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sábado, 31 de dezembro de 2011

"Talvez tenha algo relacionado à abordagem de Malick. Ele entrega seu filme logo no primeiro instante a um vórtice de misticismo, simbolismo, intimismo: Terrence caminha para o abismo sem medo. A Árvore da Vida não faz concessões a Seu Ninguém: Quem quiser que embarque no que ele tem para dizer – e, primo, é muita coisa." (Victor Bruno)
Meek’s Cutoff (Kelly Reichardt, 2009)
4/5

(Victor Bruno)

Quanto mais longe da água, mais precária é a vida. A lógica é mais antiga que o Tempo e praticamente é a força motriz deste Meek’s Cutoff. Também pudera: O filme aborda um grupo de pioneiros norte-americanos no meio do século XIX que estão atravessando o deserto do Oregon rumo ao Oeste liderado por um porra-louca falastrão e arrogante que não faz a menor ideia de onde estão, onde ficarão e muito menos se algum dia chegarão ao lugar deles.

E desde o início, a brilhante diretora Kelly Reichardt nos põe bem no meio da ação do filme, o que implica dizer que estamos sempre juntos às personagens. Desde o primeiro fotograma de Meek’s Cutoff, o público tem a certeza que os pioneiros que a história segue não são nada além de um produto do meio: Se estão irritados, é por que não estão longe de onde querem ir, mas sim por que estão longe do mínimo de condição humana de vida. Se estiverem mais calmos, é por que têm a certeza de que ali é um lugar minimamente habitável. Mas em nenhum momento o público deve pensar que eles estão conformados com a situação de merda em que se encontram.

Narrando seu filme de forma bastante direta e objetiva, a diretora Reichardt em nenhum momento, mas nenhum momento mesmo; resolve enganar seu público, ou fugir da proposta inicial que elaborou. Apesar de se passar no meio do século XIX, Meek’s Cutoff está longe de ser um Western: Não há tiros, não há machões, não há índios assaltando trens ou putas se oferecendo para o xerife que sempre está com as mãos na fivela do cinto enquanto cospe fumo mascado. Longe disso: Ao enquadrar seu filme num aspecto de proporção 1.33:1 – bastante atípico para os filmes atuais, usualmente fotografados em uma janela widescreen 2.35:1 – Reichardt nos confina num inferno vivo. Como nosso campo visual está bastante limitado por uma janela visual quase quadrada, só se vê o essencial: As personagens e como elas transitam no meio. Reichardt evita firulas visuais, não há contraluzes espetaculosos (exceto uma vez), não há elaborados e virtuosos movimentos de câmera – e devo dizer que suspeito se houve iluminação senão aquela diegética, uma vez que mesmo nas cenas noturnas nada é visto, a não ser se alguém estiver iluminado. Por exemplo, em determinado momento, logo no início do filme, escutamos um diálogo entre a Sra. White (Shirley Henderson) e seu marido, William White (Neal Huff). Atente: nós apenas escutamos, mas não vemos – só sabemos que há alguém ali por que a Sra. White está iluminando a cena com uma pequena lamparina. (E é realmente um milagre podermos ver aquela lamparina, o que imediatamente me obriga a parabenizar a fotografia de Christopher Blauvelt.)

E por que isso é importante? Muito simples: No momento em que Reichardt nos obriga a ver/sentir apenas o que os tropeiros do filme vêem/sentem, imediatamente nós somos postos na mesma situação agonizante que aqueles pobres coitados – algo fundamental para o êxito do filme: Já que estamos vendo a história de gente ferrada no meio do deserto, nós precisamos saber o que eles estão vivendo. Então, mesmo que a fotografia quase nunca se movimente ou evite brincadeiras que virariam mera perfumaria estética, ela jamais se torna mera observadora passiva do filme: Ela se torna uma personagem ativa. E a lógica de Reichardt é realmente louvável (ainda que eu, pessoalmente, considere bastante arriscada): Se os tropeiros estão parados, por que deveríamos estar nos movimentando? Para evitar o tédio? Não, não: O tédio faz parte da história.

Só que ao mesmo tempo em que é interessante que nós sintamos o tédio que eles estão sentindo, parece que Reichardt se esquece que somos o público, e o público não quer passar tédio. Logo, logo, a falta de moção do filme acaba cansando o espectador, tamanha a auto-indulgência da diretora – que também é montadora. E se ela é montadora então fodeu, amigo, agora é que estamos à mercê das mãos dela. E é assim, desta forma, que todo aquele aspecto interessante daquela contemplatividade que Kelly Reichardt insistia se quebra. E logo o desespero que vemos Millie Gately (Zoe Kazan, neta de Elia) sentir não é compartilhado por nós, e acaba se tornando algo simplesmente natural e lógico – o que é fatal para um filme de cunho sensorial como Meek’s Cutoff.

Por outro lado, nós não devemos desprezar esses momentos em que as personagens se entregam aos seus mais profundos sentimentos, o que uma hora ou outra vai acontecer. E o interessante é que estes momentos vão sendo construídos de forma gradativa ao longo da trama, mesmo que estejam óbvios desde o primeiro segundo. Por exemplo, é incrível como os tropeiros seguram a vontade de matar seu guia, Stephen Meek (que dá título ao filme, interpretado pelo talentoso Bruce Greenwood) até o último instante do filme – e mesmo assim, a figura mais violenta da trama seja Emily Tetherow (Michelle Williams), uma mulher – figura relegada ao papel de sentimental nos Westerns, mas que aqui funciona como uma figura absorvente de todas as emoções sentidas durante a estória, sejam elas do público, sejam elas dos próprios personagens.

Ainda desta forma, muito pouco é dito pelos personagens do filme. A maioria das ações fica relegada ao olhar ou as expressões dos personagens – ou mesmo a pequenos artifícios da diretora, como vestir Stephen Meek com uma roupa vermelha-sangue, simbolizando o perigo que aquele homem é para si mesmo e para todos que o cercam. E isso é interessante por que à medida que passa, as situações ficam cada vez mais ambíguas: Aqueles homens são realmente capazes de seguir Stephen, uma pessoa que claramente não faz a menor idéia de onde vai? Porque fica estampado na testa cabeluda dele que o homem não sabe de absolutamente porra nenhuma: Toda vez que é perguntado, responde “Não sei, talvez”; “É possível”, ou algo que o valha.

De um jeito ou de outro, a auto-indulgência de Reichardt é o fator que mais tira pontos do filme. São necessárias uma hora e treze para que finalmente o índio que põe ainda mais em risco a integridade de todos apareça para trazer novo ar a trama – e ainda assim sua figura parece ser descartável, uma vez que em momento algum autoridade de Meek quanto a liderança é expressamente posta em risco – ainda que nós saibamos que é o índio quem manda agora. Talvez sua função seja a seguinte: Num microcosmo instável como o da caravana do filme, a figura do índio sirva para cristalizar tudo aquilo que é diferente – sejam diferenças culturais, ideológicas ou simplesmente um fator estranho. Stephen Meek fala de crueldades que os índios já fizeram e que ele supostamente já testemunhou, como arrancar as pálpebras de um homem e o forçar a olhar o sol enquanto prendem sua cabeça, mas segundos depois começa a surrar seu prisioneiro. Talvez seja obviedade sendo mostrada, mas também pode ser de uma genialidade incrível. A tênue linha que separa a sinceridade da dúvida foi magistralmente traçada por Reichardt. Mas como você já deve ter percebido, eu mesmo já estou em dúvidas quanto as qualidades de Meek’s Cutoff. E a verdade é que eu passei o filme inteiro com interrogações na cabeça. Ora é um filme genial, ora um exercício de estilo tedioso. E o final elaborado pelo filme confirma apenas a incrível pretensão da historinha de Kelly Reichardt. Mas isso é o que menos importa.
"Another Earth" é um exemplo puro do que é cinema independente. Falo de filmes onde normalmente há poucos recursos financeiros mas que com criatividade e uma boa história para contar sobressaem. Este foi filmado em digital, câmera ao ombro durante todo o filme, é a primeira obra deste jovem realizador/autor, cuja parceira além de protagonizar o papel principal também co-escreveu o argumento com o realizador e ambos produziram o filme pelos seus próprios meios. Por exemplo, um facto visível e curioso é a casa escolhida onde se passa grande parte deste drama, ser da própria familia do realizador (da mãe dele).


Brit Marling, "her beauty is incidental to her grave and controlled performance. She’s impeccably in tune with Rhoda; every action feels true."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A little card to all of you...

       
Eliane Brum, na revista Época:

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”. 
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer. 
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem, e que tudo pode, significa dizer ao seu filho que você não confia nele, nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ano passado eu não fiz aquela retrospectiva "de diário"; agora vou fazer. Bom sinal até, de que eu estou, hoje, com a serenidade necessária, sem a depressão impeditiva. Em 2011 eu parei de beber álcool - que eu só bebi em 2010, na minha vida inteira; e já havia parado em 2010 com os cigarros. Isso e a psicoterapia e o budismo me fizeram dar um passo destacado em direção à maturidade, ao conceito psicológico e filosófico de adultez, ao autoconhecimento ativo. Estou cada vez mais no momento presente, e lembrando que o sofrimento é condição inerente, e que a raiva é irracional e passa. Este ano abri um SoundCloud e um MixCloud (para programas "de rádio") e um MusicBox e fechei um Orkut, além de abandonar o Messenger e o Skype. Enfeitei a casa com lindas fotografias: leão, lince, guepardo, Grace Zabriskie, Joseph Campbell, Lee Ranaldo, Thurston Moore, PJ Harvey, Charlotte Gaisbourg, Lars Von Trier; além de três pinturas: duas do Andrew Wyeth e uma Nurse do Richard Prince. Montei o equipamento musical na sala, comprei fones de ouvido profissionais (presente de Natal), gravei três discos do input_output. Angela Francisca está em processo crescente de mudança para cá; no Natal, trouxemos a mesa da cozinha para a sala e ali a deixamos; temos roupas de cama novas, um projetor, um ventilador novo e dois aquecedores - um de lâmpada e um de ventinho. Consolidei minha condição de pedestre, com convicção e prazer. Agora no fim do ano foi gravado o 'Terceiro andar' do Hotel, e talvez um embrião de banda esteja sendo formado. Não toquei coletivamente de outra forma em 2011. No carnaval, o toquei o input_output ao vivo sozinho pela primeira vez, e a formação de banda desse projeto havia sido a minha última banda. A apresentação continha projeção de vídeo com fotografia interposta. Consolidei minha situação de não-adepto dos eventos sociais noturnos, principalmente por causa do uso generalizado de álcool (e cigarro) e da desregulação do relógio biológico semanal. Descobri o Torrent e comprei um HD externo de meio terabyte, de modo que pude acompanhar os filmes considerados melhores do ano, as últimas temporadas do Dexter (e as primeira de In Treatment e Dollhouse) e uma penca de filmes de perturbação extrema, além de levar minha sempre crescente coleção de MP3 para onde eu ia. Amo cada vez mais a Angela Francisca e os nossos gatos - a Cvalda, o Pretinho e o Pequeno - e estou aprendendo a amar a mim mesmo, a não esquecer às vezes de mim. Reforçou-se, com dois meses de greve, a importância para mim da função de atender o balcão da vara, de conviver com os amigos advogados, advogadas, estagiários, estagiárias, reclamantes, e poder atendê-los bem. O estudo dos limites humanos não se restringiu ao cinema: comprei os livros da Natascha Kampusch, da Mary Bell e do Lionel Shriver. Adaptei-me com o MacOS e dele estou gostando bastante. Acompanhei com alegria o 30º e último ano das excepcionais bandas R.E.M. e Sonic Youth. Visitei a Bienal de São Paulo pela primeira vez. Depois da visita, tive um surto psicológico que foi muito importante para a não-ocorrência de outros dali para frente. Regozijei-me por comer sashimi e temaki de primeira qualidade e preço bom, na Japesca do Mercado Público. Fui Campeão Mundial de Pong para telefone celular, depois que adquiri meu primeiro smartphone, que me deixo com internet à mão a qualquer momento, em qualquer lugar. Comuniquei-me mais e melhor com o meu pai, tendo orgulho dele e da minha mãe, além da sempre crescente amizade com os meus irmãos Luan e Lucca.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Compensação da greve no recesso
Quarto dia
Setlist do DJ Shuffle

