo, e isso é frequentemente provado, a eles sobra o poder para provocar amor ou ódio na alma. Quem acredita que qualquer pessoa pode ser transformada para melhor ou para pior, ou até em alguma outra coisa, sem ser por obra do Criador, é pior que um pagão e que um herético. O demônio pode enxergar nossos pensamentos do fundo do coração, mas isso é contrário ao que diz o livro de Eclesiastes: "O diabo não pode enxergar nossos pensamentos. Nem todos os nossos maus pensamentos vêm do diabo, alguns surgem por nossa própria escolha." Somente Ele (conforme Santo Agostinho) é capaz de entrar na alma, pois foi Ele que a criou. O diabo não consegue diretamente afetar a vontade do homem, mas é capaz de agir sobre ela por meio da persusão, visível ou invísivel.
Existem três coisas no homem: vontade, entendimento e corpo. A primeira delas é controlada por Deus (o coração do Rei está nas mãos do Senhor), a segunda é iluminada por um Anjo e a terceira é guiada pelos movimentos das estrelas. Como os demônios não conseguem efetuar mudanças sobre o corpo, e isso é frequentemente provado, a eles sobra o poder para provocar amor ou ódio na alma. Quem acredita que qualquer pessoa pode ser transformada para melhor ou para pior, ou até em alguma outra coisa, sem ser por obra do Criador, é pior que um pagão e que um herético. O demônio pode enxergar nossos pensamentos do fundo do coração, mas isso é contrário ao que diz o livro de Eclesiastes: "O diabo não pode enxergar nossos pensamentos. Nem todos os nossos maus pensamentos vêm do diabo, alguns surgem por nossa própria escolha." Somente Ele (conforme Santo Agostinho) é capaz de entrar na alma, pois foi Ele que a criou. O diabo não consegue diretamente afetar a vontade do homem, mas é capaz de agir sobre ela por meio da persusão, visível ou invísivel.
Fé na medicina
(Contardo Calligaris)
(...) Na reforma proposta, o aborto não seria crime: "Por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade".
Só para começar, o requisito de que seja respeitada a vontade da gestante é uma ideia simpática, mas, infelizmente, problemática.
Há gestantes que suplicam para serem liberadas da gestação, cujas sensações lhes são intoleráveis. Algumas conseguem abortar, mas se culpam e entenebrecem até o fim da vida. Outras levam a gravidez a termo no desespero e no ódio ao feto que carregam como se fosse "Alien, o Oitavo Passageiro". Muitas dessas, no fim, choram de alegria e agradecem que ninguém as tenha escutado quando pediam para abortar.
Inversamente, uma mulher raramente pede para abortar no caso mais certeiro em que ela não teria "condições psicológicas" de ser mãe.
Lembro-me de uma mulher encontrada na banheira de sua casa, cantarolando e brincando com sua bebê morta afogada. Não é muito raro: entre uma e duas mulheres em cada mil partos passam por uma psicose puerperal -ou seja, uma psicose transitória desencadeada pelo parto. Entre elas, há mulheres que, recuperadas, tentam com sucesso outra gravidez. Quanto à mulher encontrada na banheira com seu brinquedo inerte, dois anos antes, ela tinha tido outro bebê, que morrera (misteriosamente) de "morte súbita", no berço.
Quando ela deixou o hospital (livre, pois na hora do infanticídio ela era incapaz de entender e querer), tentamos dissuadi-la de uma nova gravidez. Voltou meses depois, toda feliz, para mostrar à equipe que estava grávida de novo.
Os que viram aquela mulher brincando na banheira pensavam que deveríamos impor um aborto sem o consentimento da gestante. Os que não a viram pensaram que, no fundo, não havia como excluir completamente que a nova gravidez fosse o prelúdio de uma maternidade feliz. Hoje, não sei de que lado eu me situaria.
Naquele caso, os favoráveis ao aborto por falta de "condições psicológicas" podiam invocar os antecedentes e talvez prevalecessem num debate. Mas, na ausência de antecedentes, quem poderia mesmo constatar que uma mulher "não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade"?