Julee Cruise - Nighthingale
Elbow - Little beast
Cat Power - Evolution
Planet Hemp - Quem tem seda
Frank Poole - Infanticídio
Pink Floyd - Wish you were here
Will Oldham (Bonnie "Prince" Billy) - Be still and know God (don't be shy)
Deus E O Diabo - Liga pra mãe
Magic Man - Monster
Lou Reed & John Cale - Trouble with classicists
Martina Topley-Bird - Poison
Gonjasufi - Sheep
Antony & The Johnsons - Hitler in my heart
The Raincoats - You're a million
Pena Branca & Xavantinho - O cio da terra
Bessie Smith - Reckless blues
Fantômas - 4-4-05
Ultramen - A escrita da vida é uma escritura dos tempos
Monovida - Não acredito em mecânicos
Patti Smith - Beneath the southern cross
Clinic - J.O./love is just a tool
Mclusky - Lightsaber cocksucking blues
The Smashing Pumpkins - Ava adore
Mão Morta - A poesia
Neil Young - Southern man
Barry Adamson - The sweetest embrace
Black Sabbath - Paranoid
Los Tres - Largo
Blonde Redhead - Oslo
Engenheiros do Hawaii - Negro amor
Talking Heads - Crosseyed and painless
Jason Lytle - I am lost (and the moment cannot last)
Lenine - Envergo mas não quebro
Katy B - Witches brew
Pan Sonic - 02:21
Nina Nastasia - You're a holy man
Titãs - Igreja
Joni Mitchell - The dawntreader
Stars - In our bedroom after the war
Monsters Of Folk - Say please
Keren Ann - Liberty
Be Your Own Pet - Blow yr mind
T.a.t.y. - Links 2 dry 4 (Rammstein mix)
Arcade Fire - Month of may
Best Coast - Boyfriend
Chemical Brothers - Setting sun
Beck - Novacane
The Lounge Lizards - One big yes
Thelonious Monk - Monk's mood
Brad Mehldau - Everything in its right place
Ry Cooder - Nothing out there
Autolux - Turnstile blues

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

"Um ser humano é parte de um todo chamado por nós de Universo, é uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experiencia a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos, como alguma coisa separada do resto - uma espécie de ilusão de ótica de sua consciência. Essa ilusão é uma forma de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas poucas pessoas próximas. Nossa tarefa deve ser a de nos libertarmos dessa prisão, alargando nossos círculos de compaixão para envolver todas as criaturas vivas e o todo da natureza em sua beleza." (Albert Einstein)
"Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso que disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo." (Siddartha Gautama)
"O apego é uma das maiores ilusões. Apegar-se a quê, a quem, para quê, se tudo é transitório, se tudo é passageiro? O apego é uma das fontes de maior sofrimento. Somente com o desapego é que podemos ter o que é da alma. Porque nós não temos. Nós simplesmente somos. Somos o que somos." (Ingrid Dalila Engel)

"As Quatro Nobres Verdades são: 1- a Nobre Verdade da existência de Dukka (sofrimento); 2- a Nobre Verdade da origem de Dukka; 3- a Nobre Verdade da cessação de Dukka; 4- a Nobre Verdade do caminho para a cessação de Dukka. O sofrimento é, pois, segundo todos os princípios budistas, a base permanente da nossa existência, uma constante da nossa vida neste plano espiritual. Se refletirmos um pouco nesta Primeira Verdade, perceberemos que o stress e a preocupação, ou seja, o sofrimento é o fator dominante do nosso dia-a-dia, mesmo os momentos de maior felicidade não são vividos plenamente pelo medo do seu desaparecimento. No fundo, o apego não é mais que uma emoção destrutiva que nos impede de desfrutar plenamente o momento presente." (Isabel bodhisattva)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Como você pretende que as coisas mudem se você sempre age da mesma maneira?" (Albert Einstein)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Certa vez, perguntaram ao Buda: "O que você e seus discípulos praticam?"
Ele respondeu: "Nós nos sentamos, nós andamos e nós comemos."
A pessoa que havia feito a pergunta ficou confusa.
"Todo mundo não se senta, anda e come?", perguntou.
"Sim", respondeu o Buda, "mas quando nos sentamos, sabemos que estamos nos sentando. Quando andamos, sabemos que estamos andando. Quando comemos, sabemos que estamos comendo."
Essa é a essência da vida consciente.

Se você for visitar Plum Village, o centro de meditação zen do monge vietnamita Thich Nhat Hanh, no sul da França, irá notar que sinos de conscientização tocam o dia todo para lembrar a todos de diminuir o ritmo/ dar um tempo e prestar atenção no momento presente. Sempre que o gongo soa, todos param o que estiverem fazendo, respiram três vezes e praticam um momento de conscientização.

(Isabella Benício e Eloísa Vargas)
"Os nós interiores são um conjunto de ilusões, repressões, medos e ansiedades que se fixaram nas profundezas de nossa consciência. Eles são capazes de nos constranger e nos levar a fazer, dizer e pensar coisas que na realidade não queremos fazer, dizer ou pensar. Os nós interiores são plantados e alimentados por nossa ausência da mente alerta durante a vida de todo dia. Os dez nós interiores principais são: ganância, ódio, ignorância, vaidade, desconfiança, fixação no corpo como se fosse o eu, pontos de vista extremados e preconceitos, apego a ritos e rituais, ânsia de imortalidade, desejo ardente de manter as coisas exatamente como são. Nossa saúde e nossa felicidade dependem em grande parte de nossa habilidade de transformar esses dez grilhões." (Thich Nhât Hanh)
A atitude de festejar a morte também está presente na cultura japonesa. “Povoado do Moinho”, o último episódio do filme Sonhos (1992), do diretor japonês Akira Kurosawa, exibe o confronto entre a antiga concepção de morte, expressa nos ritos funerários do vilarejo, e a nova, ocidentalizada, representada por um forasteiro que assiste à cerimônia. O cortejo segue, alegre, pelas ruas do povoado. Crianças, jovens e adultos cantam e dançam durante todo o trajeto do enterro. Eles celebram a morte de uma das mulheres mais velhas da aldeia. O clima de festa surpreende o forasteiro, acostumado – como nós – à atmosfera sombria de boa parte da liturgia funerária ocidental. Um velhinho centenário, então, explica ao rapaz que é uma honra encontrar a morte depois de uma existência tão plena como a daquela mulher. Por isso, tal fato merece comemoração. A história mostra como o fato de morrer pode ser encarado com serenidade e satisfação, como uma homenagem à própria vida que terminou ali.

O mundo ocidental transformou a morte em tabu: ela costuma ser ocultada das crianças e banida das conversas cotidianas. Tudo aquilo que possa lembrá-la – a enfermidade, a velhice, a decrepitude – é escamoteado. Os doentes morrem no hospital, longe dos olhos – e, não raro, do coração – de seus amigos e parentes. E os rituais de luto são cada vez mais rápidos e pragmáticos. O medo natural que todo ser humano sente diante da própria finitude vira pânico.

(ZenNoParque.wordpress.com)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Sobretudo nas últimas décadas, enfiamos presentes ou guloseimas goela abaixo das crianças, que elas os mereçam ou não, para vê-las satisfeitas e gratificadas (mesmo que seja só por um instante). Com que propósito? Esperamos que a fartura de nossos rebentos compense todas as nossas frustrações, passadas e presentes. Como nos envergonhamos dessa 'generosidade' narcisista, o jeito é fantasiá-la de Papai Noel: não somos nós que mimamos e estragamos nossas crianças, é um velhinho vestido de vermelho." (Contardo Calligaris)
Menos coisas, mais vida.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Compensação da greve no recesso
Terceiro dia
Setlist do DJ Shuffle

Mão Morta - Cristina vai às compras
Bright Eyes - Emily, sing something sweet
Throbbing Gristle - Persuasion
Scott Walker - On your own again
César Oliveira & Rogério Melo - Campeiros
Kría Brekka - Solush
AC/DC - Jack
Antony & The Johnsons - Frankenstein
Patti Smith & Kevin Shields - The coral sea
Smog - The candle
Avey Tare & Kría Brekkan - Sasong
Elbow - On a day like this
Michael Andrews - Signs
Oneohtrox Point Never - Replica
Marianne Faithfull - Desperanto
PJ Harvey - The mountain
COH - Starlust vs. Emc2
Sonic Youth - Calming the snake
The Beatles - Dear Prudence
Blackout Beach - Nineteen, one god, one dull star
Dave Gahan - Deeper and deeper
Sparklehorse - Box of stars (part two)
Charlotte Gainsbourg - Morning song
Destroyer - Crystal country
Warren Ellis - 3 pieces for violin #3
Jay Reatard - Nightmares
Pink Floyd - One of my turns
Bon Iver - Skinny love
Miles Davis & John Coltrane - Budo
Death Cab For Cutie - Dream scream
Tortoise & Bonnie "Prince" Billy - Daniel
Santogold - You'll find a way (Switch & Sinden remix)
Feist - Mushaboom
Cavalera Conspiracy - Bloodbrawl
Black Box Recorder - Weekend
Mirah - Bones & skin
Adrian Orange & Her Band - A flower's mine
Pink Floyd - The post war dream
My Morning Jacket - Into the woods
Roupa Nova - Dona
Passion Pit - Sleepyhead
Radiohead - A reminder
Fito Páez - Mariposa tecnicolor
Converge - Cutter
Nine Inch Nails - Demon seed
Hauschka - So close
Teebs - My whole life
Joni Mitchell - You dream flat tires
Papa M - The unquiet grave
Bidê Ou Balde - Mais um dia sem ninguém
Tricky - Ponderosa
The Slits - Cut track 5
Björk - Cvalda
Sonic Youth - La cabane au Zodiac
Rammstein - Keine lust
Black Kids - Hit the heartbreakers
Chills - Wet blanket
Nine Inch Nails - The beginning of the end (Ladytron remix)
Little Jimmy Scott - I wish I didn't love you so
Mastodon - Hearts alive

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Compensação da greve no recesso
Segundo dia
Setlist do DJ Shuffle

Regina Spektor - Wallet
Be Your Own Pet - Let's get Sandy (big problem)
Motion Sickness Of Time Travel - Day glow
Land Of Talk - Hamburg, noon
Belle And Sebastian - I'm a cuckoo
El Perro Del Mar - L is for love
Marc Ribot y Los Cubanos Postizos - No me llores mas
The Beatles - And I love her
Stevie Wonder - I just called to say I love you
Charlotte Gainsbourg - Af607105
Nine Inch Nails - Ghosts I
Dntel - (This is) the dream of Evan and Chan
Kría Brekkan - Giddy walks through sand witho
Björk & Antony - My juvenile
Leonard Cohen - Hey, that's no way to say goodbye
The New Pornographers - Broken breads
Death Cab For Cutie - All is ful of love
Shonen Knife - Insect collector
Erik Satie - Lent
Bob Dylan - The wicked messenger
Beck - Green light
Bumps - OK!!!
Pantha Du Prince - Bohemian forest
Os Mutantes - El justiciero
Tomb - Angel of destruction
Múm - Grasi vaxin göng
Blonde Redhead - Silently
Destroyer - Holly going lightly
Aidam John Moffat - Nothing in common
Patti Smith - Lo and beholden
Thom Yorke - Cymbal rush
Mirah - Look up!
Lobão - Panamericana
AC/DC - Show business
Bow Wow Wow - The man mountain
Maher Shalal Hash Baz - Seamless garment
Daniel Licht - Astor's birthday party
Photek - 101 (Boddika's Drum Machine mix)
Feist - Lonely lonely (Frisbee'd mix)
dEUS - Include me out
Yann Tiersen - Kein titel
Pink Floyd - In the flesh
Alva Noto - u_03
Natalia Lafourcade - Siempre prisa
PJ Harvey - Joy
Tom Waits - God's away on business
Nico Nicolaiewsky - Grande valsa triste
Absentee - The nures don't notice a thing
Califone - Black metal valentine
Jay Reatard - We who wait
Menomena - Muscle'n flo
Yo La Tengo - By two's
Kimya Dawson - Fire
David Grubbs - Theme from horizontal technico
Laura Finocchiaro - Rhythm of love (12#)
Isis - 20 minutes/40 years
Mastodon - The hunter
The Travelling Wilburys - She's my baby
The Decemberists - I was meant for the stage
Los Hermanos - A flor
Massive Attack - Splitting the atom
The Sex Pistols - Bodies
Infidel?/Castro! - Somnambulism
Sahara Hotnights - With or without control
Xuxa - Viver
Panasonic (Pan Sonic) - Radiokemia
Avey Tare & Panda Bear - La rapet
R.E.M. - Hollow man
Sigur Rós - Starálfur
Boris & Michio Kurihara - Rainbow
My Morning Jacket - Into the woods
Tindersticks - The hungry saw
Vic Chesnutt - Worst friend
O fascismo de cada dia 
(Adriel)

(...)

As atrocidades e crueldades que se cometem contra a vida em todas as suas manifestações, sejam elas humanas ou não, têm sido assustadoramente frequentes, tornando familiar e habitual o terror e o horror no cotidiano; de modo que, diante dos excessos, é a mídia quem tem determinado o espanto ou não das pessoas diante de cenários tão comuns.

O real já não mais espanta, o cheiro de morte no cotidiano já se tornou habitual às pessoas, e tem sido pela virtualidade dos meios de comunicação que a morte do dia-a-dia tem sido vivificada pelas pessoas que de momento se sentem horrorizadas. Horrorizadas até o amanhecer, quando a presença real das barbáries contra a vida passam a se constituir como mera paisagem durante o trajeto do trabalho, as reuniões de negócios e as compras no shopping.

O fascismo mais perigoso é aquele que se presta homenagem no dia-a-dia, preterindo uma situação inaceitável por outra. Dizer que os direitos humanos devam se sobrepor aos direitos dos animais ou vice-versa é substituir um modo de vida fascista por outro. E o nosso fascismo de cada dia tem sido tão sufocante que já se começa hierarquizar preferências entre barbáries para poder fazer escolhas do tipo “yorkishire espancado” ou “crianças africanas passando fome”. É necessário muita pobreza de espírito para começar a pensar que pessoas que estão sensibilizadas com o “yorkishire espancado” sejam a favor de outras barbáries.

O meio virtual tem se tornado um cenário onde as atrocidades muitas barbáries ganham suas formas de expressão das mais diversas maneiras “multimídicas”, mas quase sempre destituídas de forças para lutar. O facebook, por exemplo, tem sido uma rede social para duelos fascistas entre massas. Uma massa lança uma opinião aqui, outra lança uma contra-opinião ali, quando no fundo legitimam e dão voz a uma mesma lógica perversa.

Mas tão logo as pessoas caminham pelas ruas da cidade para que as expressões nas virtualidades se mimetizem como fazendo parte do próprio cenário urbano.

No fundo, as cristalizações microfascistas vão sendo substituídas por outras, e tem sido natural que um operário tenha que ter a obrigação de agradecer todos os dias porque tem um emprego com salário mínimo porque ainda há muito trabalho escravo no mundo.

Uma desgraça menos pior que a outra, essa tem sido a ética revolucionária de hoje!
Compensação da greve no recesso
Primeiro dia
Setlist do DJ Shuffle:


St. Vincent - Surgeon
Tortoise - Swung from the gutt
Pedro Verissimo - Paralisa
Tilly & The Wall - A perfect fit
Oasis - Stand by me
Titãs - Medo
Saul Williams - Guns by computer
The Shins - Sea legs
Cat Power - Cross bones style
Bryan Ferry - BF bass (ode to Olympia)
Le Tigre - After dark
Broken Social Scene - 7/4 (shoreline)
Tom Waits - New year's Eve
Patti Smith - My madrigal
Mount Eerie - The mouth of sky
Pan Sonic & Alan Vega - Fun in the Wonderland
The Statler Brothers - Flowers in the wall
Beat Happening - Don't mix the colors
KT Tunstall - Black horse and the cherry tree
Autolux - Subzero fun
Eels - I like the way this is going
James Blake - Tell her safe
John Zorn - Possession
Land Of Talk - Swift coin
Oval - Harm
Lavajato + Cine Victória - A minha voz dentro do corpo
Leonard Cohen - Everybody knows
Daau - Of R*D*H*D (2+2=5)
Morphine - Super sex
Dead Man's Bones - In The Room Where You Sleep
Bob Dylan - All along the watchtower
Tape - Dust and light
Renato & Seus Blue Caps - Onde está
Boris - Message
Xuxa & Evandro Mesquita - Garoto problema
Califone - The eyes you lost in the crusades
Nine Inch Nails - You know what you are?
Bonnie "Prince" Billy - There is something I have to say
The Beatles - Little child
The Blow - The long list of girls
Low - Nothing but heart
AC/DC - If you want blood (you've got it)
Death Cab For Cutie - Long division
The Strokes - Barely legal
Sylvain Chauveau - Datebook
Mika Vainio - Mining
Suzanne Vega - Anniversary
Bright Eyes - All of the truth
Tindersticks - The other side of the world
Frank Jorge - A historiadora
John Frusciante - Carvel
Hot Hot Heat - Naked in the city
Grandaddy - Summer here kids
Dating Robots - In my bones
Pink Floyd - Time
Antony & The Johnsons - Shake that devil
Fennesz + Sakamoto - Kuni
Mundo Livre S.A. - Muito obrigado
Wilco - Heavy metal drummer
Britney Spears - Hold it against me
Yeah Yeah Yeahs - Pin
The Decemberists - The bagman's gambit
Built To Spill - Kicked it in the sun
Ben Folds & Nick Hornby - Levi Johnston's blues
Wendy McNeill - Sometimes
Mécanosphère - O cinema
Herbert Vianna - O rio Severino
Sunn O))) & Boris - Akuma no kuma

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O índice de reincidência criminal no Brasil é de 49,6% para os réus condenados a regime semi-aberto e 53,1% para o regime fechado.
"Eu sempre pensei que músicas são filmes para os ouvidos e filmes são músicas para os olhos." (Tom Waits)
Darth Dilma & a monarquia absolutista se aproxima.



sábado, 17 de dezembro de 2011

"Ninguém mais que Florian Hecker parece hoje tão empenhado em ampliar as noções do que se entende por música. A tarefa é árdua, porque aparentemente tudo que um dia não era considerado 'musical' hoje já o é: barulhos avassaladores, registros de campo, exercícios com frequências sonoras e mesmo o silêncio total já são assimilados pela história e pelas práticas artísticas como elementos legítimos de construção musical. E essas práticas criam gêneros, e esses gêneros vão tornando-se instituições, que vão criando padrões, historicidade, e rapidamente a legitimação transforma-se em domesticação, com sons áridos e ríspidos obedecendo aos mesmos padrões de ordenação temporal, estrutura progressiva e nexo lógico, perdendo o frescor e a imprevisibilidade que outrora tiveram. Noise e field recordings, para citar apenas dois 'gêneros' (eletroacústica numa chave menor), já são avaliados a partir de uma história pregressa, comparados a marcos do gênero, trabalhos similares etc., sem o caráter inaugural das primeiras obras desbravadoras. Florian Hecker está bastante ciente disso, e vai procurar suas inspirações completamente fora do espectro 'musical': de um lado, nas pesquisas acústicas dissociadas das questões de composição propriamente ditas (no que partilha terreno com gente como Maryanne Amacher), e de outro na inspiração vinda da teoria e da filosofia, como forma de imaginar mundos sonoros ainda não criados e arrumar inspiração para novas articulações, novas estruturas, novas formas de organização. E o intento é bem sucedido, pelo menos em seus aspectos preliminares: a música de Hecker não soa como nada mais nesse planeta, e seus discos são como monolitos magnéticos, envolvidos numa aura de mistério e impacto inaugural. Disco a disco." (Ruy Gardnier)