Em tese, o psiquiatra e, mais ainda, o psicólogo (porque, numa avaliação prognóstica, é útil recorrer a testes projetivos e de inteligência emocional e cognitiva). Mas não vai ter briga: psiquiatras e psicólogos só lutarão por essa duvidosa prerrogativa se eles precisarem muito pagar as contas do fim do mês.
Obviamente, "o médico" (genérico), sugerido pelo texto da proposta, não teria treino algum para avaliar psicologicamente as gestantes.
Mas se entende que, no texto da proposta, "o médico" não é mencionado por sua suposta competência; ele é invocado como a entidade para a qual delegamos nossa incômoda liberdade moral. Algo assim: não sabemos se, quando e como o aborto deveria ser criminalizado ou não, mas chamem o médico, e que ele decida, na base de suas avaliações "científicas".
Ou seja, não vamos discutir, entre nós ou dentro de nós, sobre o que é certo e o que é errado; é muito mais fácil remeter nossa vida nas mãos de quem nos diz o que é "saudável" ou não.
Flávio Ferreira:
(Contardo Calligaris)
(...) Na reforma proposta, o aborto não seria crime: "Por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade".
Só para começar, o requisito de que seja respeitada a vontade da gestante é uma ideia simpática, mas, infelizmente, problemática.
Há gestantes que suplicam para serem liberadas da gestação, cujas sensações lhes são intoleráveis. Algumas conseguem abortar, mas se culpam e entenebrecem até o fim da vida. Outras levam a gravidez a termo no desespero e no ódio ao feto que carregam como se fosse "Alien, o Oitavo Passageiro". Muitas dessas, no fim, choram de alegria e agradecem que ninguém as tenha escutado quando pediam para abortar.
Inversamente, uma mulher raramente pede para abortar no caso mais certeiro em que ela não teria "condições psicológicas" de ser mãe.
Lembro-me de uma mulher encontrada na banheira de sua casa, cantarolando e brincando com sua bebê morta afogada. Não é muito raro: entre uma e duas mulheres em cada mil partos passam por uma psicose puerperal -ou seja, uma psicose transitória desencadeada pelo parto. Entre elas, há mulheres que, recuperadas, tentam com sucesso outra gravidez. Quanto à mulher encontrada na banheira com seu brinquedo inerte, dois anos antes, ela tinha tido outro bebê, que morrera (misteriosamente) de "morte súbita", no berço.
Quando ela deixou o hospital (livre, pois na hora do infanticídio ela era incapaz de entender e querer), tentamos dissuadi-la de uma nova gravidez. Voltou meses depois, toda feliz, para mostrar à equipe que estava grávida de novo.
Os que viram aquela mulher brincando na banheira pensavam que deveríamos impor um aborto sem o consentimento da gestante. Os que não a viram pensaram que, no fundo, não havia como excluir completamente que a nova gravidez fosse o prelúdio de uma maternidade feliz. Hoje, não sei de que lado eu me situaria.
Naquele caso, os favoráveis ao aborto por falta de "condições psicológicas" podiam invocar os antecedentes e talvez prevalecessem num debate. Mas, na ausência de antecedentes, quem poderia mesmo constatar que uma mulher "não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade"?
Em tese, o psiquiatra e, mais ainda, o psicólogo (porque, numa avaliação prognóstica, é útil recorrer a testes projetivos e de inteligência emocional e cognitiva). Mas não vai ter briga: psiquiatras e psicólogos só lutarão por essa duvidosa prerrogativa se eles precisarem muito pagar as contas do fim do mês.
Obviamente, "o médico" (genérico), sugerido pelo texto da proposta, não teria treino algum para avaliar psicologicamente as gestantes.
Mas se entende que, no texto da proposta, "o médico" não é mencionado por sua suposta competência; ele é invocado como a entidade para a qual delegamos nossa incômoda liberdade moral. Algo assim: não sabemos se, quando e como o aborto deveria ser criminalizado ou não, mas chamem o médico, e que ele decida, na base de suas avaliações "científicas".
Ou seja, não vamos discutir, entre nós ou dentro de nós, sobre o que é certo e o que é errado; é muito mais fácil remeter nossa vida nas mãos de quem nos diz o que é "saudável" ou não.