Records of the Year 2011

1. James Ferraro - Far Side Virtual
2. Rustie - Glass Swords
3. Eliane Radigue - Transamorem - Transmortem
4. Hype Williams - One Motion
5. The Beach Boys - The SMiLE Sessions
6. Michael Chapman - The Resurrection And Revenge Of The Clayton Peacock
7. DJ Rashad - Just A Taste
8. Laurel Halo - Hour Logic
9. Lou Reed & Metallica - Lulu
10. John Wall & Alex Rogers - Work 2006-2011

11. Keiji Haino / Jim O'Rourke / Oren Ambarchi - In a Flash Everything Comes Together As One There Is No Need For A Subject
12. Sun Araw - Ancient Romans
13. Bill Orcutt - How TheThing Sings
14. Oneohtrix Point Never - Replica
15. Peaking Lights - 936
16. Corrupted - Garten Der Unberwusstheit
17. Balam Acab - Wander/Wonder
18. Ricardo Villalobos & Max Loderbauer - Re: ECM
19. Anti G - Presents 'Kentje'sz Beatsz'
20. Thomas Ankersmit & Valerio Tricoli - Forma II
21. PJ Harvey - Let England Shake
22. Cornelius Cardew - The Great Learning
23. Thundercat - The Golden Age of Apocalypse
24. Hecker - Speculative Solution
25. Andy Stott - We Stay Together
26. Rinse 16: Mixed By Ben UFO
27. Radiohead - The King Of Limbs
28. Margaret Dygas - Margaret Dygas
29. Jim O'Rourke - Old News #5
30. Bangs And Works Vol 2: The Best of Chicago Footwork
31. Ekoplekz - Intrusive Incidentalz Vol 1
32. Tim Hecker - Ravedeath, 1972
33. The Advisory Circle - As The Crow Flies
34. Miles Davis - Live In Europe 1967: The Bootleg Series Vol 1
35. Alexander Tucker - Dorwytch
36. Helm - Cryptography
37. John Chantler - The Luminous Ground
38. Ectoplasm Girls - TxN
39. Cindytalk - Hold Everything Dear
40. Frank Ocean - Nostalgia, Ultra
41. Kuedo - Severant
42. Structure - Toad Blinker
43. The Fall - Ersatz GB
44. Leyland Kirby - Intrigue & Stuff Vol 1
45. Patrice & Friends - Cashmere Sheets
46. Zomby - Dedication
47. Music For Merce (1952-2009)
48. Peter Evans Quintet - Ghosts
49. Rrose x Bob Ostertag - Motormouth Variations
50. Michael Chapman - Trainsongs: Guitar Compositions 1967-2010




Wire Magazine Records of the Year 2011 - Avant Rock A–Z

Matt Baldwin - Night In The Triangle (American Dust)
Barn Owl & The Infinite Strings Ensemble - The Headlands (Important)
Ex-Easter Island Head - Mallet Guitars One (Low Point)
Expo 70 - Inaudible Bicoastal Trajectory (Aguirre)
Iceage - New Brigade (Dais)
C Joynes - Congo (Bo’Weavil)
Liturgy - Aesthethica (Thrill Jockey)
The Men - Leave Home (Sacred Bones)
Noveller - Glacial Glow (Weird Forest)
Angel Olson - Strange Cacti (Bathetic)
Peaking Lights - 936 (Not Not Fun/Domino)
Skullflower - Fucked On A Pile Of Corpses (Cold Spring)
Staccato Du Mal - Sin Destino (Wierd)
Alexander Tucker - Dorwytch (Thrill Jockey)
Village Of Spaces - Alchemy And Trust (Corleone)


Wire Magazine Records of the Year 2011 - Electronica A–Z

Balam Acab - Wander/Wonder (Tri Angle)
Ursula Bogner - Sonne = Blackbox (Faitiche)
Borden/Ferraro/Godin/Halo/Lopatin - FRKWYS 7 (FRKWYS)
Margaret Dygas - Margaret Dygas (Perlon)
Ekoclef - Tapeswap (Magic & Dreams)
Lawrence English - The Peregrine (Experimedia)
Mark Fell - Manitutshu (Editions Mego)
Steve Hauschildt - Tragedy & Geometry (Kranky)
Kangding Ray - OR (Raster-Noton)
Kuedo - Severant (Planet Mu)
Oneohtrix Point Never - Replica (Software/Mexican Summer)
Roll The Dice - In Dust (Leaf)
Pinch & Shackleton - Pinch & Shackleton (Honest Jon’s)
Andy Stott - Passed Me By (Modern Love)
Cristian Vogel - Black Swan (Sub Rosa)


Wire Magazine Records of the Year 2011 - Modern Composition A–Z

John Cage - The Works For Percussion 1 (Mode)
Friedrich Cerha - Bruchstuck, Getraumt/Neun Bagatellen/ Instants (Kairos)
Alvin Curran - Solo Works: The 70s (New World)
Luc Ferrari - Piano And Percussion Works (Hat HUT)
Hans G Helms - Fa:m’ Ahniesgwow (Wergo)
Ben Johnston - String Quartets (New World)
David Lumsdaine - Big Meeting (NMC)
Roger Reynolds - Sanctuary (Mode)
Richard Skelton - The Complete Landings (Sustain-Release)
Christian Wolff - Kompositionen 1950–72 (Edition RZ)


Wire Magazine Records of the Year 2011 - Jazz & Improv A–Z

Derek Bailey - Concert In Milwaukee (Incus)
Billy Bang’s Survival Ensemble - Black Man’s Blues (NoBusiness)
Michel Doneda / Jonas Kocher / Christoph Schiller - ///Grape Skin (Another Timbre)
Dörner / Dafeldecker / Johansson - Der Kreis Des Gegenstandes (Monotype)
Bertrand Denzler - Tenor (Potlach)
Klaus Filip & Nikos Veliotis - Slugabed (Hibari)
Flow Trio - Set Theory, Live At The Stone (Ayler)
Hession / Wilkinson / Fell - Two Falls & A Submission (Bo’Weavil)
Charlotte Hug - Slipways To Galaxies (Emanem)
Eli Keszler - Oxtirn (ESP)
Mural - Live At The Rothko Chapel (Rothko Chapel)
William Parker - Crumbling In The Shadows Is Fraulein Miller’s Stale Cake (Centering)
Akira Sakata & Chikamorachi - Live At Hungry Brain (Family Vineyard)
Sheriffs Of Nothingness - A Summer’s Night At The Crooked Forest (Sofa)
David S Ware / Cooper-Moore / William Parker / Muhammad Ali - Planetary Unknown (AUM Fidelity)


Wire Magazine Records of the Year 2011 - Outer Limits A–Z

Bee Mask - Canzoni Dal Laboratorio Del Silenzio Cosmico (Spectrum Spools)
Frieder Butzmann - Wie Zeit Vergeht (PAN)
Caboladies - Renewable Destination (Students Of Decay)
Cut Hands - Afro Noise I (Very Friendly/Susan Lawly)
Head Boggle - Unsounds And Domo Live (NNA Tapes)
Hecker - Speculative Solution (Editions Mego)
Idea Fire Company - Music From The Impossible Salon (Kye)
Thomas Lehn & Marcus Schmickler - Live Double Séance [Antaa Kalojen Vida] (Editions Mego)
John Mannion - Slice Through Or/In Glassmetal (Hanson)
Francisco Meirino - Recordings Of Voltage Errors, Magnetic Fields, On-Site Testimonies & Tape Tension (Misanthropic Agenda)
Jim O’Rourke & Christoph Heemann - Plastic Palace People Vol 1 (Streamline)
Peterlicker - Nicht (Editions Mego)
Raionbashi / Krube - Split (Hrönir)
Rodger Stella / Kites - Interior Moon (Mutter Wild)
Werewolf Jerusalem - Confessions Of A Sex Maniac (Second Layer)
O contador de visitas do Bravenet registra que este blog tem 138.000 acessos e o do Blogger registra 82.000.

Sinto estranhamento ao ler as mensagens de vingança e banimento a respeito da tal enfermeira, ainda que provavelmente eu fizesse o mesmo se estivesse mais ligado ao caso.


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Luciana E. Spanholi: eu sinto estranhamento em saber que existe alguém, supostamente da mesma raça que eu, que faz algo como ela fez. estudo a mente humana há mais de 15 anos e não consigo entender coisas desse tipo. mesmo. a vontade de vingança e justiça vem de uma indignação, de uma raiva até, de viver em um país onde tudo acaba ´em pizza´, onde não há respeito, ética, nada!

Arlen Andrade: Não vejo muita diferença entre as pessoas que pedem o linchamento dela e o que ela fez com o cachorro, suponho inclusive que quem pede o linchamento é muito pior por se tratar de um ser humano, algo que deveria ser mais importante mas, who cares?

Robinson Cabral: Como é engraçado ver católicos que não perdoam.

Luciana E. Spanholi: vamos perdoar a moça e contratá-la também para cuidar de nossos pais quando estiverem velhinhos!

Milane Rosback: Arlen isso é ESPECISMO. É tanto quanto pior do que xenofobia e racismo. Com esse ato BRUTAL dela, ela só demonstra ser um ser MUITO inferior a qualquer outro animal.

Robinson Cabral: O que fazer então com ela? Matá-la?

Robinson Cabral: Tenho um dilema. Será que essa raiva é porque nos identificamos com o cachorro ou com a enfermeira?

Milane Rosback: É porque não entendemos como uma espécie que é a mesma nossa, pode fazer uma brutalidade dessas.

Arlen Andrade: Se você dá um soco em alguém, muda alguma coisa o ato, o fato da pessoa se defender ou não? Querer se defender? Sinceramente, eu como carne, uso remédios, medicamentos então posso te dizer que se eu falar que me preocupo muito com o cachorro serei hipócrita. Porém eu acho q tem coisas muito piores no mundo, como pessoas passando fome, sendo queimadas vivas, estupradas do que esta estória do cachorro (que aposto que é mentira). Só pra deixar registrado, tenho dois cachorros, adoro cães, animais em geral.

Arlen Andrade: Milane, o ser humano é muito pior com seres de sua espécie. E tipo, tu come carne? Eu como.

Milane Rosback: Arlen: não como.

Arlen Andrade: usa produtos de beleza? remédios (esta nem precisa responder a menos que tu seja cientologista)

Arlen Andrade: Bem, não veio resposta, acho que tu concordou que apesar de não comer carne, utilizando remédios, cosméticos e outras coisas que são testadas em animais, indiretamente tu continua fazendo mal, mesmo não comendo carne.

Milane Rosback: Ta certo. A enfermeira está certa. Corretissima. Ela deve machucar os mais fracos e desprotegidos. É por isso que ela está nessa profissão. Só espero que nunca vcs precisem dos serviços dela, quando ela tiver que cuidar de um filho de vcs, pequeno e frágil, e estiver estressada e resolver descarregar no filho de vcs...Uma pessoa que não tem respeito por um ser vivo, não tem respeito por nenhum. É por isso que esse país tudo acaba em pizza. E por isso os EUA e outros países estão mais a frente, pois tratam seus animais com mais dignidade. Álias, lembrando que tem muita gente que fala "tem coisas mais importante pra se preocupar" nem se dando conta de que são as mesmas pessoas que não se preocupam com nada, não ajudam com nada ( não sei se é o caso de vcs, mas é o caso da maioria das pessoas que repetem esse mesmo texto de sempre ) Já os que ajudam e se preocupam com animais, em sua maioria dos que eu conheço ajudam ambos...engraçado...

Milane Rosback: Arlen então me diga que bem ela trouxe pra humanidade machucando esse cachorro? que remédio foi feito? ela comeu essa cachorro depois? houve todos os cuidados necessários e analgésicos etc e todo o protocolo que deve ser seguido quando se tratam de experiências pra que animais sejam testados? FIQUEI CURIOSA!

Arlen Andrade: Quem falou q ela está correta, inclusive afirmando q este vídeo é verdadeiro é você, não eu. Os EUA consomem muito mais carne que brasileiros se quiseres te aprofundar tem um livro chamado Eating Animals, do Foer que pode te esclarecer mais. Isto já te mostra que eles não tratam melhor os animais que os brasileiros. Eu como ser humano sou mais importante (porque criei a cura de doenças, construo edifícios, arte e etc) que qualquer outro animal mas tem uma diferença muito grande em me considerar mais importantee cometer ou achar que a crueldade que estamos discutindo, seja ela real ou não tem meu apoio.

Arlen Andrade: Milane, pergunta pra ela qual bem ela fez eu falei do episódio dos remédios e cosméticos porque tu falou em ESPECISMO. Protocolos? Jesus Cristo, tu acredita realmente que as industrias farmaceuticas realmente seguem todos os protocolos e os animais nunca sofrem?

Milane Rosback: Arlen: como ser humano tu criou tudo isso...e também as guerras a poluição o desmatamento, a extinção de espécies, a fome, muitas doenças...Nada contra a minha espécie. Mas sinceramente, não me acho melhor por estar destruindo um mundo e me achar bacana por isso. Os estragos que um humano faz em 1 dia, os animais custam 1000 anos pra fazer. E que meu texto não seja interpretado mal, como se eu odiasse a minha espécie. Bem pelo contrário. Tenho uma filha da mesma idade que essa que aparece no vídeo sendo AGREDIDA pelos atos da mãe e tive a mesma profissão que esta mulher. Tenho animais. Já tive ONG em SP de animais e participei de outras. Ajudo hoje em dia 2 creches e 2 institutos de câncer( 1 infantil e 1 adulto ). Deve ser por isso que me indigno com o ato dessa mulher. E vou me indignar até morrer, não importa o que me digam, porque sou eu ainda quem pago as minhas contas.

Milane Rosback: Apesar de eu não concordar com alguns testes em animais mas saber que infelizmente em alguns casos se faz necessário. Apesar de eu saber que muitas empresas estão adotando outros tipos de testes pra testar seus produtos, não usando animais e apesar de eu saber que existem muitos protocolos pra que sejam feitos da melhor forma possível pra que o animal não sofra...eu ainda não consegui entender o que bater num cachorro desprotegido e sufoca-lo até a morte, tem a ver...e quais são as vantagens pro ser humano? EXISTE TERAPIA, EXISTE SACO DE PANCADA PRA STRESS....

Arlen Andrade: Milane eu também não apoio os atos dela, que fique claro isto e em nenhum comentário meu isto ficou evidente, o tópico do douglas foi justamente a reação das pessoas e no meu caso, estou criticando justamente isto, as pessoas que ficam colocando estas coisas no facebook achando que estão ajudando de alguma forma, bem diferente do que tu tem feito ou fez no passado ok?

Arlen Andrade: Ah, e tipo eu também iria me indignar com os atos da mulher se visse o vídeo e tivesse provas de que ele é realmente verdadeiro mas não ficaria incomodando os meus contatos aqui, com coisas como esta que não vão mudar nada e nem deixando de comer carne e fazer discursos pró animais porque não comer nada, não te deixa menos criminoso quanto aos animais, enfim

Milane Rosback: Eu acho que cada um escreve o que quer no SEU facebook. Se no meu tiver alguma coisa do tipo e alguém não gostar existem três opções: "ocultar atualizações de fulano"..."deletar fulano da minha lista de amigos"....e "bloquear fulano"....pronto...

Luciana E. Spanholi: rede social é então só pra se exibir, publicar fotos, dizer o que está ouvindo/fazendo/pensando? no meu entendimento, também é um instrumento - e talvez esse seja o seu aspecto mais positivo - para informar, esclarecer, unir em pessoas em torno de um objetivo, etc. vide o caso do motorista que atropelou o pessoal da massa crítica, por exemplo.

Milane Rosback: E Arlen, quem foi que falou em parar de comer carne em remédios etc? Quem levantou esse assunto não fui eu. Pega lá no começo. Ao contrário. Eu perguntei qual relação entre isso...e como a Luciana disse lá acima a indignação vem da revolta desse povo que sabe que tudo acaba em pizza nesse país.

Luciana E. Spanholi: estranho é ver coisas como essas e ficar passivo e/ou indiferente!

Milane Rosback: Arlen o vídeo é verdadeiro pelo que me parece. O CD foi entregue a polícia que está investigando o caso. Ela já foi prestar depoimento e disse que estava estressada com o cão que dava trabalho e o delegado até debochou falando que o york era um "monstro" ...apareceu essa entrevista no jornal HOJE, na globo...O ministério público já entrou no caso. Além de maus tratos contra o animal ela vai responder a maus tratos a criança que assistiu tudo, inclusive ela toca o animal contra a criança..Expôs a criança a um constrangimento e atos de violência e ela corre o risco de pegar 3 anos de prisão por conta disso. ( pela criança ) e o delegado disse que se fosse pelo animais ia ser cesta básica. Por isso pessoal se indigna...Cesta básica pra uma mulher que pelo que parece tem grana, por isso que ela fez? Esse tipo de gente não tem que ter nunca mais bicho na vida.

Arlen Andrade: Milane, é o que tenho feito, bloqueando e com isto vou perdendo de saber o que meus contatos andam fazendo, pra me atualizar sobre eles, saber como estão e este pra mim é o fundamento de uma rede de relacionamentos. Acho que para resolver problemas você precisa ser mais ativo do que colocar um video repulsivo na internet. Temos discordancias em várias coisas. E eu não vi o vídeo portanto não fiquei passivo nem indignado e se fosse ficar ficaria com crianças na Africa passando fome, crianças sem pais no brasil, afegãos com as pernas decepadas por minas (sim, coisas que nossa excelente espécie criou ). Ademais, postar fotos e músicas que estamos escutando é tão fútil quanto dizer que está indignada com isto e postar este vídeo. Não vejo nenhuma relevância em nenhuma das duas. Sou mais sensível por postar algo assim?

Luciana E. Spanholi: não, mas criticar quem publica não faz sentido. vejamos o caso Nardoni. eles estão na cadeia, acredito que muito pela repercussão em mídia pelo que fizeram. se ninguém tomasse conhecimento, se indignasse, será que teriam a justa condenação??

Milane Rosback: Arlen: com esse ato de sair publicando...ganhou destaque da mídia e o ministério público teve que entrar no caso e ser mais PRESENTE nesse assunto e agora ele vai ser COBRADO por diversas pessoas indignadas pra isso não acabar em pizza. É e...See More

Luciana E. Spanholi: se ninguém publicasse o nome, as fotos da enfermeira, provavelmente sua vida continuaria seguindo numa boa, e de repente, até compraria um cachorro depois de ter matado um. agora, com toda a repercussão nas mídias, ela será reconhecida, criticada e, tomara, condenada pelo que fez.

Arlen Andrade: Pois é, deveriam ter feito isto com o Edmundo também né? Matou se não me engano 3 pessoas dirigindo bebado e hoje está solto, não crumpriu nem cinco minutos de pena.

Milane Rosback: Arlen:> tu pensa do jeito que tu quiser. Tanto é que não vou te criticar por não querer postar e nem querer fazer nada. Mas então não critique quem o faz...Eu sempre falo no meu facebook. Detesto aquelas fotos de animais toturados, judiados, mortos...QUANDO não podemos fazer nada, quando não tem dados de quem fez, quando é violência gratuita. Mas se é pra esse tipo de consequência que deu esse caso, eu sou a favor.

Luciana E. Spanholi: e claro: muito provavelmente ela pensará muitas vezes antes de repetir o que fez.

Arlen Andrade: Milane nunca postarei nada sobre maus tratos a animais, crianças deformadas, pesssoas acidentadas, pode ter certeza. Mas não critique as pessoas que fazem mal aos animais sendo que utilizando remédios, roupas, cosméticos e etc tu também vai estar fazendo mal a eles, o fato de tu precisar de roupas e remédios não muda muito, alguém já dizia os meios não justificam os métodos, algo assim

Milane Rosback: Arlen: de novo te pergunto....o que isso tem a ver? tu passou reto de todas as perguntas e indagações que fiz a respeito disso.

Milane Rosback: Me diz qual a semelhança desse caso e o que ela trouxe de bem com esse ato? que remédio que ela descobriu? quais protocolos ela utilizou? .......Isso é violência gratuita.