Flávio Ferreira:
(...) Apesar desse movimento do debate
psiquiátrico forense, agora aparece alguém novamente querendo dar mais
poder ao psiquiatra, e como se este fosse capaz de decidir o futuro de
duas vidas. Já tive casos de pacientes que os sintomas psiquiátricos,
psicóticos ou não, tornaram-se menos intensos após o nascimento do
filho. Já tive pacientes que tomaram medicações psiquiátricas durante
toda a gestação, pois era impossível suspender, e as crianças nasceram
normais. Já vi casos que a família tornou-se mais unida após o
nascimento da criança. Ou seja, não é possível afirmar os impactos que
uma gestação provocará na vida de uma mulher.
E o possível conflito emocional na
relação médico-paciente, que uma medida como essa pode provocar caso um
médico permita a realização do aborto? E depois, já fora do “surto”,
com essa paciente culpando seu médico pelo filho que lhe foi retirado?
Uma tragédia na sala de espera.
Crítico do tamanho do poder psiquiátrico
que a sociedade construiu, Foucault, ironizou, em um de seus seminários
em janeiro de 1974: "Me dê seu sintoma e eu removerei sua culpa."
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
"Nossa cultura ocidental, hoje globalizada, enfatizou tanto o yang que tornou anêmico o yin. Por isso, permitiu que o racional recalcasse o emocional, que a ciência se inimizasse com a espiritualidade, que o poder negasse o carisma, que a concorrência prevalecesse sobre a cooperação e a exploração da natureza descurasse o cuidado e o respeito devidos. Este desequilíbrio originou o antropocentrismo, o patriarcalismo, a pobreza espiritual, a cultura materialista e predadora e a atual crise ecológica global. Somente com a integração da força do yin, corrigindo a exacerbação do yang, podemos proceder às correções necessárias e dar um novo rumo ao nosso projeto planetário." (Leonardo Boff)
"As pessoas cujas vidas têm sido infelizes ou cheias de atos
vergonhosos geralmente ficam esmagadas pelo grande peso do seu
passado e é difícil para elas recomeçarem. Mas não
são os erros que arruínam uma pessoa, é o constante
pensar sobre eles. Seja quão maravilhosa tenha sido sua vida
no passado, quando o presente não é bom, simplesmente
não é bom. E também é verdadeiro que seja quão
infeliz ou vergonhosa sua vida tenha sido no passado, se
você está bem agora, você está bem. Se você se desanima
por causa dos enganos passados, isto, na verdade, depende
de sua atitude atual em relação a eles. Você tem que
aceitar que o seu passado fez o que você é, mas não
determina como viver o presente. Assim não existe
realmente uma má experiência. É importante ser capaz de
aceitar essas experiências como valiosas, digeri-las para
que se tornem alimento do presente. Se pessoas de muita
idade ou doentes com pouca esperança no futuro compararem
sua fragilidade presente com o vigor de sua juventude, apenas se
tornariam mais frágeis, tristes. Não é sábio
comparar."
(Shundo Ayoama)
"A prática da meditação não é para polir o espírito, não é para limpar a mente, não é para esvaziar nada. É tornar-se uno com nosssa essência verdadeira, com aquele Eu imenso que contem todos os sentimentos, emoções, percepções, formações mentais, consciência e a forma física. Retornar à verdade e ao caminho é retornar à vida. Assim falamos em renascer. Deixar morrer ideias abstratas e fantasiosas sobre estar separado do tudo e dos outros e perceber a sabedoria suprema presente em todos os seres, vivenciá-la, tornar-se uno com todos os Budas e Ancestrais do Darma." (Monja Coen)
Certo dia um jovem aspirante pediu ao Mestre Zen que aquietasse sua mente. O Mestre disse:
— Traga sua mente aqui, entregue-a a mim e eu a aquietarei.
O jovem saiu procurando pela mente. Onde estaria? Seriam pensamentos, memórias? Seriam silêncios e quietude? Seriam sonhos e pesadelos? Seria feita de palavras, conceitos? Seria apenas a massa encefálica, a matéria? O jovem pensava e não pensava. Cada vez que acreditava ter apanhado a mente, percebia que ela fugia, que já estava em outro pensamento, em outra ideia. Que o próprio conceito se desfazia. Cansado, voltou a procurar o Mestre e disse:
— Senhor, é impossível apanhar a mente.