Luciana E. Spanholi: é isso: não vamos fazer nada pois está tudo errado mesmo... mais de 50% dos políticos estão nos robando, nossos vizinhos, nossos amigos, clegas e até mesmo familiares devem, em algum momento, estar fora da lei e dar o seu ´jeitinho´ para tirar alguma vantagem quando puder. melhor não fazer nada porque pode ser que quando pudermos/precisarmos queremos estar ´autorizados´ a dar um jeitinho também!

Arlen Andrade: tu também não me respondeu se usa cosméticos, sabonetes e outras coisas que são testadas em animais, remédios eu tenho certeza que já usaste. Milane, tipo este é meu ultimo comentário ok? Já encheu o saco esta estória. Tipo é violência gratuita sim, concordo contigo

Milane Rosback: Arlen: "mas não critique pessoas que fazem mal aos animais?" ...eu li direito? Ah vou sim...vou criticar, vou denunciar, vou fazer o que tiver que ser feito pra acabar desse jeito: ela respondendo criminalmente por isso.

Milane Rosback: Arlen é ÓBVIO que uso. Agora sua vez...me diz qual remédio que ela fez? CONTRA O STRESS? Inventou um novo saco de pancadas com aviso sonoro? ( ganidos de dor )? ....ah desculpa...meu lado debochado começou a aparecer...É que está tomando um rumo meio absurdo essa conversa...rsrs...

Milane Rosback: Tá...tudo bem....também não estou afim de comentar mais e explicar porque me indigno com atos assim. Achei que era meio óbvio.

Arlen Andrade: Luciana E. Spanholi : Pode ter certeza que sou muito ético viu? Eu inclusive acho q os políticos são iguaizinhos ao povo, aquele que rouba no troco e tal, rouba menos q um político mas pela ocasião. Mas pode ter certeza que sou bem ético

Arlen Andrade: Muito obrigado Milane.

Wagner Pacheco: Só por curiosidade, vcs ja consideraram a possibilidade dela ser doente? digo, se um osso quebra, ninguém questiona, aparece numa lamina de raio x ou tomografia, mas uma alteração química no cérebro não é tão fácil de perceber. (mas só pra constar, vegetarianismo ou não, não faz a menor diferença, a não ser que a pessoa ache um boi muito melhor que um gafanhoto.)

Douglas Dickel: Vários comentários lindos. Sério. Luciana: Tu é a favor da pena de morte? Se sim, quem iria decidir quem morre - tu? Tu gostaria de ser uma espécie de justiceira tipo Batman ou Dexter? Porque, se tu for matar todo mundo que "merece" (cada um teria uma visão diferente sobre o merecimento - crer que a tua verdade seja a certa é um Luciana-centrismo), tu vai ser serial killer. Sobre a questão da mídia: muitas vezes uma injustiça é cometida para saciar a população incitada pela mídia, como a prisão da guria de 11 anos que matou duas crianças, sob a alegação de ela era maligna (?!). Estou lendo o livro que reflete sobre isso: Gritos no Vazio - A história de Mary Bell

Luciana E. Spanholi: Douglas: eu NÃO sou a favor da pena de morte não. Porque a pergunta pra mim?

Douglas Dickel: ‎Milane Rosback: até agora tu só manifestou a desaprovação. Mas tu acha que a mulher deve ser punida?

Luciana E. Spanholi: a última não foi pra mim mas penso que sim, que a mulher deve ser sim punida. O que tu acha?

Douglas Dickel: ‎"a vontade de vingança e justiça vem de uma indignação, de uma raiva até"

Luciana E. Spanholi: o que TU acha Douglas?

Wagner Pacheco: Acho que o caso merece estudo, assim podemos achar uma causa para o ocorrido, e talvez uma forma de evitar.

Milane Rosback: ‎Douglas Dickel Deve. Pelas duas coisas. Por expor a criança a isso e por maus tratos. Tá agora na justiça pra que isso se resolva.

Milane Rosback: ‎Douglas Dickel eu manifestei só a desaprovação porque não vejo nada de positivo no que esta mulher fez.

Douglas Dickel: Eu acho que ela deve ser internada, talvez. Mas, antes de tudo, acho que ninguém tem o direito de reinvindicar punição pra ela, a não ser as pessoas que conviviam com o cão.

Douglas Dickel: Claro, desaprovar todo mundo que não seja psicopata desaprova.

Luciana E. Spanholi: punição para ela e para todos que mal tratam animais.

Douglas Dickel: E se tu, com toda ética e razão e coração, tivesse reações incontroláveis e, numa delas, fizesse mal a um animal?

Milane Rosback: ‎Douglas Dickel nem todo mundo que faz uma coisa dessas é doente mental. Tem gente ruim também. Se não só existiriam hospitais psiquiátricos e não cadeias.

Luciana E. Spanholi: aquilo que ela fez foi mal?? foi bem mais que isso. Eu, quando tive momentos de descontrole, fiz mal a mim própria, nunca a ninguém e neenhum animal

Douglas Dickel: E tem gente boa, que não é nem doente mental, nem sádico.

Douglas Dickel: Fazer mal a si próprio é muito diferente que fazer mal a outrem?

Luciana E. Spanholi: eu sou neuropsicóloga, tenho 10 anos experiência clínica, já trabalhei em casas de saúde mental, sanatórios, dou aula. Afirmo: o caso dessa mulher não é um caso para a psiquiatria. É uma questão de cultura e de lei. Aqui as pessoas pensam que animais são objetos e que podem fazer o que quiserem com eles. "Não dá nada", não é isso? Pode checar vários casos de maus tratos, cito aquele do homem que saiu com o carro com seu cão amarrado agonizando. As pessoas gritavam, pediam para parar, xingavam o homem. Ele simplesmente disse: - qual é? o cão é meu, posso fazer o que quero com ele!

Luciana E. Spanholi: como tu iria reagir se, uma pessoa que fosse fazer limpeza na tua casa ficasse brava com um dos teus gatos e o esfolasse até a morte?

Milane Rosback: Concordo com a Luciana. Esse caso é muito mais um caso de CULTURA do que PSIQUIÁTRICO. E se for o caso de ser psiquiátrico, isso vai ser avaliado, e de qualquer forma, não vai deixar de ser punido.

Douglas Dickel: Aí eu mataria, mas não estaria agindo certo.

Luciana E. Spanholi: tanto é que a moça foi na delegacia com seu advogado e não disse: gente, sou doente, tive uma crise. Não. Ela disse: o cão estava incomodando, ele é uma "peste".

Douglas Dickel: Robinson, sobre o catolicismo, olha o número de vezes que encontrei estas palavras na Bíblia Online:

            Punido: 34.
            Castigado: 57.
            Queimará: 62.
            Vingança: 65.
            Culpa: 211.
            CASTIGO: 289.

Douglas Dickel: Então, vocês acham que nós não temos o problema cultural de querer culpar e punir? No oriente seria diferente.

Douglas Dickel: Thich Nhât Hanh:

No momento em que você sente raiva, você tem a tendência de acreditar que seu sentimento foi criado por outra pessoa. Você culpa esta pessoa por todo o seu sofrimento. Mas, ao fazer um exame profundo, você talvez perceba que a semente da raiva que existe em você é a principal causa do seu sofrimento. Muitas outras pessoas, quando confrontadas com a mesma situação, não ficariam com a raiva com que você fica. Elas ouvem as mesmas palavras, presenciam a mesma situação, mas são capazes de permanecer mais calmas.

Quando não sabemos lidar com o nosso sofrimento, deixamos que ele se derrame sobre as pessoas que estão em volta. Quando você sofre, faz com que as pessoas ao seu redor também sofram. Isso é bastante natural. É por esse motivo que temos que aprender a lidar com o nosso sofrimento, para não o espalharmos em torno de nós.

Sua primeira reação é achar que a pessoa que causou a raiva merece ser punida. Tem vontade de castigá-la porque ela fez você sofrer. Mas, depois de praticar durante dez ou quinze minutos a respiração, a meditação andando e o olhar consciente, você compreende que ela precisa de ajuda e não de punição.

Angela Francisca: problemas como esse me parecem cabíveis a medidas educacionais.... a prisão, que a lei prevê, garante que ela não fará isso de novo? garante que aprenda alguma coisas de positivo? tão terrível como o ato cometido é a ineficácia nas atitudes tomadas a posteriori.

Douglas Dickel: "Se você examinar profundamente sua raiva, perceberá que o indivíduo que você chama de inimigo também está sofrendo. Tão logo você compreende esse fato, a capacidade de aceitar e ter compaixão por essa pessoa passa a estar presente. Quando você é capaz de 'amar seu inimigo', ele deixa de ser seu inimigo. A ideia de inimigo desaparece e é substituída pela noção de alguém que está sofrendo e precisa de compaixão." (Thich Nhât Hanh)

Douglas Dickel: "Castigar a outra pessoa é autopunição. Este fato é verdadeiro em todas as circunstâncias. Toda vez que os Estados Unidos tentam punir o Iraque, não apenas o Iraque sofre, mas os Estados Unidos também. Isso também acontece entre judeus e palestinos, muçulmanos e hindus, entre você e a outra pessoa. Sempre foi assim. Vamos então despertar e nos tornar conscientes de que castigar o outro não é uma estratégia inteligente." (Thich Nhât Hanh)

Douglas Dickel: ‎Wagner Pacheco: e se alguém estraçalha de propósito um gafanhoto?

Douglas Dickel: ‎"Traçar uma linha e repudiar pessoas como inimigas, mesmo aquelas que agem e forma violenta, nunca vai ajudar. Temos de aproximar-nos deles com amor no coração e fazer o melhor para ajudá-las a caminhar na direção da não-violência. Se trabalharmos pela paz movidos pela raiva nunca teremos sucesso. A paz não é um fim. Ela não pode se estabelecer através de meios não pacíficos." (TNH)

Douglas Dickel: "Na vida moderna, as pessoas pensam que seus corpos pertencem a elas mesmas e que podem fazer o que quiserem com ele. 'Temos direito de viver nossa própria vida.' Quando você faz tal declaração, a lei apoia você. Esta é uma manifestação do individualismo. Porém, de acordo com o ensinamento do vazio, seu corpo não é seu. Seu corpo pertence a seus ancestrais, a seus pais e às gerações futuras. Ele também pertence à sociedade e a todos os outros seres vivos. Todos eles se uniram para concretizar a presença deste corpo - as árvores, as nuvens, tudo. Manter seu corpo saudável é expressar gratidão a todo o cosmos e a todos os seus ancestrais, e é também não trair as gerações futuras." (TNH)

Milane Rosback: É impressão minha ou estão tendo mais pena da mulher do que do cachorro que está morto?

Milane Rosback: ‎Douglas Dickel quando me referi a cultura, me referi ao especismo. No Brasil ainda acham natural, normal um caso de maus tratos não ter nenhum tipo de punição.

Robinson Cabral: MÁQUINA DE ARMAZENAR CULPA

Douglas Dickel: O cachorro já está morto, punição à mulher não vai ressucitá-lo. Milane, temos também a cultura cristã.

Luciana E. Spanholi: se alguém espancar e assassinar nossos pais também não vamos pedir punição pois isso não iria ressucitá-los, certo?

Milane Rosback: ‎Douglas Dickel Ninguém está falando em ressucitar e sim em NÃO SE REPETIR.

Luciana E. Spanholi: e o desejo de punição não é vingança ou ódio e sim necessidade de regular as relações entre as pessoas. não vamos punir e aí como é que fica? vira o samba do criolo doido? deixando de punir quem faz o mal estamos autorizando essas pessoas. caso algo com meus pais acontecesse não gostaria que outras pessoas passassem pelo mesmo...

Robinson Cabral: Mas os médicos do Re-Animator são legais e podem nos ajudar quando nossos pais forem mortos por um cachorro grandão.

Douglas Dickel: Punição evita que não se repita?

Douglas Dickel: Se a enfermeira matar meus pais, eu estraçalhá-la não vai diminuir a minha dor, ela ser presa não vão diminuir a minha dor - nada vai diminuir a minha dor.

Luciana E. Spanholi: educa. pensa numa criança, num filho. pra educar é fundamental IMPOR LIMITES, e, de certa forma, punir. teu filho faz algo errado tu vai dar aquele super brinquedo que ele estava pedindo? não, tu vai deixar de dar pra educá-lo.

Luciana E. Spanholi: sem dúvida não irá diminuir tua dor, mas talvez evite a dor de outras pessoas.

Douglas Dickel: Talvez provoque dor em outras pessoas, também. Talvez, talvez.

Luciana E. Spanholi: parece que nunca te aconteceu nada de errado né Doug, uma injustiça. pois a mim já aconteceu e certo que não gostaria que acontecesse com os outros.

Douglas Dickel: Estraçalhamos mosquitos todos os dias, com prazer. Mosquitos são menos importantes que cachorros? E o envenenamento dos solos com nossas toneladas de lixo? Podem responder (também) os que falaram em especismo.

Luciana E. Spanholi: eu não estraçalho mosquito, não generaliza

Douglas Dickel: Luciana, então os budistas, por exemplo, nunca foram vítimas de injustiça?

Douglas Dickel: Tu não mata nada?

Luciana E. Spanholi: apenas baratas

Douglas Dickel: Elas valem menos que cachorros?

Luciana E. Spanholi: na minha casa tem vários outros insetos que convivem numa boa comigo e com meu cão

Luciana E. Spanholi: essa pergunta não é pertinente

Douglas Dickel: Por quer não?

Luciana E. Spanholi: mas enfim, encerro minha participação nessa discussão aqui. tomara que nunca aconteça nada contigo, que não façam nada com as pessoas/animais que tu ama. e se acontecer, quero ver tu indo lá pra Três Coroas meditar e pedir a salvação dos culpados.

Milane Rosback: ‎Douglas Dickel Não...punição não evita nada. Evita só ficar de braços cruzados e deixar acontecer.

Luciana E. Spanholi: obs.: nada contra a meditação, eu pratico, já fiz anos de yoga e tai chi

Douglas Dickel: Tu é menos importante que o cachorro?

Milane Rosback: ‎Douglas Dickel se for ser assim, tu não poderia nem te coçar, pois está matando uma porção de células.

Douglas Dickel: Sim, Milane, por isso eu não condeno.

Luciana E. Spanholi: Douglas, essa pergunta tb não é pertinente. Tu é mais importante que eu?

Douglas Dickel: Tu disse que fez mal a ti mesma. (Quanto a sofrer algo pessoalmente, passei por uma questão até mais complexa, cujo "culpado" seria alguém da família.)

Douglas Dickel: Ah, lembrei que ninguém respondeu a pergunta do Robinson: o quanto estamos nos identificando com a enfermeira? Temos nosso lado de sombra, afinal.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Movimento por reajuste do judiciário federal do Rio Grande do Sul - e eu - em fotografia na Folha de S. Paulo.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O funcionário é um ser vivo, é vida, é energia e para isso não há forma, quantia, medida possível que possa ser utilizada para medi-lo. Motivação é energia psicológica que coloca em movimento o organismo humano, determinando um comportamento.

Ao solicitar tarefas, não deixe as pessoas sem um retorno, isso poderá passar uma má impressão. Lembre-se de que motivar também é ser humilde. Cabe aos gerentes responsáveis determinarem qual o tipo de motivação deverá ser aplicada. Será uma bonificação? Um incentivo? Uma palavra? Ou muitas vezes somente ser cordial e dizer um muito obrigado? Acabe com a arrogância - Seja cordial ao falar com as pessoas. Bom dia! Boa Tarde! Boa Noite! Muito Obrigado. Essas simples palavras podem fazer uma diferença significativa na visão que as pessoas têm de você e também na motivação alheia.

Pare de reclamar - O ato de reclamar só torna o homem vulnerável a derrotas interiores do dia-a-dia. Reclamar não é a solução, mas sim compartilhar. Lembre-se de que o ato de reclamar só alimentará mais a visão negativa das coisas. Dê a seguinte sugestão aos funcionários: vamos compartilhar na medida do possível, ao invés de reclamar.

(Roberto Carlos Pereira)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Privataria Tucana
(Jorge Furtado)

Terminei de ler o extraordinário trabalho jornalístico de Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana”, (Geração Editorial), o livro mais importante do ano. Para quem acompanha a vida política do país através de alguns blogs e da revista Carta Capital, não há grandes novidades além dos documentos que comprovam o que já se sabia: a privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano, foi a maior roubalheira da história da república. O grande mérito do livro de Amaury é a síntese que faz da rapinagem, e a base factual de suas afirmações, amparadas em documentos, todos públicos. Como bom jornalista, Amaury economiza nos adjetivos e esbanja conhecimento sobre o seu tema: o mundo dos crimes financeiros.

A reportagem de Amaury esclarece em detalhes como os protagonistas da privataria tucana enriqueceram saqueando o país. De um lado, no governo, vendendo o patrimônio público a preço de banana. Do outro, no mercado, comprando as empresas e garantindo vida mansa aos netos. Entre as duas pontas, os lavadores de dinheiro, suas conexões com a mídia e com o mundo político.

Os personagens principais da maracutaia, fartamente documentada, são gente do alto tucanato: Ricardo Sérgio de Oliveira (senhor dos caminhos das offshores caribenhas, usadas pela turma para esquentar o dinheiro), Gregório Marin Preciado (sócio de José Serra), Alexandre Bourgeois (genro de José Serra), a filha de Serra, Verônica (cuja offshore caribenha, em sociedade com Verônica Dantas, lavou pelo menos 5 milhões de dólares), o próprio José Serra e o indefectível Daniel Dantas. Mas o livro tem também informações comprometedoras sobre o comportamento de petistas (Ruy Falcão e Antonio Palocci), sobre Ricardo Teixeira e sobre vários jornalistas.

A quadrilha de privatas tucanos movimentou cerca de 2,5 bilhões de dólares, há propinas comprovadas de 20 milhões de dólares, dinheiro que não cabe em malas ou cuecas. O livro revela também o indiciamento de Verônica Serra por quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros e traz provas documentais de sua sociedade com Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, numa offshore caribenha.
Me dei conta de que eu não tinha autorizado as músicas do input_output no SoundCloud para download. Agora, sim, todas são baixáveis.

Latest tracks by input_output
Pitchfork Top 100 tracks

61. Eleanor Friedberger
"My Mistakes"
[Merge]

Eleanor Friedberger é uma vocalista de estilo único. Inventou um novo tipo de fraseado, uma forma percussiva de cuspir letras que te deixa saber que é ela cantando antes de acabar a primeira sílaba. "My Mistakes", uma música que se move praticamente entre dois básicos acordes, torna-se a base ideal para sua dicção peculiar. A estrutura ultrassimples e que pega o ouvinte deixam-na livre para barbarizar na melodia, e ela toma toda a vantagem disso, partindo pensamentos em múltiplas linhas e estrofes ("I wore the same outfit on the day the Hasid followed me in his car along Park/ Not Avenue/ But the one in Brooklyn") sem se preocupar onde eles vão chegar. (...) --Mark Richardson

sábado, 10 de dezembro de 2011

Segundo o budismo, as dez ações não-virtuosas são:

(1) matar,
(2) roubar, e
(3) má conduta sexual [para o corpo];
(4) mentir,
(5) caluniar,
(6) falar palavras severas, e
(7) fofoca inútil ou fala sem sentido para as ações da fala da pessoa; e
(8) pensamentos de avareza e cobiça,
(9) pensamento malicioso que deseja prejudicar os outros, e
(10) convicções enganadas, ou visões injustas, para as ações da mente da pessoa.
Motivação correta e meditação *
Lama Samten

Quando há um obstáculo na vida e não há como ultrapassá-lo, esses aspectos intransponíveis são o objeto da meditação. Aquilo que é intransponível, que não dá para atravessar, é aquilo que a meditação atravessa. Porque por ela nós vamos compreender que aquilo que consideramos sólido diante de nós não é sólido, nem é separado de nós. As sensações que nós temos não brotam de fora - elas são ativadas. As percepções são um processo ativo, não um processo passivo onde eu recebo coisas. A percepção depende de uma estrutura que eu estou operando. Se eu não perceber essa estrutura, então eu não entendo o que é percepção. Percepção tem um nível de construção junto.

*

Quando entendemos esta noção de responsabilidade universal é como se gerássemos, como se ficasse claro para nós um tipo de sonho positivo que nos conduz no caminho e nos possibilita construir o mundo de uma forma positiva. Neste sonho nós somos felizes, nos relacionamos bem com os outros, a natureza está preservada, nós temos saúde, temos educação, podemos crescer de uma forma positiva. Este é um bom sonho. Nós poderíamos sonhar variados sonhos. Um dos sonhos que podemos sonhar é assim: no futuro vamos ter guerras, é bom nos prepararmos para isso. Então quando olhamos para a frente, podemos construir nossos sonhos em diferentes direções. Nós podemos ter sonhos coletivos favoráveis.