O Mestre disse com alegria:
— Pois então, já está aquietada.
— Traga sua mente aqui, entregue-a a mim e eu a aquietarei.
O jovem saiu procurando pela mente. Onde estaria? Seriam pensamentos, memórias? Seriam silêncios e quietude? Seriam sonhos e pesadelos? Seria feita de palavras, conceitos? Seria apenas a massa encefálica, a matéria? O jovem pensava e não pensava. Cada vez que acreditava ter apanhado a mente, percebia que ela fugia, que já estava em outro pensamento, em outra ideia. Que o próprio conceito se desfazia. Cansado, voltou a procurar o Mestre e disse:
— Senhor, é impossível apanhar a mente.
O Mestre disse com alegria:
— Pois então, já está aquietada.
O Grande Silêncio é o nome de um documentário de 160 minutos, lançado em 2005, que retrata a vida da comunidade dos monges cartuxos em Isère, França, produzido por Phillipe Gröning. É uma meditação silenciosa sobre a vida monástica. Sem música à exceção dos cânticos do mosteiro, sem entrevistas ou quaisquer comentários. Evoca a passagem do tempo, das estações, o dia dos monges e as orações. É um filme sobre a presença do absoluto na vida de homens que dedicam a sua existência a Deus, no grande silêncio. O próprio cineasta diz que saiu mudado depois dos seis meses vividos no mosteiro. (Fernando Altemeyer Junior)
"Como os astrofísicos e os cosmólogos nos asseguram, o universo está ainda em gênese, em processo de expansão e de auto-criação. Há uma Energia de Fundo que subjaz a todos os eventos, sustenta cada ser e ordena todas as energias para frente e para cima rumo a formas cada vez mais complexas e conscientes. Nós somos uma emergência criativa dela. Ela está sempre em ação mas se mostra especialmente ativa em momentos de crise sistêmica quando se acumulam as forças para provocar rupturas e possibilitar saltos de qualidade. É então que ocorrem as 'emergências': algo novo, ainda não existente mas contido nas virtualidades do Universo." (Leonardo Boff)
"Swami Vivekananda dizia: 'É melhor ser um ateu sincero do que um hipócrita.' Por toda a minha vida eu ouvi que deveria apenas acreditar no que eles diziam, e não para ter uma experiência direta. Para mim, ir para a Índia e ouvir alguém dizer 'Você não pode acreditar em alguma coisa até que tenha uma percepção clara dela' foi fantástico. Finalmente encontrei alguém que faz algum sentido. Então eu queria me aprofundar cada vez mais." (George Harrison)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Shunyata, ou vacuidade, é um sinônimo para a origem dependente. A origem dependente é provavelmente o ensinamento Budista mais importante e em essência afirma que todas as coisas, quer sejam materiais ou mentais, surgem, subsistem e desaparecem de acordo com causas e condições.
Nenhum tipo de coisa existe de forma autônoma, independente de causas e condições. Essas causas e condições são internas e externas. Por exemplo, uma árvore depende para sua sobrevivência do seu tronco, raízes, galhos e folhas, que são as suas condições internas, mas também a árvore depende da terra, do sol, do abastecimento de água e das condições climáticas de uma forma geral para a sua sobrevivência, essas são as condições externas. Sem estar suportada por essas condições a árvore não existe, o que leva à conclusão de que a árvore em si é vazia.
Uma outra forma de análise é observar que as condições internas na verdade são partes nas quais a árvore pode ser dividida e ao dividir a árvore em partes, não há nada nessas partes que contenha em si a característica de árvore. A idéia da árvore é um conceito criado pela mente a partir da união daquelas partes e assim sendo a árvore em si é vazia.