Esse é o ponto que vai nos levar à noção de responsabilidade universal. Para termos um sonho, é bom que ele não seja aleatório. Então que referencial podemos escolher para nosso sonho? Sem uma cultura de paz, sem a visão da responsabilidade universal, a vida se torna insatisfatória e a própria sustentabilidade da vida no planeta fica ameaçada. Nesse sentido, o mundo real enquanto mundo possível e sustentável é o mundo da cultura de paz e não o mundo como pensamos que ele é a partir das nossas visões obstruídas.

*

De tanto em tanto, em meio a nossos afazeres e atribulações a gente se pergunta: será que eu estou indo realmente em direção a algum lugar? Está tudo tão parecido. Isso é porque nos giramos em ciclos ou círculos, vivemos o que se chama, no budismo, de experiência cíclica.

Diz-se que não apenas os seres humanos, mas todos os seres estão submetidos a essa experiência cíclica, estão submetidos a dukka. Essa categoria não é uma categoria ocidental, então não temos propriamente uma palavra para isso. O sofrimento em nossa cultura é apontado como tendo uma outra origem, outra descrição.

______________________________________________________
* Além de recortes, troquei o termo Prajna Paramitta por meditação.
O amigo e colega de ofício Cadu Tenório votou em 'Crocodilo', do input_output, como melhor disco de 2011. Obrigado e parabéns a ele, porque o disco 'Areia', de sua banda, Sobre a Máquina, ficou em primeiro lugar no ranking geral do Floga-se.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Joyce Lessa Werres escreveu e eu cortei e recortei e rejuntei:

Em 1919 Jung introduziu o conceito de arquétipo, trazendo a ideia de que as imagens primordiais humanas são transmitidas ou herdadas. Em seus escritos, caracteriza o arquétipo como "sistemas vivos de reação e prontidão que, por via invisível e, por isso mais eficiente ainda, determina a vida individual". É importante, também, salientar que, em suas polaridades, todos os arquétipos contêm, em si, um aspecto sadio e um patológico.

Para conceituar o arquétipo, Jung referiu-se a vias herdadas que conferem ao ser humano um padrão de comportamento, como uma espécie de norma biológica na atividade psíquica. Pelo arquétipo, percebe-se que há um fator independente da experiência em nossa atividade humana, o qual é estrutural e inato na psique, sendo, dessa forma, pré-consciente e inconsciente. Os arquétipos, por serem estruturas universais, estão imersos no inconsciente coletivo e atuam alternadamente na personalidade do indivíduo. Há, portanto, correspondência entre o inconsciente coletivo e o indivíduo.

Na infância, logo que começam as primeiras manifestações visíveis da vida psíquica, podem-se observar as particularidades de uma personalidade singular. Têm-se, assim, os aspectos individuais e coletivos funcionando em consonância. A introspecção nos insere no mundo mítico e através do mito, entendemos o cotidiano. Os mitos não são, portanto, ideias, mas dados instintivos que funcionam como uma espécie de padrão de comportamento mental que faz parte da natureza humana.

Os mitos são histórias verdadeiras e refletem a camada mais profunda e perene do psiquismo humano. O mito é um dos acessos à realidade arquetípica, sua história é nossa antes de a termos conhecido. Entramos no mito toda vez que em nossa vida nos confrontamos com o que está no inconsciente coletivo. A autora relata, ainda, que mito e cotidiano estão entrelaçados e nos tocam por terem características tanto positivas como negativas.

O mito é uma forma de pensamento autônomo e de organização cognitiva do mundo. Nos mitos estão inscritos em códigos todo o conhecimento e a competência que o homem já experimentou, em uma linha de tempo e espaço que se traduz como "desde sempre". O mito é o emblema da atividade psíquica e a demonstração do inconsciente coletivo e de seus respectivos arquétipos.

Como todo o arquétipo, o arquétipo da grande mãe tem em suas polaridades, tanto aspectos positivos quanto negativos, que pode apresentar-se de inúmeras formas, revestido por uma infinidade de imagens. Jung, menciona que as representações mais características são: a mãe e a avó, a madrasta, a sogra, a ama de leite, mulheres com quem nos relacionamos. No sentido de uma transferência mais elevada temos a mãe de Deus; em um sentido mais amplo a igreja, a terra, a matéria, o mundo subterrâneo, a lua; em sentido mais restrito, o jardim, a gruta, o poço profundo; e restringindo ainda mais temos o útero, as formas ocas, o forno, o caldeirão e o túmulo, entre outros.

Assim como os arquétipos, os símbolos também apresentam, em seus extremos, aspectos duais, positivos e negativos. Dessa forma, são atribuídas ao arquétipo da mãe características tanto de acolhimento, cuidado, sabedoria e suporte, como aterrorizantes, obscuras, devoradoras e advindas do mundo dos mortos.
[TOP 50 MELHORES DISCOS de 2011]

01. Winter Family - Red sugar
02. Amiina - Animamiina
03. Evangelista - In animal tongue
04. St. Vincent - Strange mercy
05. PJ Harvey - Let England shake
06. Eleanor Friedberger - Last summer
07. Duncan Powell - Impossible songs
08. The Oscillation - Veils
09. Josh T. Pearson - Lost of the country gentleman
10. Wye Oak - Civilian
11. A Winged Victory For The Sullen - A winged victory for the sullen
12. Alva Noto & Ryuichi Sakamoto - Summvs
13. Lady Gaga - Born this way
14. I†† - The star ruby
15. Julia Holter - Tragedy
16. Low - C'mon
17. Cake - Showroom of compassion
18. Thurston Moore - 12 string meditations for Jack Rose
19. Thao And Mirah - Thao and Mirah
20. Jessica Lea Mayfield - Tell me
21. Tapes 'N Tapes - Outside
22. Justice - Audio video disco
23. Kate Bush - 50 words for snow
24. Sonic Youth - SYR9: Simon Werner a disparu
25. Machinefabriek - Toendra
26. Jennifer Lo-Fi - Noia
27. Absu - Abzu
28. Cerys Matthews - Explorer
29. Destroyer - Kaputt
30. Lenine - Chão
31. Chrysta Bell - This train
32. Emika - Emika
33. Dum Dum Girls - Only in dreams
34. TV On The Radio - Nine types of light
35. Oneohtrix Point Never - Replica
36. Conquering Animal Sound - Kammerspiel
37. Cults - Cults
38. Bachelorette - Bachelorette
39. Little Dragon - Ritual union
40. Machinefabriek - Sol sketches
41. Sobre a Máquina - Areia
42. Noel Gallagher - Noel Gallagher's High Flying Birds
43. Architecture In Helsinki - Moment bends
44. Kimya Dawson - Thunder thighs
45. Sophie Ellis-Bextor - Make a scene
46. Art Brut - Brilliant! tragic!
47. Razika - Program 91
48. The Caretaker - An empty bliss beyond this world
49. Krallice - Diotima
50. Gonjasufi - The ninth inning EP


[TOP 50 MELHORES MÚSICAS de 2011]

01. Jónsi - Sun
02. Lou Reed & Metallica - The view
03. Bonnie "Prince" Billy - Merciless and great
04. Elbow - The birds
05. Eleanor Friedberger - My mistakes
06. Kimbra - Cameo lover
07. dEUS - Keep you close
08. Dum Dum Girls - Bedroom eyes
09. PJ Harvey - The words that maketh murder
10. Destroyer - Chinatown
11. Wye Oak - Holy holy
12. Low - Nothing but heart
13. Lamb - Build a fire
14. Evangelista - Artificial lamb
15. Razika - Vondt i hjertet
16. Elbow - Lippy kids
17. ruído/mm - Sanfonex
18. Slow Club - Where I'm waking
19. David Lynch - I know
20. The Watson Twins - Angelene
21. Thao & Mirah - Little cup
22. Fennesz + Sakamoto - 0423
23. Radiohead - Separator
24. Foo Fighters - Rope
25. Noel Gallagher - Everybody's on the run
26. Crystal Antlers - Summer solstice
27. Memory Tapes - Today is our life
28. Lykke Li - Youth knows no pain
29. Devotchka - All the sand in all the sea
30. Menomena - Oahu
31. Wilco - Art of almost
32. The Soft Moon - Repetition
33. Zomby - Natalia's song
34. Biosphere - Joyo-1
35. Chrysta Bell - Polish poem
36. Feist - A commotion
37. Alva Noto - Uni pro
38. Mika Vainio - Mining
39. Grouper - I saw a ray
40. David Lynch - Crazy clown time
41. Pedro Verissimo - Eu sempre digo adeus
42. Kylie Minogue - All the lovers
43. Deerhoof - Qui dorm, només somia
44. Britney Spears - Hold it against me
45. Rebekah Higgs - Asleep all winter
46. The Antlers - I don't want love
47. Okkervil River - The valley
48. Oh Land - Human
49. Jennifer Lopez - On the floor
50. Mount Moriah - Lament

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quatro torcedores do Internacional foram agredidos e precisaram ser atendidos em hospitais da Capital depois de uma pancadaria entre as torcidas organizadas Popular do Inter e Guarda Popular na saída do jogo comemorativo ao encerramento da carreira do atleta Fabiano Souza, no estádio Beira-Rio. O Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre confirmou a entrada de um agredido e um esfaqueado. Um dos agressores foi detido. A Brigada Militar (BM) não quis identificar o suspeito, mas confirmou a ligação dele com a Guarda Popular.

Três jovens foram esfaqueados. De acordo com comandante do Pelotão de Operações Especiais (POE) do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), Eraldo Leandro dos Santos, um dos atingidos pode perder parte do movimento de uma das mãos.

Outro ferido, um homem de 40 anos sem vínculo com as torcidas, que pediu para não ser identificado, contou à reportagem da Guaíba ter sido agredido a socos e pontapés por estar filmado a briga. De acordo com ele, no túnel de saída, as duas torcidas, que já haviam se desentendido no Gre-Nal do último domingo, trocaram socos e, ao notarem estar sendo gravados, integrantes da Guarda investiram contra ele.

Hierro, líder da Guarda Popular, em nota oficial: "Entendemos que o ser humano tem diferenças e estas diferenças trazem atitudes e consequências que nem sempre acontecem na melhor hora e local, em nenhuma das vezes que a Guarda Popular esteve envolvida em confusões dentro do estádio foi porque procuramos, provocamos ou decidimos que iriámos fazer confusão (vide imagens do sistema de segurança do estádio Beira-Rio). Não agimos, somente reagimos em legitíma defesa e quando isso acontece as consequências pra quem nos ataca sempre serão gravissímas."

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!" (Mario Quintana, dizem)