Então, não é que o Budismo negue a existência das coisas, mas o que é negado é que as coisas possuam algum tipo de existência independente, autônoma. Se as coisas tivessem uma existência autônoma então o mundo seria estático, permanente. É evidente que esse não é o caso. Como as coisas são desprovidas de uma existência independente, autônoma, e dependem de causas e condições para se manifestar, é dito que as coisas são vazias, vazias de uma existência inerente. E justamente pelo fato das coisas serem vazias que a mudança é possível. As coisas mudam quando as condições das quais elas dependem mudam. Esse entendimento é o que viabiliza toda a prática Budista pois o caminho Budista trata da mudança, da transformação dos estados mentais inábeis, ou prejudiciais, em estados mentais hábeis, ou benéficos.
(Michael Beisert)
Nenhum tipo de coisa existe de forma autônoma, independente de causas e condições. Essas causas e condições são internas e externas. Por exemplo, uma árvore depende para sua sobrevivência do seu tronco, raízes, galhos e folhas, que são as suas condições internas, mas também a árvore depende da terra, do sol, do abastecimento de água e das condições climáticas de uma forma geral para a sua sobrevivência, essas são as condições externas. Sem estar suportada por essas condições a árvore não existe, o que leva à conclusão de que a árvore em si é vazia.
Uma outra forma de análise é observar que as condições internas na verdade são partes nas quais a árvore pode ser dividida e ao dividir a árvore em partes, não há nada nessas partes que contenha em si a característica de árvore. A idéia da árvore é um conceito criado pela mente a partir da união daquelas partes e assim sendo a árvore em si é vazia.
Então, não é que o Budismo negue a existência das coisas, mas o que é negado é que as coisas possuam algum tipo de existência independente, autônoma. Se as coisas tivessem uma existência autônoma então o mundo seria estático, permanente. É evidente que esse não é o caso. Como as coisas são desprovidas de uma existência independente, autônoma, e dependem de causas e condições para se manifestar, é dito que as coisas são vazias, vazias de uma existência inerente. E justamente pelo fato das coisas serem vazias que a mudança é possível. As coisas mudam quando as condições das quais elas dependem mudam. Esse entendimento é o que viabiliza toda a prática Budista pois o caminho Budista trata da mudança, da transformação dos estados mentais inábeis, ou prejudiciais, em estados mentais hábeis, ou benéficos.
(Michael Beisert)
"O Budismo não ensina a reencarnação, o Budismo acredita no renascimento. A reencarnação é a idéia da existência de um espírito separado do corpo; com a morte do corpo esse mesmo espírito reassume uma outra forma material e segue evoluindo. O renascimento na concepção Budista não é a transmigração de um espírito, de uma identidade substancial, mas a continuidade de um processo, um fluxo do devir, no qual vidas sucessivas estão conectadas umas às outras através de causas e condições. Esse processo ou fluxo não ocorre apenas com a morte mas está presente constantemente nas nossas vidas. Nós estamos em constante mudança, com cada momento nas nossas vidas surgindo na dependência do momento anterior, que deixou de existir. É um pouco parecido com a correnteza de um rio, a correnteza fluindo continuamente sem cessar. Não é possível entrar no mesmo rio duas vezes. Podemos ilustrar o renascimento com um símile, é como se a chama de uma vela fosse empregada para acender uma outra vela e nesse processo a primeira vela fosse apagada. A chama da segunda vela surgiu na dependência da primeira vela, ou seja,
tem uma conexão com ela, mas a chama da segunda vela não é idêntica à primeira. Então, as duas chamas possuem uma ligação mas não são idênticas. Imagine as ondas de rádio. As ondas de rádio não são compostas de palavras ou notas musicais mas de energia em distintas freqüências que são transmitidas através do espaço e atraídas e capturadas por um receptor no qual se manifestam como palavras e música. Algo similar ocorre com a consciência. Ao morrer, a energia mental cruza o espaço e se une ao esperma e o óvulo para formar o novo ser. O zigoto e a consciência se desenvolvem através de uma relação de mútua dependência e influência." (Michael Beisert)
O presidente do Conselho Federal de Medicina, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (ver), declarou o seguinte: "Como tratarão neuroses, esquizofrenia? Só com papo e conversa? De jeito nenhum. Essas doenças são causadas por deficiências bioquímicas, e os pacientes precisam de medicamentos." O Conselho Federal de Psicologia publicou uma nota de repúdio (ver). (Adriel)
Assinar:
Postagens (Atom)












